Notas iniciais
Vanessa BR de volta, com mais um capítulo de "Uma jornada ao resgate"! Espero que gostem e boa leitura!

– Essa não! – Valery disse olhando para o alto. – Precisamos tirar a Samira deles e cair fora rápido, senão viramos churrasquinho!

– E você acha que eu não tô preocupado com isso? – Tavius também olhava para o alto. – Não vou me perdoar se acontecer algo com ela. Já chega a Tabita sofrendo.

– Calminha aí, Tavius, vamos pensar numa forma de tirar a Samira dessa encrenca.

– E já tem alguma ideia?

– Bem... Até agora não me ocorreu nenhuma ideia além de tentar distrair o dragão que tá com a Samira.

– Como não tenho uma ideia melhor, então vamos botar essa em prática mesmo. Aliás, como vamos fazer isso e resgatar a Samira?

– Vou chamar a atenção dele e você o golpeia. É arriscado, mas podemos ter alguma chance daquela árvore ali.

Os dois saíram correndo rumo à grande árvore apontada pela maga, esquivando-se das chamas lançadas pelos dragões, que queimavam todo o local, gerando um calor que aumentava mais e mais.

Enquanto isso, no ar, Samira tentava de todas as formas se soltar das garras do dragão verde. Tentou de todas as formas fazer isso, até deixando cair seu arco. Tentou cravar uma flecha na pata do dragão, mas ele tinha escamas muito resistentes. Precisaria de força a mais para penetrar ali e ferir.

No entanto, as garras penetravam mais e mais em seu ombro esquerdo, começando a furar sua pele e provocando muita dor, além de perceber que o local estava úmido. Sentiu que ali começava a sangrar, e muito.

– Você ainda vai me pagar por isso, lagartão! – ela disse em meio à dor.

Enquanto isso, após atravessarem alguns focos de incêndio causados pelos dragões, Valery e Tavius conseguiram subir na maior árvore que havia ali. Ambos conseguiram chegar ao ponto mais alto possível. A maga lançou seu ataque favorito para chamar a atenção do dragão.

– TRANCU!*

A magia de ventos cortantes, como esperado, chamou a atenção da criatura, que, junto com mais dois dragões, aproximava-se de onde estavam os dois amigos a toda velocidade. Tavius desembainhou a espada, pronto para o ataque. Valery, com os olhos brilhando de azul, disse:

– Isso mesmo, lagartixa supercrescida! Vem aqui pra mamãe!

*

Mais uma sessão de tortura se encerra. Mais gotas de sangue manchavam ainda mais o vestido de Tabita e pingavam pelo chão sujo do cômodo escuro e malcheiroso. Seu corpo estava praticamente inerte, mais uma vez desmaiado.

Diante de mais um desmaio de Tabita, Servia viu que sua diversão havia acabado. As sessões se tornavam cada vez mais curtas devido à pouca resistência da refém. Após contemplar a sua vítima inconsciente, deixou o local e o trancou mais uma vez.

Mesmo inconsciente Tabita ainda sonhava com aquela visão que fora proporcionada por suas raptoras. Tudo parecia tão real... Será que era? Por mais que a convencessem de que era real, algo lá dentro de si tentava dizer que não era bem assim.

Mas as imagens daquela visão ainda eram dolorosas. Será que realmente nenhum dos três se importava com ela? Pelo jeito era isso. Teriam desistido dela.

– Eu quero morrer... – murmurou após voltar a si. – Por que não me matam logo...?

*

O dragão verde foi logo o primeiro a avançar, já com a boca aberta para lançar as chamas contra Tavius e Valery naquela árvore.

– VOCÊS ESTÃO MALUCOS? – Samira berrou. – NÃO SE PREOCUPEM COMIGO!

Valery ignorou Samira e invocou a magia para a espada de Tavius:

– Fortoj de lumo, ci klingon farigu instrumento kontrau la mallumo!**

Mais uma vez, a lâmina da espada de Tavius ficou com a cor azul. O espadachim aguardou o momento oportuno para atacar, enquanto Valery desembainhava a sua espada para qualquer eventualidade. Invocou a mesma magia para ela e também se preparou.

O dragão verde deu um rasante, aproximando-se da árvore. Tavius deu impulso no galho onde estava, certificando-se de que era forte o bastante para suportar seu peso. Após perceber que daria para o que pretendia fazer, começou a balançar o galho como se estivesse em um trampolim.

Os outros dois dragões – o alaranjado e o azul – deram voos rasantes semelhantes e dispararam bolas de fogo contra aquela árvore.

– Isso é loucura, gente! – Samira disse. – Parem com isso...!

No entanto, uma nova invocação foi ouvida:

– Protekto!***

Uma redoma apareceu em volta da árvore e de seus dois ocupantes. Tavius continuava a ganhar impulso no galho, aguardando só o momento oportuno. O dragão, que tinha Samira ainda presa por suas garras, aproximou-se da proteção. Valery a abriu, lançando sua espada contra o dragão que se aproximava e que se desestabilizou por uns segundos.

– AGORA, TAVIUS!!

O espadachim logo deu um impulso ainda maior, dando um grande salto já com a espada apontada para atacar. Um berro anunciou o ataque, que foi feito cravando a espada nas costas da criatura que urrou de dor e automaticamente afrouxou as garras.

Samira agora estava em queda livre, temendo esborrachar-se a qualquer momento no chão.

– Se alguém quiser me salvar, essa é a hora, porque eu não sei voar...!

*

As bruxas viam em uma projeção o esforço do trio para escaparem dos dragões enviados por Mabel, que estava satisfeita com o desempenho deles, mesmo com o golpe recebido pelo dragão verde.

– Eles não têm chance. – disse. – Mesmo que tentem escapar de um, não escaparão dos outros.

– Uma pena que a mimadinha já tenha perdido as esperanças – Soraya opinou. – Seria divertido ver a reação dela ao ver aqueles três perdendo.

– Mas aí ela não imploraria pela morte do jeito que gostamos. – Servia contestou. – E convenhamos que com isso o Lorde Harrison está se revirando na sepultura com o que estamos fazendo com o “tesouro” dele...! E nem imagina que o “castigo” dele ainda está longe de terminar!

– Verdade. – a líder do trio afirmou. – O “castigo” está muito longe do fim.

Após isso, as três gargalharam juntas e, contando com a enorme chance de os dragões acabarem com Tavius e os outros, desfizeram a projeção.

*

Samira estava vendo seu maior temor no momento se tornar realidade, pois estava em queda livre e iria se colidir com o chão. Iria, se um empurrão de último instante não a jogasse por cima de um grande arbusto ainda não atingido pelas chamas lançadas pelos dragões, que começavam a consumir a vegetação.

– Ai...! – a arqueira gemeu. – Não quero mais uma aterrissagem dessas...!

– Nem eu...! – Valery disse.

Não houve tempo para conversa, Tavius logo despencou no mesmo local que as outras duas. Em seguida, sentiram um calor muito forte se aproximando por ali. Os dragões descobriram que o trio tivera uma aterrissagem nada suave e se aproximavam lançando chamas sem parar, chamas essas que consumiam todo o lugar.

O calor estava infernal, não havia como ficarem por ali. Teriam que sair logo se quisessem continuar vivos. No entanto, não havia saída para os três. Estavam completamente cercados pelo fogo, cujas línguas abrasadoras se aproximavam rápida e vorazmente.

– Alguém tem uma ideia de como sairmos daqui, de preferência, inteiros? – Tavius perguntou.

Notas finais
* “Cortar!” ** “Forças da luz, transformem esta lâmina em instrumento contra as trevas!” *** “Proteção!” Continua...