Uma Mudança Inesperada

16 Capítulo 16 - Uma vez Rainha Má, sempre Rainha Má


Notas iniciais
Esse capítulo: ♥

CAPÍTULO 16 – UMA VEZ RAINHA MÁ, SEMPRE RAINHA MÁ

Uma semana depois, Regina tinha acabado de jantar na Granny’s. Já era mais de 10 horas da noite, mas Regina gastara a última hora conversando com a vovó. Depois de algum tempo e uma certa resistência, Ruby e vovó acabaram desenvolvendo um carinho e respeito muito grandes por Regina. As duas mulheres sabiam que ela estava diferente, ela estava melhorando e agora elas quase podiam dizer que gostavam de Regina. Às vezes, quando alguém falava alguma coisa da mulher, elas eram as primeiras a defendê-la.

Regina já havia se despedido da Vovó e de Ruby e saiu. Quando ela fechou a porta e distraidamente se virou, ela esbarrou em um homem. Seu sorriso desapareceu imediatamente dando lugar a uma carranca.

“Então é verdade? A Rainha está mesmo grávida.” O homem disse.

“Sidney! O que você quer?” A mulher perguntou irritada.

“Calma, Vossa Majestade. Eu não quero nada de você.” Ele disse cerrando os olhos.

“Ok, então me dá licença.” Regina disse e desviou dele, mas ele deu um passo para o lado, voltando a ficar em sua frente. Regina não estava gostando disso.

“Sai da minha frente, Sidney.” Regina falou um pouco mais irritada.

“É verdade que são duas meninas?” Ele perguntou levantando a mão e tocando na barriga de Regina.

“Nunca mais toque em mim novamente!” Ela gritou para ele enquanto bateu em sua mão, afastando-se dele.

“É verdade?” Ele perguntou novamente.

“É, agora me dá licença.” Regina disse e empurrou-o levemente, passando pelo homem.

“Você vai ser uma péssima mãe, assim como sua mãe foi!” Ele disse para ela, que parou no seu lugar e se virou.

“Sidney, eu não quero te machucar.” Regina disse irritada, mas já estava começando a tremer de raiva.

“É claro que não, Vossa Majestade. Você vai esperar para fazer isso com essas crianças, não é?” Ele disse olhando para ela com raiva.

Imediatamente, a mente de Regina foi inundada com imagens de seus pesadelos, aqueles em que ela sempre estava machucando seus filhos, mesmo que ela os amasse.

“Cala a boca, Sidney, eu nunca machucaria meus filhos e você sabe disso!” Ela disse com a voz embargada de tristeza.

Então, Ruby viu Sidney discutindo com Regina e correu para fora do restaurante, sendo seguida pela Vovó.

“Você é um monstro, Regina. Você é a Rainha Má, por mais que você tente mudar, você sempre será a Rainha Má e ela não ama. Não se engane, Regina. Essas meninas vão crescer e vão saber a mãe horrível que elas tem e elas não vão te amar, elas vão te odiar assim como o Henry odeia, ele só está empolgado porque ele vai ganhar duas irmãs, mas é só isso. Ele ainda tem medo de você!” Ele gritou.

Regina não conseguiu se controlar e, mesmo sem perceber, ela estava chorando. Cada palavra que Sidney falava era, na verdade, tudo o que ela tinha mais medo. Medo de não ser amada pelas suas filhas, de ser uma mãe ruim, de voltar a ser a Rainha Má, assim como nos seus pesadelos.

Ruby e Vovó estavam assistindo atônitas.

Embora Regina fosse a Rainha Má, ela estava tentando muito ser diferente e ela estava conseguindo. Ele não tinha o direito de perturbá-la ou falar aquele tipo de coisa.

Tudo aconteceu muito rápido, Regina se aproximou dele e agarrou seu pescoço. Uma nuvem roxa começou a cercá-los e Sidney, de repente, estava ficando sem ar. Os olhos de Regina estavam cheios de lágrimas, porém estavam escuros como quando ela era a Rainha Má.

“Regina, para!” Ruby gritou para a mulher, mas Regina nem se mexeu.

“Regina, não o deixe fazer isso com você, você é melhor do que isso, por favor.” A vovó disse se aproximando o máximo que pôde, mas Regina nem se mexia.

Lentamente, Ruby passou uma mão nas costas de Regina e a outra segurou a mão de Regina que estava sufocando Sidney, então ela sussurrou. “Regina, por favor, pare. Você pode fazer isso por Henry, você pode fazer isso por elas.” Ruby disse passando a mão suavemente sobre sua barriga.

Levou alguns segundos para que Regina finalmente fizesse algum movimento. Ela fechou os olhos com força e abriu-os parecendo um pouco confusa. Ela soltou Sidney que caiu no chão tentando respirar. De repente, ela se sentiu um pouco tonta e se apoiou em Ruby.

“Regina, você está bem?” Ruby perguntou segurando a mulher um pouco mais forte.

“Eu... eu estou bem.” Regina disse com dificuldade.

“Venha, sente-se aqui.” Vovó correu para Regina e guiou-a para uma das cadeiras.

“Não, eu estou bem, eu só... Eu só quero ir pra casa... Eu.” Regina disse se afastando das duas mulheres.

Regina estava confusa e desesperada para se esconder.

Ela havia perdido o controle dela mesma.

“Regina, mas você não está bem.” Vovó falou.

“Eu vou com você até sua casa, Regina.” Ruby ofereceu.

“Não!” Regina quase gritou. “Eu estou bem, eu já disse que estou bem.” Regina disse se virando e caminhando em direção à rua.

“É como eu disse! Você sempre vai ser a Rainha Má!” Sidney gritou ainda caído no chão.

“Cala a boca, Sidney!” Ruby gritou para ele, olhando preocupado para Regina que simplesmente parou, olhou triste para Sidney e foi embora.

“Você está proibido de vir aqui, Sidney.” Vovó disse encarando o homem com um olhar extremamente irritado.

“Você não pode ficar do lado daquela mulher, ela nunca vai mudar!” Ele gritou.

“Eu já disse pra você calar a boca!” Ruby gritou um pouco mais alto.

“Ela já está mudando, seu idiota! Ela é muito melhor do que você nunca vai ser!” Vovó gritou.

“Agora vá embora, por que se você voltar aqui ou se eu souber que você continua perturbando Regina, eu não posso e nem vou me responsabilizar se o lobo te fizer uma visita qualquer noite dessas.” Ruby disse e entrou no restaurante com a Vovó, fechando a porta atrás delas.

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Vovó terminou as coisas no restaurante e foi para casa cerca de uma hora depois. Ruby ficou para terminar de limpar o restaurante e arrumar algumas coisas para a manhã seguinte. Já estava tarde, a essa hora a cidade já estava deserta e agora uma forte chuva caía sobre Storybrooke.

Ruby entrou em seu carro vermelho e dirigiu em direção à pensão da Vovó. A chuva estava ficando muito forte e a noite estava ficando fria. Ela estava passando pela praça quando avistou alguém sentado em um dos bancos da praça escura. Ela não conseguiu identificar quem era de onde ela estava, pois a chuva era muito forte e estava um pouco escuro. Ela baixou os faróis do carro, dirigiu até mais perto e forçou a vista para identificar a figura parada na chuva.

Era Regina.

Ruby pegou um guarda chuva que estava dentro do carro e correu até o banco onde a mulher estava sentada distraidamente, chorando.

“Regina? Regina, o que você está fazendo nessa chuva, vamos sair daqui!” Ruby disse correndo até ela, mas a mulher sequer moveu.

“Regina?” Ruby continuou chamando a mulher até perceber que ela estava totalmente encharcada e tremendo devido ao frio, porém ela parecia não ter notado a presença de Ruby.

“Regina, o que aconteceu? Você não está se sentindo bem? Por que você está chorando?” Ruby perguntou se aproximando da mulher e tocando seu ombro.

Regina pulou, brevemente assustada, quando Ruby tocou nela, só então ela percebeu a presença da outra mulher.

“Ruby, o que você está fazendo aqui?” Regina perguntou fungando um pouco.

“Eu que pergunto, Regina. Vamos sair dessa chuva, está congelando aqui fora!” Ruby disse segurando o guarda-chuva sobre Regina, mas a morena voltou a olhar para a frente como se nada tivesse acontecido.

“Regina!” Ruby gritou para trazer sua atenção de volta.

“Você acha que eu machucaria Henry?” Regina simplesmente perguntou com um tom muito mais suave enquanto um nó se formava em sua garganta.

Só então Ruby entendeu do que se tratava.

“Não! Nunca!” Rapidamente Ruby respondeu. “Desde que horas você está aqui, Regina?” Ruby perguntou ainda segurando o guarda chuva sobre elas.

“Você acha que eu machucaria minhas filhas?” Regina ignorou a pergunta da outra mulher.

“Regina,” Ruby começou, desistindo de segurar o guarda-chuva, colocando-o no chão. “Você nunca machucaria seus filhos, eu tenho certeza disso.”

Regina olhou para ela procurando um sinal de mentira em seus olhos, mas ela não pôde encontrá-lo. Ela voltou a olhar para frente e Ruby percebeu que as lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto de Regina e seus lábios estavam tremendo.

Aquela mulher era definitivamente uma mulher muito diferente da famosa Rainha Má e Ruby percebeu isso.

“Você não deveria se importar com o que Sidney diz,” Ruby começou. “Ele só quer encontrar algum culpado para a merda que é a vida dele.” Ela disse com um sorriso suave.

“Ele me conhece, Ruby.” Regina disse chorando ainda mais.

“Bem, talvez. Mas essa mulher que você é agora é muito diferente da mulher que você era.”

“Eu sou a Rainha Má. Eu não posso mudar isso.” Ela disse com a voz chorosa.

“Eu acho que você já mudou isso.” Ruby sorriu.

Um momento de silêncio se estabeleceu entre elas, um silêncio que não foi desagradável.

“Por que você está me ajudando?” Regina perguntou, virando sua cabeça para olhar a mulher que agora estava sentada ao seu lado.

Ruby pensou um pouco e respondeu. “Porque para muitos você criou uma maldição terrível e vai ser difícil perdoar isso, mas durante 28 anos eu não me transformei em um lobo e não matei ninguém. Você me salvou, mesmo pensando que estava fazendo uma coisa má, você me salvou de quem eu era.”

Regina olhou para ela e começou a chorar de novo.

Malditos hormônios.

“Eu não sei como lidar com elas. Eu nunca tive uma mãe que me amasse. Eu não vou saber ser uma boa mãe para elas.” Regina chorou.

“É claro que você vai saber, você foi a melhor mãe que Henry poderia ter.”

“Henry é um menino e minha relação com meu pai foi totalmente diferente da minha relação com minha mãe. Eu não vou saber cuidar delas-”

“Isso é bobagem, Regina! Você se importa com elas e isso é tudo o que você precisa agora.”

“Henry me odeia.” Regina sussurrou olhando para o chão. “Sidney está certo, ele só está feliz por que vai se tornar um irmão mais velho, mas ele me odeia e elas também vão me odiar. Eu não posso suportar isso de novo, Ruby.”

Ruby sentiu necessidade de consolar a mulher, de dizer que nada aconteceria daquela maneira.

“Isso não é verdade, Regina. Henry te ama,” Ruby disse pegando a mão da mulher e dando um leve aperto até que ela estava olhando para Ruby mais uma vez. “E essas meninas vão te amar do mesmo jeito, não importa quem você era, o que importa agora é quem você está se tornando.”

Regina estava tremendo por causa do frio e das suas roupas encharcadas. Ela estava olhando para Ruby e pôde sentir carinho e preocupação emanando de seus olhos.

“Eu tenho medo.” Regina disse tão baixo que Ruby teve que se esforçar para ouvir.

“Medo de quê?”

“De voltar a ser a Rainha Má, eu não quero mais ser ela. Eu estou tão cansada,” Regina disse chorando. “Eu tenho medo de machucar meus filhos. Hoje, com Sidney, eu não consegui me controlar, eu tive vontade de matá-lo.”

“Você só estava protegendo suas meninas.” Ruby disse sorrindo. “E eu acho que se você quiser, você jamais voltará a ser a Rainha Má. Você já mudou tanto. Eu nem tenho mais medo de você.” Ela disse tentando uma brincadeira.

“Não tem?”

“Não!”

As duas ficaram sentadas em silêncio na chuva por mais alguns minutos. Ruby viu quando Regina fez uma breve careta e esfregou sua barriga suavemente.

“Elas estão chutando?” Ruby perguntou curiosa com um sorriso no rosto.

“Sim, eu acho que Lillian está acordada.” Ela disse sorrindo suavemente.

“Lillian?” Ruby perguntou, pois ainda não sabia que elas já tinham nome. “Eu posso sentir?” Ruby perguntou um pouco receosa.

Regina pensou um pouco e respondeu com um aceno de cabeça. “Eu acho que sim.” Ela disse pegando a mão da outra mulher e posicionando onde sentia os movimentos. “Os movimentos ainda são muito suaves, mas elas são muito agitadas de madrugada.” Regina disse sorrindo.

“Ela está mesmo se mexendo aí dentro!” Ruby disse com um sorriso enorme quando sentiu os movimentos sobre sua mão. Eles eram, de fato, suaves, mas ela ainda podia senti-los.

“Regina, nós deveríamos sair dessa chuva, eu estou morrendo de frio e você está tremendo. Há quanto tempo você está aqui?” Ruby perguntou seriamente encarando os olhos de Regina.

“Eu não sei, acho que desde antes da chuva começar.” Regina disse pensando.

“Bem, isso quer dizer que faz muito tempo. Isso não é bom para você e muito menos para essas pequenas. Vamos, eu vou te levar, você não veio de carro, né?” Ruby perguntou, notando que o carro da prefeita não estava nas redondezas.

“Não.” Regina acenou a cabeça negativamente e aceitou a mão de Ruby para ajudá-la a se levantar.

“Cadê a Perdita?”

“Ela está com Henry. Ele insistiu para ficar com ela hoje.”

Ruby levou Regina até em casa e se certificou de ir embora somente depois que a mulher trocasse suas roupas molhadas e se preparasse para dormir, ela não queria arriscar que a mulher pegasse uma gripe ou alguma coisa do tipo.

Uma bela amizade estava nascendo.

Notas finais
E então? O que vocês acharam? Eu queria TANTOOOO ver pessoas sendo A M I G A Sda Regina no seriado, pessoas que não fossem a Snow, é claro. Cruzemos os nossos dedos! haha De qualquer modo, próximo episódio teremos um pouquinho dessa relação entre a Regina e a Snow. Não deixem de comentar, viu? Beijos!!!