Notas iniciais
Gente, eu sei que eu demorei demais pra atualizar a fic.
Primeiro eu tive um bloqueio, depois um final de semana cheio e, por último, fiquei gripada. Ontem não estava aguentando nem ficar de olhos abertos!
Me desculpem e não desistam de ler... vou tentar não ficar assim tanto tempo sem escrever, ok?
Bjocas!

Na segunda-feira, bastou que Finn entrasse na escola com Kurt para que eles percebessem que havia algo acontecendo ali. Quase todos os alunos presentes cochichavam pelos corredores, alguns parecendo chocados, e outros rindo muito do que quer que tivesse acontecido. Ao pararem em frente ao armário do irmão mais baixo, para pegar alguns livros, encontraram Artie e Britt, que já estavam sabendo da mais nova fofoca do McKinley e ansiavam por compartilhá-la com outros membros do clube do coral.

Segundo tinham ficado sabendo, assim que chegaram ao estacionamento do colégio, a ex mulher de seu professor de educação física e treinador de vozes, Will Schuester, uma tal de Terri, tinha ido procurar por ele no final de semana, para discutir sobre sua pensão alimentícia e, não tendo encontrado o ex em casa, decidira ir até o colégio, onde, durante algumas tardes de sábado, o Sr. Schue auxiliava em treinos extra ou mesmo em jogos da liga escolar de basquete ou futebol americano.

Infelizmente, o treinamento excepcional, no qual Will tinha ido ajudar o professor Ken Tanaka, já havia terminado e, no momento em que a antiga esposa encontrou Schuester, ele estava completamente nu, deitado no sofá da sala do diretor, com a secretária de Figgins, Emma Pillsbury, igualmente despida, encaixada em seu quadril. Terri saíra gritando pelos corredores e tivera fôlego suficiente para chegar gritando, ainda, ao estacionamento, onde havia não somente alunos, como também pais que tinham ido buscar seus filhos jogadores na escola. Will, por sua vez, chegara ao local descalço e terminando de vestir a camiseta, o que não colaborara em nada para refutar os rumores sobre os quais a ex bradava, naquele exato momento.

Ao ouvir o que contavam Britt e Artie, e sabendo que o casal não era do tipo que exagerava, Finn e Kurt ficaram preocupados com o destino do clube de que faziam parte. Igualmente em choque e apreensivos estavam as meninas QRS, Sam e Puck, que tinham acabado de escutar a mesma história, das bocas de Mike e Tina.

Quase todos os alunos do McKinley amavam o professor de educação física, por isso, tanto entre os mais conservadores, que ficaram boquiabertos com a ousadia do educador e da secretária, quanto entre aqueles que achavam que Will e Emma não tinham feito nada absurdo, era quase unânime a esperança de que ele não perdesse o emprego. Havia, no entanto, vinte e sete alunos que precisavam ainda mais que fosse dado o perdão a Will, porque eventual saída dele poderia significar a extinção do coral, exatamente no momento em que este tinha mais chances de êxito.

Durante os intervalos entre as aulas e no horário de almoço dos alunos, vários membros do clube tentaram localizar o Sr. Schue, mas, como era de se esperar, ele não estava trabalhando. O Sr. Figgins, por sua vez, respondia a mesma coisa a cada um deles: deveria ser aguardado o horário de reunião do Novas Direções, durante o qual ele iria conversar com todo o grupo sobre o afastamento de seu mentor.

É claro que, chegado o horário de ensaios, toda a turma estava agitadíssima, não parava de falar um só segundo, já cogitava convidar algum outro professor para ser responsável por ela, já articulava mil e uma maneiras de tentar convencer o diretor a deixar que eles seguissem juntos, mesmo sem um treinador. Qualquer coisa seria melhor do que a extinção do coral e essa era a única coisa sobre a qual os vinte e sete realmente concordavam.

Acontece que, para alívio e alegria da garotada, o diretor assegurou a eles que Will voltaria. Ele mesmo não queria trocar nem o professor de educação física, nem a secretária, que estava com ele havia anos e nunca o havia decepcionado. Conforme contou à turma, já sabia que o casal tinha um relacionamento e, por mais que não incentivasse atos libidinosos no interior do estabelecimento escolar, também não acreditava que aquela única ocorrência fosse suficiente para uma demissão.

No entanto, como estava sendo pressionado por alguns pais mais conservadores, teria que manter Will e Emma afastados do colégio, por algum tempo, até que o evento começasse a ser esquecido. Enquanto isso, a educação física ficaria a cargo de Tanaka e Sue Silvester, que já tinham envolvimento com as atividades desportivas, e o clube do coral ficaria sem ensaiar, uma vez que, conforme o diretor estava a par, o número que seria apresentado nas Seccionais já estava bastante adiantado.

Obviamente, foi um alívio saber que o Novas Direções estava a salvo. Entretanto, para a maioria de seus integrantes, as reuniões do coral eram os melhores momentos da semana e, por essa razão, eles ainda tentaram convencer Figgins a deixar que fizessem as reuniões sozinhos. Quanto a isso, porém, o diretor não foi flexível: sem um responsável, eles não poderiam permanecer dentro do colégio, após o horário das aulas.

Os componentes do ND já estavam prestes a se retirar da sala do coral, e seguir para suas casas, bastante chateados por não poderem cantar, quando alguém salvou o dia. Uma das cantoras com menos talento do grupo, mas também uma das mais animadas dentre seus integrantes, Sugar Motta ofereceu o salão de festas de sua mansão para ensaios não oficiais, não só naquela mesma tarde, como também nos outros dias da semana em que costumava haver encontros com Will.

De certa forma, o grupo acabou tirando proveito do escândalo envolvendo Will e Emma, pois as visitas à casa de Sugar foram extremamente divertidas, mais longas do que as reuniões normais, com lanches que pareciam banquetes, e resultando na interação entre membros do grupo que nunca tinham sequer cumprimentado uns aos outros no colégio. Quem poderia imaginar Brittany, a menina mais nerd da escola, cantando e dançando com as populares Quinn e Santana a canção de Dionne Warwick I Say a Little Prayer? E Puck cantando The Lady is a Tramp com Mercedes? E o que dizer de Rachel acompanhando Sunshine em Telephone da diva Gaga?

Foi uma das melhores semanas para o grupo e só não foi perfeita, em primeiro lugar, porque a maior parte deles sentia falta de Schue, em segundo, porque, na escola, era uma semana como outra qualquer, cheia de aulas chatas, trabalhos e testes, nos quais parte deles não foi nada bem, e, em terceiro, porque alguns deles estavam tendo outros tipos de problemas pessoais.

Finn estava começando a ficar realmente incomodado com o fato de ele e Rachel ainda estarem escondendo o namoro dos dois, o que causou uma discussão entre eles na sexta-feira, depois da reunião, quando foram passear em um dos parques da cidade, como faziam quase todos os dias. Os dois foram dormir brigados, naquela noite, sem trocar nem mesmo mensagens, porque ambos eram orgulhosos demais para dar o primeiro passo em direção ao outro. Só fizeram as pazes no sábado à noite, quando, depois de uma tarde animada de jogos na casa dos Evans, só restavam os dois, Quinn, Puck e Sam, e os amigos acabaram exigindo que os dois deixassem de ser teimosos e ficassem juntos de uma vez.

Santana, por sua vez, estava brigando consigo mesma, com seus próprios desejos e sentimentos e, diante de sua própria relutância em aceitar seus segredos, dividi-los com quem quer que fosse era totalmente impensável, estava completamente fora de cogitação. Por mais que Rachel e Quinn tenham percebido que ela estava ora irritada, ora triste, e até mesmo chorosa, o que não era nada típico de Santie, não conseguiram fazer com que ela dissesse absolutamente nada sobre o que quer que a estivesse incomodando.

E havia, ainda, Kurt, que tinha recebido, ao longo da semana, mais seis cartas, que juntou às três primeiras, recebidas no final da semana anterior. As cartas ficavam cada vez piores, mais ameaçadoras, mais assustadoras, o que acabou fazendo com que ele dividisse o problema, finalmente, com o irmão.

"Kurt, desde quando você tá recebendo isso? Por que você não tinha me falado nada?" Perguntou Finn, preocupado, olhando as nove cartas, espalhadas pela cama do irmão.

"Desde semana passada, mas eu não queria preocupar ninguém. E isso é coisa de gente idiota, que não tem o que fazer... eu não queria dar importância."

"Mas, Kurt, a gente TEM que dar importância! A gente tem que levar isso ao diretor! Isso é grave."

"Não, Finn. Eu não quero levar isso a ninguém... você vai me prometer não contar isso a ninguém." Se exaltou o rapaz.

"Kurt..." Finn passou as mãos pelos cabelos, frustrado, mas viu nos olhos do irmão que ele não mudaria de ideia. "Tudo bem. Eu dou minha palavra." Respirou fundo. "Mas se isso continuar..."

"Se isso continuar, eu mesmo vou ao diretor. Por enquanto, não vamos fazer nada. O que a pessoa... ou as pessoas querem... é que eu me assuste... que eu saia do colégio. Isso não vai acontecer mesmo." Encolheu os ombros.

Finn lançou um olhar de apoio ao irmão e voltou a olhar as cartas. Eram cartas covardes, nas quais Kurt era chamado de bichinha, frutinha, fresquinho, e que diziam que no McKinley não havia lugar para gente como ele, não havia tolerância, e que ele deveria sair fora, deveria ficar em lugares onde houvesse mais gente do tipo dele. As mais recentes eram ainda mais grosseiras, falavam em homossexualismo como uma coisa suja e sugeriam que uma limpeza deveria ser feita.

Hudson sabia que o irmão estava assustado, mas entendia que ele preferisse esperar um pouco antes de falar sobre o assunto com mais alguém. As coisas no McKinley não ficavam em segredo por muito tempo e, quando se mexe em vespeiro, as chances de picada aumentam.