Uma Nova Amizade
16 Em Que a Estratégia é Concebida
Notas iniciais
PERCY
– REUNIÃO! – Percy gritou, vindo correndo do convés seguido de Annabeth.
Todos já estavam reunidos na sala de jantar quando os dois entraram e Percy bateu na mesa com as duas mãos para tirá-los de seus devaneios.
– Temos um plano! – Ele disse animado, mas olhou para Annabeth e corrigiu-se – Tudo bem. Temos algo parecido com um plano.
– Estamos no meio do mar. Como você espera que qualquer plano dê certo? – Murmurou Frank, nada esperançoso.
Percy deu a volta no ombro dele com o braço, com um sorriso e disse:
– É aí que você se engana, meu amigo. Não estamos em qualquer mar. Estamos no Mar de Monstros!
Ele fez uma pausa, esperando alguma exclamação otimista, contudo, o que recebeu foi olhares receosos. Olhou para Annabeth, procurando ajuda, ela revirou os olhos e começo a explicar.
– Eu e Percy já estivemos no Mar de Monstros há alguns anos e, podem ter certeza, não é nada agradável. O que Percy quer dizer é que está tudo muito calmo, o que indica que os deuses estão colaborando para chegarmos a algum lugar em especial...
Percy estava de pé ao lado dela, balançando todo o corpo em sinal de ansiedade para que ela chegasse à melhor parte. Annabeth suspirou e concluiu a explicação.
– Bom, o Mar de Monstros acabou nos deixando na Ilha de Circe e...
– Espere – Hazel interrompeu – Circe? Uma das mais poderosas feiticeiras? Vocês estão de brincadeira.
– Queria estar, mas não. Percy acredita que podemos obter ajuda dela.
– Por que ela faria isso? – Jason perguntou. Ele mantinha o queixo encostado nas mãos durante toda a conversa.
– Está aí a parte mais legal – Percy sorriu – Reyna trabalhava para Circe na época em que fugimos da ilha. Você só tem que convencê-la da parceria com Reyna no acampamento Júpiter, antes que ela te mate, te seduza com as poções ou te transforme em um porquinho-da-índia.
– Poções? Matar? Porquinho-da-Índia? – Jason agora adotou uma nova posição, refletindo sobre cada palavra que ouvia.
– Longa história – Percy continuou – Depois de convencer Circe a não mata-lo, tem de convencê-la a curar Piper. Então vocês voltam para o navio e vamos embora.
– Esse é seu grande plano? – Leo perguntou debochado e fez sinal de positivo com o dedo – Brilhante.
Agora as esperanças de Percy estavam se acabando. O que ele tinha acabado de dizer? Que ideia estúpida. Ele entendeu o que o desespero levava as pessoas a pensarem. Estava absorto em seus pensamentos quando Annabeth falou.
– Quer saber? Acho que podemos tentar – Todos olharam para ela – Com um plano melhor, é claro.
– Sendo melhor que o do Percy – Leo debochou novamente – Estamos no lucro.
– Certo. Circe é uma feiticeira. Não será fácil convencê-la, simplesmente. Precisamos de alguém que entenda de Magia.
Todos olharam para Hazel e ela corou.
– Farei o possível. Se for para ajudar Piper.
– Ótimo. Precisamos nos comunicar com vocês do navio (já que eu e Percy não podemos aparecer lá novamente). Algum tipo de código... – Annabeth refletiu.
– Código Morse – disse Leo.
– Perfeito! – Exclamou ela – Mas quem conhece o código?
– O cara que deu a ideia – Respondeu, causando um espanto momentâneo nos outros.
– Temos Névoa, temos o código, temos um porquinho-da-índia...
– O que? Eu vou precisar ir também? – Frank perguntou.
– É claro. Sua participação é parte mais importante do plano.
“Leo, certifique-se de ficar a par de tudo o que estiver acontecendo dentro do spa e mantenha-nos informados. E o mais importante: não seja visto. Hazel, sinta-se a vontade para usar a Névoa quando necessário. Circe saberá que você tem o dom da Magia e fará de tudo para convencê-la a se unir a ela. Resista. Frank, Circe seduzirá você e Jason a beberem a poção da beleza. Nesse momento, Hazel e Piper estarão em outra sala, portanto vocês estão sozinhos nessa. O efeito da poção não afetará Frank (já que seu DNA é geneticamente misturado com o de animais), porém, Jason não pode bebê-la em circunstância alguma, isso só causaria mais problemas do que já temos. Tente convencê-la de que Reyna é sua parceira na pretoria. Caso não dê certo, improvise. Se tudo correr bem, Piper será curada por Circe assim que chegarem. Isso porque Hazel irá induzi-la a acreditar de que as duas ficarão na ilha caso Piper sobreviva. A única chance de fugir é durante a noite. Estejam preparados.”
Assim, Annabeth explicou, desenhou e explicou novamente o plano de forma detalhada para que todos entendessem bem. A noite já havia substituído a tarde cansativa que tiveram quando tudo já estava combinado. O plano seria posto em prática no dia seguinte, que, segundo Percy, seria o tempo previsto para chegarem á ilha de Circe.
– Até lá descansem bem – Foi a ultima ordem dada por ele naquela noite.
...
Leo ficou no comando do navio durante a madrugada maçante, seguindo as coordenadas de Percy. Aparentemente, o navio estava navegando em direção a lugar nenhum, embora não houvesse como saber disso, já que o radar se recusava a funcionar. Ele foi forçado a desligar seus próprios equipamentos e confiar apenas na experiência de Percy no Mar de Monstros. A noite de Leo resumiu-se em: Pilotar o navio e bater o dedo no leme enquanto pilotava, treinando o Código Morse. Estava ansioso em relação a sua tarefa, já que teria que ficar escondido durante toda a missão.
Frank dormiu no quarto de Hazel pela primeira vez. Com a partida do treinador Hedge (que mereceria uma comemoração e tanto, caso Piper estivesse bem) todos ficaram mais á vontade no navio. Melhor que isso: não havia mais regras. Desde então ninguém mais dormia sozinho (exceto Leo). Eles planejaram uma noite romântica, mas estavam tão exaustos que deitaram nem por um minuto e já dormiam profundamente. Gastariam muita energia com seus poderes no dia seguinte, portanto precisavam mesmo economiza-la.
A noite de Jason foi igual a anteriores. Cochilar – cuidar de Piper – cochilar – verificar se Piper estava bem – cochilar – trocar os lenções da cama – cochilar... Ele estava tão cansado quanto os outros, mas se recusava a dormir ou trocar de turnos com uma das garotas. Queria cuidar de Piper pessoalmente e faria tudo o que pudesse por ela.
Já Percy e Annabeth, esses não conseguiam pregar os olhos. Percy mandava Annabeth descansar, ela negava, já que estava repassando o plano mentalmente. Annabeth mandava Percy descansar, ele negava, esperando sua vez de trocar o turno com Leo. Dessa forma, os dois viraram a noite conversando, hora no quarto, hora no convés, quando o turno de Percy começou.
...
– Estamos muito perto – Percy virou-se subitamente para outros, que aguardavam o imprevisível no convés do navio.
Estavam preparados para fazerem o que nunca ninguém ousou ao menos pensar. Iriam para aquela missão com a intenção de obterem sucesso. E teriam que consegui-lo, ou a profecia se cumpriria e eles perderiam um dos sete.
– Como saberemos quando parar? Ou onde estacionar? Os comandos não funcionam! – Preocupou-se Leo.
– Confie em mim. Estamos perto – Percy repetiu.
– Todos se lembram de suas funções na missão, certo? – Annabeth perguntou e os demais assentiram – Ótimo.
Ela mal terminou de falar quando Percy pediu para que Leo desacelerasse a velocidade.
– Chegamos.
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