Notas iniciais
O caminho do monte até a vila era por dentro da floresta. Coloquei meu cavalo a cavalgar tomando o cuidado de raízes e troncos, eu não estava longe mas também não queria um acidente para o meu amado animal. Alguns minutos depois eu já estava nas portas dos fundos da minha casa, uma construção simples em tijolo cinza e hera nas paredes. Entreguei as rédeas dos cavalos ao empregado que parecia inquieto.
— Ele chegou, Myer?
— Chegou, senhorita Isabel.
Sorri e lhe agradeci enquanto corria para casa.
Entrei pela porta dos fundos e como era de imaginar a cozinha estava vazia, sai pelo corredor estreito do quarto dos nossos únicos dois empregados e sai em direção ao hall de entrada. A casa era simples, com paredes nuas de pedras e quadros escassos mas em moldura impecável e resistente, duas janelas grande ficavam uma em cada lado da porta de madeira pesada, e uma escada larga com exatos vinte degraus que eu contei várias vezes durante minha infância. Respirei pesadamente, lá também não havia ninguém então virei a esquerda na sala de visitas que tinha as portas fechadas.
Infelizmente a casa parecia estar vazia. Na volta tropecei com Cindy, a empregada de Mari.
— Minha nossa! — Disse com o susto. — Cindy, querida.
— Eu estava te procurando, Isabel!
Ela segurava uma capa marrom gasta nos braços.
— Pois cá estou.
lhe estendi os braços em sinal de rendição e ela franziu o cenho. Tinha algo acontecendo, e ela estava vindo me contar com certeza.
— Diga-me.
Foram minhas únicas palavras. Eu já não sorria e nem ela enquanto nos encarávamos.
— Sua capa. Vamos, Isabel, todos estão esperando na casa dos Lancel.
Assenti e seguimos em silêncio.
Realmente todos estavam na casa do Sr. Lancel. Tinham pessoas nos jardins e no saguão, nas salas de jantar e visita. A casa deles, como a família mais importante da vila, era imponente e grande embora ainda tivesse aquela monotonia cinza era ricamente decorada por dentro com belos papeis de parede e móveis que diziam ser da maior moda em Londres.
Encontrei Ana, a dama da minha melhor amiga e saltei as pessoas sem cumprimenta-las.
— Ana!
— Senhoria Irving! Bom ver que chegou. Pode me acompanhar até a biblioteca?
Subimos rapidamente passando por aqueles belos corredores, pessoas corriam vindo do terceiro andar mas viramos em direção a biblioteca no lado sul da casa. Era um comodo pouco usado mas limpo e extremamente bem iluminado. Tudo tinha cor de madeira vermelha, e o cheiro era dos couros nas capas dos livros.
Entrei e encontrei todos ali sentados que levantaram quando eu cheguei. Mari, minha madrasta veio correndo e me abraçou.
— Estive preocupada, onde você estava?
— Cavalgando mas...
Sra. Lancel correu até mim.
— Querida seu vestido está um farrapo!
Olhei para baixo, as saias sujas e uma ponta rasgada.
— Tentei apanhar maçãs. Mas isso não é o que realmente importa.
— Não... claro que não. — Quem falou foi meu pai, Jon e eu não resisti pulei para lhe abraçar.
— Senti saudades, pai.
Então nos soltamos e ele pegou minha mão nas suas. Mari veio e apoiou a mão em meu ombro esquerdo enquanto Sra. Lancel segurava o outro.
— Temos de lhe contar uma coisa... — Começou Mari.
— Querida precisa falar com Margoth.
Disse e todos me soltaram. Olhei confusa.
— Onde ela está? O quê aconteceu?
Papai suspirou.
— Brandon morreu.
O coração me apertou e pareceu pesar uma tonelada. O marido da minha amiga não poderia estar morto, não agora! Não com apenas um ano e alguns meses de casados.
— Onde ela está?
— No quarto lá em cima, não lhe falamos nada ainda, mas ela fica perguntando onde ele está e por que todos chegaram e ele ainda não... — Sra. Lancel soluçou. — Minha filha...
— Eu vou... vou falar com ela.
Engoli a emoção que pesava em mim. Eu precisava ser forte.
—Ana? — Chamei a ama de Margoth.
— Estou aqui.
— Me leve até minha amiga e nos traga chá forte, ela vai precisar e muito.
E sai desesperada para socorrer minha amiga.
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