Uma Mudança Inesperada
15 Capítulo 15 - Nomes
Notas iniciais
CAPÍTULO 15 – NOMES
“Ele fez uma lista com nomes.” Regina disse sentada no sofá, enquanto Archie preparava um pouco de chocolate quente para eles.
“Eu também teria feito, mas eu já tenho os meus nomes favoritos.” Ele respondeu.
“Você devia ter visto, havia uns 50 nomes lá.” Ela disse rindo para ele.
“Eu posso imaginar. Eu tenho medo até de ouvir os nomes, Henry é um garoto tão criativo que eu tenho medo às vezes.” Ele comentou com uma risada.
“É verdade,” Ela riu entusiasmada. “Mas eu espero que tenha pelo menos um nome que nós gostemos lá, por que ele vai ficar louco se não escolhermos pelo menos um nome da lista dele.” Regina disse.
“Com certeza, ele vai.” Archie disse e sentou-se do lado de Regina, entregando o copo com chocolate para ela. “Elas estão acordadas?” Archie perguntou acariciando delicadamente a barriga de Regina.
“Acho que não. Elas gostam de dormir de dia e ficam acordadas de madrugada, quando eu estou tentando dormir.” Ela disse revirando os olhos e sorrindo para ele.
Eles estavam muito próximos e Regina por muitas vezes se encontrava olhando para os olhos de Archie, imaginando como seria beijá-lo novamente e abraçá-lo. Ele estava sendo tão maravilhoso. Ele fazia comida para ela ou levava quando ela pedia. Ela quase nunca estava sozinha, pois ele sempre estava ligando ou mandando mensagens para se certificar de que elas estavam bem. Ele estava presente em todas as consultas. Até roupinhas para as bebês ele já havia comprado, várias e várias vezes. Ela gostaria de poder consertar algumas coisas que fez e um dia, quem sabe um dia ela teria uma chance real com um cara tão bom como Archie. Ele era um cara bom, mas Regina sabia que ele estava tratando a Rainha Má dessa maneira só por que ela estava carregando seus bebês. Essa era a única razão para ele tratá-la com tanto cuidado e carinho, afinal quem amaria a Rainha Má?
“Cheguei! Cheguei!” Henry disse invadindo o escritório de Archie correndo e totalmente empolgado.
Tanto Archie quanto Regina tomaram um susto.
“Henry, calma!” Regina disse se recuperando do susto momentâneo.
“Vamos lá, me mostra.” Archie disse, sabendo que a alegria do menino tinha tudo a ver com a lista de nomes.
“Ok! Lá vai!” Henry disse pegando a lista na mão e sentando-se na poltrona que geralmente Archie se senta quando está conversando com seus pacientes.
Depois de mais de meia hora falando nomes, Archie e Regina estavam exaustos. Henry havia escolhido alguns nomes que pareciam horríveis e poucos agradaram.
“Eu gostei de Alexandria e London, Henry,” Archie disse. “E você Regina?” Ele perguntou olhando para Regina.
“Eu não sei, eu não gostei de Georgia, mas eu gostei de Isabella, Charlotte, Lillian e Victoria.” Ela disse pensando um pouco.
“Eu também gostei de Lillian.” Henry disse animado.
“E os que eu gostei, vocês não gostaram?” Archie perguntou.
“Eu não gosto de London.” Henry foi o primeiro a falar.
“Eu gosto de Alexandria.” Regina disse logo em seguida.
“Ok, então quais as opções sobraram para nossas bebês?” Archie disse apontando para a lista de Henry.
“Bem, sobrou Isabella, Lillian, Charlotte, Alexandria e Victoria.” Henry disse fazendo anotações em sua lista.
“Eu gosto de Lillian e de Victoria também, não gostei de Isabella.” Archie disse.
“Então eu vou tirar Isabella e Charlotte.” Henry informou.
“Mas eu gosto desses nomes.” Regina comentou.
“Eu também não gostei de Isabella, mãe.” Henry disse levantando os ombros.
“Dois contra um! Não teremos nenhuma Isabella.” Archie disse levantando os braços em comemoração pela pequena vitória.
“Na verdade, são três contra dois.” Regina lembrou-os.
“Assim não vale, mãe.” Henry disse.
“É claro que vale. Eu sou a única carregando elas duas, então eu acho que eu tenho gostar dos nomes.” Ela se defendeu.
“Não!” Archie e Henry disseram ao mesmo tempo. “Assim não é justo, Regina.”
“Eu acho que elas estão acordadas.” Regina disse acariciando um de seus lados.
“Eu posso sentir?” Henry quase gritou pulando da cadeira.
“É claro que pode!” Regina disse pegando a mão de seu filho e posicionando-a onde uma das meninas estava chutando. Henry esperou alguns segundo até que ele sentiu o movimento.
“Ela está se mexendo!!!” Henry disse extremamente animado, “Por que não deixamos que elas escolham os nomes que querem?” Henry perguntou olhando para sua mãe.
“É uma boa ideia, nós podemos tentar.” Regina disse olhando para Archie.
“Ok, nós podemos tentar.”
Henry sentou-se de um lado de Regina e Archie do outro. Os dois leram todos os nomes e ficaram esperando para sentir algum movimento.
Nada aconteceu.
“Eu acho que não foi uma boa ideia.” Henry disse agora desanimado.
“Ou elas não gostaram de nenhum nome.” Archie completou desapontado.
Regina não pôde deixar de rir para os dois ao seu lado.
“Me dá a lista. Deixa eu tentar ler para elas.” Regina ofereceu pegando a lista da mão de Henry. “Ponha a mão aqui, Henry.” Regina disse e Archie ficou apenas olhando.
“Victoria?” Regina começou e olhou para os rapazes.
“Nada.” Henry disse.
“Nem sinal delas.” Archie comentou encarando atentamente a barriga de Regina.
“Ok, eu vou continuar,” Regina informou e continuou. “Charlotte?”
“Nada ainda.” Henry falou.
“Eu acho que elas já voltaram a dormir.” Archie disse.
“Elas não estão dormindo,” Regina respondeu rapidamente. “Eu posso sentir elas se movendo.”
“Então eu acho que elas não estão gostando da brincadeira ou dos nomes mesmo.” Henry disse.
Regina riu da impaciência de seu filho. “Calma, Henry, vamos terminar." Regina disse e continuou percorrendo os olhos pela lista.
Regina esfregou a mão em sua barriga e sussurrou baixinho, “Eu sei que vocês estão acordadas, minhas pequenas. Vocês precisam nos ajudar a escolher os nomes de vocês.” Ela disse e tirou a mão da barriga para que Archie e Henry pudessem continuar tentando sentir alguma coisa.
Os bebês estavam se movendo muito mais nas últimas semanas. Porém elas eram muito mais ativas de madrugada e era muito raro elas chutarem quando Archie ou Henry estavam por perto, embora Regina pudesse sentir elas se movendo bastante quando eles estavam próximos. Os dois estavam constantemente disputando para ver de quem as meninas gostavam mais. Besteira — Regina pensou — mas os dois estavam muito ansiosos para poder sentir o movimento delas a qualquer momento.
“Isabella?” Regina disse e depois de alguns segundos olhou sorrindo para os rapazes logo ao lado dela.
“Ela chutou!” Henry disse mais entusiasmado que nunca.
“Definitivamente ela chutou!” Archie disse alegremente.
“Sim, ela chutou.” Regina disse sorrindo para os dois.
“Então está feito, nossa pequena vai se chamar Isabella.” Archie disse com um sorriso enorme.
“Não! Ainda falta um monte de nome da lista.” Regina disse olhando para a lista.
“Ela já escolheu o nome que ela quer, mãe.” Henry disse.
“Mas não é justo, ela não ouviu todos e eu deixei os meus preferidos para o final.” Regina disse fazendo beicinho.
“Vamos continuar então.” Archie disse.
Depois de passarem por mais uns quinze nomes, Regina finalmente anunciou que eles haviam atingido o final da lista.
“Esse é o último.”
“Deixa eu ver.” Archie disse, pegou a lista da mão da Regina, olhou o último nome e sussurrou bem próximo da barriga dela na expectativa que a menininha chutasse.
“Lillian.” Archie sussurrou, mas nem sinal dela.
Archie e Henry estavam cansados e desapontados. Elas não estavam muito animadas escolhendo os nomes. Na verdade, depois que Isabella chutou, eles perderam a esperança da outra se mover por que achavam que as duas já haviam caído no sono novamente.
“Me dá isso aqui, Archie, você não sabe falar com ela.” Regina disse puxando a lista de volta da mão dele.
“Lillian.” Regina falou mais delicadamente, porém um pouco mais alto.
Depois de alguns segundos, lá estava ela.
“Ela mexeu! Ela mexeu!” Archie disse.
“Sim, minha irmãzinha mexeu!” Henry disse alegremente.
Regina percebeu que os dois estavam mais entusiasmados com os movimentos que as meninas estavam fazendo do que com o nome delas.
“Lillian.” Regina disse experimentando o som desse nome em sua boca. “Eu sabia que ela ia gostar desse nome, era o meu preferido.” Regina cantarolou alegremente.
“Lillian e Isabella, eu gostei.” Henry disse bocejando pelo que parecia a centésima vez.
Archie estava contente, Regina pôde ver, mas ele parecia um pouco desapontado.
“O que foi, Archie? Você não gostou dos nomes? Nós podemos escolher outros.” Regina disse passando a mão em um dos braços de Archie tentando oferecer um pouco de conforto.
“Não! Não é isso.” Ele respondeu rapidamente, olhando para Henry que estava se esforçando para manter os olhos abertos e estava com a cabeça no colo de Regina.
“O que é então?” Regina sussurrou confusa.
“Elas.” Archie disse apontando brevemente para a barriga dela. Vendo a confusão escrita no rosto de Regina, Archie continuou. “Você não viu? Elas só mexem quando você fala com elas. Será que elas não gostam de mim e do Henry?” Archie perguntou seriamente e, de repente, fez uma cara de assustado. “Será que elas não sabem que eu sou o pai delas?”
Regina não conseguiu controlar a risada.
“Não tem graça, Regina, eu estou falando sério. Você já pensou se elas não gostarem de mim quando nascerem?” Ele perguntou com os olhos arregalados em choque com a possibilidade disso acontecer.
“Archie, pelo amor de Deus! Eu não acredito que você está dizendo isso." Regina respondeu, descaradamente rindo dele.
“Eu estou falando sério. Você é a única que passa o dia inteirinho com elas, elas só conhecem a sua voz.” Archie disse franzindo a testa.
“Elas ainda são muito pequenas, Archie. Elas sabem que você é o pai delas, eu sei disso porque elas se movem mais quando você ou o Henry estão por perto. Elas reconhecem a minha voz porque eu estou o tempo todo com elas, como você mesmo disse. Mas daqui algumas semanas eu tenho certeza que elas vão ficar se movendo como loucas quando ouvirem sua voz e você vai poder sentir isso, eu tenho certeza. Só dê a elas um pouquinho mais de tempo.” Regina disse sorrindo carinhosamente para ele.
Archie ainda tinha dificuldade para entender essa mulher. Como aquela mulher poderia ser duas pessoas completamente diferentes ao mesmo tempo? Havia a Regina que todos conheciam, a mulher fria, calculista, manipuladora; e existia a Regina que apenas Henry e, agora, ele conheciam, a Regina amorosa, delicada, sensível. A mulher que se preocupa com o bem estar de quem ela ama mais do que tudo. Ela era linda. Seus olhos, seus cabelos, sua pele morena, seu corpo esbelto. Não tão esbelto agora por conta da gravidez, mas Archie ainda tinha certeza que ela estava mais bonita agora, se isso era sequer possível.
Archie estava vivendo uma confusão de sentimentos por aquela mulher desde o primeiro dia que ela veio ao seu consultório pedir ajuda. Desde a primeira vez que ela confiou nele, da primeira vez que ela lhe contou segredos de seu passado, da primeira vez que ela chorou na frente dele, da primeira vez que ele a beijou, desde a primeira — e única — vez que eles dormiram juntos.
Ele olhou para ela, sem máscaras. Ela era simplesmente linda. Suas sobrancelhas estavam franzidas em confusão e ela estava olhando para ele totalmente perdida. Ele não fazia noção de quanto tempo estava ali admirando e pensando sobre ela. Ele olhou para seus lábios e foi consumido pelo desejo de prová-los novamente. Regina não teve tempo para reagir.
Archie se aproximou dos lábios de Regina e acariciou os seus contra os dela. Foi um beijo calmo, suave e apaixonado. Ele colocou suas mãos no rosto de Regina e continuou beijando-a tranquilamente. Ela perdeu sua linha de pensamento no segundo em que seus lábios encontraram os de Archie. Ele estava tentando mostrar à Regina todo o amor que ele tinha por ela, ele tentava mostrar à ela através desse beijo o quanto ele era capaz de amá-la se ela apenas deixasse e Regina percebeu isso. Uma lágrima fez seu caminho pelo rosto de Regina e Archie se afastou um pouco, quebrando o beijo. Regina ainda estava de olhos fechados e com a respiração trêmula.
“Regina, você está bem?” Archie perguntou preocupado e levantou o queixo dela com suas mãos suavemente fazendo-a olhar para ele.
“Por favor, Archie, não faça isso de novo, por favor.” Ela pediu baixinho olhando para ele com os olhos cheios de lágrimas não derramadas.
Archie não entendeu porque Regina pediu aquilo, mas ele pôde ver a tristeza em seus olhos e não quis incomodá-la ainda mais.
“Desculpe-me, Regina, eu só-”
“Está tudo bem, Archie. Eu só... eu só quero ir para casa. Já está tarde e...” Ela estava gaguejando um pouco. “Eu tenho que acordar cedo amanhã e Henry também.”
“Ok, ok, eu vou acompanhar vocês.” Archie ofereceu.
“Obrigada, Archie.” Regina disse sorrindo suavemente, seus olhos nunca encontrando os dele.
“Você quer que eu leve ele ou você vai acordá-lo?” Archie perguntou, olhando para Henry que estava dormindo no colo dela.
“Você pode levar ele para mim?” Regina perguntou um pouco constrangida. “Eu não quero acordá-lo, ele vem tendo alguns pesadelos e é difícil ter uma noite tranquila de sono. Ele parece estar dormindo tão pacificamente.” Regina disse explicando e olhando carinhosamente para seu filho.
“Não tem problema, vamos?” Archie chama, pegando o menino em seus braços e caminhando em direção à porta.
Fale com o autor