Notas iniciais
Hazel percebeu que Frank está mudado desde a bênção de Marte, embora ele negue isso. Já que ele não assume logo a mudança, resta a Hazel mostrar para ele como se brinca de namorar...

HAZEL

Hazel queria continuar a conversa com Piper, mas Jason chegou primeiro.

Estava virando o corredor quando o viu bater a porta e entrar no quarto dela. Tentou não imaginar o que ele foi fazer lá, mas o pensamento foi inevitável e a deixou um pouco ansiosa em relação a Frank.

Tudo bem, pensou, talvez outra hora. E subiu ao convés onde estavam Frank e o treinador Hedge, que xingava alguns peixes que passavam ao lado do navio.

Sentou-se ao lado de Frank e entrelaçou seus dedos nos dele, pegando-o de surpresa e disse:

– E então, como vão as coisas?

– Bem, estamos nos aproximando do Sul e...

– Não, não com o navio. Com você. Como você está?

Frank parecia tentar engolir um elefante, como se Hazel tivesse dito: Então, sabe seu graveto? Eu o queimei sem querer.

– Estou bem. – Respondeu forçadamente – E como está indo com a Névoa?

– Bem melhor. Parece-me natural, agora, como evocar pedras preciosas ou como montar.

Frank assentiu, seguido de um grande silêncio entre os dois, até que Hazel o quebrou.

– Frank, você está diferente. Desde que... você sabe, Marte te abençoou.

– Já disse, não mudei nada por dentro, sou o mesmo Frank de antes.

Então Hazel o fuzilou com o olhar, não gostava de ser contrariada.

– Prove.

– Provar? – Frank parecia um bebê prestes a fazer um bico e chorar – Provar como?

– Me beije.

Desconfiado, Frank se posicionou de lado e deu um longo beijo na garota, puxando-a mais pra perto do corpo. Já tinha se passado tempo suficiente para Hazel conseguir o que queria quando foram interrompidos pelo treinador.

–Ei! Não estão me vendo bem aqui? Conhecem a palavra: respeitar-os-mais-velhos?

Hazel não achou um bom momento de lembra-lo que “respeitar os mais velhos” são quatro palavras e não uma única, então limitou-se a dizer:

– Desculpe, treinador.

Os dois continuaram de mãos dadas em silêncio. O som mais alto era da água do mar batendo no casco da embarcação, gaivotas piando e os cascos do treinador na madeira, que não parava um minuto, andando de um lado a outro, procurando algum pobre ser vivo ameaçador para gritar.

Hazel estava inerte em seus pensamentos, refletindo sobre o beijo que dera em Frank alguns minutos antes. Agora tinha certeza que ele estava mudado.

Frank sempre fora lento em questões de namoro. Até porque, o primeiro beijo do casal foi iniciativa de Hazel. Mas agora, Frank segurava sua cintura firmemente, como se nunca mais a fosse soltar e, além disso, a puxava para perto do corpo, como se tivesse um ímã que o atraia até ela.

Sim. Definitivamente Frank ficara mais esperto e sabia o que queria. Hazel tinha consigo o que lhe interessava e não era um simples pedaço de graveto queimado.

Estava na hora de Hazel dar um incentivo a ele. E tinha de ser logo, com ou sem a conversa com Piper.

Esperou o treinador se virar, distraído, para escorregar sua mão para dentro da coxa de Frank, bem perto da virilha. Ele deu um pulo no banco e seu rosto passou de rosado para vermelho, roxo, azul e outras cores que nem devem existir. Hazel não entendeu o por que ele parecia tão nervoso.

Então, subitamente, os ventos começaram a soprar mais fortes e quentes do que nunca, roubando o oxigênio dos pulmões de todos que estavam no convés, salvando Frank do estranho comportamento de Hazel.

– O que é isso? – Frank olhava para o céu, tentando distinguir o que causava o rebuliço, mas não conseguia enxergar nada.

– Espíritos do Vento.

Frank mudou de cor mais uma vez ao ver Nico ao lado deles. Sério, como esse cara brotava desse jeito nos lugares? Talvez ele tivesse preguiça de andar e achava necessário se locomover pelas sombras, do seu quarto ao convés, mas resolveu não perguntar.

Sua feição de Antissocial Misterioso piorara para de Assassino a Sangue Frio desde a visita ao Cupido, coisa que ninguém entendia até agora. Exceto Jason, que estava presente no ocorrido. Tentou parecer o mais natural possível e disse:

– E isso significa...?

– Que estamos perto do Vento Sul.

– Espere. – Hazel estava intrigada – O Vento Sul, tipo, com letra maiúscula? Um deus?

– Sim. Estaremos no palácio em breve e é melhor alguém ir avisar Jason e Piper. – Nico olhava para Frank pelo canto do olho, ainda com a cabeça baixa.

Frank tinha medo de passar a ser um esqueleto ambulante se olhasse muito tempo para ele, então não perdeu a oportunidade de se afastar do Sr. Esquisito Nico Di Angelo e desceu as escadas a procura do casal.

– Acha que eles vão atacar? – Hazel perguntou.

– Somos semideuses em território de um deus furioso, em guerra com sua forma grega e romana, receita perfeita para um desastre. Então, ao que tudo indica, sim.

Hazel teria ficado mais contente com um simples “sim”.

Notas finais
Bem, este capítulo é um pouco aleatório huehue, só para quebrar o gelo entre a Hazel e o Frank. Nos próximos capítulos, vamos ver se rola algo mais... Espero que tenham gostado kk. Acompanhem, comentem, ajudem-me a melhorar a história... Beijinhos ;*