Uma Jornada Ao Resgate
49 Sangue Derramado
Notas iniciais
Valery não se surpreende nem um pouco ao ouvir as palavras de Tavius, pois, conhecendo bem o amigo como ela conhece, sabe perfeitamente bem que ele é capaz de tudo para salvar a irmã. E, não adianta nem tentar convencer ele do contrário, pois, quando ele coloca algo em sua cabeça, dificilmente muda de ideia, principalmente no que se refere a Tabita.
Mas, pensando bem... Até que isso pode dar certo. Olha para Thales e o amigo faz um gesto afirmativo com a cabeça, dando mais confiança a maga.
– Certo, Tavius. – fala a maga – Você está ciente de que existem chances dessa magia não dar certo? O que eu vou fazer é algo que nunca, em toda a minha vida, me imaginei sendo capaz de fazer. Eu vou fazer magia das trevas, uma coisa que eu abomino por completo. Mas pela Tabita, eu vou fazer! O carinho que eu sinto por ela vale mais do que qualquer outra coisa!
– Eu confio em você, Valery. – a voz de Tavius soa tranquila, sem um pingo de medo – Vai dar tudo certo.
– Obrigada. – agradece a amiga.
– Muito bem, Thales, qual o plano? – questiona Samira.
Thales sorri, enquanto começa a contar para as amigas tudo o que pensou para este ousado plano que tem em mente.
***
Na solidão de seu fétido cativeiro, Tabita acaba de ver, novamente pelos olhos de seu irmão, que o quarteto deixou o local onde estavam, como sorrisos confiantes em seus lábios.
Ver o sorriso daqueles que mais ama faz com que um tímido e discreto sorriso cruze seus lábios, pois sabe exatamente para onde eles estão se dirigindo.
Não entende porque, mas, tem quase certeza de que seu tormento pode estar perto de chegar ao fim.
Desde o maldito dia em que fora sequestrada, nunca antes sentiu Tavius tão perto de si... Nunca antes sentiu uma força em seu coração até antes desconhecida, mas que sabe perfeitamente bem que pertence a Tavius.
– Tavius... Será que está realmente perto o dia em que você finalmente irá me salvar...?
***
Através da projeção criada por magia, Mabel, Soraya, Servia e Fabian olham para o quarteto, que, passo a passo, andam determinados em direção a casa que os quatro não se importam mais em esconder.
A esta altura do campeonato, não faz mais sentido esconderem a casa pois, o panaca do Tavius e seus amiguinhos de araque já a encontraram. Agora, no momento, o mais importante é ver a destruição definitiva dos quatro e, Mabel tem certeza de que seus poderosos demônios serão capazes de dar conta do recado, e muito bem pois, o maior ponto forte de seu plano é justamente o fato de ter usado magia de sangue para unir a vida das criaturas a vida da mimadinha, impossibilitando os quatro patetas de fazerem qualquer mal a seus preciosos bebês.
– Eles estão vindo para a morte. – comenta Servia, tirando Mabel de seus pensamentos.
– Deixe-os vir. – fala Soraya, com um sorriso irônico – Isso vai ser apenas suicídio.
– E nós vamos nos divertir bastante com isso. – fala Fabian – Principalmente porque o meu amorzinho vai estar assistindo a tudo sem poder fazer nada.
– Mesmo se ela pudesse, ela jamais faria. – zomba a mais sádica das bruxas – Tudo o que aquela coisinha inútil sabe fazer é chorar.
– O maldito do pai dela deve estar arrependido lá no inferno por ter criado uma filha tão babaca e inútil. – diz Soraya.
– Aquele velho ainda tem muito do que se arrepender lá no inferno. – comenta Mabel – Porque ele não me pagou nem metade do que me deve. E, a mimadinha dele é o preço que aquele idiota está pagando, por ter tido a ousadia de me desafiar! Tavius e Thales nunca mais terão a irmãzinha querida deles de volta, e darei aquela mimadinha os cadáveres dos dois como um presente do meu triunfo!
***
Thales caminha a frente, seguido por Tavius, Samira e Valery. Os quatro dispostos a colocarem um fim de uma vez por todas nos malditos demônios evocados por Mabel, e que tem suas vidas ligadas a vida de Tabita através de uma perigosa magia de sangue.
Em sua mente, o alquimista repassa todos os detalhes do ousado plano que bolou, cujo principal objetivo é quebrar a ligação que essas malditas criaturas tem com a sua irmã. Será uma tarefa dura e precisarão de um trabalho em equipe, cada um sabendo exatamente o que tem que fazer.
E, se tudo correr como ele espera que corra, no momento certo Valery usará seu sangue e o de Tavius para conjurar uma nova magia de sangue, e assim poderão lutar com todas as suas forças contra aqueles malditos demônios, sem terem que se preocupar em ferir a Tabita através de ferimentos causados a eles.
Não demoraram nada e lá estavam eles, de volta a cabana em que Tabita é mantida prisioneira.
– E cá estamos de novo. – a voz de Samira soa confiante.
Mal a arqueira termina de falar, e os quatro demônios surgem poderosos na frente dos quatro. Atrás deles, Mabel, Soraya, Servia e Fabian sorriem vitoriosos atrás das criaturas.
– Vieram de encontro a morte, queridinhos? – ironiza Servia.
– Só se for pra ver a morte de vocês! – rebate Samira.
– Como se os quatro idiotas fossem capazes de fazer tamanha proeza.
– Veremos se não. – é a vez de Valery falar.
– E você, Tavius, não vai falar nada? – provoca Mabel – Onde é que está toda a sua coragem?
Tavius se controla para não perder a calma, pois sabe que precisa se controlar se quiser realmente ter alguma chance de salvar a sua irmã. Não chegou assim tão longe para perder agora, e, após derrotar esses malditos demônios, mostrará a Mabel todo o seu poder!
Sem perder tempo, Mabel cria uma projeção no céu, para que o quarteto possa ver Tabita em seu sofrimento, ao mesmo tempo em que os quatro demônios partem para atacar o grupo de Tavius com todo o seu poder.
Ver sua irmã tão fraca, acorrentada, faz a determinação de Tavius aumentar e, com um olhar, fala a Thales, Samira e Valery que está na hora de levar o plano adiante.
Os quatro se separam fingindo tentar passar pelos demônios. Samira pega uma flecha e erra o alvo propositalmente, enquanto Tavius e Thales desembainham suas espadas ao mesmo tempo, fiando frente a frente com duas das criaturas. Valery invoca seus poderes, e seus olhos brilham com o azul característico de quando usa sua magia e, quando isso acontece, a maga cria um escudo invisível, a fim de prender os quatro demônios para o que está prestes a fazer.
Thales percebe que é chegado o momento e faz sinal para Tavius. Os irmãos, ao mesmo tempo, erguem suas espadas e cortam seus próprios pulsos e o sangue dos dois irmãos começa a jorrar.
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