Uma Mudança Inesperada
20 Capítulo 20 - "Eu não deveria ter feito isso"
Notas iniciais
CAPÍTULO 20 – “EU NÃO DEVERIA TER FEITO ISSO”
“Mamãe! Elas precisam dessas bonecas no quarto delas.” Henry falou completamente animado apontando para duas bonecas que estavam na vitrine da loja.
“Elas são lindas.” Archie afirmou.
Regina andou até onde os dois estavam e sorriu assim que viu as bonecas. “Eu gostei, elas são muito bonitas mesmo.”
“Podemos levar?” Henry perguntou entusiasmado.
“Eu acho que sim, mas temos que olhar as outras coisas que ainda estão faltando.” Regina respondeu entrando na loja e arrastando os dois homens com ela.
Os dois olharam um para o outro e reviraram os olhos, suspirando cansados e depois caindo em uma risada suave.
“Não adianta levantar os olhos.” Regina afirmou.
Assim que ela estava fora de alcance, Archie se virou para Henry e sussurrou. “Vai ser igual quando ela escolheu os berços e a cor do quarto.”
“Com certeza.” Henry sorriu, relembrando o momento.
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INÍCIO DO FLASHBACK
“Por que não podemos pintá-lo todo de roxo?” Henry perguntou cansado.
“Porque não vai ficar legal. Vamos pintar de branco.” Regina falou.
“Mas todo branco, Regina? Elas são meninas, elas não deveriam ter coisas rosas, lilás ou, sei lá, coloridas no quarto delas?” Archie perguntou, não entendendo nada de decoração.
“Sim, por isso podemos pintar de roxo.” Henry tentou convencer sua mãe mais uma vez.
“Vamos pintar de rosa, eu gosto de rosa.”
Os dois olharam para Regina totalmente confusos e, se ela estava identificando bem a expressão no rosto deles, um pouco surpresos.
“O que foi?” Ela perguntou franzindo a testa.
“Você gosta de rosa?” Archie perguntou, ainda encarando-a.
“Sim, por quê?”
“Eu pensava que a senhora gostava de roxo.” Henry foi o primeiro a admitir.
“Por quê?” Ela perguntou.
“Porque quando você faz magia, ela é roxa, então eu pensei-” Henry começou a explicar, mas foi cortado por uma gargalhada prolongada vindo de Regina.
“Sério? Eu não acredito que você pensava isso. Henry, minha magia não é roxa porque é minha cor preferida.” Ela disse ainda rindo.
“Não?” O menino perguntou confuso.
“Não!” Ela sorriu para ele.
“E por que você gostava de usar roupas roxas quando era Rainha?” Archie perguntou.
“Eu não sei,” Ela afirmou e ficou pensativa, depois de alguns segundos ela voltou a falar, “Mas eu realmente gosto de rosa, nós podemos pintá-lo de rosa e branco.” Ela ofereceu.
“Vai ficar legal.” Archie foi o primeiro a dizer.
“Eu ainda prefiro roxo.” Henry claramente amuou.
Regina ganhara outra vez.
Quando se tratava das meninas, a opinião dela era a que realmente importava. Henry e Archie acabavam concordando com tudo o que ela queria.
Uma semana depois.
“Archie, os berços, a poltrona e o sofá chegaram, você não quer vir aqui enquanto eles montam?” Regina perguntou ao telefone.
“Eu estou indo.” Foi tudo o que ele disse antes de correr animado em direção à porta do seu escritório.
Depois de uma longa tarde de montagem, os berços enfim ficaram prontos e foram instalados cada um nos seus devidos lugares — lugares esses especificamente escolhidos por Regina, obviamente. O cheiro de tinta vindo do quarto ainda podia ser sentido, embora estivesse muito mais suave do que dias atrás.
Depois que os montadores foram embora, Archie e Regina puderam se sentar para, enfim, admirar o novo quarto.
O quarto era bem espaçoso, ficava ao lado do quarto de Regina e em frente ao quarto de Henry.
Ele fora todo modelado para receber as recém-nascidas. A metade das paredes até o chão foi coberta por uma tinta branca e a metade da parede até o teto foi detalhada com um papel de parede delicadamente rosa claro, com pequenos corações mais escuros por toda sua extensão.
Os berços foram instalados nas paredes opostas à janela do quarto. Eles eram brancos, mas todos os detalhes dos colchões e travesseiros eram rosa.
Uma bela luminária iluminava todo o quarto.
Um armário branco fora colocado em um dos cantos do quarto, mas ainda estava vazio, a não ser por um ou dois delicados ursos de pelúcia colocados sobre eles.
Uma poltrona fora colocada próxima à janela, ela era branca e coberta por um delicado cobertor rosa. No canto oposto fora colocada uma espécie de sofá feito de uma madeira nobre branca que, assim como os berços, continha almofadas em diversos tons de rosa, além de almofadas brancas e vermelhas.
Três puffs foram dispostos pelo chão do quarto.
“Você tinha razão, Regina. Ficou maravilhoso.” Archie disse admirando o quarto.
“Ele está lindo, não está?” Ela sorriu para ele.
“Sim, ele está perfeito! Embora eu ache que o Henry ainda preferia o roxo para elas, ele ainda não superou a ideia de que você gosta de rosa.” Ele disse sorrindo para ela.
“Ele vai adorar. Esse quarto me lembra do quarto dele quando ele era bebê, mas ele tinha uma fascinação incrível pela cor verde.” Ela disse se sentando no sofá e acariciando a barriga arredondada.
“Eu acho que elas serão influenciadas a achar que rosa é a cor preferida delas.” Ele sorriu para ela e sentou ao lado dela. “Não é mesmo, meninas?” Ele disse abaixando-se e beijando a barriga de Regina.
FIM DO FLASHBACK
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Ao final da tarde, Regina, Archie e Henry haviam comprado mais do que o necessário. Regina, percebendo isso, tentou controlá-los o máximo que pôde, mas era difícil quando os dois não paravam de aparecer mostrando algo novo: uma roupinha nova, uma decoração diferente para o quarto delas, um chapéu em formato de algum animal.
Henry, particularmente, amou a seção de gêmeos e queria levar tudo. Ele encontrou camisas como “Ctrl+C” e “Ctrl+V” ou “Thing 1” e “Thing 2” e não sossegou até que eles as comprassem. Regina teve que admitir que não foi fácil resistir a tantas coisas divertidas para gêmeos.
Archie estava agindo pior do que Henry, se possível. Tudo o que ele via que era rosa, ele queria comprar. Qualquer coisa com animais o distraia. Ele parou quando mexia em umas roupas e não acreditou no que viu. Havia um gorrinho verde, com olhinhos como de grilo e duas anteninhas. Ele não se conteve e correu até Regina.
“Esse é o meu preferido! Nós vamos levar esses, não importa o que você diga.” Ele falou se aproximando de Regina e estendendo os gorrinhos para que ela pudesse ver.
“Isso é incrível!” Henry veio correndo quando viu o que Archie estava segurando. “Elas vão se parecer com um grilo, igual a você, Archie.” O menino disse empolgado.
“Eu não quero que minhas filhas se pareçam com um grilo.” Regina fez careta e respondeu.
“Como elas não são só suas, esse é o meu presente para elas. Eu vou levar.” Archie disse totalmente animado enquanto colocava os gorros no carrinho de compras.
Regina bufou e continuou o que estava fazendo. Ela estava sendo a única adulta nesse dia e ela estava cuidando de duas crianças: Archie e Henry. Espera! Quatro crianças: Archie, Henry e suas duas meninas, que estavam mais agitadas do que nunca hoje.
Eles caminharam até o carro, carregando sacolas e mais sacolas de compras, foram até o escritório de Archie para pegar o Pongo e a Perdita e depois se dirigiram para casa de Regina.
Chegando lá, eles correram com as compras para o quarto das meninas e começaram a colocar tudo em seu devido lugar.
O quarto estava totalmente pronto para a chegada delas, embora faltasse um pouco mais de 3 meses para isso acontecer.
Depois de tudo pronto, os meninos estavam famintos. Eles se viraram para perguntar se Regina também estava com fome, mas a encontraram dormindo no sofá do quarto com uma muda de roupinhas dobradas ao seu lado. Os dois caíram na risada. Regina nunca foi de dormir muito, mas essa gravidez estava impondo um novo ritmo de sono à ela.
Ela facilmente pegava no sono e eles podiam enumerar os lugares onde ela já havia acabado dormindo. Archie resolveu deixá-la descansar um pouco e chamou Henry para irem preparar algo para comerem.
“A mamãe dorme em todos os lugares agora.” Henry comentou.
“Eu sei,” Archie disse com um sorriso. “Vamos, me ajude a fazer alguma coisa para sua mãe comer, ela deve estar morrendo de fome.”
“Ok, ela deve estar mesmo.”
Os dois prepararam um lanche e Archie subiu as escadas em direção ao novo quarto para chamar Regina, enquanto Henry preparava a mesa para a janta.
“Regina?” Archie chamou, balançando suavemente seus ombros.
“Hm?” Ela murmurou ainda sonolenta.
“Henry e eu preparamos o jantar, vamos comer.”
Regina suspirou e pegou impulso para se levantar do sofá, mas Archie estendeu as mãos para ajudá-la, ajuda essa que ela aceitou alegremente.
Eles desceram as escadas e a mesa já estava toda pronta. Depois de jantarem, todos eles estavam totalmente esgotados. Eles passaram o dia inteiro andando e fazendo compras, foi cansativo, porém muito divertido.
Assim que terminaram o jantar, Regina mandou Henry se arrumar para ir dormir. Ele obedeceu. Henry correu até Archie e o abraçou, sussurrando um “boa noite, Archie”, depois ele foi até sua mãe e a abraçou. “Boa noite, mãe.” Depois beijou sua barriga e desejou boa noite às pequenas.
Depois de lavarem as louças e arrumarem a cozinha, Archie resolveu ir embora. Ele e Pongo estavam na entrada da mansão se preparando para sair e Regina estava encostada na porta olhando para eles.
“Então, eu acho que já está na minha hora.” Archie disse com um sorriso.
Ele não queria ir embora, ele queria poder ficar e conversar, sentar com Regina e falar sobre seus bebês e poder conversar com elas, mas ele também sabia que isso não aconteceria.
“Obrigada, Archie. Eu me diverti muito hoje.” Regina sorriu para ele.
“Não tem o que agradecer, Regina. Eu também me diverti muito hoje.” Ele sorriu e se abaixou até o nível da barriga dela, beijando-a. “Boa noite, meus amores. O papai vai ver vocês amanhã.”
Archie olhou para Regina e deu-lhe um sorriso. “Boa Noite, Regina.” Ele se aproximou de seu rosto e deu um beijo delicado em sua bochecha.
Regina estremeceu suavemente com a voz de Archie tão perto dela e depois, quando ele beijou sua bochecha, ela foi inundada pelo desejo repentino de beijá-lo.
Quando ele se afastou, ela levantou uma de suas mãos e acariciou delicadamente seu rosto. Ele olhou para ela um pouco confuso, mas ela ainda assim não retirou sua mão. Ela olhou em seus olhos e levou seus lábios aos deles.
Ambos estavam perdidos, saboreando os lábios do outro. Archie colocou uma de suas mãos na nuca de Regina, passando um dedo suavemente sobre a orelha dela e a outra mão, ele colocou em suas costas, puxando-a para mais perto dele. Regina gemeu com a proximidade de seus corpos. O beijo foi quebrado por Regina, pela necessidade de ar. Só então o que ela tinha acabado de fazer veio à sua mente e ela se sentiu totalmente envergonhada e exposta.
Ela lentamente afastou seus lábios dos dele e descansou sua cabeça em seu peito, passando seus braços ao redor dele, puxando-o para um abraço. Eles ficaram assim por mais alguns segundos, ambos respirando ainda trêmulos. Ela se perdeu momentaneamente ao som das batidas do coração de Archie e do movimento acelerado de vai-e-vem que seu peito estava fazendo. Ela abanou a cabeça lentamente e voltou a encarar seus olhos.
“Archie,” Ela sussurrou, parecendo envergonhada. “Desculpe-me, eu não devia ter feito isso.” Ela disse ainda balançando a cabeça.
Uma tristeza inexplicável tomou conta do coração de Archie ao som dessas palavras. Ele sentiu como se seu coração estivesse se quebrando em pedaços. Esse beijo, ela, tudo parecia tão certo para ele. Ele sabia que não deveria esperar algo a mais dela, mas ele não tinha controle de seus desejos quando estava com ela.
“Tudo bem, Regina... Eu-” Ele respondeu, tentando esconder a tristeza que não passou despercebido aos olhos de Regina.
“Desculpe-me, Archie. Eu não sei o que deu em mim, me desculpe.” Ela pediu mais uma vez.
“Tudo bem, Regina, eu já disse que está tudo bem.” Ele disse retirando seus braços dela. “Eu deveria ir. Boa noite.” Ele olhou para baixo, evitando contato com seus olhos e foi embora.
“Boa noite.” Regina falou tristemente, enquanto observava o homem andando em direção ao portão.
Ela fechou a porta e suspirou. O que deu nela? Por que ela beijou Archie daquele jeito? Ela não deveria ter feito isso, era errado. Mas por que ela se sentiu tão bem? Por que ela se sentia bem sempre que ele estava por perto? Por que ela queria fazer aquilo de novo? Por que ela queria beijá-lo de novo e continuar em seus braços?
Ela apagou as luzes, subiu as escadas, verificou se Henry já estava dormindo e fez seu caminho até seu quarto. Ela estava decidida que não pensaria mais naquele beijo, pois ele não deveria ter acontecido — ela decidiu — mas seu último pensamento antes de adormecer foi a sensação dos lábios dele contra os seus.
Assim que Henry ouviu a porta do quarto de sua mãe se fechando, ele se levantou da cama e pegou seu celular.
“Atualização Operação Liebe: mamãe e Archie se beijaram hoje. Boa noite. –H.”
Emma estava assistindo TV quando seu celular tocou avisando que ela tinha uma nova mensagem. Assim que ela abriu a mensagem e leu o que estava escrito, ela não pôde conter o sorriso que adornou seus lábios. Ela não sabia por que estava tão feliz, mas ela estava.
“Eles se beijaram na sua frente? –E.”
“Não, eu estava escondido. Ela o beijou quando ele estava indo embora. –H.”
“Ok, Henry. Nossa Operação está dando resultados. Agora, já está tarde. Vá dormir. Boa noite! –E.”
“Boa noite, mãe!”
Emma se aproveitaria dessa informação para “torturar” Regina na manhã seguinte.
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