Notas iniciais
Olá galera olha quem voltou! Então, eu li uma fic esses dia que era tão triste, mas tão triste que eu não sosseguei e acabei escrevendo essa short pra vocês. Eu baseei parte dela num filme que eu adoro que é The Family Man ( tem no Netflix se quiserem ver) e a outra parte tem a ver com a fic que eu li. eu não lembro o nome mas era uma one shot se não me engano, e o final era muito triste, eu chorei tanto e fiquei tão sensível, que fiquei pensando que queria que a Regina pudesse ter uma segunda chance. então eu criei uma história pra sanar minha tristeza. Mas eu vou procurar a fic pra recomendar pra vocês, ela é MUITO BOA, só que é muito triste. Enfim é isso, vou postar todos os capítulos hj e e aguardem que vem mais coisa por aí nesse batcanal ;) Boa leitura!

Regina Mills tinha tudo que alguém poderia querer, era a poderosa CEO da Mills Company, empresa lider no mercado financeiro de ações. Mora em uma cobertura no Upper East Side, tem tudo o que quer, na hora que quer, e é bem feliz com isso. Alguns podem dizer que ela tinha se tornado amarga ou arrogante, mas na verdade ela era apaixonada pela carreira e exigente com os resultados. Mas há muito tempo atrás, as coisas eram bem diferentes. Sabemos que toda história tem um começo, mas essa história começa com um fim.

JFK Airport — Nova York, 28 de Dezembro de 2004.

"Ultima chamada para o vôo 4073 com destino a Londres, embarque no portão 815"

— Bom, vamos lá! — Regina se levantou de sua cadeira enquanto era acompanhada pela loira cabisbaixa ao seu lado.

— Vai passar tão rápido que vai ser como se eu nunca tivesse ido!

— Se cuida! — Emma disse antes de receber um abraço apertado e um beijo de despedida — ESPERA! — Regina seguiu andado em direção ao portão quando ouviu Emma lhe chamar a atenção e se virou-

— O que foi?

— Eu estou com um pressentimento ruim sobre essa viagem – a loira diz aflita enquanto se aproxima da morena.

— Pressentimento? Tipo o que? Você acha que o avião vai cair? Por favor não fala isso – Regina diz meio receosa.

— Olha eu sei que conversamos sobre isso milhares de vezes e concordamos que você ir pra Londres era a coisa certa a se fazer, mas no meu coração, isso parece errado – ela diz olhando nos olhos da morena que a encarava — Não vai, Regina!

— Você diz não ir de não ir mesmo? — ela afirma com a cabeça- Mas e quanto ao meu estágio?

— Eu sei, eu sei que é uma oportunidade incrível pra você...

— Pra nós Emma...

— Pra nós, eu sei, mas... Eu estou com medo de quando você entrar naquele avião...

— Emma, olha, estamos num aeroporto, e ninguém consegue pensar direito num aeroporto, então vamos nos ater e confiar na decisão que tomamos anteriormente. Você foi aceita numa das melhores faculdades de direito do país, eu consegui um estágio no Barcley's Bank. Nós temos planos grandiosos amor. — ela diz enquanto a loira deixa as lágrimas tomarem seu rosto-

— Você quer fazer algo grandioso na sua vida Regina? Vamos adiantar os planos, vamos começar nossas vidas agora mesmo, hoje, aqui. Eu não tenho ideia de como essa vida vai ser, mas eu sei que nós duas estaremos nela e, eu escolho nós duas. — ela diz ainda olhando nos olhos da morena a fazendo dar um sorriso contido- planos não nos fazem ser grandes Regina, o que nós temos juntas, é isso que nos faz grandes. — ela diz e é tomada por Regina em um beijo profundo que a faz sorrir quando se separam.

— Eu te amo Emma!

— Eu também te amo!

— E um ano em Londres não vai mudar isso – ela diz fazendo Emma perder o sorriso- Nem mesmo mil anos vão mudar isso- ela disse antes de se afastar em direção ao portão, deixando uma Emma arrasada para trás.

*~><~*

13 anos depois...

Nova York

— Essa noite foi incrível — dizia a ruiva enquanto se vestia

— O que? — Regina coloca o TWST Journal* que segurava de lado dando atenção a mulher a sua frente.

— Eu disse que essa noite foi incrível!

— Oh! Você é uma amante maravilhosa! — ela diz olhando lasciva a mulher se vestir.

— Obrigada! Você é ótima também! — ela diz rindo.

— Quero te ver de novo!

— Eu gostaria disso

— Essa noite

— É véspera de Natal, Regina

— Então eu vou te cobrir de Eggnog – ela disse fazendo a ruiva rir novamente.

— Tenho que visitar meus pais em Jersey!

— Jersey? Tem ideia do trânsito caótico que você vai enfrentar?

— É por isso que eu vou de trem – ela disse enquanto pegava o casaco – Foi um prazer te conhecer Regina – ela disse antes de sair pela porta.

Regina sorri olhando para porta antes de se levantar e começar a se arrumar para o seu dia de trabalho ao som de La Habanera. Ela cantava a plenos pulmões até chegar ao elevador, quando parou de cantar ao ver seu vizinho, um senhor simpático de mais ou menos 60 e poucos anos entrar na pequena caixa metálica.

— Bom dia Sr. Sullivan!

— Bom dia Regina! — ele disse enquanto entrava no elevador — Sabe, você não precisa parar a cantoria só porque eu entrei no elevador – ele disse divertido fazendo Regina sorrir.

— Ah, é que eu sou muito tímida Carl... Então, quando é que vai largar aquele cadáver da Sra Sullivan e fugir comigo?

— Oh, você nunca vai me satisfazer como ela me satisfaz – ele disse rindo novamente antes da porta se abrir e ele seguir seu caminho.

—Oh, tudo bem -ela disse fingindo decepção-

—Tenha um bom dia Regina! -ele disse se afastando-

—Você também Carl!

— Oh feliz natal Srt. Mills – disse o concierge do prédio.

— Como foi sua caixinha de natal esse ano, Tony?

— Uns 4 mil dólares, e uma garrafa de Scotch 25 anos do 901D, mas vou investir nos títulos privados como a senhorita me aconselhou. — ele disse sorrindo.

— Ótimo, mas só até o Euro subir hein?

— Pode deixar, muito obrigado, Srt Mills – ele disse enquanto ela ia em direção a porta do prédio.

— De nada, Tony, tenha um bom dia! — ela acenou saindo em seguida.

Regina entrou em sua Ferrari Prata e seguiu até o seu escritório, estacionou na porta do prédio imponente e jogou as chaves na mão do segurança que ficava na porta.

— Bom dia, Joe!

— Feliz natal, senhora!

Ela seguiu em direção ao escritório enquanto todos os funcionários que ali estavam trabalhando corriam de um lado pro outro para preparar tudo para a reunião que se daria em poucos minutos.

Cinco minutos depois todos já estavam reunidos e debatiam informações para o cumprimento do que era pedido.

— Se as ações da Medtec caírem até 43 teremos problemas com os investimentos então, pelo amor de Deus, tenham cuidado com o que vocês dizem para os nossos investidores. Ainda temos um dia inteiro de transações até o fechamento e não queremos problemas – ela dizia enquanto observava o colega Robin que estava disperso observando um peso de papel na mesa – por que está tão pensativo, Robin? – ela disse fazendo o homem se assustar

— Oh, me desculpe, eu estava pensando, eu prometi há dias que iria jantar com as crianças, e hoje é noite de Natal, Regina.

— Oh, o Natal é hoje é? – ela disse fazendo os colegas darem risada — E você acha que eu gosto de estar aqui trabalhando no natal, Robin?

— Huum, Não... Bem, talvez? – ele disse fazendo todos rirem novamente, inclusive Regina que sorria.

— Huum, ta bom, bem... Talvez só eu tenha os olhos voltados para a tv nessa época, mas, em dois dias anunciaremos uma das maiores fusões corporativas da história americana. Quando um negócio assim aparece, trabalhamos até concretizá-lo, então por favor, não peçam suas férias. – ela disse séria fazendo todos a olharem — até 26 de dezembro ganharemos tanto dinheiro que vai ser natal todos os dias – ela completou fazendo todos relaxarem em suas cadeiras – aí então todos poderão comemorar a vontade, todos terão a minha benção.

— É verdade, Regina, você tem razão, me desculpe – Robin dizia quando Regina o interrompeu.

— Não, Robin, não se desculpe, fique entusiasmado, eu quero que você abra o meu presente no último dia do ano e sabe porque? – ele negou com a cabeça – porque o meu presente vai vir com dez zeros – ela disse fazendo todos rirem novamente.

— Você está certa, conte comigo!

— Ótimo, agora vamos todos a página 12 do prospécto...

A reunião seguiu até tarde e depois de todos dispensados, Regina seguiu para o seu escritório e já passava das 20h da noite, sua secretária, Ruby, lhe entregava os recados e dizia algumas coisas de sua agenda no caminho.

— São 20:30, será que ainda vai ter tempo de fazer as compras?

— Claro que sim, e você também, natal é tempo de doar, Ruby, e eu estou me doando para esse negócio, portanto, eu sou o próprio espirito natalino – ela disse enquanto adentrava seu escritório.

— Você é minha heroína, Regina – Ruby disse debochada enquanto a acompanhava e a fazia rir.

— Ligaram da Oxford...

— Huum, meus terninhos estão prontos...

— Aham

— Você quer bala de menta? – perguntou enquanto sentava em sua cadeira e pegava os recados pra ler.

— Não, obrigada.

— Emma Swan? – Ela disse intrigada ao ver aquele nome escrito.

— A telefonista disse que você deve ligar pra casa da mãe dela

— Emma Swan foi uma namorada que eu tive na faculdade, eu quase me casei com ela – ela dizia pensativa e sua frase fez sua secretária a olhar abismada.

— Você... casada?

— Quase casada, e quase corretora da EF Hutton...

— Como é que é?

— Ela não queria que eu fosse pra Londres – ela se recostou na cadeira e suspirou –no aeroporto, na hora da despedida ela me pediu pra ficar.

— E você a deixou.

— Não foi fácil...

— Oh Pare senão eu começo a chorar – Ruby disse irônica. -

— Hey... Eu escolhi o caminho menos acidentado.

— E veja onde é que ele levou... Eu vou pôr essa garota na linha agora – ela deu a volta na mesa e pegou o telefone começando a discar os números, mas foi interrompida por Regina que cortou a chamada.

— Não.

— Você quase casou com essa mulher, não está nem um pouco curiosa pra saber porque ela ligou?

Foram interrompidas pela porta se abrindo e o sócio de Regina, entrando sorridente.

— 20:35, noite de natal. Regina Mills está sentada em sua mesa – ele diz enquanto se encaminha para o bar e começa a preparar um whisky – esta data é mesmo muito marcante pra você.

— Eu também não vejo você arrumando sua árvore de natal em casa, Peter – ela dizia enquanto ele se encaminhava para a cadeira a sua frente, se sentando.

— Isso porque sou um canalha ambicioso que só pensa em dinheiro.

— Olha, se quer saber, Deus te abençoe por isso!

— Recebi uma ligação de Teri Hitch, Bob Thomas está nervoso...

— Isso é o que acontece quando você gasta cerca de 30 bilhões em aspirina – ela diz rindo.

— Alguém precisa ajudá-lo nisso.

— E porque você está me olhando assim, Peter?

— Preciso de você, Pantera.

— Onde ele está?

— Aspen

— Diga a tia Janice que não vou poder ir pra lá amanhã — ela disse olhando pra sua secretária que fez cara de surpresa.-

— Você é o orgulho do capitalismo, Regina – Peter disse fazendo Regina sorrir.-

Peter se levantou e foi saindo junto com Ruby para fora da sala quando Regina lhe deu instruções para marcar um almoço no dia seguinte ao meio dia.

Algum tempo se passou, Regina finalizou o que tinha no notebook e se preparava para levantar quando viu o post it rosa com o telefone de Emma Swan em sua mesa. Olhou para o relógio que marcava 21:45h, ponderou se devia ou não ligar, já havia se passado tanto tempo, porque ela iria querer falar com ela agora? Resolveu ouvir Ruby e tirar suas dúvidas, pegou o papel e discou, sendo atendida no terceiro toque.

— Alô

— Ah, boa noite, aqui quem fala é Regina Mills...

— Regina, oh querida, como vai? É a Mary

— Mary Margaret? Oh nossa, há quanto tempo...

— Sim alguns bons anos...

— Sim, é verdade, bem, me desculpe ligar assim na véspera de natal, é que eu recebi uma ligação da Emma e eu não pude atender na hora, estou retornando, você poderia chamá-la?

— Ah, Regina me desculpe, creio que não será possível, além disso fui eu que te liguei em nome dela, acho que sua secretária se confundiu – Mary disse com pesar. -

— Tudo bem, mas eu não entendo, porque não seria possível? E porque exatamente você está me ligando?

— Bem, pelo jeito você não sabe, eu imaginei que não porque você é muito ocupada, bem, não será possível porque ela não está aqui, Emma sofreu um acidente de carro ontem a noite, voltando de Nova York.

— Acidente? Mas como ela está? — Regina pergunta já temendo a resposta.-

— Ela... Ela se foi Regina... Nossa menina se foi – Mary diz chorando ao telefone. -

Regina sente seu mundo girar, como assim Emma estava morta? Isso não podia ser verdade, ela era tão jovem, não podia ter morrido assim.

— Regina... Ainda está aí?

— Ah, sim, Mary, desculpe eu fiquei um pouco atordoada.

— Eu entendo, me desculpe não é o tipo de noticia que se dá por telefone, mas era a única forma de falar com você.

— Claro, mas porque você me ligou exatamente?

— Bem, eu gostaria de avisar e te convidar para o velório, mas eu te liguei pela manhã então não foi possível que você estivesse presente – ela disse com pesar fazendo Regina sentir um aperto no peito.

— Mary, me desculpe, eu não sabia, fiquei presa em uma reunião importante durante todo o dia, só há pouco que fui pegar meus recados, eu realmente sinto muito. Ela foi sepultada aí em Jersey?

— Não, ela gostava de Jersey mas o amor dela estava em Nova York, ela jamais aceitaria sair do seu lar, ela está no New York City Marble.

— Ah, obrigada eu irei visitá-la assim que possível — Regina disse ainda chocada com a notícia.

— Porque você não vem agora? Não me entenda mal, eu não gostaria de insistir, sei que é uma mulher ocupada, mas é que ela tinha uma coisa que queria entregar a você pessoalmente, mas não foi possível, acho que você não deve ter recebido a carta que ela enviou – ela disse fazendo Regina suspirar em remorso, ela recebeu a carta, mas nunca sequer a abriu- eu ainda estou aqui com David, vamos sair em alguns minutos de volta para o hotel, mas queremos te entregar entes de ir, será que pode vir aqui?

— Claro Mary, eu estarei aí em poucos minutos.

Ao desligar, Regina se sente uma completa idiota, Emma estava morta, e por mais que ela negasse, por mais que ela dissesse que se passou muito tempo, ela ainda amava aquela mulher, pois nunca mais conseguiu ter um relacionamento sério desde que terminaram. Ela estava um turbilhão de sentimentos, abriu a gaveta e pegou a carta que ficou ali guardada por meses e suspirou, colocou no bolso do casaco e saiu, se dirigindo até o cemitério, parando apenas para comprar flores no caminho.

Chegando ao local, Regina se deparou com Mary e David, que estavam abatidos, e se sentiu pior ainda por não ter recebido o recado antes.

— Olá Mary, David.

— Olá Regina – disseram em uníssono.

— Peço desculpas pela demora, eu estava realmente ocupada.

— Não se preocupe, o que importa é que está aqui – ela entregou uma caixa a Regina que a fitou confusa – era isso que queria entregar, Emma guardou essas coisas por muitos anos, e esperava que você as buscasse quando recebesse a carta que ela mandou.

— Mary eu...

— Não precisa se justificar Regina, a culpa não é sua, vocês seguiram caminhos diferentes, não tinha como saber o que iria acontecer.

O que iria acontecer? Essa era a pergunta que Regina fazia a si mesma. O que teria acontecido se ela tivesse ficado? Será que estariam felizes? Será que Emma estaria viva? Foi tirada de seus devaneios com Mary que lhe abraçava.

— Ela amava você Regina, sempre amou. – Mary disse com os olhos marejados fazendo Regina sentir um nó na garganta – Aqui, este é o número da quadra onde ela está – ela disse entregando um pedaço de papel a Regina – precisamos ir, bem, não posso ter um feliz natal hoje, mas espero que você tenha uma boa noite – ela deu um beijo em sua bochecha seguida de David que a abraçou e logo ambos a deixaram ali.

Quando finalmente suas pernas obedeceram, ela se pôs a caminhar até encontrar o túmulo. Ela ignorou o frio que fazia e se sentou no chão, colocando a caixa de lado, e pegando a carta em seu bolso.

— Hey querida, desculpe ter demorado tanto, você sabe como eu sou lenta pra algumas coisas, não é mesmo? – ela riu entre lágrimas – Eu não li a sua carta, mas não porque eu não me importava com você Emma, mas porque eu me importava demais pra conseguir fazer isso. Eu não tive coragem de saber o que estava escrito aqui, porque se você me odiasse eu não suportaria. Então preferi ignora-la, e cometi o maior erro da minha vida, de novo. – ela começou a abrir a carta em sua mão – sei que não vai compensar, mas eu vou fazer isso agora – ela começou a ler e seus olhos se encheram de lágrimas ao ver a caligrafia desenhada da mulher que ela amou a vida inteira.

Querida Regina,

Faz muito tempo que não nos falamos não é mesmo? Treze anos, treze anos que você foi embora e me deixou naquele aeroporto. Vi que sua vida mudou, você finalmente realizou seus sonhos, e tenho certeza que deve estar muito feliz. Estou muito orgulhosa de você pequena, você sempre foi determinada e eu sabia que conseguiria qualquer coisa que quisesse. Que pena que não quisemos as mesmas coisas. Bom, você com certeza não sabe, mas eu larguei o direito de vez, trabalhei por anos, mas percebi que não era isso que queria, nunca foi. Meu sonho sempre foi fotografar, se lembra? Uma vez estávamos em uma viagem de férias pela Califórnia e nós tiramos fotos lindas, me lembro dos nossos amigos de faculdade se rasgando de inveja e minha professora de direito criminal me dizendo que eu deveria fazer isso para ganhar uma grana extra para a faculdade. Nós compramos uma câmera e em seis semanas conseguimos boa parte da grana para a formatura. Você sempre me dizia que eu era uma boa fotógrafa, acho que eu acreditei, mandei um portfólio pra NatGeo, e olha só, eles me ligaram, vou fazer uma entrevista no mês que vem, não é incrível? Quem sabe eu não te encontre e possamos conversar se você ler isso até lá. Sabe, eu sinto sua falta, não apenas como namorada, sinto falta das suas brincadeiras, do jeito que você sempre me fazia rir. Pode parecer piegas e provavelmente você vai achar graça por ler isso, mas eu ainda te amo, amo exatamente como amava no dia que você partiu, como já amava durante todo o ensino médio, quando nos conhecemos. Sei que sua vida hoje é muito diferente, e que com certeza você deve estar pegando metade de Manhattan, (Sim, eu leio os jornais, especialmente as colunas sociais) e eu não quero que você volte pra mim, bom eu até quero, mas sei que você não deve querer isso, a julgar por você nunca mais ter me procurado, e eu entendo, de verdade, só gostaria de ter pelo menos minha amiga de volta. Então se você puder, sabe, me encontrar pra tomarmos um café, quem sabe poderemos por a conversa em dia e eu possa te devolver algumas coisas suas que estão comigo. Não é nada demais, é só uma caixa com as nossas lembranças, eu nem sei se você quer isso, mas pelo menos podemos lembrar dos nossos bons momentos. Sabe é engraçado, você foi embora e deixou muitas coisas pra trás, até mesmo a mim, mas levou a única coisa que eu precisava, o meu coração. Espero que um dia você me devolva, porque eu já não estou mais conseguindo viver sem ele.

Até um dia!

Love, Emma.

P S : Estou na casa da mamãe em Jersey, sim ela se mudou com o papai, ficarei lá por algum tempo, caso queira falar comigo vá até lá, o endereço é esse do remetente.

Regina terminou de ler a carta em prantos, ela não podia acreditar que depois de todo esse tempo ela ainda a amava. Bem, Regina ainda a amava mas não esperava que era amada de volta depois de ter feito o que fez.

— Oh Emma me perdoe, me perdoe por ser covarde, por ter escolhido a mim ao invés de nós duas. Me perdoe por nunca ter te procurado, por ter deixado tudo pra trás e sequer ter me importado. Eu fui uma idiota e ainda sou, por não ter lido essa carta antes, por ter deixado que meu medo de que você me odiasse, fosse maior que minha esperança de ainda ter o seu carinho. E agora é tarde pra fazer qualquer coisa. Eu sinto tanto, sinto não ter sido a pessoa que você gostaria que eu fosse, por não ter te amado como você merecia. Deus eu sinto tanto, eu daria tudo pra poder voltar no tempo, pra ter ido ao seu encontro e dizer que eu nunca te esqueci.

Regina pegou a caixa ao seu lado e abriu, e a cada objeto que tirava seu coração sangrava mais ao relembrar aqueles momentos que viveu com Emma. Ao olhar em seu relógio notou que já passava da meia noite. Regina juntou todos os pertences e a carta, guardou na caixa e se levantou, colocando as rosas brancas e as violetas azuis, preferidas de Emma sobre a lápide. Olhou para o céu e notou que começava a nevar. Se lembrou do quanto Emma adorava a neve, e sempre a fazia brincar feito criança no jardim da universidade. Pensou que talvez, de algum modo, Emma estava por trás daquela neve que caía.

—Feliz natal Emma, e me desculpe por levar seu coração, mas acho que precisava dele para me manter viva, porque o meu já era seu há muito tempo.

Regina colocou a caixa em seu carro e saiu dirigindo pela cidade, chorando, se lembrando do quanto foi estúpida e que agora era tarde demais para consertar seus erros. Ela limpou as lágrimas, saiu do carro e caminhou pela calçada, entrando em uma loja de conveniência 24 horas, e após perguntar no balcão se havia Eggnog, se dirigiu para os fundos da loja onde começou a olhar as geladeiras. Não notou quando um rapaz moreno de olhos azuis e barba por fazer adentrou o local trajando uma jaqueta de couro surrada e coturnos, se dirigindo ao balcão.

— Hey, vocês tem loteria aqui, certo?

— Sim, temos – o balconista respondeu-

— Ah legal cara, isso é ótimo porque eu ganhei cara, eu consegui ganhar, eu tenho um bilhete premiado e quero trocar porque hoje é natal e eu tô com sorte. Olha só eu acertei os quatro números, olha pode ver aqui, 6, 14, 16, 49, eu acertei mesmo garoto, são US$ 238,00 dólares americanos!

— Eu não vou trocar esse bilhete, você rasurou.

— Do que você ta falando cara?

— Você rasurou com lápis e você sabe disso.

— Cara você nem conferiu o bilhete, confere o bilhete.

— Não, agora cai fora – o balconista disse irritado.

— Cara você nem olhou o bilhete, confere o bilhete

— Não, eu vou chamar a polícia — o balconista gritou.

O rapaz então suspirou irritado e depois de um grito puxou um revólver calibre 22 assustando todos no lugar. Regina engoliu em seco enquanto uma mulher com um bebê tenta protegê-lo assustada.

Ao ver o rapaz cada vez mais furioso e temendo que ele fizesse algo Regina se aproxima dele delicadamente.

— Deixe-me ver esse bilhete

— Eu não te perguntei nada madame

— Eu posso cobrar ele de você, posso te pagar o dinheiro e você me dá o bilhete e todos ganham, o que você acha? – O rapaz se aproxima apontando a arma pra ela que engole em seco.-

— Madame num casaco enorme de 10 mil dólares morre tentando bancar a heroína, jornal das onze, vai ser a sua manchete, é isso que você quer? – ele aproxima a arma da testa de Regina – Você quer morrer?

— Não.

Naquele momento, ela não se importava muito com a sua vida. Ela havia acabado de perceber que não valia a pena ser ela... Porém, ela não queria que mais gente se machucasse.

— Olha, vamos fazer um bom negócio, eu te pago 200 dólares, e depois eu levo isso até um outro atendente que não esteja afim de morrer, e ainda ganho 38 dólares com isso. É como eu disse, é só um pequeno negócio.

O rapaz abaixou a arma e disse um ok, fazendo ela respirar fundo.

Antes de sair ele olhou para o balconista.

— Você se deu mal, o bilhete era válido... Vamos Regina, vamos embora daqui – ele sai com a caixa de Eggnog na mão enquanto Regina deixa o dinheiro da mesma no balcão e sai atrás do rapaz.-

— Como você sabe que meu nome é Regina?

— Eu chamo todas vocês de Regina. — Ela entregou o dinheiro pro rapaz que sorriu e lhe entregou o bilhete.

— Foi bom negociar com você, Regina, até mais – ele ia andando quando Regina o chamou.

— Por que você anda armado por aí? Vai acabar fazendo uma bobagem e se arrepender.

— Falou com a pessoa errada madame, eu não sou de me arrepender

— Eu acho que deve haver algum tipo de programa social por aí que possa te ajudar, sabe, te dar oportunidades.

— Espera um pouco aí, você está tentando me salvar? — ele disse mirando seus olhos azuis nos olhos de Regina que não respondeu – HEY PESSOAL, ELA ESTÁ TENTANDO ME SALVAR! ELA ACHA QUE EU PRECISO DE SALVAÇÃO!

— Bom, todos precisam de alguma coisa.

— Do que você precisa?

— Eu?

— Você disse que todos precisam de alguma coisa, do que você precisa?

— Bom eu já tenho tudo que quero.

— Tem certeza? – ele olhou novamente em seus olhos e por um segundo Regina pensou em algo que precisava agora, ela precisava de Emma, mas nunca mais poderia tê-la. Mas aquele rapaz não precisava saber da sua vida, logo ela respondeu.

— Tenho, eu tenho tudo que alguém pode querer.

— É, deve ser bem legal ser você, mas não foi isso que perguntei, perguntei do que você precisa? – ele disse outra vez e Regina suspirou.

— O que eu preciso, nunca poderei ter, mas pelo menos eu tenho o que quero, e isso basta – ela disse fazendo o rapaz se aproximar dela.-

— Lembre-se que você é responsável por isso Regina, você pediu isso – ele disse e se afastou atravessando a rua – Feliz natal!

Regina chegou em sua casa exausta, não queria mais pensar, ou chorar, e depois daquela confusão na loja e da conversa estranha com aquele cara, ela não conseguia mais raciocinar, porém sabia que não conseguiria dormir, e tinha uma reunião no dia seguinte, então tomou um comprimido e se jogou em sua cama de lingerie mesmo, o dia amanhã seria cheio. E ela não fazia ideia do quanto...


Notas finais
*TWST Jornal = The Wall Street Journal - Principal publicação americana sobre o mercado financeiro mundial, jornal lido principalmente por pessoas que trabalham com finanças ou na bolsa de valores É isso, até a próxima!