Uma Mudança Inesperada
10 Capítulo 10 - Visitas
Notas iniciais
CAPÍTULO 10 — VISITAS
“Mãe?” Regina disse reconhecendo a figura em meio à escuridão.
“Sim, minha querida, sou eu. Eu vim te buscar.” Cora disse gentilmente.
“O quê? Me buscar? Pra onde nós estamos indo?” Regina perguntou confusa.
“Eu vou te levar para ver seus filhos.”
“Mas eles estão dormindo no quarto ao lado.”
“Não, Regina. Eles não estão dormindo no quarto ao lado. Tente se lembrar. Muitas coisas aconteceram ultimamente.”
“Não, o que você está falando mãe?” Regina disse se levantando e indo em direção ao quarto de Henry para verificá-lo. Cora a seguiu.
“Viu? Ele não está aqui.”
“Ele deve estar no quarto dos seus irmãos, ele sempre vai lá de madrugada quando eles estão chorando.” Regina disse correndo para o quarto de seus outros dois filhos apenas para, mais uma vez, se deparar com um quarto vazio.
“Regina, você não se lembra do que aconteceu?”
“Do que você está falando mãe? Onde estão os meus filhos, o que você fez com eles?”
“Você estava lutando. Você voltou a ser a Rainha Má e matou Archie. Eu pensei que você nunca mais iria voltar a ser a Regina que eu conheço. Você ia matar seus filhos, Regina.”
“O quê?!” Regina olhou aterrorizada para sua mãe. “Você está louca! Eu nunca machucaria meus filhos, nunca!” Regina gritou para ela.
“Mas você machucou. Você quase sufocou Henry e depois quase afogou sua filha na banheira, não era você, Regina. Mas agora você está bem.”
“Mãe, por que você está fazendo isso? Por que você está mentindo para mim?” Regina disse começando a chorar. “Cadê meus filhos?”
“Eu não estou mentindo, meu amor. Tudo o que eu fiz foi para te proteger, mesmo que você não veja isso agora. Eu os levei para protegê-los de você. Depois que você matou Archie, eu não tive escolha. Mas agora está na hora de você vê-los novamente. Vamos, venha comigo.” Cora disse estendendo a mão para a filha.
Regina olhou para sua mãe e viu que ela estava falando a verdade, então ela se lembrou do que acontecera nos últimos meses.
Ela havia voltado a ser a Rainha Má.
Regina segurou a mão de sua mãe e juntas elas desapareceram em uma nuvem de fumaça roxa.
Elas reapareceram no que parecia ser o Hall de um grande e belo castelo. Cora levou Regina até um quarto que se localizava no alto de uma torre. Quando elas entraram na sala, Regina viu três caixões. O maior deles era branco e os outros dois, de tamanho muito menores, eram brancos com detalhes dourados e vermelhos.
“Que tipo de brincadeira é essa, mãe?” Regina perguntou virando-se para encarar Cora.
“Eu sinto muito, minha filha. Eu tentei, eu juro, mas você estava muito poderosa e eu não pude te deter.” Cora disse com lágrimas nos olhos.
“O quê?” Regina disse sem entender.
Ela se aproximou dos caixões e viu que era Henry e seus dois bebês. Ela não pode acreditar no que via.
Ela estava sufocando e com falta de ar.
Ela não conseguiu respirar, sua visão estava ficando embaçada, uma súbita vontade de vomitar tomou conta dela, sua mente estava girando, seus pés não estavam mais no chão.
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Regina abriu os olhos assustada e gritando. Ela correu para o banheiro e vomitou tudo o que havia comido horas atrás. Esse não foi o primeiro sonho que ela teve. Na verdade, desde que Cora estava presa, sonhos como esse estavam se tornando frequentes. O que mais aterrorizava Regina é que nesses sonhos, Cora sempre estava protegendo seus filhos dela mesma, porque Regina voltara a ser a Rainha Má.
Ela sabia que não deveria ir visitar Cora em sua prisão, mas esse desejo estava tomando conta dela. Archie, Emma e Henry nunca permitiriam que ela fosse até lá se ela pedisse, mas ela tinha que fazer isso.
Ela se levantou da sua posição sentada com a cabeça sobre o vaso sanitário e se limpou. Ela trocou de roupa, vestiu um casaco e se dirigiu até à mina.
O relógio marcava 3:47 da madrugada.
Ela também sabia que Cora nunca ficava sozinha e que sempre havia pelo menos um dos anões na cela para ficar de olho nela, ou seja, ela ainda teria que convencê-lo à deixá-la entrar, uma vez que Cora estava proibida de receber qualquer tipo de visita. A ordem era clara: ninguém pode entrar lá, não sem o consentimento de Emma ou Mr. Gold.
Quando Regina parou o carro perto da entrada da mina, ela pôde ver dois dos anões na porta.
“Regina, o que você está fazendo aqui? São quase 4 horas da manhã.” Leroy perguntou.
“Eu só... eu só queria vê-la.” Regina disse.
“Sem chance. Ninguém pode entrar ou sair sem a autorização de Emma”. Leroy falou.
“Ela é minha mãe, eu a conheço melhor do que vocês. Você acha que eu não sei o quão perigosa ela é? Eu não estou indo ajudá-la, eu só quero falar com ela. Conversar. Saber porquê ela fez as coisas que fez.” Regina disse irritada.
Leroy olhou nos olhos de Regina e viu a fragilidade que poucas pessoas já viram em Regina.
“Tudo bem. Mas você não vai chegar perto dela e eu vou ter que avisar Emma sobre isso.”
“Não! Por favor.” Regina disse e Leroy se surpreendeu. A Regina que ele conhecia nunca pediria por favor. “Eu só quero falar com ela e vê-la. Emma não precisa saber disso, ela vai ficar preocupada com Henry, mas não tem motivo para isso. E eu não vou demorar muito lá dentro.”
“Ok, mas isso é só hoje e eu vou com você.”
Regina queria ficar a sós com sua mãe, mas ela sabia que não haveria maneira de isso acontecer. “Obrigada, Leroy.”
Assim eles entraram na mina. Estava escuro e haviam poucas luzes lá dentro. Regina não sentia sua magia, é como se ela tivesse sido deixada fora da mina. Quando ela se aproximou, ela pôde ver a figura de sua mãe deitada no canto da cela. Ela olhou para Leroy, que resolveu dar-lhes um pouco de privacidade e se distanciou das duas mulheres.
“Mãe?” Regina chamou, mas Cora parecia não ouvir. Precisou que Regina a chamasse mais duas vezes para que ela começasse a se mexer.
“Regina?” Cora se levantou e andou em direção às grades da cela.
“Sou eu, mãe.” Regina disse com um olhar triste.
Cora estava suja, não parecia nada com a mulher poderosa que ela conhecia. Não havia glamour, nem poder, nada. Ela era apenas uma senhora velha descuidada.
“O que você está fazendo aqui?”
“Eu precisava te ver, eu... eu queria saber porquê você fez todas essas coisas, mãe.” Regina disse já com lágrimas nos olhos.
“Eu... Eu também queria te ver, Regina. Esses dias aqui, eu tive tanto tempo pra pensar.” Cora disse olhando para o chão.
“E a que conclusão você chegou?” Regina perguntou parecendo vulnerável.
“Eu estava errada, Regina. Eu sei que você não acredita em mim agora, mas se eu pudesse provar isso pra você-”
“Você teve a oportunidade de provar isso e você quase me matou!” Regina gritou.
“Você me atacou primeiro, Regina.” Cora disse tristemente.
“Mas eu nunca mataria você.” Regina disse chorando.
“Eu sei. Me perdoe, Regina. Eu fui tão estúpida com Daniel e fui estúpida com você. Eu não aprendi a amar muito bem, mas eu quero aprender. Me desculpe por ter te machucado, me desculpe por falar aquelas coisas sobre você e sobre o seu bebê.” Cora disse encarando os olhos de Regina.
Distraidamente, Regina passou as mãos sobre a sua barriga. Ela queria tanto confiar em sua mãe, mas ela não podia fazer isso. Ela quase a matou e poderia ter matado seus bebês. Cora não sabia que eram gêmeos e Regina não diria isso a ela.
“Então, o que é? Um menino ou uma menina?” Cora perguntou a Regina, genuinamente curiosa.
“Eu não sei ainda, mãe,” Regina disse. “Eu... eu acho melhor ir embora... está tarde e-”
“Ok, você pode acabar pegando um resfriado e isso não é bom, nem para você nem para o bebê.” Cora disse.
“Ok. Tchau, mãe.” Regina disse virando-se em direção à entrada da mina.
“Regina?” Cora chamou.
Regina só parou no lugar e sem olhar para trás esperou que Cora continuasse.
“Por favor, volte novamente.” Ela pediu.
Regina nada fez, apenas assentiu e continuou andando, escondendo a lágrima que escorria pelo seu rosto. Ela voltou para casa, mas não conseguiu voltar a dormir. Ela comeu um pouco, mas logo a vontade de vomitar veio novamente e ela correu para o banheiro.
“Assim não dá, nós vamos ter que entrar em um acordo,” Regina disse esfregando as mãos carinhosamente na pequena protuberância de sua barriga. “Vocês vão ter que deixar a mamãe comer um pouco senão eu não vou conseguir carregar vocês quando nascerem.” Regina disse com um sorriso quando o mal estar passou. Ela se deitou um pouco, ainda sem conseguir realmente dormir e ficou imaginando com seriam seus bebês, o sexo deles e todas essas coisas sobre bebês que a pudesse distrair de seus últimos pesadelos e de seu encontro recente com Cora.
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Henry acordou cedo e viu Emma, Snow e Charming conversando na cozinha. Ele tinha que contar a novidade e não poderia esperar mais tempo para isso.
“Ei, Bom dia!” Henry disse cantarolando alegremente.
“Bom dia!” Os três responderam em uníssono.
“O que foi, Henry? Por que você está com essa cara?” Snow perguntou.
“Ele está assim desde ontem, quando voltou da casa de Regina, mas ele não quer me contar o que é.” Emma disse fazendo beicinho.
“Eu não contei ontem porque queria contar pra todos vocês.”
“Então, o que é?” Charming perguntou, já imaginando que Regina deve ter contado que ele iria ganhar um irmão.
“Bem, ontem minha mãe me disse que ela está grávida!” Henry disse com um sorriso enorme.
“Isso é maravilhoso, você vai ganhar um irmão ou irmã, Henry!” Snow disse, mas nenhum deles parecia realmente surpreso.
“Não, não vou não.” Henry continuou.
“Como assim?” Snow perguntou confusa, olhando para David, mas Emma já sabia do que isso se tratava, ela só ficou sorrindo. Ela teria que fazer parecer que era uma surpresa para ela também, embora Archie já tivesse contado pra ela há semanas.
“Eu vou ganhar dois irmãos, minha mãe está grávida de gêmeos!” Henry gritou.
“O quê?!” Snow e Charming gritaram surpresos e olhando para o menino como se ele tivesse acabado de dizer algo inacreditável.
“Isso é fantástico, não é? Eu vou ganhar DOIS irmãos, dois! E minha mãe disse que se eu tiver cuidado eu vou poder segurá-los quando eles nascerem.” Henry disse empolgado.
“Isso é mesmo uma surpresa.” Emma tentou fingir, mas não passou despercebida por Snow.
“Então Regina está grávida de gêmeos?” Snow suspirou. “Eu não esperava por isso.” Ela riu.
“Mas é uma ótima notícia, em breve teremos dois monstrinhos correndo ao redor de Storybrooke, já pensaram nisso?” Emma disse rindo da cena que passava em sua mente.
Dois pestinhas.
Duas mini-Reginas.
Isso seria divertido. Tão divertido!
Depois de deixar Henry na escola, Emma dirigiu-se para os estábulos. Era a rotina dela desde que Regina a estava ensinando a usar magia e desde que a morena também não queria mais nenhum imprevisto acontecendo em sua casa por conta da inexperiência de Emma.
“Bom dia, Regina.” Emma disse quando entrou no estábulo para se deparar com Regina que já esperava por ela.
“Como sempre atrasada, Miss Swan.” Regina repreendeu.
“Bem, hoje eu tive um motivo.”
“E qual seria o motivo para você me fazer perder meu precioso tempo?”
“Foi um pouco difícil acalmar Henry hoje, ele está inquieto e ansioso para conhecer seus novos irmãos, saber o sexo deles e essas coisas... eu quase não consegui abrir a boca no caminho da escola com ele falando.” Emma disse revirando os olhos.
Regina amoleceu instantaneamente com as palavras de Emma e se lembrou da felicidade de Henry no dia anterior. “Eu estou tão feliz que ele está feliz.” Regina comentou distraidamente.
“Eu te disse, Regina. E isso só vai piorar,” Emma disse. “Além do fato de que ele deve estar contando para todos os colegas da escola dele. Deve estar se esnobando porque vai ter irmãos gêmeos.”
Regina sorriu e assentiu com a cabeça. “Vamos começar então?”
“O que eu tenho que fazer hoje? Por que você sabe né? Eu andei treinando e eu realmente acho que evolui bastante.” Emma disse sinceramente.
“Eu acho que falta muito, querida. E eu quero você bem longe da minha macieira.” Regina disse lembrando-se da vez em que Emma ateou fogo sem querer na macieira dela.
“Eu já disse Regina, foi um acidente.”
“Ok, eu vou te ensinar a concentrar sua magia para desviar ataques.”
“Legal!” Emma disse animada.
“E perigoso se você não prestar atenção.”
“Vamos, Regina. Eu sou a Salvadora e fui eu que coloquei Cora naquela cela, eu posso muito bem fazer isso.” Ela disse convencida.
“Vai com calma, querida.”
Depois de ensinar Emma, Regina começou a lançar alguns feitiços contra Emma. No começo ela teve um pouco de dificuldade, mas com o tempo e o treino ela estava ficando boa nisso e Regina não podia deixar de admitir, mesmo que apenas para ela mesma.
Emma estava grata que Regina a estava ajudando. Não que ela confiasse totalmente em Regina, mas ela confiava muito mais na mulher do que em Mr. Gold. E, surpreendentemente, Regina estava sendo tão paciente em ajudá-la e ensiná-la. Emma quase poderia dizer que as suas manhãs estavam sendo os melhores momentos do dia. Poder presenciar as mudanças no corpo de Regina e principalmente as mudanças de temperamento pelas quais a morena vinha passando era muito divertido.
Emma não pôde deixar de sorrir quando se lembrou de quando Regina a estava ensinando a lançar fogo contra um alvo e ela sem querer ateou fogo na macieira de Regina. Regina passou rapidamente de uma mulher mandona para uma mulher chorona, resultado de Emma ter queimado sua árvore favorita.
Dessa maneira, Regina e Emma vinham gastando suas manhãs desde o acontecimento com Cora.
De certa forma, Regina aprendera a respeitar Emma e até ria de algumas brincadeiras que a loira fazia. As duas estavam aprendendo a olhar para a outra de uma maneira diferente.
Podia-se até arriscar dizer que uma amizade viria a se desenvolver.
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