Uma Mudança Inesperada

23 Capítulo 23 - Novos rostos


Notas iniciais
Estou de volta com mais um capítulo, espero que gostem!!!

CAPÍTULO 23 – NOVOS ROSTOS

No dia seguinte, Regina estava decidida a ir conversar com Archie. Ela ainda estava uma bagunça de sentimentos e não queria que ele ficasse com ela só por causa dos bebês. Ainda era impossível acreditar que alguém tão bom e puro como Archie pudesse amá-la.

Ela não sabia se era a bagunça dos hormônios da gravidez ou se era por que Archie seria o pai de suas filhas, mas ela havia desenvolvido um sentimento por aquele homem que ela não se lembrava desde Daniel. Será que ela o amava? Não, Daniel era meu único e verdadeiro amor e ele estava morto. Ela ficava repetindo essa frase para si mesmo, mas seria ela capaz de enganar seu próprio coração?

Assim que ela, Emma e David saíram dos estábulos no final daquela manhã, Regina fez seu caminho para o escritório de Archie. Eles precisavam conversar, eles precisavam deixar as coisas bem claras entre eles, mas como fazer isso se nem mesmo ela sabia como se sentia?

Regina e Perdita estavam quase se aproximando do corredor do escritório de Archie quando Regina ouviu vozes e passos se aproximando da porta. Ela não sabe o porquê, mas ela se escondeu e ficou apenas observando.

“Shiii, Perdita. Não faça nenhum barulho.” Ela sussurrou para a cachorra que já estava abanando o rabo.

Ela observou quando Archie abriu a porta e uma mulher saiu de dentro do escritório. Quem é essa mulher? Regina se perguntou ainda incapaz de ver o rosto da mulher.

“Então, Claire, eu te vejo amanhã? Mesmo horário?” Ela ouviu Archie perguntar.

“Sim, eu acho que sim. Você tem me ajudado tanto, Archie.”

Archie? Quem essa mulher pensa que é e porque ela não está chamando ele de Dr. Hopper? Regina começou a se perguntar. Ela nunca teve um bom relacionamento com a senhorita Bennet, não que ela tenha tido um relacionamento bom com qualquer outra pessoa, mas ela tinha um particularmente conturbado com essa mulher.

“Muito, muito obrigada.” Claire disse e beijou o homem na bochecha.

Archie ficou sem palavras e não sabia o que fazer, mas, como sempre, ele era muito educado para afastá-la ou falar alguma coisa que pudesse magoar seus pacientes.

Regina, por outro lado, estava com os olhos arregalados de raiva. Ela queria voar no pescoço daquela mulher e afastá-la dele. Ela estava tentando se controlar. A mulher estava apenas agradecendo, não é? Ela fechou os punhos e tentou se acalmar. Ela deu meia volta e fez menção de ir embora, mas foi parada por um latido forte e Archie gritando por Pongo. O cachorro estava correndo em direção a elas, ela podia ouvir. Agora ela teria que fingir que havia acabado de chegar e não tinha visto nada.

Assim que Pongo viu Regina, ele pulou e ficou sobre suas patas traseiras, levantando as patas dianteiras em direção à barriga dela — que foi rápida o suficiente para colocar suas mãos na frente, agarrando as patas do cachorro e acariciando sua cabeça. Ela revirou os olhos. “Oi, Pongo.” O cachorro estava abanando o rabo e Perdita estava ao lado dele, latindo alegremente para o outro cachorro.

“Regina?” Archie falou surpreso quando virou o corredor e viu Regina e Perdita lá, somente agora entendendo a razão pela qual o cachorro havia saído correndo do escritório.

“Oi.” Ela sorriu.

Claire correu logo atrás de Archie e não fez questão de esconder sua cara de desgosto quando viu Regina.

“Senhora Prefeita.” Ela cumprimentou cordialmente.

Regina não deixou de reparar a cara da mulher e devolveu na mesma moeda, fazendo uma careta de desgosto que apenas a Prefeita Regina saberia fazer.

“Miss Bennet.” Ela falou secamente.

Archie, percebendo a tensão no ar, interrompeu.

“Então, eu te vejo amanhã, Claire.” Ele sorriu para ela e passou a mão nas costas de Regina, puxando-a em direção ao seu escritório.

“Até amanhã, Dr. Hopper.” Ela sorriu para o homem, deu uma última olhada para Regina e se virou para ir embora.

Pongo e Perdita correram para dentro do escritório, enquanto Archie andava com Regina, que ainda estava com uma carranca no rosto.

“O que foi?” Archie perguntou, olhando para a mulher.

“O quê?” Regina franziu o cenho, fingindo não saber sobre o que o psicólogo estava falando.

“Você parece chateada e o que há entre você e Miss Bennet? As duas pareceram bem descontentes ao ver a outra.” Ele afirmou.

Agora é Miss Bennet? Agora mesmo você a estava chamando de “Claire”. Regina pensou com desgosto.

“Hum...” Ela sussurrou, depois virou para Archie e respondeu. “Eu não gosto dela”.

“E por que não?” Ele levantou a sobrancelha, ficando extremamente curioso.

“Há quanto tempo ela vem aqui?”

“Eu não sei...” Ele respondeu pensativo. “...alguns meses, por quê?”

“Por nada, eu só queria saber.” Ela respondeu rapidamente.

“Então, eu não sabia que você estava vindo, eu... nós precisamos... eu acho que nós deveríamos conversar.” Ele comenta, evitando olhá-la nos olhos.

De fato, Regina tinha vindo para conversar, mas ela havia perdido a vontade, ela já não gostava daquela mulher e agora ela estava fazendo sessões com Archie?

“Archie.” Ela imitou a voz irritante da mulher na cabeça dela. “Dr. Hopper, Dr. Hopper.” Ela repetiu em vão em sua cabeça, como se estivesse ensinando a mulher a falar com ele. Ela estava perdida em pensamentos.

“Regina?” Archie chamou pela terceira vez.

“Hum... Oi?” Ela respondeu, acordando de seu transe.

“Você me ouviu?”

“Ouvi, mas eu tenho que fazer algumas coisas na Prefeitura, nós conversamos depois, ok?” Ela disse, chamando Perdita se dirigindo à porta., deixando um Archie totalmente confuso para trás.

“Se você não veio ficar, não veio conversar, por que você veio aqui então?” Ele perguntou confuso.

“Pensei que tinha deixado meu celular aqui.” Ela mentiu.

“Mas você esqueceu ele em casa ontem, lembra?”

“É verdade! Obrigada, Archie. Te vejo mais tarde.” Ela disse rapidamente e saiu.

Droga! O que é que eu estou fazendo? "Pensei que tinha deixado meu celular aqui." Você não tinha outra desculpa, Regina? E por que você está chateada? Você veio para conversar com Archie e agora está fugindo? Ela estava fazendo um monte de perguntas, mentalmente se condenando.

Ela saiu do prédio e sentia como se não tivesse para onde ir, ela não tinha que fazer nada de tão importante na Prefeitura, não agora, talvez mais tarde. Ela caminhou em direção ao seu carro e bufou quando pensou em como o carro parecia pequeno agora. Ela teria que comprar outro para quando as meninas chegassem, talvez fosse hora de começar a procurar por um carro mais espaçoso, uma mini van, por exemplo. Ela fez uma anotação mental. Depois de entrar no carro, ela reparou um homem caminhando pela calçada. Ela não o reconheceu, mas ele não lhe parecia estranho.

“Regina, você quer ir buscar o Henry comigo?” Emma falou, aproximando-se do carro e arrancando Regina de seus pensamentos.

“Sim, eu quero.” Ela respondeu rapidamente e voltou seus olhos para o homem do outro lado da calçada. “Quem é ele?” Regina perguntou franzindo a testa.

“Ele?” Ela perguntou apontando o dedo para o homem.

“Não aponte, Miss Swan!” Regina a repreendeu.

“Você sabe o acidente que teve na entrada da cidade e o cara desconhecido?” Emma perguntou e Regina assentiu com a cabeça. “É ele, seu nome é Greg.”

“Por que ele ainda está aqui?”

“Eu não sei, Regina.”

As duas mulheres buscaram Henry na escola, almoçaram e depois Regina foi para a prefeitura. Aquele homem não saiu de sua cabeça, ela sabia que o conhecia de algum lugar, ela já tinha visto ele antes, mas onde?

Abrindo uma de suas gavetas para pegar um papel, ela percebeu um objeto esquecido há muito tempo lá dentro.

Um chaveiro.

Logo ela se lembrou de onde isso veio. Owen.

Ela nunca se esquecera do menino, ela o amou, mesmo que por um momento tão breve. Ela cometeu um erro, mais um de seus erros que não tinham volta. Ela afastou aquele pequeno menino de seu pai. Então, como se uma luz acendesse em sua mente, seus olhos se arregalaram em realização. Aquele homem, aquele Greg, ele era o Owen.

O que ele estava fazendo aqui?

Regina se levantou, pegou suas chaves, sua bolsa e casaco e correu em direção à porta, sendo seguida por Perdita.

“Senhora Prefeita, nós temos reunião em-” A secretária começou a falar quando viu Regina e sua cachorra saindo apressadamente em direção à saída da Prefeitura.

“Cancele.” Ela disse e foi embora sem olhar para trás.

Regina não era apenas a Prefeita de Storybrooke, ela era também a mulher que tinha “ouvidos e olhos” em toda a cidade. Não foi difícil para ela descobrir onde o “homem misterioso” estava hospedado. O hotel da Granny era o único que existia na cidade.

Ela aproveitou de um momento de descuido da secretária do hotel para subir as escadas. Ela já sabia o número do quarto onde o homem estava hospedado e fez seu caminho até ele. Quando ela chegou na frente da porta, ela percebeu que esta estava destrancada. Sorte dela, ela pensou. Não precisaria usar magia. Se bem que, ultimamente, essa não era mais uma preocupação, pois a magia que corria em suas veias parecia simplesmente ter sumido. A magia que antes assustava pessoas e era tão poderosa que poderia fazer coisas incríveis, não passava de uma faísca e uma lembrança longínqua para Regina. Ela desapareceu quase que completamente.

Entrando no quarto, ela fechou a porta atrás de si e começou a procurar nas coisas do homem por algo que revelasse o que ele estava fazendo de volta à cidade. Ela não conseguiu encontrar nada diferente, no entanto. Será que ele se lembrava dela? Será que ele lembrava o que ela havia feito?

Ela passou muitos minutos mexendo nas coisas dele e se assustou momentaneamente quando a porta se abriu e o homem entrou usando o celular. Rapidamente ela se recompôs e retomou sua postura impecável de prefeita. O homem olhou confuso inicialmente, mas não parecia surpreso. Ele apenas colocou as chaves em uma mesa no canto da parede e ficou olhando para ela, aguardando por qualquer resposta.

“Você sabe? Eu estava me perguntando de onde eu conhecia você, pois seu rosto não me era estranho. Então, eu encontrei isso,” Ela disse, retirando o chaveiro do bolso do casaco e mostrando-o a ele. “E eu soube, imediatamente, quem era você. Eu nunca esqueceria seus olhos... Owen.” Ela disse calmamente com um sorriso.

O homem sorriu de volta e olhou para a mulher à sua frente. Ela ainda era a mesma, era como se o tempo não tivesse passado para ela, a única diferença é que ela estava grávida. Ele lembrou-se de como gostou da mulher quando era criança e como quis ficar na cidade, mas logo essas lembranças foram embora e a raiva tomou conta dele. Essa mulher o havia separado de seu pai.

“Regina Mills.” Ele falou com um sorriso falso.

“O que você está fazendo aqui?” Ela perguntou, aproximando-se mais dele, espremendo os olhos ameaçadoramente. Ela podia estar grávida, mas ela ainda podia ser tão ameaçadora como antes.

“Você sabe o que eu estou fazendo aqui, Regina. Eu demorei muito para conseguir voltar, mas eu vim buscar meu pai.” O homem respondeu.

“Seu pai?” Ela perguntou, franzindo a testa em confusão. “Ele foi embora logo depois que você saiu.” Ela respondeu.

“Não, ele não foi!” O homem respondeu rispidamente.

“Nós o liberamos quando você saiu, se ele não te procurou-” Regina começou a falar mais foi cortada pelo homem que invadiu seu espaço pessoal e começou a gritar.

“ELE NÃO ME PROCUROU POR QUE VOCÊ O PRENDEU AQUI!” Os gritos assustaram Perdita, que se levantou e começou a rosnar perigosamente para o homem, ganhando a atenção dele.

“Eu já disse, ele foi embora.” Regina respondeu irritada com a proximidade e os gritos do homem.

Quem ele pensa que é para gritar com ela desse jeito?

“Ele não saiu, nós dois sabemos disso e as pessoas não desaparecem simplesmente.” Ele falou.

“Eu já dei o meu recado, eu passo aqui amanhã para me certificar que você deixou a cidade.” Ela olhou tão ameaçadoramente quando pôde.

“Eu já disse, eu não vou deixar a cidade até encontrar o meu pai.”

“Eu sinto muito então, mas eu acho que você vai ter que fazer isso, porque ele não está aqui.” Ela disse e passou por ele, puxando a cachorra ainda irritada pela coleira e se dirigindo à porta, então ela se voltou para ele novamente e disse. “Ao contrário do que você pensa, as pessoas podem desaparecer simplesmente.” Então ela foi embora, deixando um homem irritado para trás.

Essa mulher está me ameaçando? É isso? Ela não sabe do que eu sou capaz. Magia ou não, eu vou encontrar o meu pai e se eu não fizer, ela vai pagar caro por isso. Ele pensou, extremamente irritado com a audácia da mulher.

Acalmando seus nervos, Regina fez seu caminho de volta até o seu carro. Droga. O que ele quer aqui? Seus pensamentos foram interrompidos pelo som de seu celular tocando. Archie. Regina revirou os olhos, ela tinha acabado de sair de uma briga e não estava a fim de entrar em outra. Sim, outra briga, pois ela ainda estava irritada com a mulher que tinha beijado a bochecha de Archie hoje e mais irritada que ele não tinha feito nada para parar a mulher.

Idiota. Bobo. Idiota.

Regina mandou uma mensagem para ele dizendo que estava bem e resolveu ir para casa. O dia já havia terminado para ela. Ela resolveu passar no mercado para comprar sorvete, um pote grande de sorvete, ela pensou. Ela já tinha escolhido o seu sabor favorito e estava distraidamente passando os olhos sobre a variedade de marcas de picles quando alguém esbarrou em seu carrinho.

Seu primeiro pensamento foi de pedir desculpas e assumir a culpa, mas assim que ela viu quem a outra pessoa era, uma carranca enorme tomou conta de suas feições.

“Você não olha por onde anda, prefeita?” A outra pessoa perguntou irritada.

“Você que esbarrou em mim, eu estava parada escolhendo meu produto, você tem que ter cuidado e olhar para onde anda, Miss Bennet.” Regina exclamou furiosamente.

Olhando rapidamente no carrinho de Regina e para a prateleira que prendia a atenção dela, a mulher sorriu maliciosamente, mas discretamente.

“Senhora Prefeita, cuidado para não virar uma baleia. Já parou para pensar a formosa Rainha rolando pela cidade?”

Ao ouvir isso, Regina queria voar no pescoço daquela mulher, pela segunda vez naquele dia. Regina estava grata que não tinha sua magia nesse momento, senão ela teria transformado a mulher em um tipo qualquer de inseto repugnante e nojento. Ela respirou fundo, ela era melhor do que isso – ela estava tentando, pelo menos- e sorriu.

“Bem, eu estou grávida de gêmeos e por isso eu como muito mais, mas eu acho que não tenho que te explicar isso, olhe para você mesma.” Ela dizia enquanto quase cuspia as palavras no rosto de Claire. “Agora se você me dá licença, eu tenho coisas muito mais interessantes para fazer.” Regina respondeu e quando a mulher fez menção de abrir a boca para responder, Regina já havia passado por ela, deixando a mulher sozinha.

Depois disso, ela finalmente conseguiu chegar em casa e descansar. Era tudo o que ela queria fazer pelo resto do dia. Descansar.

No meio da noite ela foi acordada pela mensagem de Archie.

“Eu não sei o que aconteceu hoje de manhã, você pareceu chateada. Nós precisamos conversar sobre o que aconteceu ontem... sobre nós. Boa Noite, Regina. Boa noite, meninas do papai, eu amo vocês.

Archie.”

Regina leu a mensagem e revirou os olhos no começo, mas depois seu coração amoleceu quando ela leu o final da mensagem.

"Eu amo vocês." A quem será que ele estava se referindo? Regina? Suas meninas apenas? As três? Regina dormiu com um sorriso no rosto e uma cachorra muito mal acostumada ao seu lado da cama.

Notas finais
Tem coisa melhor do que receber um retorno de vocês? Minha vida tá uma correria... quase que não postava esse capítulo, mas não quis deixá-las esperando. Confesso que as reviews do último capítulo me deram uma pressionada, muito obrigada a cada um que deixou um comentário!!!! Tentarei respondê-las o mais breve possível, não se preocupem... Ah, não deixem de me dizer o que acharam desse capítulo e dos novos rostos... bjs