Notas iniciais
Perdoem-me se fiz algo de errado.Espero q gostem.

Uma notícia

Astrid sentiu o vento bater em seu rosto e balançara seus cabelos presos em uma trança.Os olhos fechados e braços abertos. A confiança total e plena em seu dragão.

Aquela sim era Astrid Hofferson. Confiante, altiva. Não aquela Astrid que aparecera de surpresa na noite anterior. Aparecimento tal que assustara a garota terrivelmente.

Flashback on

Astrid já não sabia o que fazer. Ela andava de um lado para o outro dentro de sua casa. Tempestade dormia tranquilamente em sua "cama" e ela também estaria dormindo. Bem, isso se Soluço já tivesse chegado em casa.

Fazia pouco mais de três anos que tinham se casado e desde então ela passara a morar na casa do marido. Não era muito grande, nada muito diferentes das outras casas da ilha como era de se esperar para um líder.

A casa continuava quase a mesma de quando ela ainda era criança. A única diferença era que Soluço tinha aumentado o próprio quarto para que acomoda-se bem os dois, já que o mesmo não fora capaz se quer tocar no antigo quarto do pai.

Astrid já estava pensando seriamente em acordar Tempestade e ir atrás de Soluço, quando a porta se abriu. Por ela passaram um jovem viking e um dragão negro. Ambos pareciam esgotados.

Banguela passou por Astrid e lambeu sua mão, para logo depois se dirigir a sua "cama". A garota percebeu que a cauda mecânica de Banguela não estava com ele. Mas que raios havia acontecido?

Astrid se voltou para Soluço, que tinha acabado de fechar a porta atrás de si. Seus cabelos castanhos estavam mais bagunçados do que o normal, ele tinha um grande arranhão em seu rosto e sua armadura estava amaçada.

– Por Odin! O que aconteceu?! — ela perguntou se aproximando.

Soluço abaixou a cabeça e coçou a nuca. Ele parecia apreensivo, preocupado e até mesmo um pouco envergonhado.

Astrid se aproximou e tocou o rosto do marido, fazendo-o olhar em seus olhos.

– O que aconteceu? — ela perguntou novamente.

Ele suspirou.

– Hoje mais cedo recebemos a notícia de que havia um dragão selvagem naparte norte da ilha roubando algumas ovelhas — começou Soluço — Bem, eu e Banguela não teríamos tido problemas em captura-lo se ele não tivesse destruído a cauda de Banguela.

Soluço apontou para um amontoado de ferros perto da porta. Pela aparência atual, ninguém poderia dizer que aquilo já fora uma moderna cauda de dragão.

– Mas não foi só isso, foi? — indagou Astrid.

Soluço fechou os olhos, parecendo aproveitar o toque dela em seu rosto. Então abriu os olhos e a fitou.

– O fato de ele ter destruído a cauda de Banguela não é exatamente o problema, já que eu tenho muitas outras — ele disse finalmente — O problema é que quando ele fez isso, estávamos a mais de 50 metros do chão. E nós tivemos que andar até aqui. É meio longe, sabe?

O coração de Astrid apertou, a garganta fechou e os olhos se encheram de água. Assustava-a o fato de ele ter chegado tão perto da morte, de que se não fosse por um golpe de sorte, ela já não teria mais o marido ao seu lado.

Soluço, vendo o estado da esposa, passou a mão por seus braços e sorriu divertido.

– Ei, pense pelo lado bom. Dessa vez eu não perdi nenhum membro!

A brincadeira não surtiu nenhum efeito sobre Astrid. Seus sentimentos estavam bagunçados, confusos, nem ela mesma os entendia. Em algum momento ela percebeu que Soluço não vestia sua roupa de voo, o que queria dizer que ele não poderia nem planar sem Banguela.

Ela engoliu em seco e sentiu as lágrimas virem, mas as conteve. Ela não podia chorar. Era Astrid Hofferson. Ela não chorava.

Soluço,cada vezmais preocupado, se aproximou mais um pouco e a envolveu em seus braços, abraçando-a. Foi aí que tudo desabou.

Assim que seu rosto encostou no peito de Soluço, ainda coberto pela armadura, as lágrimas caíram. Ela abraçou Soluço mais forte, na esperança de parar o choro, mas este só se intensificou.

Ela sentia uma das mãos de Soluço acariciando seus cabelos. Só de imaginar ele morto, as lágrimas passavam a cair com mais força. Ela chorava por medo de o perder, chorava de alívio por tê-lo ali, e, acima de tudo, chorava de raiva por estar chorando.

Flashback off

Astrid fechou os olhos, tentando afastar aqueles pensamentos. Quando estes se abriram, ela viu o por do sol já apontando no horizonte.

Seudia de trabalho já estava terminado, mas ela ainda tinha uma coisa a fazer.

–Para casa da anciã, garota — ela disse acariciando o pescoço do dragão.

Tempestade a olhou e assentiu. Ela virou cuidadosamente para esquerda e voou em direção a seu destino.

Mais ou menos um mês antes, Tempestade havia parado de fazer manobras mais perigosas e voar tão rápido. Depois de fazer diversos testes e exames, Astrid percebeu que não era nada com a saúde do dragão, ela não fazia porque não queria.

Tempestade pousou perfeitamente e Astrid pulou do dragão. Ela andou até a anciã, que fazia carinho na cabeça de um pequeno dragão.

Antes que a garota a cumprimentasse, a senhora levantou os olhos e sorriu. Ela levantou e andou até Astrid.

– O que te preocupa, minha filha? — ela perguntou segurando a mão da garota.

Astrid suspirou.

– Algumas coisas estranhas vem acontecendo — ela admitiu.

A senhora sorriu, como se já soubesse do que Astrid falava, e disse pegando a outra mão da garota:

– Seu marido é um grande líder, e será o melhor que Berk já viu. Ele é e será muito amado pelo povo, e fará mudanças que mudarão, para melhor, cada vez mais nossa ilha — Astrid sorria com as palavras, acreditava com todas as forças em Soluço — E seu herdeiro será um líder tão bom quanto, ou até melhor que ele. Herdeiro tal que já está à caminho.

Astrid franziu a testa.

– Como?

A anciã sorriu e pousou a mão sobre o ventre da garota.

– Seu herdeiro está à caminho — ela repetiu — Ele existe a pouco mais de um mês.

Astrid colocou uma mão sobre a boca e a outra sobre a barriga. A anciã se afastou sorrindo e assentiu, como se confirmasse os pensamentos da garota.

Astrid agradeceu, ainda em choque, e subiu em Tempestade, voltando para casa. Tempestade voava devagar, como se soubesse que a garota precisava pensar.

– Você já sabia, não é garota? — perguntou Astrid a Tempestade.

Esta se virou, curvando a cabeça. Astrid sorriu e acariciou Tempestade.

Antes que pudesse perceber, já estava dentro de casa. Ela deu uma cesta de peixe para Tempestade e deixou que o dragão descansasse.

Sua cabeça ainda rodava, a notícia não tinha sido digerida. Um banho. Era disso que ela precisava para pensar, um banho.

Ao sair do mesmo Astrid vestiu uma camisola branca de lã. As mangas iam até um pouco abaixo do cotovelo e a saia até os joelhos. Não era muito frio naquela época do ano em Berk, era possível ficar com aquele tipo de roupa dentro de casa.

Ao chegar a sala encontrou Tempestade dormindo. Ela foi até a cozinha e esquentou a comida que já estava pronta, pondo a mesa. Logo Soluço chegaria em casa esfomeado, como sempre.

Ela andou até a sala e olhou em volta. Estava tudo em seu lugar, quase completamente limpo. Sua mão foi inconscientemente em direção a sua barriga e ela a acariciou sorrindo. Grávida. Ela estava grávida.

Naquele momento a porta se abriu, revelando um Soluço e um Banguela cansados, porém não machucados ou esgotados como no dia anterior.

Soluço sorriu para a esposa e lhe deu beijo na bochecha. Banguela se esfregou em seu braço e Astrid o acariciou. O dragão fechou os olhos e esboçou um sorriso. Algo dizia a Astrid que o Fúria da Noite, assim como Tempestade, já sabia da novidade.

Soluço voltou com uma cesta de peixes e colocou perto da "cama" de Banguela. O dragão avançou na comida e Astrid riu.

– Parece que tem alguém com fome! — ela disse.

Soluço abaixou a cabeça e se apoiou na perna boa, balançando a prótese para frente e para trás.

– Sabe, não é só ele.

Astrid sorriu e o levou até a cozinha. Ela arrumou o prato e segundos depois ele já estava comendo.

Astrid sentou ao seu lado, e logo percebeu o cansaço da marido. Os ombros estavam caídos, as olheiras apontavam de baixo dos olhos verdes e as pálpebras estavam levemente abaixadas.

– Você parece cansado — ela disse tirando a franja dos olhos do rapaz.

Soluço deu um sorriso fraco.

– Tive um dia cheio — ele respondeu.

– Ah é? — ela indagou — O que você fez?

Soluço terminou de comer e pousou os talheres dentro do prato.

– Você não vai gostar — ele avisou — Passei o dia ajudando na reconstrução de Cór. Na verdade, passei metade da semana lá.

Cór. Em uma das "expedições" de Soluço ele tinha encontrado aquela ilha, a primeira habitada.

Recentemente o líder de Cór havia morrido, e seu filho, um garoto de dezoito anos, assumido a liderança.

Cór era menor que Berk, mas muito produtiva, por isso era alvo de muitos, e com a fraco sistema de defesa, sempre acabava arrasada.

Astrid suspirou.

– Não acha que está passando muito tempo lá, Soluço? Sei que você se preocupa, se importa, e esse foi um dos motivos de ter me casado com você, mas você tem uma ilha para cuidar, uma família. Há quanto tempo não visita sua mãe? — Soluço abaixou a cabeça — Sei que você se identifica, mas pense. Você só é o líder que é porque aprendeu parte do que sabe com seu pai, e a outra parte descobriu sozinho. Quando está sempre lá, não dá chance para que ele aprenda sozinho. Não estou dizendo para parar de ir até lá, mas seria o bastante duas ou três vezes na semana, não todos os dias.

Soluço suspirou e assentiu.

– Você tem razão — ele disse.

Astrid sorriu e acariciou os cabelos do marido, fazendo uma pequena trança.

– Você quer me dizer alguma coisa? — perguntou Soluço — Parece pensativa.

Astrid balançou a cabeça.

– Sim, mas acho melhor dizer amanhã, você parece muito cansado.

Soluço levantou da cadeira em um pulo.

– Que isso, só preciso de um banho e vou ficar novinho em folha! Ou quase — ele disse mexendo a prótese.

Astrid riu e ele lhe deu um selinho.

– Já volto — e sumiu pela porta que levava a sala.

Astrid se levantou e foi para sala. Ela fez um carinho na cabeça de Tempestade, que ronronou entre seu sono. Ao chegar perto de Banguela, este abriu um poucos os olhos e esboçou um sorriso.

– Você já sabia, não é? — perguntou Astrid.

Banguela balançou a cabeça.

– Como?

O dragão levantou a cauda e a bateu ritmicamente contra o piso de madeira. Eram batidas compassadas, com o mesmo espaço de tempo. Pareciam as batidas de um...

– Coração — ela disse — Você pode ouvir o coração.

Banguela assentiu. Astrid sentiu as lágrimas virem aos olhos, mas as secou. O dragão acabara de reproduzir as batidas do coração de seu filho. Aquele pequeno ser que mal havia crescido dentro de seu ventre.

Ela sentiu dois braços envolverem sua cintura e se virou. Encontrou o marido vestido apenas com uma blusa de lã branca e uma calça de pelo de Iaque.

Ele colocou uma das mãos em seu rosto e a beijou. Astrid sentiu as mãos dele apertarem sua cintura e aprofundou o beijo. Uma de suas mãos foi para os cabelos do marido e a outra ficou sobre o peito do mesmo. Mesmo depois de tanto tempo ela ainda podia sentir o coração acelerar, o estômago se revirar e a nuca se arrepiar com o beijo de Soluço.

Aos poucos foram se separando. Soluço acariciava sua bochecha e sorria.

– O que você queria me dizer? — ele perguntou.

Astrid segurou sua mão e o guiou até o sofá, sentando-o e fazendo o mesmo.

– Fui até a anciã hoje. Ela me disse que você será um grande líder, o melhor que Berk já viu, e que seu herdeiro será um líder tão bom quanto você — ela contou — Mas ela também disse que esse herdeiro já está à caminho.

Soluço franziu a testa.

– Como assim?

Astrid segurou a mão do marido e a colocou sobre seu ventre, pousando a própria sobre a dele.

– Soluço — ela disse olhando em seus olhos — Eu estou grávida.

Soluço a fitou sem reação por um momento. Então voltou os olhos para sua mão sobre a barriga de Astrid, e voltou aos olhos azuis da garota.

– Isso é sério? — ele indagou.

Astrid assentiu.

Soluço abriu um sorriso e em um movimento passou um dos braços por suas costas e o outro por suas pernas, pegando-a em seus braços. Ele se levantou e Astrid automaticamente abraçou seu pescoço.

– Você está grávida! — ele exclamou — Grávida!

– Soluço, pelos deuses, me ponha no chão! — ela exclamou, porém sorrindo.

Soluço a colocou no chão e lhe deu um beijo rápido.

– Eu vou ser pai, Astrid! — ele disse e se ajoelhou a sua frente — Filho, o papai vai te ensinar a desenhar, voar de dragão, lu... Não, é melhor sua mãe te ensinar a lutar.

Astrid riu e segurou os ombros de Soluço.

– Ele só te um mês! — ela disse — E eu nem sei se é um menino.

Soluço se levantou. O sorriso não abandonava seu rosto.

– Não importa se é menino ou menina — ele disse — O importante é que é nosso filho.

Astrid o abraçou e Soluço não hesitou em retribuir o abraço.

– Eu te amo — ela disse em seu ouvido.

– Eu também te amo — ele respondeu.

Notas finais
Bem, espero q tenham gostado, sou nova por aki. Deixem e reviews e se gostarem favoritos, ok? Bjs, até uma próxima! EuSemideus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!