Notas iniciais
Pessoal, espero que gostem. Boa leitura. Bjtos, Chatterbox.

Gabriela acordou leve como um pássaro naquela manhã de domingo. Fazia tempo que não se sentia assim tão bem.

Levantou da cama, e caminhou pelo seu apartamento, abrindo as cortinas e deixando que entrasse a luz do sol. Caminhou até a sala, e tirou uma seleção de baladas românticas da sua coleção de CD’s.

Com a música tocando, foi até a cozinha. Num suspiro entusiasmado, pensou no que queria fazer. Achou que talvez fosse uma boa ideia executar uma receita de bolo que viu faz um tempo, em suas mídias sociais.

Ao encontrar a receita, passeou pela cozinha recolhendo os ingredientes e cantarolando a letra da canção que tocava.

Foi então que ouviu a campainha tocar. Bem quando batia as claras em neve numa tigela.

Achou estranho, visto que, não esperava visitas.

Lembrou que vestia um pijama e caminhou até o quarto, para vestir um robe. Nas suas pantufas de ovelhinha, foi até a porta e abriu de uma só vez.

Assim que viu a pessoa que estava parada em sua porta, seu corpo congelou. A mente entrou em colapso, sem conseguir processar o que seus olhos viam.

Era um homem. Cabelos castanhos ondulados, alto, aparentava ter perto dos trinta. Vestia uma camisa social e calças jeans. Os olhos castanhos a encaravam com certa hesitação, por detrás dos óculos de grau. Roberto. Roberto Prazeres. Gabriela não conseguia acreditar na veracidade de todos os detalhes que via naquele momento. Aquele homem que era uma invenção da sua mente, agora estava em carne e osso, parado em sua porta.

“Não pode ser real”, logo pensou. Deu um passo para trás, em choque.

— Bom dia.

Ele disse, um pouco confuso com a sua reação. Ela no mesmo instante, levantou a palma de uma mão e mostrou para ele, indicando que parasse de falar e não se aproximasse. Seu coração batia como uma bateria num show de rock naquele momento.

Continuou a se afastar com vários passos, aterrorizada. Ao se dar conta de que estava alucinando, sentiu o desespero te invadir. Era um sintoma que nunca tinha tido antes, mas que lhe indicava que estava mais longe de estar bem do que imaginava.

Os olhos começaram a lacrimejar, e tomou a primeira atitude que parecia lógica naquele momento.

Roberto, que continuava parado em sua porta, começou a se preocupar com a reação neurótica que estava assistindo, e pensou no que deveria fazer:

— Hm... Eu sou o Roberto, me desculpe é que eu preciso conversar com você sobre...

— Shiu! — Gabriela interviu, agora já na cozinha, abrindo as gavetas apressadamente, como se sua vida dependesse disso, parecia procurar alguma coisa com muita urgência, pois revirava todo o conteúdo das gavetas sem parar — você não existe... Eu vou tomar o meu remédio e você vai sumir...!

Ela pronunciava num murmúrio, atordoada. Naquele momento Roberto percebeu que talvez aquilo estivesse indo longe demais, e entrou na casa:

— Remédio? Não sei se isso seria uma boa ideia, tem certeza de que isso é seguro?

Aproximou-se do balcão da cozinha, em frente onde ela estava, e com sua aproximação ela deu um passo para trás:

— Não chegue perto de mim!

Avisou. Estava tão transtornada como se estivesse vendo uma assombração. Encontrou um frasco de pílulas na gaveta e engoliu duas com pressa.

— Uou! Espera! Tem certeza de que isso é seguro? Não quer que eu chame alguém ou algo assim?

Roberto foi até ela, extremamente preocupado, tinha quase certeza de que tinha motivos para duvidar da sanidade mental daquela moça.

— Você não existe. Você é uma criação da minha mente, saia daqui!

Ela gritava, se afastando dele e correndo pela sala. Foi até a mesa de centro entre os sofás da sala de estar e pegou um telefone.

Roberto, já sem saber o que fazer, mas com bastante certeza de que talvez deixa-la sozinha não fosse uma opção muito segura, resolveu parar e observá-la de longe. Ela estava muito nervosa e as tentativas dele de ajudar não estavam funcionando muito bem.

— Olha, tudo bem —- ele mostrou as palmas das mãos num ato de tentar mostrar confiança — eu não vou fazer nada com você, está bem? Só quero ter certeza de que você está legal, você me parece um pouco nervosa...

Dessa vez Gabriela não respondeu, apenas deu as costas para ele com o telefone sem fio na mão e sentou-se no chão, no canto ao lado de um dos sofás, como que tentando se proteger dele, e começou a ligar para alguém.

Nessas horas ela sabia exatamente para quem ligar. A sua irmã, Sarah, era a pessoa mais responsável e decidida que conhecia e era sempre ela que tomava o controle da situação em horas como aquelas.

Discou o número de seu celular com os dedos trêmulos, o coração ainda palpitando com força no peito angustiado, e esperou que ela atendesse. No terceiro toque, Sarah atendeu:

— Oi Gabi, tudo bem? — perguntou com a voz firme de sempre — estou no salão fazendo as unhas, é alguma emergência?

Nesse momento a respiração de Gabriela falhou e ela procurou as palavras certas para explicar o que estava acontecendo, e podia notar pela mudança de sons do outro lado da linha que a irmã já tinha notado que algo não estava bem.

— Sarah... Eu acho que estou ficando doente de novo... — fungou, assustada — estou tendo alucinações, tem um personagem do meu livro falando comigo no meio da minha sala, eu...

— Ok, tudo bem, isso é uma urgência, eu estou indo para aí, não faça nada enquanto eu não chegar, está bem? Chegarei aí em um minuto.

— Ok...

Desligou.

Roberto ainda estava em pé no meio da sala, tentou ouvir o que ela dizia ao telefone, mas não conseguiu pois ela falava soluçando e em murmúrios e não estava tão perto. Mas ao menos tinha certeza que alguém devia estar vindo e achou melhor esperar até que essa pessoa chegasse.

Começava a se perguntar se tinha sido uma boa ideia aparecer ali. Era certo que já estava na cidade a trabalho e estava com muita vontade de resolver aquele mistério, mas talvez uma ligação tivesse sido menos invasiva.

De qualquer forma ele não imaginou que a moça fosse doente e fosse surtar daquela maneira. E como na verdade acreditava ser a vítima na situação, achou que seria justo ter uma postura um tanto desafiadora ao conhece-la, já que ela tinha sido a pessoa que escreveu um livro sobre sua vida sem sua permissão e não o contrário.

Respirou fundo e colocou as mãos na cintura, pesaroso.

— Escuta, eu vou ficar aqui até quem estiver vindo chegar, está bem? Não vou incomodar é só pela sua segurança.

Avisou. Gabriela respondeu com um gemido e uma fungada nervosa, e continuou encolhida no canto ao lado do sofá, visivelmente perturbada.

Só conseguia pensar em como podia ter regredido tão rápido. Ela estava tão bem. Finalmente estava conseguindo se sentir viva de novo, depois de tanto tempo usando remédios e indo a terapia e nunca ia imaginar que de uma hora para outra, teria uma alucinação de repente.

Sua mente desde que tudo aconteceu parecia ter se tornado um pesadelo. Tudo o que queria era se sentir no controle da sua própria vida novamente e seguir em frente, mas sempre se encontrava presa de novo de alguma forma.

Foi após cerca de meia-hora que Sarah irrompeu pela porta, que continuava aberta. O salão não deveria ser muito longe dali, mas Sarah deve ter saído às pressas pois tinha esmaltes borrados ao redor das unhas.

Estava vestida com saia longa e uma blusa de cetim. Sarah era uma advogada renomada e estava sempre bem vestida. Quando entrou pela porta os olhos azuis estavam arregalados de preocupação e a postura visivelmente tensa.

— O que aconteceu aqui? — entrou, primeiramente não falando com Roberto e em seguida se dirigiu a ele — quem é você? O que faz aqui? Ela está bem.

Foi então que Gabriela, acabando de assistir a cena em que sua irmã falava diretamente com um homem que teoricamente só existia na sua mente, que ela percebeu que havia algo errado:

— Espera... Você está vendo ele?

Se colocou de pé, surpresa.

Sarah, sem entender muito bem, olhou para Roberto e respondeu com naturalidade:

— Sim, ele é de carne e osso.

Gabriela se calou. Não sabia o que responder pois ainda estava tentando entender como aquilo era possível.

— Desculpa estar aqui, mas ela parecia muito transtornada e não queria deixa-la sozinha.

Roberto se explicou.

— Fez muito bem, obrigada. Mas quem é você?

Sarah perguntou novamente, naturalmente inquisitiva. Foi até o encontro de Gabriela e tocou suas mãos para checar se estavam numa temperatura normal.

— O que aconteceu, Gabi? Esse homem assustou você?

— Na verdade eu só queria fazer algumas perguntas sobre o livro. Não esperava que fosse causar tanto transtorno.

Explicou-se Roberto.

— M-mas... — Gabriela finalmente conseguiu falar alguma coisa — você é um personagem do meu livro! Eu criei você! Como você pode existir na realidade?

Ela questionou, apontando para ele, confusa.

Roberto não entendeu muito bem. Achou que talvez a moça estivesse delirando. Não conseguia imaginar como ele podia ser menos real do que de fato era.

— Eu... Sou bastante real. E queria saber porque escreveu um livro sobre a minha vida.

Respondeu, um pouco confuso.

— Espera aí, então está querendo dizer que esse homem é um personagem do seu livro?

Interviu Sarah, tentando fazer conexões.

— Roberto, sim. Exatamente como imaginei, achei que ele não fosse real, fosse uma alucinação.

Respondeu a irmã mais nova.

— Olha, eu não sei quem você é, mas a minha irmã está doente e está se recuperando, é realmente muito inconveniente você vir aqui fazendo uma brincadeira como essa. É melhor você ir embora antes que mova um processo contra você.

Ameaçou Sarah, séria, enquanto colocava uma das mãos na cintura com a postura de mandona.

— O quê? Mas eu...

Roberto riu, ficando nervoso com a acusação.

— Você tem cinco segundos para ir embora.

Avisou ela.

— Mas...

— Um...

Ainda perplexo com a situação, se direcionou anestesiado até a porta, sem conseguir entender como tudo aquilo tinha acabado daquela maneira.

Caminhou até o elevador, e desceu por ele até o térreo, confuso.

Saiu do edifício atordoado e entrou no seu carro alugado, ainda sem entender muito bem como aquela situação acabou tão diferente do que imaginava.

Notas finais
Obrigado por terem lido. Novos capítulos em breve! Bjtos, Chatterbox.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.