Uma Nova Amizade
2 Um Presente de Afrodite
Notas iniciais
PIPER
Piper não tinha ideia que desabafar faria tão bem. Após sua conversa com Hazel se sentia muito melhor. E menos culpada.
Pensou até em ir ao quarto de Jason, aproveitar enquanto o treinador Hedge estava ocupado fazendo vai-saber-o-que. Piper desconfiava que ele estivesse mandando algumas mensagens de Íris, mas não queria se intrometer. Também não estava com energia para Jason, então resolveu descansar em seu próprio quarto.
Em comparação aos outros quartos do navio, o de Piper era o mais organizado. Deitou-se na cama, olhando para o teto. Não fechou os olhos nem por cinco segundos quando ouviu alguém bater á janela.
Espere, á janela?
Não era possível alguém ter acesso ás janelas dos quartos, já que ficavam no casco do navio, muito abaixo da proa. Talvez Jason pudesse ir até lá, mas ele usaria as portas. Então, quem (ou o que) batia lá fora cada vez mais forte?
Calma, pensou Piper caminhando em direção à janela, deve ser apenas algum pássaro.
Empunhou Katoptris, que estava no criado mudo e abriu a cortina, deparando-se com o mar. Não havia nada do lado de fora além da imensidão azul.
– ENTREEEEGA.
Um rosto gritante apareceu atravéz do vidro tão repentinamente que Piper cambaleou para trás até a parede oposta do quarto, causando um estrondo ao colidir com uma cômoda. Mas a criatura continuava a falar.
Eu sabia que não deveríamos ter vindo. Disse uma segunda voz masculina. Olha só para a cara dela. Semideusa ingrata...
Piper não sabia de onde vinha essa segunda voz, mas voltou a se aproximar. Agora conseguia ver um homem magro, de meia idade, cabelos um pouco grisalhos, roupas de ginástica e sandálias esporte com um par de asas em cada uma.
– Mclean? Senhorita Piper Mclean? – Perguntou o homem em um som abafado por causa da janela entre eles.
– S-sim, sou eu. Mas quem é você? – Piper se aproximou mais, desconfiada.
– Sou Hermes, ou Mercúrio, como quiser. Deus dos recados, entregas e blábláblá. Poderia abrir essa janela?
Relutante, Piper a abriu e agora podia ver uma espécie de cobra no pescoço do deus. Uma não, duas cobras entrelaçadas.
Vamos embora daqui, mar me deixa enjoada. Falou a cobra que parecia ser fêmea. Sempre cheia de frescuras, vê se fica quieta. Disse a voz masculina.
– Desculpe. Esses são George e Martha. – Disse Hermes – deveriam ser meus ajudantes, mas como pode ver...
– Certo – Piper olhava de lado com o cenho franzido, tão peculiar era aquela cena. – E você veio para...?
– Ah sim. Sua mãe, Afrodite, me contratou para te trazer um presente. Era pra ter sido entregue ontem com urgência, segundo ela. Mas, sabe, os deuses estão nessa de “guerra entre suas formas gregas e romanas” – seu tom foi sarcástico e irônico na ultima frase. – Estou cheio de recados para entregar do tipo “Tire seu filho pentelho dali” “Você não tem o direito de falar mal do meu templo” “Vocês gregos não entendem nada de moda”. Ainda ontem, Ares estava em uma discussão séria com Marte, por isso me atrasei. Espero que a senhorita não tenha se prejudicado com o meu atraso.
– Não, eu... Não estava esperando presentes – Piper ficou surpresa.
Você não deve explicações a ela. Disse George. Entregue logo e vamos embora. Completou Martha.
– Martha, o embrulho, por favor.
Então Martha esticou seu maxilar até que atingiu o tamanho do pacote que saía de sua boca. Hermes o pegou, limpando rastros de baba na calça preta de ginástica e entregou-o a Piper.
– Hã, obrigada? – Agradeceu.
– Prontinho, entrega concluída. Para onde vamos agora? – Perguntou para George.
Temos que insultar Apolo a pedidos de Febo. Disse George. O que estamos esperando? Quero só ver o insulto que ele vai devolver. Riu Martha.
– Até mais, filha de Afrodite. – Despediu-se Hermes e saiu voando, discutindo com suas cobras.
– Ok, isso foi muito estranho – Disse Piper, agora sozinha em seu quarto.
Sentou-se na cama olhando para o pacote rosa choque (Caramba, mãe, por que sempre rosa?) e tirou do laço um bilhete e o endereço escritos com caligrafia incrivelmente perfeita:
Para: Piper Mclean
De: Mamãe
Argos II, o quarto mais organizado.
...
Querida Piper,
Estou muito orgulhosa pela iniciativa que tomou ontem no celeiro com Jason. (Não fique envergonhada, querida).
Já faz um tempinho que você recebeu minha ultima bênção (que não gostou), mas deveria saber que fica radiante de vestido!
Essa é outra, digamos... Bênção de minha parte que presenteio todas as minhas boas filhas.
Espero que goste mais do que um vestido, embora eu prefira que você use por baixo de um...
Aproveite bem e divirta-se!
Atenciosamente, a mãe mais linda que já existiu.
Afrodite
♥
Depois de ler, Piper tinha dúvidas se queria ver o que havia nos embrulhos dentro da caixa, mas resolveu abrir mesmo assim.
Pegou o primeiro embrulho, que parecia ser algum tipo de roupa e abriu.
Tudo bem que Piper estava precisando de lingeries novas, mas poxa, Afrodite precisava mandar algo tão sexy assim? Um sutiã de seda preta com renda em cima fazia conjunto com uma calcinha fio dental na parte de trás com tantos brilhinhos prateados que parecia uma constelação. Acompanhando, um conjunto de meia fina preta com renda, é claro, na altura das coxas e um robe preto transparente.
Uma nota veio colada na alça do sutiã: Preto combina com a sua pele.
Piper estava certa de que o próximo presente não podia ser pior que isso.
Estava enganada.
Do segundo embrulho, tirou uma caixa cilíndrica cor de rosa com uma nota: espero que tenha acertado no tamanho.
Acomodado em uma “caminha” de veludo preto estava um vibrador que Piper percebeu ser do tamanho e formato do pênis de Jason. Será que até isso Afrodite tinha bisbilhotado? Piper não queria saber.
As partes ruins de ser filha de Afrodite: Sua mãe se mete na sua vida amorosa constantemente, manda presentes eróticos (embora isso seja uma coisa boa, vindo de sua mãe não é nada legal), fica espionando sua primeira vez e ainda faz você passar vergonha alheia. As partes boas: Piper ainda tentava descobrir.
Mas até que poderia lhe ser útil, afinal.
– É, mãe, — disse em voz alta — você acertou.
Piper estava prestes a pegá-lo quando alguém bateu a porta.
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