Uma Noite de Música

7 Capítulo 7 - Gendry


Fazer parte de uma banda requeria muito treino e preparação, não que ele não estivesse satisfeito em ser membro dos Bastardos, mas isso dizia que ele tinha responsabilidades e algumas vezes cabia a ele fazer coisas que não gostava, como chegar cedo no local onde ele iria realizar sua performance para checar a acústica e fazer um último ensaio e ter de aceitar as ideias do grupo. Por outro lado também tinha as suas vantagens, como desconto e bebidas grátis. Tendo chego horas antes do Serpentina abrir, Gendry fizera uso de seus benefícios, tendo tomado três cervejas na espera da garota que ele estava afim. Claro que encontrá-la foi um problema naquele mar de gente e quando decidiu sair a procura de Arya e levar Jeyne consigo teve um momento em que se arrependeu de fazê-lo, porque a melhor amiga de Sansa conseguia ser insuportável ao se fechar em si mesma e fazer com que ele sentisse todo o peso de sua condição social, o que o levou muitas vezes a se questionar se o certo não seria ele e Arya não serem mais do que conhecidos e que talvez a amizade deles fosse uma mácula para ela, principalmente com ele tendo uma forte atração por uma pessoa de uma classe totalmente diferente da sua. Talvez seja por minha culpa que ela tenha poucos amigos e não seja aceita pelo mesmo grupo de amigos de Sansa, pensou. Mas mesmo antes de conhecê-la, ele nunca ficara sabendo dela ter sido diferente do que era agora e foi nisso que ele se segurava para justificar a amizade que tinham.

Assim como ele, Arya demonstrou estar feliz em encontrá-lo o que o levou a não saber como cumprimentá-la, visto que foi o brilho nos olhos acinzentados dela que o tirou de sua depressão momentânea e dando a desculpa de que ia pedir as bebidas, afastou-se de Jeyne e Sansa, duas garotas tão mimadas que se deslocavam naquele lugar e na vida dele. O fato das duas terem decidido se separar dele e de Arya lhe deu alegria e ele comemorou brindando sua garrafa com a da amiga, que também pareceu dividir os sentimentos com ele.

– Ainda bem que elas foram embora! — Arya falou mais alto do que o último acorde da banda Nascidos do Ferro que logo após fazerem seus agradecimentos deixaram o palco anunciando que a Guarda Real os substituiriam. As bochechas da menina estavam rosadas, talvez pelo efeito da bebida ou pelo clima que aqueles ambientes noturnos causavam nas pessoas. Gendry preferia acreditar no último, sabendo quão alta era a tolerância alcoólica da irmã de Jon.

Gendry limitou-se a abrir um sorriso, sem saber o que dizer ao certo.

Arya estava em sua segunda garrafa de cerveja enquanto ele enfrentava o fim da quarta, que esvaziara em quase um gole para afastar a onda negra que o abatera. Voltando a realidade, ele sentiu a pressão desta ser a sua primeira grande apresentação e o seu estômago revirara de nervosismo. Seus locais rotineiros eram bares underground com uma dúzia de gato-pingado e hoje ele faria história em sua carreira ao tocar em um galpão com casa cheia e por isso não conseguia esconder e nem evitar a satisfação que sentia com um sorriso bobo estampado no rosto.

– Você está estranho — Arya acusou — O que está acontecendo?

– Estou feliz por você ter vindo me ver, mocinha — Brincou, sabendo o que esperar em seguida. Como toda brincadeira tem um fundo de verdade, ele foi honesto em sua resposta. Gendry gostava de estar próximo à Arya e gostava de pensar que o mesmo fosse recíproco e que um dia ele conseguisse tomar coragem o suficiente para dizer que o seu gostar se estendia para além do ponto da amizade e que neste dia ela dissesse que sentia o mesmo.

Arya levantou a mão desocupada em punho e o esmurrou repetidas vezes no peito e nos braços, com o rosto mais corado do que no início.

– Eu não sou mo-ci-nha! — Esbravejou pausadamente; uma sílaba por soco — E não vim para te ver!

– Ah é? E por que veio então? — Provocou em meio a risada, sem saber exatamente porque estava fazendo isso. Ele podia sentir a cabeça leve e a necessidade de falar coisas do momento, apesar de saber que não deveria fazê-lo. Mesmo não querendo admitir, ele havia bebido mais do que era aconselhável e ele ainda tinha uma performance para realizar.

– Por Jon, pela minha irmã e... — Ela hesitou, parando de bater e lhe lançando um olhar ameaçador.

– E por mim — Concluiu em uma gargalhada.

– Por Theon! — Exclamou em desespero.

Gendry fez cafuné na cabeça da amiga. Se ele tivesse ido para a faculdade e não tivesse reprovado nenhum ano, ele estaria no último período de um curso básico de quatro anos, mas como esse não era o caso, ele só era superior da garota com a sua idade, tendo ele vinte e dois anos em comparação com os dezessete dela.

– Eu estava só brincando — Confessou.

– Brincadeira besta — Respondeu com raiva, bebendo no gargalo sua bebida.

– Eu gosto de vê-la brava — Justificou sua ação.

A amiga o fuzilou com o olhar e teria voltado a bater nele se isso não lhe desse satisfação pessoal.

– Mas eu não gos... — Arya foi silenciada por Gendry.

O rapaz não sabia de onde tirara coragem. Ele poderia culpar o calor do momento, a oportunidade que a situação criara ou a bebida, mas independente do que fosso o responsável, ele iria dizer a si mesmo que estava satisfeito por aquilo.

Seus olhos estavam obcecados por Arya e por seus lábios umedecidos e antes que se desse conta do que estava fazendo, ele encostou sua boca na dela enquanto ela ainda estava falando algo que não foi registrado por ele. A princípio a garota ficou tensa, mas por pouco tempo, retribuindo a carícia. Gendry entendeu isso como uma permissão para continuar e segurou os cabelos dela com uma certa possessividade e não hesitou em inserir a sua língua no beijo e Arya o imitou. Pela primeira vez ela se mostrou frágil e Gendry compreendeu que aquele deveria ser o primeiro beijo dela, pois ela apenas copiava os seus movimentos. Isso não pareceu importar para ele, pois brincou com a língua dela, passeando com a sua própria pela boca da amiga com mais desejo do que pensou que sentiria.

O beijo não durou tanto tempo quanto ele gostaria, pois ela tomou consciência do que estava fazendo e se afastou com brutalidade, deixando-o na carência do toque dela.

– O-o q-que... — Gaguejou Arya.

– Arya... — Murmurou o nome dela com pesar.

No intervalo das bandas, o murmurio dele se tornou um grito e a menina levantou a mão e estapeou o rosto de Gendry. Ele sentiu a pele atingida latejar. Era óbvio que uma marca avermelhada em segundos apareceria e ele não podia culpá-la por isso.

– Eu sinto muito — Tentou se desculpar e procurou os olhos da amiga em busca do perdão, entretanto o que encontrou foi a garota a beira das lágrimas, algo que ele nunca vira acontecer.

– Você é um idiota, Gendry! — O xingou e antes que ele tivesse tempo de dizer ou fazer qualquer coisa, ela se embrenhara na multidão que os cercava.

A cena foi registrada por todas as pessoas que estavam naquela parte do bar e ele se sentiu envergonhado por ter se tornado o centro das atenções. Eu não posso ir atrás dela, disse a si mesmo. Ela estava enfurecida com ele e se a seguisse, esse ódio só aumentaria, por mais que o desejo de ir atrás dela fosse grande. Apesar dela ter retribuído o seu afeto, ele entendia que ela ainda não estava preparada para recebê-lo e se amaldiçoou por isso.

– Merda! — Exclamou para si mesmo.

Já não sentia mais vontade de beber. Seu estômago estava reagindo a tudo aquilo e caminhou em direção ao banheiro masculino, se livrando da garrafa que segurava no percurso.

Notas finais
Por favor, não me matem com este capítulo! Espero que não tenha ficado sem nexo, mas era necessário fazê-lo! Muito obrigada por terem lido até aqui! Críticas e sugestões são bem vindas! ;)