Uma Nova Guerra Santa
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um novo dia nascia, junto com ele a esperança de que tudo seria diferente.
Poderia ser um dia qualquer para muitos, menos para os alunos da Escola Palaestra, uma instituição feita especialmente para que jovens cavaleiros aperfeiçoassem seus talentos, uma escola idealizada e financiada por Saori Kido, ou Atena – Deusa Da Guerra e Da Justiça.
A Terra desfrutava de alguns anos de paz após a luta contra o Deus Saturno, muitas coisas mudaram, muitos cavaleiros tiveram filhos e novas lendas estavam para nascer.
– Vamos menina Sasha! Se apresse! Eles já vão chegar! — falou Abigail apressada.
– Já vou! – respondeu a jovem de 16 anos, terminando de amarrar o seu laço verde nos cabelos em forma de tiara. Tinha longas madeixas castanhas e olhos verde água, pele branca, estatura baixa (1,55 m), se vestia de forma recatada.
Terminada a tarefa, saiu do quarto e se dirigiu a entrada de Palaestra, para abrir os portões e recepcionar os jovens aspirantes a cavaleiros, era sua função mostrar a escola e lhes dizer suas regras.
Quando estava no meio do caminho encontrou Tenma, um jovem de 17 anos, com cabelos curtos negros como a noite, olhos azuis a principio serenos, mas, demonstravam frieza e aparente indiferença aos outros, estava com o uniforme da academia, encostado na parede, aparentemente a esperando.
– Bom dia Tenma – cumprimentou-o – fiquei surpresa ao vê-lo de pé tão cedo, ainda mais sabendo que hoje você poderia ficar na cama até mais tarde.
O jovem a olhou diretamente, a frieza e a indiferença direcionada aos outros, se dissipou no momento em que ele a viu, Sasha era a única pessoa que conseguia derreter seu gelado coração, ainda mais logo pela manhã.
– Bom dia, resolvi dar uma ajuda a você, esses pirralhos dão trabalho, não quero que eles passem em cima de você — ele respondeu já andando.
Ela riu baixinho, e se apressou em acompanhá-lo. Sempre foram assim, Sasha era a “Grande Mãe” dos alunos novos, era gentil e paciente com todos, enquanto que Tenma era sempre frio, não que fosse mal, só achava que não tinha obrigação de ser gentil com todos.
Em pouco tempo chegaram a entrada da escola onde quatro fileiras de quinze alunos cada uma estava perfeitamente alinhada, Sasha pode perceber que todos estavam nervosos, ela pode ver que alguns até transpiravam, respirou fundo e começou a falar.
– Bom dia a todos vocês. Sejam muito bem vindos a Palaestra, me chamo Sasha, sou a inspetora de alunos e hoje servirei de guia para lhes mostrar a escola e falar suas regras, não exitem em me pedirem ajuda – ela falou com um terno sorriso, muitos já relaxaram ao som de sua melódica voz – e este ao meu lado é Tenma o Cavaleiro de Bronze de Pégaso, ele vai ser meu ajudante por hoje – ela completou, dando uma piscadela para ele, que simplesmente deu um dar de ombros.
Quando escutaram essa ultima parte, muitos já gelaram. Pois quem conhecia bem a história sabia muito bem que os cavaleiros de Pégaso eram sempre considerados lendários e os mais próximos a Athena.
E assim sendo Sasha os conduziu a todos os lugares da escola e ia ditando as regras regentes, quando queriam começar um falatório fora de hora Tenma somente os olhava e os alunos já se calavam, andava sempre ao lado de Sasha, e se perguntava como alguém podia sorrir tanto e ser tão paciente em uma sexta de manhã com um bando de pivetes falando na cabeça dela.
Após mostrar toda a escola e explicar todas as regras, eles os conduziram até o refeitório, para que almoçassem e Sasha os avisou que teriam aquele fim de semana livre para desfazerem as malas e descansarem e começarem a se entrosar.
Andava calmamente para pegar sua comida quando percebeu uma risada debochada.
– E então Sasha, já se cansou de ser babá dos pivetes? – perguntou Aclima, sendo acompanhada de suas duas amigas.
Sasha somente sorriu e desejou que tivessem uma ótima refeição, as três bufaram, pois não era essa a intenção.
– Sasha como consegue ficar calma e ainda por cima sorrir e lhes desejar uma boa refeição?! – falou Tenma irritado, assim que ela se sentou junto a ele não gostava daquelas três em definitivo.
– Tenma, não sou de briga você sabe disso, além do que não ia levar a nada se eu revida-se, até porque acredito que seja isso que ela queria – ela respondeu paciente.
Ele apenas bufou e voltou para sua refeição, comeram em silencio, algumas vezes ele a encarava discretamente, apenas pensando em como poderia alguém ser tão gentil com todos e a todo momento. A conhecia desde que entrou em Palaestra a sete anos, lembrou que tinha se encantado de cara com a figura gentil e sorridente, e acabou tendo uma ideia.
– Ei Sasha, hoje faz sete anos que nos conhecemos, você certamente se lembra não? – perguntou a ele.
– Claro que sim. Me lembro que já no primeiro dia você estava quase saindo nos socos com Baron, o filho do antigo Cavaleiro de Unicórnio Jabu – ela falou sorrindo se lembrando do dia dos dois garotos se encarando mortalmente, ele ficou emburrado ao se lembrar do fato – lembro que cheguei bem a tempo de impedir que vocês dois se atracassem feito dois cães, bom não poderia ser diferente, você é cavaleiro de Pégaso e ele de Unicórnio, é natural que briguem feito cão e gato.
– Sabe até hoje nunca entendi porque os cavaleiros de Pégaso e Unicórnio brigam tanto – ele comentou pensativo.
– Deve ser porque Pégaso é um cavalo alado, diz a lenda que nasceu do sangue da cabeça da Medusa assim que Perseu a matou. Como é um cavalo que pode voar até o Olimpo e ficar perto dos Deuses, enquanto que o Unicórnio é preso a terra.
– Bom isso explica muita coisa, fora o fato dele ter um chifre – ele falou com um sorriso irônico.
– Não seja maldoso Tenma! – ela o repreendeu rindo.
– Só estou brincando, você sabe – ele falou sorrindo – bem, eu queria te chamar para irmos a vila que fica aqui perto de Palaestra, estamos de folga mesmo.
– Gostaria de aceitar, contudo estarei ocupada o fim de semana – ela respondeu, vendo que ele tinha fechado o sorriso ela resolveu lhe contar um segredo – Tenma não quero que fique assim, é por uma boa causa. Como você bem sabe, os alunos do ultimo ano já vão sair da escola o que significa que saíram cavaleiros formados, prontos pra batalha, e daqui a quatro semanas terá um torneio, onde terão 24 vencedores que futuramente podem se tornar cavaleiros de ouro e Athena e os cavaleiros lendários vão comparecer e isso significa que terei muito trabalho pela frente – ela completou baixinho.
Tenma ficou incrivelmente surpreso, não acreditava que teria a oportunidade de se tornar um cavaleiro de ouro o posto mais almejado por qualquer cavaleiro.
– Está desculpada Sasha, mas vai ficar me devendo um encontro – ele falou distraído, e assim que percebeu o que tinha falado tratou de se desculpar, e a olhou e viu que tinha abaixado o olhar e estava ruborizada, “bem talvez, só talvez ela goste um pouco mais de mim,” não sabia dizer, ela era muito recatado não tinha intimidades com quase ninguém, ele era uma das poucas exceções.
O fim de semana se passou tranqüilo, exceto por alguns alunos perdidos e ameaças de brigas por parte outros, mas nada que não fosse normal, tudo estava sobre controle.
A segunda de manhã chegou com as notícias do torneio, todos os alunos e alunas do último ano poderiam participar, teriam quatro semanas para se prepararem e os 24 vencedores (12 cavaleiros e 12 amazonas) seriam treinados pelo cavaleiros que as armaduras escolhessem.
– Mas quatro semanas serão suficientes? – perguntou um aluno da sala de Tenma. Sasha estava indo de sala em sala dando os avisos e tirando as dúvidas dos alunos.
– Os Cavaleiros de Ouro, o Grande Mestre e Atena fizeram uma reunião e entraram em um acordo. Mas podem ficar tranquilos, por conta do torneio vocês terão menos aulas, para poderem treinarem mais – ela respondeu, todos os alunos se acalmaram.
– E quem vai estar presente nesse torneio? – perguntou Baron, o atual usuário da armadura de Unicórnio.
– Todos os Cavaleiros de Ouro, Grande Mestre, Atena e Seiya – ela prontamente falou
– Mas e quanto a filha de Atena? Ela nunca apareceu em nenhum evento de Palaestra – falou Aclima.
Todos os alunos começaram a cochichar entre si, praticamente todos falavam da misteriosa filha de Atena, todos sabiam que ela existia, mas ninguém nunca a vira, achavam que seria natural que a filha acompanhasse a mãe nos eventos da escola.
– Isso só diz respeito a Atena e a Seiya, tudo o que eles decidem é por segurança da menina – interveio Geki o antigo Cavaleiro de Bronze de Urso.
Algum aluno ia protestar, contudo Geki o cortou com um olhar amedrontador.
– Vocês devem entender, a garota sendo filha de uma das Olimpíadas e de um Cavaleiro lendário como Seiya, é natural que eles prezem a segurança dela, se ela fosse somente filha de Seiya ela já correria um grande perigo, agora como ela tem sangue divino correndo em suas veias, ela corre mais riscos ainda – ele finalizou e acompanhou Sasha até a porta – essa foi por pouco – disse baixinho.
– Sim, mas um dia eles terão que saber – ela falou, mas se curvou em agradecimento e saiu para terminar de dar os avisos.
Na hora do almoço Tenma encontrou Sasha sentada na mesa dos dois.
– Desculpa o atraso, Geki estava inspirado hoje – ele falou assim que se sentou.
– Imagino, sempre que volta das férias, está mais cheio de idéias – concordou rindo.
– Sasha por que você não larga esse traste e aceita sair comigo? – perguntou Baron passando o braço pelo ombro dela.
Ela se assustou e se afastou de imediato, Tenma com raiva pela ousadia dele se levantou num sobre salto e o levantou pela camisa.
– Como pode chegar assim, está louco? – ele praticamente gritou.
A rincha entre os dois já era conhecia por todos os alunos, desde que se viram a primeira vez, soltaram farpas e isso só piorou quando cresceram, pois ambos queriam provar ser o melhor para Sasha, e como Tenma sempre foi o mais próximo dela, Baron morria de ciúmes.
– Ao que me consta você não é o namorado dela, portanto ela é livre para receber galanteios de quem seja, e me inclui – Baron falou audacioso, quando Tenma o tinha soltado .
Tenma gelou por inteiro, o que ele tinha dito era verdade, mas isso não significava que queria aceitar tal fato, então eles se encararam mortalmente como nunca antes tinham feito, nesse tempo o refeitório inteiro parou, todos estavam apreensivos com a possível luta, sabiam que os dois eram muito fortes e temiam o resultado de uma luta entre eles. Sasha vendo tudo segurou a mão de Tenma para que ele não avançasse.
– Parem vocês dois! Que tipo de exemplo estão dando para os alunos mais novos?! Não é porque já são veteranos que podem fazer o que quiserem! E quanto a você Baron, é verdade que posso receber galanteios de qualquer um, contudo quem decide se os aceito ou não sou eu e mais ninguém, portanto não haja como se fosse meu dono colocando seu braço em meu ombro porque não lhe dei intimidade para tanto – ela falou severa.
Todos ficaram assustados com o tom de voz dela. Quem a conhecia sabia muito bem que ela sempre falava em um tom baixo e calmo, sempre amável com todos, todos os dias da semana as vinte e quatro horas do dia, e não foi por menos que muitos alunos ficaram literalmente de boca aberta ao escutar a voz mais alta e brava.
Tenma que desde que entrara na escola sempre estava perto dela nunca a tinha visto ser rude com nenhum dos alunos, nem mesmo com Aclima que diariamente a atormentava, mas não pode deixar de ficar feliz em vê-la rechaçar Baron.
– Mas Sasha... – Baron começou.
– Sem mas Baron. Hoje você escapa, mas da próxima vez que fizer isso, você vai falar com o diretor. – ela o cortou de maneira firme.
Dizendo isso, puxou Tenma pelas mãos para sair do refeitório, deixando todos boquiabertos com tal atitude.
– Sasha dessa vez você realmente me surpreendeu! – ele falou assim que já estavam fora do refeitório, estavam atrás dele, vários bancos eram dispostos, eram usados quando os alunos queriam descansar entre os treinos.
– Tenma, você não devia ter sido agressivo, isso é exemplo que se dê?! – ela falou menos irritadiça – não tinha necessidade daquele ataque, ainda mais no refeitório, todos os alunos estavam lá!
– Estou pouco me lixando para a opinião dos outros alunos, e você sabe muito bem disso. A única exceção que faço é você – ele replicou.
E ambos perceberam que suas mãos ainda estavam juntas com os dedos entrelaçados, o rubor no rosto dela seria perceptível a quilômetros de distância.
Tenma pegou uma das mãos dela e deu um beijo suave, ela ficou mais corada ainda e levantou a cabeça para olhá-lo, então ele levantou a mão e lhe acariciou o rosto, e quando ele ia falar ouvem um pigarrejo.
Era Harbinger, o mestre do Santuário, ganhou essa posição após a guerra santa contra Pallas e Saturno, antes era conhecido como o Cavaleiro de Ouro de Touro.
– Sasha, Athena quer falar com você – ele falou sério, e com um olhar ‘’de matar’’ em direção a Tenma.
– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou alarmada.
– Não se preocupe, ela só quer conversar sobre o torneio e um outro assunto confidencial – respondeu ainda com a posição séria.
Ela assentiu, disse a Tenma que depois conversariam e seguiu para a sala particular que só podia ser usada por Athena ou pelo grande mestre. Assim que ela saiu de vista, Harbinger foi para perto de Tenma.
– Garoto quais são suas intenções com a menina Sasha? – ele disparou sério.
Tenma foi pego de surpresa, nunca imaginou que logo o grande mestre do Santuário fosse lhe fazer uma pergunta daquelas, sabia muito bem que por ser frio e um tanto recluso, muitos duvidavam que sequer tivesse coração, sua fama não era das melhores e entendia de certo modo a preocupação do Mestre, Sasha era muito querida na escola, então compreendeu a preocupação dele.
– Não se preocupe grande mestre, minhas intenções com ela são as melhores – Tenma garantiu com firmeza.
Harbinger encarou Tenma por alguns segundos que pareceram horas, tamanho era a apreensão do jovem cavaleiro, de repente, Harbinger começou a rir, no nível de ter de se dobrar e colocar as mãos na barriga. Tenma ficou espantado e pensou que o mestre era louco.
– Ótimo, até que enfim alguém conseguiu chegar no coração da Sasha – ele falou ainda rindo, limpando as lágrimas dos olhos – e é um milagre alguém chegar perto de você, com a fama que tem, contudo acho que eu não deveria me surpreender de você e a Sasha se darem tão bem.
– Porque diz isso? – o jovem perguntou curioso.
– Bem, porque Tenma foi o nome do cavaleiro de Pégaso antes de Seiya, e Sasha foi o nome da Athena anterior, ambos eram da mesma época foram criados com irmãos – o mestre respondeu.
Tenma ficou bastante surpreso, mas ficou confuso quanto ao fato de Athena e Pégaso terem sido criados como irmãos, pois até onde sabia, quando Athena reencarnava, ela aparecia em forma de um bebê aos pés de sua estátua.
– Se quiser saber a história completa pergunte a Sasha, ela sabe melhor do que eu a história, só lhe digo uma coisa – o mestre falou agora mais sério e pondo as mãos nos ombros do jovem – eu sinceramente fico muito feliz que vocês estejam juntos, contudo vou lhe dar um aviso: nunca a magoe porque se o fizer será um homem morto.
Tenma encarou o Grande Mestre sabia o quanto Sasha era admirada em toda escola, mas jamais imaginou que ele faria uma ameaça desse tipo. Então apenas assentiu, feito isso Harbinger disse a Tenma para voltar aos seus afazeres e treinar para o torneio, Tenma assentiu e pediu ao Mestre que pedisse para Sasha encontrá-lo no lugar secreto no final do dia antes do jantar, Harbinger desconfiou um pouco mas assentiu.
Tenma seguindo o conselho do Mestre foi treinar para o torneio, já que não teria mais aulas naquele dia, se dirigiu para umas das salas de treino. Passou toda a tarde ali, contudo uma coisa o incomodava: apesar de todos dizerem que ele era forte e tudo o mais Tenma tinha muitas dificuldades em elevar o cosmo e controlá-lo devidamente, e agora com o torneio seu nervosismo só piorava o que dificultava ainda mais em controlar o cosmo.
E nas salas de treinamento não se falava em outra coisa a não ser da discussão do refeitório, todos cochichavam a respeito do assunto e faziam suas apostas de quem ganharia a luta se ela tivesse acontecido, a maioria apostava em Tenma, mas outro assunto que era muito comentado foi da Sasha ter puxado Tenma de mãos dadas e no quase beijo que aconteceu entre os dois (um dos alunos quando passara por ali os viu e claro a noticia se espalhou feito vento), muitos até se assustaram quando souberam do quase ocorrido, Sasha e Tenma eram como fogo e gelo e faziam mais apostas se eles iriam ficar juntos ou não. Claro que as amazonas entre 15 e 17 anos ficaram decepcionadas com a noticia pois ainda tinham alguma esperança em conquistar o coração gelado de Pégaso, o que não foi diferente com os cavaleiros que iriam tomar coragem e tentar ficar com Sasha.
Ao final do dia Tenma se dirigiu ao lugar secreto deles, era uma clareira que ficava na floresta que separava o Santuário de Palaestra, descobriram o lugar por acaso, ainda no primeiro ano de Tenma e desde então sempre que podiam iam ao local para falarem a sós.
Quando chegou lá Sasha já estava lá colhendo flores, ela sempre as colhia, depois se sentava e fazia ou pulseiras ou tiaras come elas, ela falava que as fazia para colocar nos túmulos dos cavaleiros e amazonas mortos em batalhas.
– Sasha! – ele a chamou.
Ela se virou e lhe dirigiu um sorriso terno e foi em sua direção com os cabelos balançando ao sabor do vento.
– Então Tenma como foi o treino? – perguntou assim que se sentaram na relva.
– Foi bem – ele respondeu mas ela pode ver a cara de preocupação e arqueou a sobrancelha como sinal para que continuasse a responder – bem estou preocupado com uma coisa.
– Que coisa? – ela perguntou intrigada, era muito raro vê-lo preocupado com alguma coisa.
– Bem apesar de já estar quase saindo da escola como um cavaleiro formado e tudo o mais, ainda tenho muitas dificuldades em elevar meu cosmo e controlá-lo – respondeu a contra gosto.
Sasha o observou e entendeu a preocupação dele, era um problema muito grave para um cavaleiro, ainda mais um que almejava ser um cavaleiro de ouro. Mas mesmo assim sorriu em compreensão e colocou a mão na cabeça dele e acariciou para acalmá-lo, ele por sua vez estranhou o contato, era quente e aconchegante, tinha a sensação de lar.
– Tenma posso perguntar uma coisa? – ela pediu assim que tirou a mão.
– Claro.
– Tenma porque quer se tornar cavaleiro? E não venha dizer que é porque ama todas as pessoas porque não estaria sendo sincero – ela falou.
Ele pensou um pouco, não entendia porque ela queria saber isso, mas já que era uma pergunta dela, pensou sobre a resposta que daria e seus pensamentos vagaram para sua infância antes de ir para o santuário.
– Bem tem haver com um amigo meu que morreu antes de eu vir para Palaestra, ele foi morto por um dos cavaleiros de Ares, foi falado na época que foi por acidente pois estávamos num local de treinamento deles, mas eu sei que era mentira porque aquela era uma área aberta, eu vi o desejo de sangue daquele cavaleiro, não sei o nome dele, mas nunca mais vou conseguir esquecer o seu rosto, então quando o mestre foi ao meu orfanato e me escolheu para treinar vi nela a oportunidade de fazer justiça quanto a morte do meu amigo – ele respondeu apertando as mãos em punhos ao se lembrar do ocorrido, ainda sentia muita culpa de não ter podido ajudar o amigo, ele tinha morrido em seus braços.
Sasha viu a imensa dor nos olhos dele, e o abraçou e ele retribuiu o carinho, e ficaram ali abraçados perderam a noção do tempo e ela se desculpou pela pergunta, disse que não intenção trazer recordações tão tristes.
– Você não tem o que se desculpar, nunca falei disso pra ninguém – ele a tranquilizou, ainda abraçados – mas posso saber porque me perguntou isso?
– Bem você me disse que está com problemas em controlar o seu cosmo, então achei que sabendo o motivo de você lutar poderia te ajudar – ela respondeu, e viu q eu ainda não tinha entendido – Tenma a sua motivação é o seu cosmo, os seus motivos pra lutar independente de quais sejam precisam ser fortes para motivá-lo a querer melhorar, a sua motivação e a sua determinação em concretizar o seu objetivo fazem com que o seu cosmo aumente, fora é claro se você tiver alguma problema pra concentrar.
Ele escutou tudo atentamente, e viu que ela tinha razão, seus motivos pra lutar eram fortes, e não era só pelo seu amigo mas também era pela Sasha, tinha um estranho instinto em querer ficar perto dela, protegê-la desde a primeira vez em que a tinha visto, agora tinha plena consciência de seus sentimentos em relação a ela e agora entendia o que lhe faltava.
– Tenma se você quer controlar o seu cosmo plenamente se concentre nos motivos para lutar, pense neles no momento em que elevar seu cosmo, tenho certeza que você vai conseguir fazer com o que o Pégaso dentre de você voe – ela disse por fim colocando a mão no coração dele enquanto falava.
Ele assentiu em agradecimento e sorriu , um sorriso caloroso e gentil que ela nunca tinha visto, sempre que ele sorria era de uma forma discreta e morna, ainda que fosse para ela, ele sempre era muito reservado em demonstrar seus sentimentos, e por fim ele a abraçou, um calor reconfortante e seguro passou para ela e o abraçou foi retribuído ainda que a garota estivesse surpresa, tinha conhecido faces do garoto que nunca imaginou que ele fosse mostrar para alguém.
O sol já estava se pondo quando se soltaram, ele agradece o conselho e ficou olhando nos olhos da garota, ela por sua vez estava ficando sem graça pela forma que ele a estava olhando. Então ele disse para irem se prepararem para o jantar, e se levantaram e seguiram o caminho para a escola e cada um foi para os seus aposentos tomarem um banho e com a certeza de que sentimentos maiores tinham sido despertados.
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