Uma Mudança e Tanto...
1 Capítulo 1 - A grande mudança
Notas iniciais
Meu nome é Chris, antes de contar o que me aconteceu, vou contar como foi meu dia antes disso tudo. Era seis de agosto, acordei meio-dia e notei que perdi a escola, fiquei ligeiramente possesso com isso mas nada que eu não aguentaria, levantei e liguei meu computador, fui até a cozinha e prepararei um lanche enquanto ouvia meu pai e meu irmão Phillip, reclamando e me xingando, comi rapidamente o pão e o café com leite e voltei para o meu quarto, acessei a rede social MainNotes, conferi as notícias, coloquei meu fone de ouvido e ouvi um pouco de música. Tudo certo, até que me deu vontade de andar e fumar alguns cigarros, tomei um banho e me arrumei, recolhi meu celular, carteira, chaves, isqueiro e cigarros... cigarros ? estavam acabando e procurei algum dinheiro para comprar mais, uma hora da tarde eu me dirigi calmamente até a praça e comprei um maço, logo sentei numa mesa.
–Que saco ser homem, eu queria ser mulher com toda a certeza do mundo, seria tudo mais fácil... — Pensei enquanto acendia um cigarro.
Fiquei ali vendo umas pessoas rirem e conversando entre si, coloquei um bom blues para tocar no celular e fiquei horas ali, fumando e pensando em como seria ser mulher. Eu sempre tive vontade de nascer mulher, sempre me olho no espelho e não me identifico com o que vejo, olho para as vitrines das lojas de roupas e imagino como as roupas femininas ficariam em mim se eu vestisse-as em um corpo feminino, mas não vá pensando que sou gay ou algo do tipo, se eu fosse mulher eu teria certeza que seria lésbica, tenho nojo de homens. Dia normal e cansativo como sempre, cheguei em casa e jantei, joguei um pouco e ouvi mais músicas, subi no quintal e fumei mais alguns cigarros... Me deitei para dormir
–Que saco ser homem — Pensei novamente.
Peguei no sono uns 10 minutos depois. E quando acordei, senti um volume na região das coxas, meu cabelo estava comprido e eu tinha seios, sim, SEIOS, eu não acreditava no que eu via, eu tinha me tornado uma mulher ! Não era possível aquilo estar acontecendo, eu estava pasmo, mas ao mesmo tempo eu estava gostando do que estava acontecendo, me olhei no espelho do quarto e fiquei bobo com o que eu via, fiquei minutos me observando
–Até que eu sou bonitin... -Falei em um tom bem fino de voz, enquanto eu me calava, após ficar surpreso com a nova voz.
Finalmente eu lembrei que um dia atrás eu era um homem, e que todos me conheciam como Chris, E QUE EU TINHA UMA NAMORADA ! O que eu diria para ela ? O que eu diria para a minha família ? Não tive tempo de pensar até que ouvi passos atrás da porta e a maçaneta girando, a porta se abria lentamente, sem pensar pulei para a porta e a fechei.
–Perdeu a aula de novo, seu vagabundo do caralho — Phillip dizia num tom hostil.
–Não vai falar nada não ? Seu bosta — Ele estava ficando nervoso.
–É, tá bom — Disse eu tentando engrossar a voz, com medo dele perceber a fina voz que eu ganhei.
–Engrossa essa voz seu viadinho do caralho, e o pai quer conversar com você — Disse Phillip enquanto voltava pra sala, rindo de mim.
Cai de costas sobre a porta e tranquei a fechadura da mesma, fechei os olhos e não consegui pensar em mais nada. Analisei meu corpo, e notei que eu tinha um corpão invejável, eles não poderiam me ver assim ! Vesti uma camisa de banda que ficou bem folgada em mim, coloquei minha calça mais fina e até que serviu bem, calcei meu tênis BlackShip e coloquei duas jaquetas grossas, para minha sorte estava frio nesse dia, tirei meu celular do carregador, era uma hora da tarde, acessei o aplicativo WhoSay, cliquei no contato "Liz ♥" e mandei a seguinte mensagem: "Amor, me encontre no lugar de sempre urgentemente, você não vai acreditar, nem eu estou acreditando nisso, e peço que deixe eu me explicar". Ela leu e em seguida respondeu "Ok, se você me traiu eu juro que arranco suas bolas seu porra!". Minhas bolas... É MESMO CARALHO, ONDE ESTÃO MINHAS BOLAS ? Eu sentia apenas um liso sobre a calça enquanto eu passava a mão, rapidamente senti algo que eu nunca senti antes, era incrível aquilo ! Eu estava ficando mole e estava gostando daquilo, era demais ! Mas logo parei e me afirmei em pé, dei mais uma olhada no espelho e estava menos feminina do que antes, dava pra disfarçar se eu saísse rápido de casa, peguei as coisas de sempre e me dirigi a porta, abri ela lentamente para não fazer nenhum barulhinho, desci as escadas, meu irmão estava jogando videogame e meu pai estava na cozinha, eu corri para a saída e rapidamente saí de casa, corri o mais rápido que pude até a esquina enquanto ouvia meu irmão e meu pai me xingando de coisas que nem vou mencionar aqui, comecei a caminhar lentamente pensando no futuro, como vai ser minha vida depois do que me aconteceu ? Eu estava bobo demais. Encostei num poste e tentei me acalmar enquanto eu retirava as jaquetas do corpo e as amarrava na cintura.
–Bom, se acalme Chris... Chris ? Isso não é nome de mulher, uma mulher com um nome desses é um travecão, cara ! Mas depois eu resolvo isso — Pensei enquanto voltava a andar em direção a minha namorada.
Me deu vontade de chorar, é claro que ela ia terminar comigo após ela me ver assim, mas eu devia mostrar a verdade a ela, e chegando perto da praça, vi ela fumando seu Marlboro e mexendo no celular, ela olhou pra mim e logo voltou os olhares ao celular, senti um frio no momento e lentamente me dirigi ao banco ao lado dela, ela ficou indiferente, enquanto eu olhava para baixo, pensando no que dizer...
–Pode me dar um cigarro, por favor ? — Falei, tentando buscar um bom tom para aquela voz que adquiri.
Ela me deu um cigarro e seu isqueiro, sem olhar para mim. Acendi o cigarro e agradeci. Ficamos um bom tempo ali caladas, enquanto ela ficava impaciente.
–Ah, que saco — Disse ela enquanto se levantava e ia embora.
–Espera, Liz ... -Involuntariamente eu disse.
–Como você sabe meu nome ? — Disse ela, me encarando com uma certa raiva.
Eu me levantei e tirei da carteira meu RG, que logo mostrei pra ela.
–Você assaltou meu namorado sua piranha ? — Ela gritou enquanto partia para cima de mim.
Facilmente imobilizei ela, já que eu treinava artes marciais a alguns anos, fiquei um bom tempo ali tentando acalmá-la.
–Sou eu, Liz ! Deixa eu me explicar ! — Falei, preocupada.
–Explicar um caralho sua puta ! Eu vou te matar ! Cadê o Chris ? -Ela gritava cada vez mais nervosa.
–Nós nos beijamos pela primeira vez na casa do nosso amigo Ed ! Sua banda favorita é Iron Slayer ! Seu sorvete favorito é de pistache ! — Eu falei enquanto ela se contorcia para sair dali.
Ela me olhou por alguns momentos enquanto caia no chão.
–É você mesmo Chris ? Como você sabe dessas coisas ? — Disse ela, sem acreditar no que estava acontecendo.
–É uma longa história, sou eu mesmo, Liz ! Deixe eu me explicar -Disse eu
Ela se levantava, e se sentou ao meu lado, se acalmando enquanto acendia outro cigarro.
–Como você... -Disse ela enquanto eu a interrompi.
–Eu entendo se você terminar comigo, não é culpa de ninguém isso, nem mesmo eu sei como isso me aconteceu... — Eu disse, olhando nos olhos dela.
Ela ficou um bom tempo me encarando, logo depois ela olhou para baixo, jogou fora seu cigarro que estava no começo (raramente ela faz isso, normalmente quando aparece alguma viatura, já que nós temos 15 anos e isso é crime), ela pegou na minha mão e disse:
–Vamos para a minha casa, conversaremos melhor lá !
Ela caminhou rapidamente para sua casa, enquanto eu tentava acompanhar o ritmo dela, até que ela aceitou bem isso, eu realmente não esperava por isso... Chegamos na porta da casa dela e ela abriu a porta, entrou e cumprimentou seu pai
–Quem é a amiga, Liz ? — Disse o pai dela, era um cara velho de óculos de armação grossa, barba mal feita e tinha uma garrafa de vodka na mão.
–Charlotte, pai ! — Disse ela sorrindo para ele
Nós subimos as escadas e entramos no quarto dela, eu fiquei na frente da cama dela, enquanto ela trancava a fechadura da porta. Fiquei observando a nuca dela, ela estava parada ali, de frente para a porta, feito uma autista.
–Porque você tá parada aí ? Porque meu nome tem que ser Charlotte ? Porque...
Antes de eu terminar de falar ela se virou e me empurrou para a sua cama, na qual eu cai com força, ela estava olhando para mim de uma forma bem sensual, e caminhava lentamente em minha direção, eu fiquei assustada (ou assustado, sei lá como diabos devo me referir agora) ela subiu na cama e ficou me encarando, com um sorriso bem malicioso. Mas o que acontece em seguida eu explicarei depois...
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