Uma Nova Cor No Céu

2 Capítulo 2 - Transbordando confiança


Notas iniciais
Postando mais um capitulo hoje, espero que gostem. Olhem as notas finais e me respondam, okay? Musicas usadas: Stand By Me - Oasis Referencias: Something - Beatles Little By Little - Oasis

Eu consegui acordar cedo no dia seguinte, chegando no horário na escola não adiantou tanto porque minha cadeira já estava ocupada, então tive que levantar o olhar para procurar por outra e avistei no fundo, agradecendo aos deuses por esse lugar estar livre e escondido do resto.

— Eu sei... A Alice é uma idiota mesmo, não sei como ela ainda não percebeu que ele está saindo com aquela ruiva há meses. Tadinha... – Passando pelas cadeiras, escutei duas garotas cochichando.

— Esse lugar está ocupado. – A garota que estava na cadeira da frente se virou colocando a mão na mesa.

— Mas o sinal já vai tocar e nenhuma mochila está aqui... – Falei me arrependendo logo em seguida, o que eu tinha esses dias que eu falava tudo sem pensar antes?

— Olha aqui, esse lugar é da minha amiga. Não sei quem é você, mas é melhor procurar outra cadeira, porque essa aqui não vai dar. – Disse mastigando o chiclete e me lançando um olhar desafiador.

Respirei fundo e decidi que não queria insistir, não sou dessas de brigar por algo fútil. Apenas decidi sentar no pior lugar, nas primeiras cadeiras. Acabou que quando a aula terminou ninguém se sentou naquele lugar. Na hora do almoço caminhei até minha arvore e para minha surpresa, ele não estava. Apenas dei de ombros e sentei.

— MEU DEUS, QUE SUSTO! – Gritei assim que vi duas pernas ao meu lado – Garoto dos cachorros, você...

— Oh, desculpa. Pensei que tivesse me visto... – Ele se virou para me ver um pouco assustado também, mas com um tom de brincadeira – Você realmente se assustou?

— Claro! Você praticamente se escondeu atrás da arvore... – Falei com a mão no peito para me acalmar.

— Não me escondi, só achei esse lado melhor. Aqui o sol não bate tanto.

Voltei a sentar, ainda perto dele. Eu não iria simplesmente sair agora, o que ele iria achar? Que eu desprezo ele ou algo assim?

— Entendi...

Ele também estava escutando música novamente, mas tão baixo que eu nem escutava direito.

— Meu nome é Daniel.... Sabe, esse apelido que você me deu não é tão criativo.

— É que você parece entender bem sobre cachorros, então virou algo automático já. – Falei abrindo meu pote de frutas – Me chamo Mia.

— Esse é seu nome mesmo? – Mesmo sem ver seu rosto, eu sentia sua respiração próxima.

— Não, mas eu queria que fosse. Meu nome é Amélia, mas acho um nome muito estranho. Não gosto.

— Eu acho normal. – Ouvi o som de página sendo virada. Que tipo de livro estaria lendo?

— Soa como uma idosa ou algo assim. – Coloquei um morango na minha boca.

— Amélia... – Senti aquele choque novamente, mesmo ele não me tocando, foi estranho como meu nome saiu de sua boca tão naturalmente.

Eu fiquei quieta, não sabia o que falar e senti que ele estava bastante concentrado em seu livro. Mas eu realmente estava curiosa na música que tocava de fundo. Ele não tinha um fone?

— Você se incomoda com a música? – Agora ele leu minha mente?

— N-não, na verdade eu estou me perguntando o que você está escutando. – Respondi descaradamente.

— Stand By Me— Disse aumentando um pouco o volume.

— Oasis...

— Você gosta? – Senti um pouco de entusiasmo vindo dele.

— Sim, minha família gosta muito desse estilo de música. Little by Little ainda consegue ser minha música favorita deles.

— Você deve gostar dos Beatles também então. – Ele falou, me fazendo lembrar do dia anterior onde eu cantarolei uns versos da música.

— Beatles é realmente um ponto delicado, é minha banda favorita. Não apenas minha, mas como toda a minha família. Gosto muito de como as letras são simples e gostosas de escutar. Eu não consigo escolher uma música favorita, são todas incríveis.

— Eu consigo. Something é incrivelmente maravilhosa. Aquela música transborda uma enchente de emoções que é indescritível. A delicadeza dos versos e o amor nas vozes, eu sou totalmente viciado nessa música.

Fiquei lembrando da letra e melodia dessa música, eu amava assim como ele. O Paul demostrava tanto amor na música e o clipe era lindo também.

(...)

Na tarde, eu busquei o Mike para darmos outra volta. A semana já estava quase acabando e estávamos cada dia mais próximos, ele já voltava assim que eu o chamava. Segundo a internet, essa raça gosta muito de praticar esportes com o dono, então decidi me movimentar um pouco.

— Okay Mike, você está pronto? – O encarei me colocando no posicionamento de largada – Vai ser uma longa corrida e eu quero que você fique ao meu lado sempre, ouviu? Nem pense em paquerar outra cachorra.

Ele latiu de volta e eu aceitei isso como um “sim”. O parque hoje estava bem vazio, o que me deixava feliz. Correr com um cachorro sem coleira não é uma coisa que eu faria em um lugar cheio. Contei até três e comecei a correr, o mesmo ficou ao meu lado em todo o trajeto. Depois de dois minutos eu parei perto de uma ponte que cruzava o lago, coloquei a mão no peito sentindo meu coração a mil. Olhei para o Mike e o mesmo me encarava com a maior tranquilidade.

— Qual é o seu segredo? Como pode estar tão calmo? Eu corro tão devagar assim? – Ele pareceu me ignorar e começou a cheirar o chão – Ótimo, me ignore mesmo. Eu sou fraca, okay.

Respirei fundo e comecei a amarrar o cabelo, sem notar o Mike já estava do outro lado pulando em alguém.

— Olá de novo, amigão. – Daniel? Andei até eles e o mesmo mostrou um sorriso agradável quando me viu aproximando – Oi, Amélia.

— Parece que ele gosta mais de você que de mim... – Comentei observando o Mike todo manso ao seu lado.

— Não sei, ele parecia bem fiel a você enquanto estavam correndo. – Ele estava me observando? — Essa raça é bem ativa, então não fique muito surpresa quando não o ver cansado.

— Ela parece bem calma, quer trocar? – Me referi a Lily que estava deitada somente olhando para nós.

— Oh, é uma proposta tentadora. – Ele riu, e eu notei que ele estava sem o óculos novamente – Mas a Lily demora para confiar em novas pessoas e em outros cachorros. Ela desconfia muito, e por isso é bem inteligente.

— Ela é protetora... – Falei me abaixando, ainda um pouco longe dela, e fez com que o Daniel começasse a me encarrar – Consigo sentir ela nos observando atentamente, preparada para qualquer momento.

Senti os olhos deles sobre mim, um tanto curioso.

— É verdade, ela é protetora. – Ele se levantou e andou para perto dela, deixando o Mike confuso – Mas muito carinhosa quando você a conhece...

Ele acariciava ela fortemente a fazendo indo para seu colo. Esse menino deve ter mãos dos deuses para fazer esses cachorros gostarem tanto do seu carinho. Ela ainda era um pouco grande, mas não quanto o Mike. Ele então voltou seu olhar para mim.

— Você parece curiosa, não se preocupe, ela não morde estranhos assim. – Disse com um tom brincalhão – Venha.

Eu andei um pouco ainda apreensiva, ela parecia bem focada nos meus passos.

— Oi Lily – Falei colocando uma mão em sua cabeça, a fazendo recuar – Será que minhas mãos não são tão macias quanto as suas?

Ele riu e encorajou Lily a se aproximar.

— Cachorros assim precisam se sentir seguros com as pessoas, você precisa demostrar confiança. Ela é bem difícil de lidar mesmo.

Ela começou a cheirar meus pés e logo em seguida meu celular começou a tocar, deixando-a desconfiada e voltando para o seu dono.

— Desculpa, deve ser minha mãe. – Levantei para tirar o celular do meu bolso. – Oi. Agora? Hm, não estou muito longe. Okay, eu trago. Uhum, pode deixar. Até já. Eu tenho que ir, foi bom ver vocês... Até mais!

Coloquei a coleira no Mike e me despedi dos dois rapidamente, correndo para o outro lado da ponte. Apressei meus passos para chegar no mercado, o chefe da minha mãe iria jantar na nossa casa e não tinha praticamente nada na geladeira, não era uma surpresa.

(...)

— Que bom que está aqui, Mia. Queria falar com você sobre uma coisa. – O professor de história se levantou da cadeira – Eu decidi começar um clube de história, e sim, eu já sei que há um clube assim, mas eles se focam mais na literatura. E eu queria algo mais didático, me entende?

— Algo fugindo dos livros?

— Isso! Ainda não sei como vai funcionar direito, mas quero um clube que qualquer pessoa possa entrar e se interessar. Um músico, um desenhista, um fotografo, alguém até mesmo de exatas. – Ele respondeu animado, e eu só podia pensar que isso não iria dar muito certo – O motivo de eu ter te chamado aqui é porque quero que você seja a presidente do clube.

— EU? M-mas, professor...

— Olha Mia, eu sei que você não entra nessas coisas e que é mais fechada. Mas você é a única pessoa que eu gostaria que liderasse o grupo.

— Olha, professor Louis. É uma honra que pense assim, mas como você disse... eu não sou dessas coisas. Sinto que isso vai tirar muito do meu tempo...

— Vamos fazer o seguinte. Se você ajudar esse clube a ganhar a competição entre as escolas do estado, o prêmio vai aumentar seu currículo escolar, dando mais chance de qualquer faculdade te aceitar. Há muitas competições importantíssimas e tenho certeza que você ira conseguir entrar na faculdade de Londres com essas participações. Além que sua popularidade entre os professores irá aumentar...

Eu o olhei desconfiada, mas lembrei dos eventos que acontecem a cada três meses entre os clubes escolares, é verdade que isso levanta nossa moral no currículo. Mas quem disse que eu sou capaz disso?

— E se eu não conseguir?

— Eu acho isso impossível. Mas se algo assim ocorrer, eu posso ter certeza que você ganhará outras coisas em troca. Eu não gosto de pensar na derrota, porque isso só mostra que você está com medo. Vamos Mia, é seu último semestre escolar da sua vida, você irá jogar tudo isso no fundo da caixa de lembranças vazias?

É verdade, que tempo era esse que eu estava com medo de perder? O de ficar em casa o resto de todos os dias? Eu não carregarei nenhuma lembrança na minha caixa do Ensino Médio?

— Um novo clube de história será formado. Procuramos pessoas diversificadas e mentes aberta para novas ideias. Não focaremos em livros e em textos. Se estiverem interessados em entrar, por favor entregue seu contato ao professor Louis e espere a sua chamada... Você será a responsável? Você? – John lia pela segunda vez o panfleto que pedi para ele colocar em algumas paredes.

— Sim, John, eu sou a presidente desse clube. Apenas aconteceu e eu estou praticamente segura que ninguém vai querer entrar, então me dá uma moral, okay? Você adora conversar com os estudantes mesmo. – Falei com alguns panfletos na minha boca, tentando me equilibrar para colocar um deles na parede.

— Eu estou impressionado, você participando de algo. Parece que o último semestre está mudando mesmo essa escola. – Ele riu baixinho – Estou ansioso para esses meses...

(...)

— Você parece cansada... – Comentou Daniel quando me viu chegando.

— Estou morta. – Joguei meu corpo na arvore e desci lentamente ao chão, aproveitei e tentei ver o que ele estava fazendo – Você lê muitos livros, não é?

— Na verdade não, só leio quando estou sem nada para fazer. – Ele se virou para me ver e em seguida jogou um livro perto das minhas pernas – Inclusive, trouxe um para você. Não é tão detalhado, mas te ajudará bastante.

— Conheça e aprenda sobre o comportamento de cada cachorro — Li o título em voz alta – É sério?

— Achei que precisaria, encontrei ele na minha estante e lembrei de você... – Disse mais baixinho – Ele é bem fácil de entender, eu marquei algumas partes importantes que me ajudaram no começo com a Lily.

Olhando para o Daniel agora, ele realmente não é tímido. Ele na verdade interage facilmente, apesar que alguma coisa ainda o impede as vezes. Folheei as páginas do livro e achei várias anotações bem fáceis de entender.

— Obrigada Daniel, mas o Mike nem é meu...

— Eu sei, mas fico apreensivo quando o vejo. Se você conseguir treiná-lo bem, ele rapidamente torna tudo mais fácil para a própria dona. E fará bem para ele também, disciplina sempre é importante para a raça dele. – Disse me olhando sinceramente – Não se preocupe, pode me devolver o livre quando terminar de treiná-lo.

Quando terminar... Ele nem cogitou a ideia de eu não conseguir.

— Eu vou tentar então. Mas não prometo nada...

— Estou ansioso para ver o Mike todo comportado. Talvez eu até pense como um candidato para a Lily. – Lançou um olhar maduro, como um pai protetor.

— Okay – Soltei alguns risos, seu tom sério realmente parecia real – Fechado, vou tornar o Mike o melhor pretendente para sua filha!

(...)

— Mike, não seja tão teimoso. Coma logo essa comida, precisamos treinar hoje. – Bufei vendo essa criatura se negando para comer a ração, segundo o livro, ele teria que estar bem alimentado para começar o treino.

— Está difícil? – A Rose comentou da cozinha.

— Você nem imagina, estou há vinte minutos tentando fazer ele comer isso.

— Minha neta vai ficar feliz quando voltar e ver seu cachorro disciplinado, você não sabe como essa menina é relaxada com ele. Sempre o deixou livre na casa e nunca ligou para bagunça dele, agora ela trouxe ele para minha casa e toda hora eu tenho que arrumar todos os cômodos.

— Ah, está explicado porque ele é assim. – Respirei fundo e voltei minha atenção a ele – Okay, vamos fazer assim... Vamos para o parque e lá eu deixo você correr um pouco, em troca você come essa ração, combinado?

Ao ouvir a palavra “parque” o Mike já começou a balançar o rabinho. Peguei a coleira dele e me despedi da Rose, caminhando ao parque atrás das casas. Era um lugar com árvores grande, mas bem organizado onde as pessoas raramente faziam caminhadas, por ser um lugar mais escuro e longe do centro, era como um parque “privado” para mim. Soltei ele quando chequei que o lugar estava vazio mesmo.

— Satisfeito? – Ele voltou para mim depois de gastar sua energia atrás de um passarinho – Você sabe como me persuadir, não é? Mas agora a gente vai treinar. Okay, primeiro passo é simples. Ensinar a sentar. Vem Mike... Agora senta.

Ele parou na minha frente e ficou me olhando sem reação. Tentei mais uma vez e ele só latia toda vez que eu apontava o dedo para ele sentar. Mais uma vez, e mais uma. Eu tentei milhares de vezes e minha mão já estava cansada, deitei na grama e ele apenas começou a lamber meu rosto.

— MIKE! Não, n-não... – Comecei a rir, cócegas são meu fim – Para Mike, por favor... HAHHAAAA.

Eu já estava me rolando de tanto rir com os olhos fechados quando ele parou do nada.

— Boa maneira de treinar um cachorro. – Uma sombra entrou na frente do sol, me fazendo abrir os olhos para enxergar-lo.

— Daniel? Como você sempre acaba nos encontrando em momentos assim?

— Eu escutei você gritando e fiquei curioso em saber como estava indo.... Acredito que não está fácil. – Ele sorriu olhando para o Mike lambendo sua mão.

— Esse cachorro é o demônio com uma carinha fofinha... – Apontei para ele, fazendo o mesmo latir mais uma vez – Olha aí, eu não aguento mais.

Daniel já estava rindo tanto que eu só queria enfiar minha cabeça no lago.

— Primeira dica, não aponte o dedo para um cachorro... isso é como uma ameaça para eles. – Ele estendeu sua mão para me ajudar a me levantar.

— Obrigada... – Peguei sua mão e me levantei ajeitando a roupa cheia de folhas – Mas eu não consigo nem completar a primeira tarefa. Eu perdi e ainda recebi cócegas como prova da minha derrota.

— Já está desistindo? – Me olhou surpreso, mas em seguida respirou fundo e voltou para ver a sua cachorra – Lily, senta.

A mesma permaneceu em pé e dessa vez ele repetiu com uma voz determinada fazendo ela imediatamente sentar.

— Como eu disse, você precisa demostrar confiança em você mesmo antes de dar uma ordem. E isso foi o que eu aprendi com os cachorros, eu aprendi a me sentir seguro e determinado graças a ela.

Eu o observei atenta, ele pareceu realmente maduro naquele momento. Transbordando segurança e firmeza.

— Mike... – O mesmo correu até ele – Senta!

E foi a exatamente o que ele fez.

— Como...

— Confiança no ato, Amélia. – Ele sorriu tirando um biscoito do seu bolso e entregando para o Mike – E sempre uma recompensa no final.

A Lily ficou quieta todo o tempo, assim como eu. Eu parecia uma boba impressionada pela facilidade do Daniel lidar com o Mike. Que garoto estranho. Olhei para a Lyla e ela estava quase fechando os olhos como uma princesa em seu porto seguro, voltei minha atenção para o garoto na minha frente. Ele parecia exercitar o Mike, o fazendo pular para alcançar o biscoitinho em suas mãos. Quando de repente, senti algo macio encostando em minha perna... A Lily estava deitada do meu lado quase implorando para um carinho.

— Você é muito bonita, sabia? – Falei baixinho acariciando seu corpo como uma escova, a fazendo ficar mais próxima de mim – E o Daniel é um ótimo dono...

Voltei a olhar-lo mais uma vez e surpreendi quando encontrei seu olhar impressionado sobre mim. Ele ficou paralisado me olhando, o que deu a oportunidade de fazer o Mike roubar o biscoito de suas mãos. Sem perceber, ele sorriu maravilhado.

Stand by me, nobody knows the way it's gonna be…

Notas finais
Okay, eu queria saber o que vocês acham do tamanho do capitulo, é muito grande? Preferem capítulos com menos palavras ou assim está bom?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.