Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Vanessa BR postando! Boa leitura a todos! :)

Olhando para aquela projeção na qual era possível visualizar Tabita, Tavius deteve seus olhos no braço de sua irmã aprisionada. Realmente não era coincidência, pois via ali um corte profundo, do qual ainda saía sangue.

Não pode ser! Será que Mabel estava realmente falando a verdade?

– Isso só pode ser um blefe, sua bruxa suja! – Samira disse enquanto retesava seu arco. – Você acha que vamos cair duas vezes na mesma armadilha?

– Quer fazer o teste? – a líder das bruxas perguntou. – Atire sua flecha e veja com seus próprios olhos.

– E eu farei isso.

Tavius ia deter a amiga e dizer sobre o que tinha descoberto, mas...

... Tarde demais. Samira lançou a flecha, que acertou o ombro esquerdo de uma das criaturas. Imediatamente, viu a reação de Tabita na projeção. Ela sentira a dor no mesmo lugar, no qual apareceu uma mancha de sangue. E, ao mesmo tempo, Tavius sentia a mesmíssima dor no mesmíssimo local.

Ante aquela cena, Mabel deu um sorriso maléfico. O que acabava de ocorrer ali era algo realmente interessante. Após ver a cena e guardar em sua memória o que lhe interessava, ela sumiu com os seus aliados dali, deixando que os demônios cuidassem de tudo.

Samira mal conseguia acreditar no que ocorrera. Ela lançara a flecha em um dos monstrengos e, além de acertá-lo, de tabela atingira Tabita, e Tavius sentia a mesma dor? Isso era surreal demais, era pior do que golpear Servia, e esses golpes serem repassados para Tabita, como já ocorrera antes.

Valery, assim como Mabel fizera, observava atentamente o que estava acontecendo ali. Como superar esse novo obstáculo?

“Essa não...!”, Thales pensou, ao mesmo tempo em que via o que ocorrera com o irmão. “Isso vai ser ainda mais complicado. Eu já esperava uma dificuldade maior, mas não como essa.”

Nisso, os quatro demônios partiram ao ataque, um enfrentando cada oponente ali naquele campo de batalha, sob os olhos atentos de Mabel, Fabian, Soraya e Servia, que assistiam a tudo de longe.

*

Tabita assistia a tudo completamente impotente e sentindo-se mais aniquilada do que nunca. Se livre, pouco tinha a ajudar alguém, presa era incapaz de ajudar até a si mesma.

A flechada que Samira dera contra aquele demônio doera como se ela tivesse recebido diretamente aquele ataque. E os efeitos eram os mesmos: dor e sangramento. Porém, o que mais lhe preocupava não era receber aquele ferimento... Era Tavius sentir a mesma coisa.

Agora, parecia que aquela ligação entre os dois, que se fortalecia cada vez mais, se assemelhava mais a uma maldição do que a uma bênção. Ela não era idiota para não perceber que isso poderia prejudicar aqueles que ela não queria que fossem prejudicados.

Agora ela era o obstáculo para sua própria liberdade, e isso doía em seu pobre e castigado coração. E fazia com que surgissem mais lágrimas amargas em seus olhos. Parecia que eles nunca se secavam... De onde vinham tantas lágrimas?

Assim como Tavius e os outros podiam vê-la, ela podia vê-los nitidamente. E a nitidez não era apenas nas imagens, mas nas expressões de preocupação e de temor daqueles que eram capazes de irem até as últimas consequências apenas para tirá-la daquele tormento horrível.

Mais do que nunca, temia pela vida de todos eles. De Tavius, Thales, Valery, Samira... O que aconteceria com eles? Como eles passariam por esses demônios medonhos?

Aliás, como eles sobreviveriam?

*

Procurava por respostas. Precisava de respostas.

Valery, enquanto mantinha sua postura defensiva, prestava atenção também nos outros combates que se desenrolavam em paralelo ao seu. Precisava estar duplamente atenta naquele momento. Aquela estratégia daquele quarteto de bruxos não deveria ser tão perfeita assim.

Tinha que procurar ali um “furo”, uma falha. Eles não eram invencíveis. E sabia que a “amizade” deles não era lá essas coisas.

Sob o olhar da maga, que se defendia envolvida por uma barreira mágica, os outros três companheiros de jornada e de batalhas procuravam seguir a mesma estratégia, evitando golpear os demônios, a fim de não infligir mais sofrimento àquela que desejavam resgatar.

Thales procurava se defender com seu braço, transmutado em metal e usado como escudo. Por mais que quisesse fazer diferente em sua luta, não tinha como usar um contra-ataque.

Não podia machucar sua irmã de maneira alguma. Ela já sofrera demais para ser morta logo agora, que estavam tão perto...!

Maldito quarteto...! Assim que arranjasse um jeito de se safar daquela situação, o alquimista iria acertar as contas com um integrante em especial...

Samira procurava se defender, esquivando-se de todos os golpes que o seu adversário demoníaco lhe dirigia. Contra-atacar? Nem pensar. O jeito era se manter na defensiva até descobrir algum ponto fraco, por mínimo que seja.

Tavius era o que mais estava tenso com tudo aquilo. Estavam tão perto do objetivo de resgatarem a sua irmã... Mas, ao mesmo tempo, estavam tão longe...!

O espadachim procurava bloquear os golpes das garras daqueles demônios do jeito que conseguia. Naquele momento era inviável qualquer reação e, o que ele menos queria era ferir sua própria irmã. Aliás, era algo que ele jamais faria, acidentalmente ou não. Tabita era uma delicada flor, a qual era cercada de todos os cuidados requeridos por ela.

Sua bela flor fora violentamente arrancada do jardim e, pouco a pouco, se murchava e se aniquilava a cada pisão. Cabia a ele recuperar essa flor e colocá-la de volta ao seu devido lugar, para que ela recuperasse toda a sua beleza e vitalidade.

E Tavius estava determinado a fazer isso a qualquer custo... Antes que Tabita tivesse um destino ainda pior.

No entanto, essa tarefa nunca fora fácil, desde o começo.

A defesa de Tavius acabou se mostrando ineficaz contra o demônio que o atacava. Sendo assim, acabou por receber diversos golpes de suas garras malignas, que foram certeiras e conseguiram derrubar o espadachim no chão.

Ao mesmo tempo, do outro lado da projeção mágica, Tabita começava a exibir os mesmos ferimentos recebidos pelo irmão.

Enquanto Tavius via, assombrado, o que ocorrera com sua irmã, Valery procurava manter seu sangue frio e observar todo o desenrolar daquele combate ao mesmo tempo em que procurava se defender.

Porém, a maga não era a única a observar esse ocorrido no combate.

Ao longe, Mabel observava atentamente os dois lados. Ainda mais que aquela ligação entre o mongo do Tavius e a mimadinha da Tabita não estava em seus planos – apesar de ser algo muito providencial.

Tão providencial que isso poderia se tornar um trunfo para, caso eles passassem por aqueles demônios, usar contra aquele quarteto... Embora tivesse sérias dúvidas quanto à capacidade de eles superarem esse novo obstáculo.

*

Novas manchas de sangue surgiam em suas vestes esfarrapadas, bem como hematomas de ferimentos provenientes de golpes recebidos pelo seu irmão. aquela situação estava cada vez mais insuportável para Tabita, que agora apenas queria que a luta parasse de qualquer maneira.

Se fosse ela a única a sofrer, tudo bem, mas Tavius estava praticamente compartilhando da mesma situação que ela. Isso apenas piorava ainda mais as coisas. As lágrimas escapavam mais uma vez de seus olhos, mas não as derramava por conta de sua dor.

Suas amargas lágrimas eram derramadas por Tavius. Não queria que ele morresse para tentar salvá-la. Mas a única coisa que podia fazer naquele momento era apenas murmurar:

– Tavius, por favor... Resista...!

*

O plano era perfeito... Perfeito até demais!

Thales via sua confiança se esvair em questão de minutos, bem como via que os demais também estavam menos confiantes. Aquele plano do quarteto maldito fora perfeito, aparentemente sem qualquer margem a erros.

E a ligação entre Tavius e Tabita agora passava a ser extremamente perigosa. Era um risco duplo à vida dos dois. Como deter isso? Como evitar o pior?

Correu para procurar defender o irmão de mais um golpe, a fim de evitar que as duas pessoas mais importantes de sua vida corressem ainda mais risco. Valery e Samira fizeram o mesmo movimento, juntando-se ao alquimista para montar uma “barreira humana”, a fim de evitar que Tavius fosse novamente atingido.

No entanto, de nada adiantou esse esforço... Pois três demônios conseguiam romper as defesas de Valery, Thales e Samira com facilidade, golpeando-os em seguida com suas garras afiadas. Isso apenas serviu para abrir caminho para que o quarto demônio, o mais poderoso, chegasse até Tavius, ainda debilitado pelos ataques anteriores.

Ele tentou se defender, brandindo sua espada, mas foi em vão. A criatura conseguiu desarmá-lo e jogar sua espada para longe. E, com um único golpe, infligiu mais um sério ferimento no espadachim, que deixou escapar um urro de dor, ao mesmo tempo em que ouvia Tabita urrar de dor ao mesmo tempo. Após isso, Tavius caiu desacordado, para desespero de seus companheiros.

– Essa não...! – Valery resumiu o sentimento geral. – Está tudo perdido...!