Uma Nova Chance Para o Mosca
1 A Bola
Notas iniciais
Mosca estava sentado olhando pela janela, pensando na menina que nunca esqueceu.
“Faz quase um ano que a Mili se foi. Aquela carinha dela quando descobriu que a Gabi era mãe dela e aquele homem da máscara era o pai dela não tinha preço. E eu to muito feliz por ela, mas desde que ela saiu do orfanato eu não a vejo mais. Ela veio nos primeiros meses, mas depois mudou de escola, e soube que ela até mudou de cidade. Ela nunca mais falou comigo e tenho certeza que ta namorando. Mas não com o Duda, porque eles são da mesma família. Mas eu entendo porque ela sumiu, já que ela ta eu acho que em Minas... De qualquer jeito, eu estou com muita saudade dela, mas o nosso romance é impossível, e o certo seria seguir em frente, mas como?”
-Ei, Mosca! Bora jogar uma partida de futebol!- gritou Rafa na porta.
-Bora!- ele respondeu.
Os dois foram pro pátio. Binho e Thiago esperavam pelos dois.
-Ei! Demoraram por que?- perguntou Binho chutando a bola pra Mosca. Ele deu um chute mais forte e deixou cair do outro lado do muro.
-Po, Mosca!
-Desculpa aê, galera. Minha cabeça tava em outro lugar. –ele disse pensando em Mili. –Eu vou buscar.
Ainda com a cabeça na garota, e ele foi até a rua pegar a bola. Assim que saiu do orfanato, viu uma garota linda segurando a bola. Ele estava tão sem jeito que não saia o que dizer.
-Oi! Acho que deixou a bola cair, né?
-A é... Valeu.
-Você mora no orfanato Raio de Luz?
-Sim, porque?
-Nada, não. Preciso ir, até mais.
-Tchau.
Ele continuou parado no meio do caminho admirando a garota passar. Ele era morena, com a pele um pouco mais clara que a de Mosca. Seu cabelo era liso e ia um pouco além do ombro. Ele balançava em quanto ela andava. A menina usava um vestido florido e sapatilhas cor de rosa. Ainda encantado e um pouco curioso, Mosca a seguiu até o final da rua. Ela olhou pra trás e percebeu que tinha alguém lhe seguindo. Ele deu mais alguns passos e ela pulou em cima dele, achando que era um bandido.
-Ah! Meu Deus!- os dois caíram no chão. –É você? –os dois se levantaram. –Por que você me seguiu?
-Eu... Eu... Eu não sei. Desculpa.
-Tudo bem. Se quiser eu te acompanho até o orfanato. Qual é o seu nome?
-Mosca, e o seu?
-Luize, mas pode me chamar de Lu. –eles apertaram as mãos.
-Bom, deixa que eu te acompanho até a sua casa.
-Não precisa, eu vou sozinha.
-Que isso, eu ajudo.
-Não precisa, sério.
-Mas eu...
-Não precisa!
-Ta, mas onde você mora?
-Olha, eu não posso conversar agora, ta?
-Mas se você tinha tempo de me levar de volta pro orfanato, você não...
-Mosca, depois eu passo lá e a gente conversa, agora por favor, licença.
Ela saiu andando e Mosca resolveu voltar pro orfanato.
-Que demora toda foi essa, cara?- gritou Rafa.
-A bola... Ela foi lá pra outra rua... E...
-Fala sério, Mosca!
-Ta bom, eu falo... Eu conheci uma garota.
-Uma garota?- ele perguntou assustado.
-É, uma garota de fora. O nome dela é Luize. Ela é meio assustada, mas era linda.
-Mosca garanhão! Agora vamos voltar pro jogo?- disse Binho fazendo um gol.
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