Uma Nova Existência - Eiva
2 2 - D o i S
"Querido diário sei que uma garota “boa” demais como eu, estrategicamente falando não deveria mais ter diários, mas você foi minha ultima e lastima alternativa, ontem meu primeiro dia de aula não foi um dos melhores da minha vida, um mauricinho metido a rico derrubou atum, e seu irmão gêmeo me deu carona, espero que me entendas (nossa como escrevo bem, me sentindo a Julieta), mas infelizmente não estou à procura de um Romeo. Hoje me acordei novamente no horário de sempre, a diferença é que hoje está dando mais preguiça do que ontem. A-d-e-u-s”.
06 de agosto, Terça feira desestimulante. – Roniara Maia
Tomei uma banho rápido, sai já com uma roupa simples, deixei o cabelo solto e nem me importei com maquiagem, desci correndo peguei uma maça, sai de casa e a parada estava lotada o céu nublado dava indicio de chuva hoje, quando o ônibus finalmente chegou, a metade das pessoas da parada entrou junto, o aperto foi tão grande que a minha travessia do cobrador até a porta de saída no fim do ônibus, foi o tempo que durou para chegar na parada da escola, com mil e um pedidos de licença, com toda a certeza iria chegar porque o motorista fez o favor de queimar a parada e me fazer andar um bocado, desci e xinguei o motorista de todos os palavrões possíveis mentalmente, estava prestes a atravessar a rua, ouvi alguém buzinando e levei um susto, procurei mas não achei nenhum carro que eu conhecesse, acho que não era comigo, então ouvi a buzina outra vez e logo depois o tal do Peter marca registrada saindo de um carro totalmente diferente do último em que eu havia entrado, olhei pra ele incrédula quando percebi que ele estava se aproximando de mim.
– Pelo visto também acordou atrasada, quer carona? — chegou perto de mim, até demais com um sorrisinho sínico no rosto.
– Não, acho que não marca registrada, infelizmente hoje não é o seu dia, mas coincidentemente hoje também não é o meu e como dá para perceber você está bem acompanhado — falei vendo que havia alguém no carro.
– É a minha irmã, você vem ou não? — ele perguntou de novo. – Bom primeiro você vai ter que ir pra detenção, depois passar o dia fazendo trabalhos de todas as matérias das quais você faltou hoje...
–Tá bom, já me convenceu. — Detestava ficar na detenção era muito, um inferno ou sete para ser exata. — ele riu e fomos andando até o carro, entrei e fiquei na parte de trás, a irmã dele estava na frente e eu sinceramente agradeci por não haver mas ninguém no carro.
– Peter não vai me apresentar sua amiga?
– Bem essa pessoa ainda não me disse seu nome. — falou olhando pra mim.
– Prazer, meu nome é Roniara.
– Oi meu nome é Ashley, e o prazer é todo meu. – ela sorriu, tão abertamente que tive de resistir ao impacto de fechar os olhos por excesso de clareamento nos dentes, em vez disso dei um sorriso amigável.
– Você... — ele olhou pra mim com cara de incrédulo que me deu vontade de rir — Você quase fez uma terceira guerra mundial ontem e não me disse nem seu nome.
–Bom ontem eu não estava afim, e só falo meu nome com pessoas que não esteja se aproximando de mim por algum interesse mútuo. — Vi a irmã dele rir, e comecei a rir também.
– Gostei dela Peter.
Eu e Ashley ficamos conversamos como se fossemos duas velhas amigas, mas logo chegamos na escola, disse um obrigada ao Peter e me despedi da Ashley, sai do carro e andei apressadamente pra não ter que falar com o Peter, ele não me deixa em paz, infelizmente era tarde demais, quando olhei para trás, com uma noção que tinha de parar com essa mania, Ashley foi falar com as amigas e Peter estava correndo em minha direção, revirei os olhos e continuei a andar, só que agora mais rápido, quando olhei para frente, lá estava a cabeleira ambulante, o irmão gêmeo de Peter, definitivamente joguei pedra na cruz, agora eu precisaria cavar um buraco e me jogar dentro, olhei pra trás e pra frente, sem saber o que fazer, ai que vida, tentei voltar e ir até Ashley, mas Peter já estava na minha frente, e sorriu.
– Por que não me esperou? — ele falou ofegante.
– Porque estou com pressa? Acho que estou atrasada.
– Roniara, mas o sinal nem tocou. – falou me olhando com cara de cansado — olha meu irmão está vindo, vou te apresentar a ele – parou de rir e fez aquelas caras de que queria aprontar algo, mas estava em dúvida, matar seria pouco para a pena que ele merecia.
– Peter... — já era tarde.
–Oi Maninho — eles fizeram cumprimento coreográfico ridículo, só sorri internamente claro.
– Oi Peter, pelo visto já conhece a esquentadinha aqui — ele falou olhando pra mim e sorrindo sarcasticamente.
– Esquentadinha é a senhora sua...
– Calma, tá vendo? – era mesmo para eu achar graça.
– Bom Roniara esse é o Jonathan, Jonathan essa é Roniara.
– Prazer Roniara.
–O prazer é todo seu, agora me deem licença que eu tenho mais o que fazer, tipo o trabalho de física.
Sai dali praticamente correndo, já estava de mau-humor logo a essa hora da manhã, já queria entrar de férias. Andei depressa até a sala, entrei e me sentei, passaram-se aulas e as horas voaram para o intervalo, os gêmeos estavam conversando, tentei ignorar, larguei e voltei pra casa, a noite vi que minha mãe estava em casa isso sim é que é estranho, entrei e tudo estava quieto demais, fui a cozinha e minha mãe estava com alguém estranho a beijando? Como assim?
– Mãe?
– Fi-filha? — ela falou ficando vermelha – Filha, esse é meu amigo Ryan. – demorei um pouco para responder, aquilo sim era o cúmulo do meu dia.
– É já percebi que vocês são amigos bem íntimos.
– Roniara, não foi essa a educação que lhe dei.
–Tenham uma boa noite. — falei dando as costas.
Subi as escadas o mais rápido possível, entrei no quarto e tranquei a porta com a chave, deixei minha mochila em algum canto por ali e fui ao banheiro tomei um banho bem demorado e chorei indignada, como ela pôde?
"Diário eu não acredito que minha mãe já esqueceu o meu pai, não acredito que ela fez isso comigo, trazer um homem aqui pra casa, pelo menos é bom saber disso, esse é o maldito motivo de voltar tarde para casa”
Roniara, 06 de agosto, Terça a noite — Atualizando
Coloquei o Diário de volta ao criado mudo e fiquei pensando se a minha vida poderia ficar pior do que está, desabei na cama, pensando em como posso me sentir tão vazia, eu não sinto mais nada, só há vazio, nem triste posso estar mais, porque eu não sinto, só vivo em um modo automático.
Infelizmente hoje era quarta feira, e assim que acordei pude perceber que não estava afim de ir a escola, como se fosse alguma novidade, isso iria durar o resto do ano e essa massacrante semana está sendo muito desgastante, a irmã do Peter disse que iria passar aqui para me buscar, incrível como ela gosta mesmo de fazer amizades até com pessoas esquisitas, ela me mandou um torpedo de madrugada avisando, simplesmente. Mas hoje não estou querendo olhar para a cara da outra residente da casa, tomei um banho e coloquei a minha farda e a jaqueta de couro preta que demorei três meses para juntar 100 reais, e a amável jaqueta estava dando indícios de encolhimento, desci e por incrível que pareça a dona da casa estava presente, mas já sabia muito bem o motivo de ela presente, fiz pouco caso, peguei minha maça, me direcionei à rua ignorando todas as suas reclamações de que precisaríamos conversar uma hora ou outra sobre aquilo, estava sem humor hoje e não queria discutir, olhei para o portão de casa e havia um carro cor de rosa a cara da Ashley, percebo que tenho simplesmente de parar com as minhas crises de TPM e arrumar um modo de ser rica, não por status, mas a sociedade hipócrita querem que todos os sonhos se baseiem nisso.
– Bom dia Ashley, gostei do carro.
– Obrigada, mas pela sua cara não está me parecendo um bom dia para você. – tirando o fato do carro cor de rosa, brincadeira, claro que não falaria isso, ela é até simpática.
– É só problemas pessoais.
– Sei como é, meus irmãos não paravam de falar de você ontem sabia? – não, não queria saber — só você vendo estava um saco, e sinceramente estou com pena de você.
–Valeu, pelo aviso, mas eu sei me virar.
–Ok
Chegamos à escola sem mais uma palavra, Ashley me chamou para o grupinho dela, e me apresentar as Fatalistas, confesso que já fui uma, bem dramática, mas isso mudou e agradeço a todos os céus por ela não saber disso, acenei para as meninas e fui na biblioteca, sou uma adolescente nerd que não se acha nerd, amo livros de ficção científica e história. O sinal havia tocado e fui correndo pelo o corredor, fiquei tão distraída que acabei esbarrando em alguém, que saco só vivia nisso agora, e Jonathan estava bem na minha frente.
– Você de novo?
– Bom Dia também, seu humor é tentador, e admito que desta vez foi proposital.
–Que seja, Adeus.
–Você tá legal?
– Oi? E agora você se importa? Ninguém está olhando pode parar com o teatrinho.
–Eu não estou fazendo teatrinho.
–Tá bom, tenho que ir, por que eu tenho o pressentimento que o sinal da escola tocou, só acho.
–Quer ajuda?- ele pegou minhas coisas e olhou para o livro que peguei da biblioteca — Espera ai você gosta de Jogos Vorazes?
–Não, mas eu tenho uma paixoneta por Peeta no filme e resolvi ler, então dá para devolver.
–Dá pra você fingir ser educada?
–Desculpe é instinto — falei debochada.
–Instinto?
–É, agora tchau, tenho mais o que fazer como sempre do que ficar aqui batendo um papo com um você, eu vou dizer ao Peeta que você mandou lembranças. – tirei os livros das mãos dele e sai tropeçando por causa do peso, aquele garoto era sufocante. Na hora do intervalo vi a Ashley na fila do lanche fui até ela.
–Você está bem?- perguntei
–Sim melhor impossível, soube que topou com meu maninho de novo. – a fofoca daqui brota.
–Infelizmente sim.
–Para com isso milhares de garotas queriam estar no seu lugar os irmãos gêmeos estão de olho em você.
–Em mim? — tive que rir, estive em um ataque de risos literalmente e todos pararam para olhar para minha cara e resolvi parar — Está brincando não é? — perguntei entre risos.
–Para com isso eu estou falando sério.
–Que seja, eu não me importo, não necessito de romances agora.
Pegamos nosso respectivos lanches e sentamos numa mesa, nós duas, mas não demorou muito e os outros chegaram, a mesa logo lotou, tratei de terminar minha comida rápido e sai dali me espremendo entre as pessoas, quando finalmente sai do emaranhado de pessoas, fui jogar o resto do lixo no lixo e a bandeja era reutilizável, sai e fui pra piscina ainda tinha uns 15 minutos mesmo, claro que é proibido, mas fazer o que foi o único lugar que achei para ficar só, fiquei olhando a água por um longo tempo e imaginando como seria nadar, meu outro trauma clichê, já me afoguei umas cinco vezes, tiro minha mochila coloco de lado, tiro o all star e coloco perto da mochila dobro a calça e ponho os pés na água, encosto meu cotovelo na perna e olho a água escutando Gale Song no alto falante do celular, viciei em Hunter Games (Jogos Vorazes), sinto a porta batendo atrás de mim, já estava preparada para a bronca, quando olhei para trás levei um susto, me desequilibrei, na hora só senti o impacto da água comecei a me debater na água gélida da piscina, parecia uma eternidade e meu pulmão estava pulsando por falta de oxigênio, senti braços abraçando minha cintura e me levando á superfície, quando senti que estava em um lugar sólido não consegui abrir os meus olhos, entrei em pânico pela inconsciência, senti alguém pressionando meu peito e logo depois lábios sobre os meus soprando ar, a consciência voltou, cuspi água, respirei todo o oxigênio do mundo até normalizar.
– Desculpa, eu não sabia, não era pra você ter caído na água, me perdoa, você não sabe nadar?
– Está... Maluco garoto? Estou com vontade de te matar, será que não é assim tão óbvio que eu não sei... Nadar? – Espirrei muito depois de tentar terminar a frase e isso continuou, estava tendo uma crise.
–Você precisa de roupas secas vem — ele falou me levantando.
Ele me ajudou a levantar, mas os espirros não sessavam, ele me levou na diretoria e explicou o ocorrido, veio com umas roupas estranhas deveria ser da do time de futebol, ele me levou ao banheiro feminino, troquei de roupa e penteei meus cabelos, me olhei no espelho e coloquei um boné, ri da visão, mas não tirava o fato de que estava com a calça ensopada.
–Porque essa cara? – perguntei a um Peter nervoso do lado de fora.
–Você não vai me matar?
–Você está preocupado com isso? — e espirrei.
–É melhor eu te levar pra casa e eu peguei sua mochila e seu celular, gostei da música.
–Não eu vou para casa a pé, você já fez demais por hoje. – outro espirro
–Com essa roupa? — ele falou rindo um pouco.
–É...
– Está chovendo — ai que garoto chato, mas não podia ir para casa assim.
–Está bem, já me convenceu, mas isso não irá se repetir.
–Sim senhora.
–Pare com isso — vi ele rir sarcástico – ainda posso te matar. — andei na frente, não sabia qual era seu carro, o amostrado ia com um diferente a cada dia, realmente isso é humilhante, deve ser um castigo ser rico e estudar aqui.
–É aquele ali — falou rindo, como se estivesse lendo meus pensamentos.
–Tá, exibido — ele riu. — Entrei no carro, e ele ligou a rádio e encostei minha cabeça no vidro. Acordei com alguém me balançando, abri os olhos e me deparei com olhos incompreensíveis me encarando.
–Onde eu estou? — perguntei bocejando.
–Na frente de sua casa
–Ah, Certo, vou preparar sua sentença.
–Ok, eu espero
–Eu estou falando sério...
–Eu sei, tchau e Boa Noite- ele falou sorrindo, será que ele só sabia sorrir cruzes.
–Até nunca mais também.
–Até amanhã esquentadinha.
Entrei em casa, e agradeci que minha mãe ainda não havia chegado, fui ao meu quarto troquei de roupa de jogador numero 10 (Jonathan), ah não só podia ser brincadeira neh? Pus a roupa na maquina de lavar, coloquei o pijama e fui dormir, hoje nem me importei muito com o diário pois estava exausta, deitei na cama olhei pela janela e a lua estava estonteante, fechei os olhos e mergulhei no mundo dos sonhos.
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