Uma Nova Injeção De Adrenalina
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Mesmo assim, estava ainda com essa fic na cabeça e não estava inspirada para escrever Herança de Grego, então vou postar o capítulo.
Bjs a todos! Boa semana! (sim, deveria ter falado isso ontem rsrsrs)
"Rachel... Rachel, eu preciso te contar uma coisa." Disse Sam, nervoso, ao alcançar Rachel, no estacionamento da escola, quando ela andava para o local onde esperaria, como todos os dias, por Quinn e Santana.
"Bom dia pra você também, Playmobil." Falou, animada, a amiga, usando o apelido que ela, Quinn e Santana lhe tinham dado, quando eram mais novas, e que ela ainda resgatava, de vez em quando. "Eu também tenho uma coisa pra contar." Sorriu.
"Me desculpa, Rach... mas me deixa falar primeiro, porque é uma coisa séria e eu tenho medo de perder a coragem de te falar."
"Você tá me assustando, Sam. Fala logo!"
"Eu e o Puck... nós estávamos desconfiados do Jesse. A gente tava achando que ele não tava sumindo nos finais de semana só pra fazer pega, pichar lugares e perseguir os nerds, com o Dave e o Azimio. Ontem, a gente finalmente comprovou e... Rachel, eu não queria te fazer sofrer, mas você precisa saber. O Jesse tá chifrando você."
"Isso não me surpreende, Sam. A gente nem ficava junto direito... é claro que ele devia ter alguém." Falou, indiferente, se lembrando que uma vez escutara Grace falando alguma coisa sobre se divertir com Jesse, mas nem dera atenção, pois estava mais preocupada com o que Hayden tinha a dizer sobre Finn.
"Rach, você tá justificando esse cara?" Perguntou o loiro, entendendo errado.
"Não, não. Não é isso. É que... eu não me importo, Sam. De verdade! Eu nem tô mais namorando o Jesse, e era isso que eu tinha pra te contar."
"É sério que você nem liga pra ter sido chifrada?" Questionou, incrédulo. "E eu aqui com a maior vontade de dar uma lição nesse imbecil, por ele ter desrespeitado você, desse jeito."
"Não faz nada, por favor. Eu não quero você nem nenhum dos meninos brigando com o Jesse. Ele tá envolvido com aqueles trogloditas. É perigoso!"
"E vai ficar por isso mesmo?" Perguntou, inconformado.
"Eu terminei com ele. Eu não tô sofrendo nem nada, Sam."
Olhou para o amigo e pensou que, na verdade, ele tinha alguma razão. Claro que ela não estava nem aí para o fato de Jesse ter saído com alguém, mas isso não significava que ela achasse correto sair expondo uma pessoa como ela por aí, sem mais nem menos. St. James, de fato, merecia uma lição. No entanto, não precisava ser nada violento e nem partir dos meninos. Seria uma coisa sutil e executada pela própria Rachel.
"Fica tranquilo porque eu já sei um jeito de dar a ele a liçãozinha que ele merece, ok?" Assegurou ao amigo, já vendo Quinn e Santana virem na direção dos dois.
Como era segunda-feira, Rachel e Finn tinham a primeira aula juntos. No entanto, não se falaram, porque a morena evitou o rapaz, chegando tarde, sentando longe e saindo rápido da sala. Não fazia isso por querer realmente evitá-lo, mas por saber que ele perguntaria a respeito do fim do namoro dela com Jesse, e ela não queria contar as boas novas a ele em uma sala de aula cheia de gente. Queria poder se jogar nos braços dele e comemorar, quando ele ficasse sabendo que o problema deles estava resolvido.
Para que ele não achasse que ela estava se esquivando por ter mudado de ideia sobre os dois, assim que chegou à aula seguinte mandou uma mensagem, perguntando se ele poderia ir para a sala do coral, logo no começo do intervalo de meia hora que eles tinham entre o final das aulas e o início do encontro do clube. Como esperava, obteve uma resposta positiva, com direito a uma carinha sorridente e piscando no final, mensagem que só fez aumentar sua ansiedade, sua vontade de que o tempo passasse depressa, o que trouxe, ao mesmo tempo, a sensação de que ele estava andando cada vez mais devagar.
Antes de encontrar seu grandão, entretanto, tinha algumas contas a acertar com Jesse. A hora do almoço lhe pareceu o momento perfeito, uma vez que o ex estava no refeitório com Azimio, Karofsky e outros dois integrantes do time de futebol, além de Hayden, Claire, Grace, sentada em seu colo, e mais três líderes de torcida novatas, e na mesa ao lado estavam Scott Cooper, Rick Nelson e outros entojados do time de Hockey. Se era para o todo popular St. James ser desmoralizado, com certeza as pessoas perfeitas estavam presentes.
"Olá, Jesse." Disse, com um sorriso no rosto.
"Oi, Rachel." Respondeu, sentindo-se desconfortável. Não esperava que ela viesse falar com ele, muito menos no momento em que ele estava contando sua própria versão sobre o término dos dois. Tratava-se de uma versão na qual, obviamente, ele teria terminado com ela e deixado uma das princesinhas do colégio desolada.
"Jesse, eu gostaria que você passasse lá em casa mais tarde, pra buscar as suas coisas. Eu provavelmente não vou estar, mas eu já dei instruções a Eugene e ela ia colocar tudo numa sacola. É só chegar lá e pedir a ela, ok?" Fez uma pausa, como se fosse sair. "Ah! Tinha alguma coisa lá além de um boné dos Giants, seus óculos escuros, aquela polo vermelha que eu te dei, uma bermuda azul marinho e uma cueca do Piu-piu?" Perguntou, com naturalidade.
Jesse ficou vermelho de raiva e vergonha. Sabia que viraria motivo de piada. Aliás, já tinha virado, porque, logo que Rachel terminou a frase dela, na mesa ao lado alguém já disse "Eu acho que eu vi um gatinho", forçando uma voz bem aguda, e todos da outra mesa e da dele, com exceção de Grace, riram. A única salvação seria ele, mais tarde, usar o fato para espalhar que tinha feito sexo com Rachel.
"Você não lembra? É aquela que você tava usando no dia em que passou mal e o meu padrasto te colocou em baixo do chuveiro." Iam por água abaixo os planos dele e sua reputação descia pelo ralo a cada palavra da invocada baixinha.
"Só porque a gente terminou você precisa me humilhar pra se sentir melhor, Rach?" Ele questionou.
"Não, Jesse. De jeito nenhum! Eu só quero devolver direitinho todas as suas coisas... que é pra você poder esquecer na casa da sua nova namorada." Debochou. "Aliás, eu acho que foi bem escolhida, dessa vez. A Grace deve ter muito a ensinar sobre as coisas que você precisa aprender." Riu. "Eu não sei muito sobre essas coisas, mas dizem que desempenho é mais importante que tamanho, então se você se esforçar e tudo mais... você ainda tem salvação... apesar de... hum... você sabe."
"Qual é a sua, Rachel?" Levantou, tirando Grace do colo. "Você e eu nem transamos, garota! Como você pode dizer essas coisas sobre mim?"
"Não precisa transar pra saber certas coisas, Jesse. Mas eu não vou entrar em detalhes."
"Isso tudo que você tá dizendo aí é porque você é uma recalcada. Quem já provou da fruta sabe que nada disso é verdade. Fala, Grace!" Mandou.
"Aaaah! A Grace sabe, é? Poxa, vocês foram rápidos! A gente terminou ontem e ela... JÁ... SABE!" Continou com a ironia.
"Foi por isso que você terminou comigo, então?" Ele disse, sem nem perceber que estava afundando cada vez mais. Agora, ele mesmo estava mostrando a todos que mentira sobre o término. "Descobriu sobre a Grace e não se aguentou de ciúmes?" Tentou se gabar.
"Não." Ela riu. "Eu terminei com você porque a gente não tinha mais nada a ver. Eu só soube da Grace... e de uma tal de Kathleen... hoje de manhã." Acrescentou, séria. "Eu não tô nem triste, Jesse, porque a gente já não tava mais juntos, de verdade, há muito tempo. Mas eu devo dizer que eu esperava mais de você."
Dito isso, Rachel virou as costas e foi embora do refeitório, deixando um Jesse irritado para trás. Ele tinha sido humilhado de todas as maneiras possíveis. Diante dos maiores responsáveis pelo bullying naquela escola, Rachel havia exposto que ele usava uma cueca com estampa de personagem infantil, que o padrasto dela tinha dado banho nele, a sua falta de experiência sexual com uma namorada com quem ele ficara mais de um ano, o fato de ele ter sido dispensado e, consequentemente, que ele tinha mentido para os amigos, se gabando de algo que não fizera.
Até aquilo de que ele poderia tentar se gabar para os meninos, a última esperança de salvar um pouco a sua honra de macho, que era o fato de não ter sido um namorado fiel, tinha um lado prejudicial a ele, porque Grace estava ali e, de todas com quem ele vinha se encontrando, ela era a única que fazia realmente de tudo com ele, sexualmente falando. Seria um desastre completo, se a constatação de que não tinha sido a única extraoficial a afastasse dele.
Enquanto o monstrinho da ira crescia dentro de Jesse, Rachel não pensava mais nele. Não tinha porque pensar, afinal, para ela o assunto estava encerrado. Acreditava que ele ficaria com raiva, por conta da humilhação sofrida, mas logo a esqueceria. Então, seguiu com suas aulas, esperando ansiosa pelo sinal que encerraria o turno letivo e deixaria meia hora de seu dia livre para ver Finn.
Foi a primeira a chegar à sala do coral, pois ele fora interceptado por Kurt, que o convidara para fazer um lanche na cantina. Estando o irmão do rapaz com Mercedes, Sunshine, Artie e Brittany, Finn não pudera contar a verdadeira razão pela qual estava indo cedo para a sala do coral, e fora bem difícil pensar em uma desculpa convincente.
"Oi." Ele disse, atrás dela, quase encostando a boca em seu pescoço, depois de entrar na sala e encontrá-la distraída, lendo algo em um caderno, apoiado sobre o piano.
"Você demorou! Eu já tava aflita!" Exagerou, virando-se para ele, enquanto falava.
"Pensou que eu não viesse?" Implicou.
"Não." Falou, com voz manhosa. "Eu só queria te ver logo. Eu tava com saudades... e tenho novidades." Ele só levantou as sobrancelhas, questionador, e ela respondeu com um aceno positivo de cabeça.
"É sério? Você terminou com ele?" Ela balançou, enfaticamente, a cabeça, outra vez. "Assim... tranquilamente? Ele nem tentou dificultar?" Finn tinha certeza de que Jesse não era do tipo que perde algo sem lutar. Ainda que negligenciasse sua relação com Rachel, o garoto montara guarda quando se sentira ameaçado, então era estranho que ele aceitasse facilmente o fim.
"Acho que ele também já tá em outra... ou outras." Riu.
O rapaz não entendeu, mas também não fazia questão. Abraçou-a, imediatamente, rodopiando com ela no colo. Os dois riam juntos, sentindo-se leves, livres, alegres. Tudo o que ele queria, agora, era beijar, abraçar, tocar sua baixinha, como não pudera fazer na noite de sábado ou no começo daquele mesmo dia, ao vê-la, linda como sempre, durante a aula da professora Beiste.
Então, ele a colocou no chão, e os dois pararam de rir, passando a olhar, intensamente, um nos olhos do outro. Ele tocou o rosto dela, com uma delicadeza tão grande que parecia pensar que ela poderia quebrar. Ela fechou os olhos, sentindo os dedos pele percorrerem o seu queixo, a sua maçã do rosto, o seu nariz, os seus lábios, como se quisessem memorizar cada traço, como se ele fosse um cego querendo apreender a imagem dela com seu tato.
Mesmo aquele toque sutil causava sensações dentro dela que só tinha conhecido mesmo com ele. Havia um calor e, ao mesmo tempo, um arrepio. Havia uma paz e, contraditoriamente, uma inquietação. Ela acreditava que o tempo podia parar e ela seria feliz com ele simplesmente brincando de esculpir o rosto dela, para sempre, mas, por outro lado, havia uma urgência enorme de que ele aprendesse logo, ficasse satisfeito com aquela espécie de pesquisa, e passasse à fase seguinte.
Não porque fosse capaz de adivinhar os pensamentos e desejos dela, mas por precisar ele mesmo de mais, Finn finalmente tocou os lábios dela com os seus. Os dois se abraçaram, aprofundaram o beijo, e esqueceram do mundo.
Era como se só houve, em toda a fase da Terra, dois seres humanos, criados um para o outro.
Ainda que, na verdade, eles estivessem em uma escola frequentada por centenas de alunos, e vinte e cinco deles estivessem para chegar àquela mesma sala, a qualquer momento.
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