Uma Noite de Música

4 Capítulo 4 - Gendry


A Guarda Real iria subir ao palco em pouco tempo e logo depois seria a vez da banda dele, Os Bastados, entrarem no palco. O nome da banda era um lembrete para todos os integrantes que foram concebidos fora dos laços matrimoniais. No entanto, apenas ele e Jon desconheciam um de seus pais. No caso, Jon não sabia quem era sua mãe e Gendry não sabia quem era o seu pai.

Havia apenas um par de anos que sua adorável mãe falecera e mesmo no leito de morte ela não quisera revelar quem a engravidara, até mesmo em sua certidão de nascimento tinha um espaço em branco e por esta razão ele sentia vergonha de mostrar o seu RG para qualquer pessoa. Claro que isso não o impediu de ser aceito pelos outros, exceto com aquele cretino loiro que era o vocal de Guarda Real, entretanto isso não o afetava, mesmo porque do seu grupo de amigos ninguém gostava dele.

Talvez tenha sido esse ódio em comum que fez com que ele e Arya Stark, a meia-irmão de Jon, se dessem bem.

Arya prometera que viria esta noite vê-lo tocar e como ele se alegrara ao ouvir estas palavras da garota. Arya era a sua melhor amiga e uma das únicas meninas que conhecia que não era fútil, diferente de sua irmã Sansa e esta também acompanharia as apresentações de hoje.

– Se você ver as minhas irmãs, diga pra ela se esconder do Robb — Jon lhe dizia naquele momento.

– A namorada dele vai tentar distraí-lo — Ygritte avisou, acariciando o rosto do namorado.

Jon e Ygritte era o casal mais bonito que Gendry já vira. Ela tinha longos cabelos acobreados, o rosto sardento e pálido, olhos castanhos e corpo esguio. Jon por sua vez tinha cabelos castanhos, olhos acinzentados, pele bronzeada sem nenhuma mancha e magro. Eles não eram iguais em muitos aspectos e mesmo assim se completavam. Gendry não tinha dúvidas de que um estava apaixonado pelo outro na mesma intensidade.

– Pensei que o seu pai tinha dado permissão à elas — Comentou. Não era a primeira vez que Arya vinha à shows e nenhuma outra vez ela tivera permissão dos pais. Gendry acreditava que com os irmãos dela ali a situação seria outra em casa.

– Não, meu pai não acha que este lugar seja adequado para uma garota — Respondeu Jon.

– E no entanto eu estou aqui — Ygritte beliscou as bochechas de Jon.

– E no entanto você está aqui — Jon a silenciou com um beijo rápido nos lábios e se afastou das mãos teimosas da namorada.

Gendry desviou os olhos. Ele podia ser um homem e estar acostumado com pegações, no entanto continuava sendo desconfortante assistir à demonstrações públicas de afeto.

– Jon! — Uma voz tímida e quase imperceptível ecoou próxima à eles.

Gendry foi a primeira à vê-la. A dona daquela voz era uma moça de cabelos negros, olhos castanhos e rosto tímido em forma de coração. Ele já a vira outras vezes ao lado de Sansa, mas nunca a vira utilizando uma camiseta nova de uma banda desconhecida e calça jeans rasgada. Isso sim é novidade, comentou consigo mesmo.

– Jeyne — Jon a cumprimentou.

Esse era o nome dela, se recordou. A garota era uma mosca morta no seu ponto de vista. Nunca se lembrava dela a não ser como uma sombra da melhor amiga de infância. Ela quem costuma chamar Arya de Cara-de-Cavalo, Gendry abriu um sorriso ao se lembrar. Tinha que admitir que essa observação estava correta. Sua amiga tinha o rosto esguio como o de um equino.

– Você viu a Sansa? — Perguntou com simplicidade. Gendry pôde sentir a timidez dela em sua voz e não era pra menos, aquelas pessoas ali não eram amigos dela, com exceção de Ramsay que demonstrava interesse nela. Interesse em provocá-la o máximo que podia, completou, mas Ramsay estava no backstage esperando Theon descer do palco.

– Quem é você? — Ygritte perguntou, não gostando do fato dela ter se dirigido ao seu namorado. Ygritte conseguia ser bem hostil com garotas que faziam isso.

– Jeyne Poole — Apresentou-se.

– Não a vi — Disse Jon.

– Eu combinei de encontrar com ela aqui... — Murmurou a moça.

– Eu estou sabendo — Jon sorriu — Arya me contou o que faria esta noite. Disse que daria a desculpa de dormir na sua casa junto com Sansa para uma noite das garotas, quando na verdade você também diria a mesma coisa na sua casa.

– Foi algo inteligente, mas muito fácil de ser descoberto — Ygritte mordeu o lábio inferior. O plano tinha tantos furos que a ruiva desejava que fossem descobertas por serem burras.

– Vou dar uma volta para procurar a Arya, você não quer vir junto? — Gendry se ofereceu. Por mais que não conhecesse Jeyne, não iria deixá-la a mercê de Ygritte e sua animosidade.

Jeyne passou o olho em todos ali e depois concordou que segui-lo seria a melhor opção. Independente de qualquer coisa, Sansa com toda certeza estaria com a irmã mais nova e Gendry sabia que Arya gostaria de ser resgatada de Sansa.

Para não perdê-la na multidão, Gendry ofereceu o seu braço para a moça que o recebeu, apesar de estar com receio de fazê-lo. A família de Jeyne Poole tinha mais dinheiro do que ele jamais teria nesta vida e bem menos do que os Starks ganhavam por semana. Nos olhos de Jeyne era uma ofensa ela ser vista com alguém de uma classe tão inferior do que a sua e para Arya era um orgulho, no entanto Gendry não podia culpar a garota que segurava o seu braço. Mesmo estando no século XXI os status sociais eram importantes em Porto Real, a cidade que habitava.

– Faz tempo que você chegou? — Perguntou para cortar o silêncio que surgiu entre eles em um tom acima da música tocada.

Jeyne concordou com um menear de cabeça e Gendry percebeu que não conseguiria arrancar mais nenhuma palavra dela.

A cada minuto o Serpentina ficava mais lotado e procurar uma pessoa na estatura de Arya estava sendo uma missão tão difícil quanto encontrar agulha no palheiro, ainda mais dependendo da iluminação provinda das luzes de festa. Ele rodara a pista com a sua companheira duas vezes e mesmo assim não conseguiram encontrar nenhum conhecido, exceto uma vez que Gendry pensou ter visto de vislumbre a silhueta de Robb próximo ao palco. Se eu encontrar com as Starks eu direi para que evitem ficar lá na frente, concluiu.

Foi então que ele teve a melhor ideia naquela noite. Arrastando Jeyne para o bar que estava tão lotado quanto todo o resto do galpão ele retirou o telefone celular do bolso e sugeriu que Jeyne fizesse o mesmo e sem pensar duas vezes, cada um enviou uma mensagem de texto para as pessoas que procuravam dizendo para se encontrarem com eles no bar. Só espero que elas cheguem logo, pois ficar ao lado de Jeyne está sendo um verdadeiro saco, Gendry estava arrependido de tê-la afastado dos colegas de banda. Pelo menos com Jon e Ygritte ela conversava e ao lado de Gendry ela disfarçava o incomodo mexendo no celular ou olhando ao redor para ver se seria a primeira a avistar aqueles que esperava.

Notas finais
Estou tão empolgada com a história que estou postando capítulos com frequência, eheh. Espero que tenham gostado e que deixem comentários! ;)