Uma Nova Ameaça.
15 Seguindo em frente.
Ele tinha razão, assim que sai, todos estavam lá fora, e me cercaram. O homem que estava lá dentro passou, e todos se endireitaram, by InstantSavings\">menos Gibbs, e o cumprimentaram.
– Quem era este homem? – eu perguntei;
– Ele é o Secnav Jess. Ele decide o que vai acontecer nos assuntos da marinha, em todos os EUA.
– Ai meu Deus, eu bati boca com ele! – eu disse, e sorri.
– Como assim? O que houve lá dentro?
– Bem – eu disse, e fui descendo a escada com eles – Vance me deu uma coisa.
– O quê? – todos perguntaram.
– Ele me deu isso – eu mostrei meu distintivo e minha arma, e todos, sem exceção, ficaram com os olhos arregalados, e então Gibbs veio e me abraçou, e todos me abraçaram ao mesmo tempo, todos eles. Foi um abraço em grupo, literalmente.
– Então, você trabalha pra mim agora? – Gibbs disse.
– Agora não, só daqui a um ano. Até lá, eu sou uma civil.
– Meu Deus, isso é ótimo! – Abby disse, e eu sorri pra ela – agora, temos que ir até o laboratório porque você vai me contar tudo! Ziva, você vem?
– Ah, é mesmo, Ziva! O que você teve que resolver lá em cima? – eu perguntei.
– Bom, meu pai foi preso. E ficará lá por um bom tempo. E eu tive que escolher um diretor para substitui-lo. Eu escolhi Hassam, um dos homens que nos ajudou. Acho que fiz bem.
– Fez sim – eu disse, e coloquei a mão em seu ombro. Ela estava abalada, e todos perceberam isso.
– Podemos comemorar o novo feito da Jess na festa! – Ducky disse.
– Que festa? – eu e Ziva perguntamos.
– Dos Marine’s Day! Dia dos fuzileiros, gente! – Abby disse animadíssima, e praticamente nos arrastou para o elevador.
Chegando ao laboratório, Abby pediu para que eu desse a ela meu colar, e quando eu perguntei o porquê, ela me disse que Vance queria passar algumas cenas da missão no telão, pois tinha sido uma das missões bem mais sucedidas e blábláblá. Eu deixei com ela, e ela começou a passar o by InstantSavings\">negócio de trás pra frente, e virou – se para mim e Ziva:
– Então garotas, o que vão usar na festa?
– Bom, eu acho que não vou – Ziva disse, e eu olhei suplicante para ela:
– Como assim não vai?
– Eu não tenho roupas, muito menos saco pra essas coisas. Cabelo, maquiagem, vestido, salto.. Não é meu tipo de diversão.
– Mas Ziva – Abby se virou para ela – você tem que ir! Todos vamos, não pode deixar a Jess na mão! Ela será tipo, bombardeada de perguntas e apertos de mão de vários agentes daqui, ela precisa de apoio.
Eu estava calma, até ela dizer isso.
– Por favor, Zi, pelo menos pensa. Ainda faltam algumas semanas, então dá bastante tempo pra pensar. Não precisa responder agora, ok?
– Ok – ela disse.
– Quer ir pra casa? – eu perguntei, e Abby se virou novamente.
– Quero sim, você sabe onde meu carro ficou todo esse tempo? – Ziva perguntou, e Abby foi até uma gaveta do laboratório e pegou uma chave.
– Na garagem, aqui embaixo – Abby disse, e Ziva pegou a chave e sorriu.
Nós fomos até a garagem, ela não quis passar pela sala do esquadrão para se despedir então me esperou no carro enquanto eu fui até lá para pegar minhas coisas. Quando voltei à garagem, que por sinal estava vazia, ela estava sentada no seu mini cooper vermelho, com as mãos no volante e uma das pernas para fora do carro, observando algo, ou talvez só pensando. Eu cheguei perto devagar, e me sentei do lado dela. Ela desviou o olhar para mim, e estava com os olhos completamente marejados. Ziva tinha sido uma das poucas pessoas que eu praticamente nunca havia visto chorar, em hipótese alguma, nem mesmo quando matou seu próprio irmão, ou então quando eu matei Rivkin na frente dela, ela nunca demonstrou nada, nem mesmo uma gota de sentimento. Pelo menos não até aquele momento. Eu coloquei meu braço em volta dela e simplesmente a puxei, ela parecia tão frágil, tão diferente daquela agente brilhante, ou até mesmo daquela ninja que todos nós conhecíamos... Eu não disse nada, achei que não seria bom pra ela falar sobre o que aconteceu, mas ela resolveu se abrir, então levantou se, secou algumas lágrimas e disse, mais pra ela mesma do que pra mim:
–Eu sempre soube que nem eu nem Tali éramos favoritas do meu pai. Eu sempre soube que ele sempre teve preferência pelo Ari, mas nunca pensei que ele pudesse ter feito o que fez. Quando eu era pequena, sempre gostei de dançar, e era muito boa. Ele nunca foi a nenhuma apresentação, nada. Então, quando eu dei meu primeiro tiro ele ficou tão orgulhoso, parecia que era exatamente o que ele queria, mais um soldado, disponível para qualquer missão que ele bem entendesse. Eu e Tali éramos muito unidas, e quando ela morreu, ele ficou o tempo todo no velório falando ao telefone, parecia que ele simplesmente – ela deixou escapar uma lágrima – não ligava. E eu senti um ódio tão grande dele naquele momento, que achei que nunca mais fosse capaz de sentir. Mas eu senti, e desta vez o sentimento era mais forte. Foi quando ele me enganou, para “vingar” a morte do meu irmão. Nem ao menos sei se posso chama-lo de irmão, sendo que ele era um monstro. Mas eu só queria saber por que eu não posso ter uma família normal, que me ame sem interesses, que só.. Me ame. Sabe?
Ela olhou para baixo e começou a chorar novamente. Eu abri minha bolsa, e lá estava uma foto de todos nós, em uma noite de Ação de Graças, na casa do Ducky.
– Ziva – eu dei a foto para ela, e ela a pegou, ainda chorando. Eu apontei para a foto e disse: Você tem uma família, mesmo que essa família não seja de sangue, é uma família.. Mais ou menos. Olhe bem, aqui estão algumas das muitas pessoas que se importam com você. Ok, não somos muito normais – eu apontei para Tony que havia conseguido colocar uma das batatinhas entre o lábio superior e a parte de baixo do nariz, e estava tentando equilibra-la quando tiramos a foto, e ela riu – mas nós te amamos muito. E eu iria até a Grécia se fosse preciso para te buscar novamente, e eu tenho certeza que todos eles fariam o mesmo. Teu pai não sabe a filha maravilhosa que tem, mas ele vai saber um dia. Mas até lá, não se preocupe, porque você tem pessoas aqui que morreriam por você, que matariam por você, e que fariam qualquer coisa pra te ver feliz.
Ela sorriu para mim, me abraçou forte e respirou fundo. Depois de algumas tentativas, ela conseguiu colocar a chave no carro e saiu da garagem. Conforme dirigia e desrespeitava alguns sinais de trânsito, sorria para mim, como se estivesse querendo afirmar que estava realmente bem. Ela ainda não estava totalmente recuperada, mas ia ficar. Eu a conhecia bem a ponto de saber que ela conseguiria passar por aquilo, e de cabeça erguida. Minha Ziva estava voltando.
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