Uma Jornada Ao Resgate
36 O Segredo de Thales
Notas iniciais
– THALES NÃO!!!! – o grito de Tabita é desesperador, para o puro deleite de seus torturadores.
– O que foi, mimadinha? – Servia sorri em triunfo ao mesmo tempo em que dá uma forte bofetada no rosto ensanguentado da refém – Não foi você quem disse que o alquimistazinho de araque não iria sucumbir ante o nosso poder?
Tabita não encontra forças para responder, seus olhos encharcados de lágrimas perdem totalmente a esperança, mais uma vez...
– E então, tolinha? – ironiza Mabel – Não vai responder?
– O Thales não morreu...! – a refém chora de forma desesperada – Não morreu...! Não morreu...!
– Aceite os fatos, queridinha. – Servia fala satisfeita – Ninguém será capaz de salvá-la de nós!
As lágrimas de desespero não param de cair sobre o rosto da jovem mulher, enquanto vê seu irmãos inconsciente e os mortos triunfarem.
Mais uma vez, é obrigada a ver aqueles que ama sucumbirem da forma mais cruel possível na tentativa de tirá-la das garras deste quarteto maldito...
Por que sua esperança tem que durar tão pouco...? Por que tivera tão pouco tempo para se sentir feliz ao descobrir que seu querido irmão Thales está vivo...? Por que...? Por que...? Tavius... Thales... Samira... Valery... Todos eles vem sofrendo tanto, e tudo isto por sua culpa...
Por que tem que passar por tanto sofrimento se não fez nada de ruim...? Sente que já está chegando a seu limite... Que, muito em breve, não conseguirá mais suportar as torturas as quais é submetida sem piedade.
Sente que não tardará a cair... Assim como vêm acontecendo com aqueles que mais ama neste mundo...
***
Thales ainda permanece caído no chão, com seus olhos fechados e aparentemente inconsciente. As criaturas mortas, ao perceberem que conseguiram seu objetivo, começam a sair em fila indiana, abandonando aquela parte do labirinto e deixando o homem ferido caído no chão.
O moreno permanece caído por uns cinco minutos, e após este tempo, abre os olhos bem discretamente e, percebendo que os mortos não estão mais ali, sorri de forma discreta e se levanta.
O sorriso em seu rosto aumenta ao se lembrar de sua perigosa estratégia, aquelas malditas bruxas e o maldito Fabian podem mandar o exército de mortos que quiserem, pois, a ele, não farão nenhum mal.
Por sorte, sua perigosa estratégia dera certo, pois um pequeno passo em falso... Um pequeno descuido... Um pequeno erro em sua transmutação e, além do plano falhar, acabaria seriamente machucado.
No último instante, quando estava quase para ser obliterado pelos mortos, conseguiu transmutar um escudo por baixo de sua camisa, protegendo-o do ataque fatal. Um segundo e todo o seu arriscado plano seria colocado a perder....
Um segundo, e desta vez poderia mesmo ter sido tarde demais...
– Com este truque vocês jamais serão capazes de me matar, suas bruxas malditas! – o homem sussurra para si mesmo.
Para sua sorte e azar daquele quarteto maldito, sabe como vencer as criaturas que não estão vivas. Este truque irá requerer muita energia e até um pouco de seu próprio sangue, mas, terá o poder necessário pra acabar de uma vez por todas com estes mortos. E então, o próximo passo será acabar com o labirinto.
Agora, o próximo passo é fazer com que Tavius, Samira e Valery o encontre. Sabe que, muito provavelmente os três estão feridos em algum lugar do labirinto mas, precisará da ajuda dos três se quiser obliterar todos os mortos de uma só vez.
Se aproxima de uma das paredes do labirinto e, usando sua espada, começa a desenhar um estranho símbolo na mesma. Em seguida, encosta a palma de sua mão no desenho, que começa a brilhar em um tom azulado, que vai se espalhando por todo o labirinto. Com sorte, seu irmão e suas amigas irão seguir a luz até encontra-lo.
***
Tavius reúne todas as suas forças para conseguir se manter de pé, sentindo-se, novamente, totalmente humilhado pelo enorme poder daquelas malditas bruxas e também de Fabian, que não poupam esforços para destruí-lo de qualquer forma.
Lágrimas de humilhação chegam a seus olhos e não tem condições de segurá-la, pois, a cada dia que passa se percebe incapaz de salvar sua irmã das garras daquele quarteto maligno.
E, só de pensar o que Tabita deve estar sofrendo neste exato momento nas mãos daquelas malignas, mais seu ódio aumenta.
– Estas malditas ainda irão me pagar! E vão pagar caro!
Pega sua espada que está caída no chão e olha fixamente para a lâmina, pensando no momento em que irá cravá-la diretamente no coração de uma certa bruxa. Esta maldita bruxa em particular, quer matar com suas próprias mãos!
Irá fazer com que ela pague caro por tudo o que vêm fazendo sua doce irmã sofrer, e por todas as humilhações que vêm lhe causando desde que ela sequestrara sua irmã. Para ela, não haverá perdão de sua parte. E isto, é uma promessa que faz para si mesmo!
Mas, infelizmente, antes de tentar chegar a esta maldita bruxa, precisa encontrar uma forma de mandar para o inferno estes malditos mortos que seus inimigos conjuraram. Olha para o céu, onde as paredes do maldito labirinto parecem se erguer infinitamente, pensando que, infelizmente, não consegue pensar em nada para se livrar desta encrenca e poder continuar sua busca por sua irmã.
De repente, um brilho de uma azul intenso através das paredes do labirinto chama sua atenção, um brilho que parece lhe indicar um caminho. Imediatamente, reconhece a quem pertence este poder.
– Thales.
Um discreto sorriso curva os lábios do espadachim, enquanto segue na direção em que a luz enviada por seu irmão aponta.
***
Valery reúne todas as suas forças para conseguir se levantar após este duro golpe recebido do exército de mortos mandados por seus inimigos, a raiva a consumindo por completo. Raiva e um sentimento de completa impotência por não ter conseguido fazer praticamente nada contra todos aqueles mortos!
Como uma coisa dessas podia acontecer? Como não fora capaz de fazer um único arranhão naquelas criaturas? Usou o máximo que seus poderes lhe permitiram e mesmo assim não conseguira praticamente nada contra aqueles malditos seres mortos!
Mas, seu otimismo não a deixa se levar pela dor desta amarga derrota pois, em seu íntimo, tem a mais absoluta das certezas de que a hora da revanche vai chegar! Ainda chegará o momento em que ela, Samira, Tavius e Thales enfrentarão cara a cara aquele quarteto de seres asquerosos e então ela usará todo seu poder contra uma certa bruxa.
– Quem ri por último ri melhor suas malditas!
Ainda não sabe como vencer os mortos, a única coisa que sabe é que, precisa se encontrar com seus amigos, não convém que fiquem separados por muito tempo neste perigoso labirinto da morte.
Sua mente ainda está trabalhando nisso quando vê um forte brilho azulado vindo das paredes do labirinto, lhe indicando uma direção. Sorri, pois conhece o poder de um alquimista quando o vê.
Sem pensar duas vezes, começa a correr em direção ao caminho que o poder de Thales lhe aponta.
***
Samira está andando em círculos, tentando encontrar uma saída deste maldito labirinto enquanto tem um das mãos no ferimento mais profundo que recebera do exército de mortos, em uma tentativa inútil de tentar aliviar um pouco a dor.
Por mais que ande, não consegue encontrar uma saída e sempre parece voltar para o mesmo lugar, o que só faz com que sua raiva aumente ainda mais! Quer pegar uma daquelas malditas bruxas e estrangulá-la até deixa-la sem ar! Quer cravar no fundo do coração da maldita bruxa sua melhor flecha com todas as suas forças, uma vingança contra tudo o que essas malditas estão fazendo a Tabita sofrer!
Para ter certeza de que não está andando em círculos, tira de sua aljava uma flecha e com a ponta dela faz o desenho de um “x” no chão, para então guardar a flecha e voltar a andar pelo labirinto das trevas. Faz voltas e mais voltas sem conseguir encontrar a saída e, quando cansada olha para o chão vê desenhado a marca que deixou, o que só serve para deixá-la ainda mais frustrada.
– Mas que droga! Como é que eu vou encontrar a saída assim?
Suas preces parecem ser atendidas quando vê uma forte e intensa luz azul brilhar através das paredes do labirinto, lhe indicando um caminho.
– Maravilha!
E começa a seguir a trilha que lhe é indicada!
***
Mabel, Soraya, Servia e Fabian deixam o cativeiro de Tabita com sorrisos triunfantes em seus rostos após verem os quatro patetas serem, um a um, derrotados por seu exército de criaturas mortas.
Com seus olhos encharcados por lágrimas e seu corpo tomado pela exaustão a jovem refém contempla perdida a escuridão do local a que está confinada, perdendo praticamente todas as suas esperanças ao também ver Thales sucumbir ante o grande poder daquelas criaturas horrendas enviadas por seus torturadores.
Mais uma vez, sente suas esperanças sendo ruídas e levadas pelo vento e, não consegue enxergar qualquer chance, por menor que seja, de ter alguma libertação... Talvez, para ela, a única chance que realmente tem de se libertar é morte... Porque, ao que tudo indica, Tavius, Samira, Valery e até mesmo Thales não serão capazes de libertá-la de seus sequestradores...
***
Thales está esperando pacientemente a chegada de seu irmão e suas amigas, pois, tem certeza de que eles souberam reconhecer ser sinal e que não tardarão a se reunirem a ele. Precisam unir suas forças para acabar de uma vez por todas com estes malditos mortos e felizmente ele sabe como fazê-lo, para sua sorte e azar daquelas bruxas malditas e de Fabian.
Quando chegar o momento, fará questão de matar Fabian com suas próprias mãos e fazê-lo pagar caro por todo mal que vem causando a sua irmã. Fecha os olhos e a imagem de Tabita lhe vem a mente, reforçando ainda mais seu intenso desejo de salvar sua irmã.
Escuta passos e imediatamente se coloca em guarda, mas, relaxa ao perceber que são Tavius, Samira e Valery.
– Sabia que era você! – Tavius fala ao ver o irmão – Reconheço sua alquimia de longe.
Thales sorri em resposta a afirmação do irmão.
Samira olha para Thales e, percebe que o amigo não possui muitos ferimentos, ao contrário dela, de Valery e Tavius, que estão literalmente em pedaços depois de uma amarga derrota contra os mortos, o que a faz ter certeza de uma coisa, ou Thales conseguiu fugir das criaturas, ou ele sabe como derrotar as criaturas mortas e, sua intuição lhe diz que a resposta certa é a segunda opção.
– Thales. – a arqueira decide ir direto ao ponto – Posso estar enganada, mas você me parece bem mais inteiro do que nós.
– Ao contrário de vocês, eu já enfrentei estas criaturas antes. – afirma Thales – Foram elas que quase me mataram, e passei todo este tempo desaparecido me recuperando dos danos mortais que elas me causaram.
– Eu sabia! – fala Samira sem pensar duas vezes – Então nos conte como é que se faz pra derrotar esses monstros dos infernos!
– Acho melhor eu usar minha magia de cura para nos recuperarmos de nossos ferimentos primeiro. – sugere Valery.
– Bem pensado. – concorda Tavius – Porque tenho a impressão de que a história de Thales não será nada pequena.
***
Mabel, Soraya, Servia e Fabian têm sorrisos satisfeitos e confiantes em seus rostos e, apesar da surpresa inicial e desagradável do maldito Thales ter sobrevivido a seu ataque, desta vez, como viram através de sua magia, o idiota não teve como escapar, assim como o irmão dele e as duas maltrapilhas de araque.
– Parece que desta vez nós finalmente vencemos. – começa Soraya.
– E passou mesmo pela sua cabeça que nós não iríamos vencer? – ironiza Mabel – Aqueles idiotas podem ser persistentes, mas nem de longe são imortais. Cedo ou tarde eles acabariam caindo.
– E o melhor de tudo isso é ver a cara daquela mimadinha vendo um a um, os irmãos e as amigas caírem ante o nosso grande poder. – sorri Servia.
– Minha “noivinha” ficou tão decepcionada ao perceber que nem o “grande Thales” foi capaz de vencer nosso exército de mortos. – zomba Fabian – A decepção da tolinha foi tão grande que dispensou até mesmo uma sessão de brincadeiras da Servia.
– Seu amorzinho? – zomba Servia – Fabian, pensei que você tivesse um gosto melhor para mulheres.
O homem se aproxima de Servia em um abraço bastante íntimo, para o deleite da bruxa sádica.
– Você sabe que eu me interesso mesmo são pelas malvadas, Servia. – a voz do homem é de pura maldade – As tolinhas, idiotas e mimadinhas servem apenas para a nossa diversão.
– E não há nada melhor do que ver o sofrimento da “princesinha” que temos em nosso poder. – Servia exibe um sorriso sádico.
***
– Pode começar a contar, Thales. – pede Samira.
– Como eu já disse, a história e um pouco longa. – fala Thales, se se encostando a uma das paredes do labirinto da morte – E o mais importante é que vocês entendam que não fiquei tanto tempo sumido porque gosto de brincar de esconde-esconde, mas porque estive a beira da morte por conta de criaturas como estas que vamos enfrentar.
– Compreendo. – diz Thales, com os pensamentos fixos em sua irmã – Mas o que exatamente aconteceu?
– Quando nosso pai ainda era vivo, começou a desconfiar de que aquelas três mulheres praticavam artes das trevas, é claro que, na época, ainda não fazia ideia de que Fabian não era nada daquilo que aparentava ser. Então ele me pediu que investigasse aquelas três, e eu disse a você e a Tabita que sairia em uma viagem para que ninguém desconfiasse da verdade, pois, se as suspeitas de nosso pai se confirmassem, coisas ruins viriam a acontecer com nossa família, como de fato vieram a acontecer. Fiquei semanas no rastro das três sem que elas percebessem, e, neste tempo, não consegui descobri nada. Neste meio tempo, estava a ponto de desistir, voltar e dizer a nosso pai que não havia nada de errado com aquelas três.
– E, suponho que como você nunca retornou, não foi isso que aconteceu. – deduz Valery.
– Exatamente...
***
Meses antes...
Thales anda com sua espada em mãos pela floresta em plena madrugada, cansado após longas semanas de investigações sem sucesso. Não vê a hora de voltar para casa e contar a seu pai que não obteve sucesso, que suas suspeitas são infundadas e que aquelas três mulheres não praticam as artes das trevas.
Nuvens pesadas cobrem o céu noturno e homem percebe que começará a chover em breve, decide então procurar algum abrigo para passar a noite, antes que a chuva comece a cair.
Não demora muito e encontra o lugar perfeito, uma cabana praticamente escondida no meio do nada. Acha-se tão sortudo por encontrar um local para passar a noite e se proteger da chuva que nem ao menos acha estranho encontrar uma cabana escondida em um dos locais mais profundos e escondidos da floresta.
Sem pensar duas vezes, entra na cabana no mesmo instante em que os primeiros pingos grossos de chuva começam a cair. A cabana está na mais completa escuridão e, não encontra nem ao menos uma vela para ascender e iluminar um pouco o ambiente, tendo que permanecer no escuro.
Permanece sozinho durante algumas horas, fechando os olhos sem realmente conseguir dormir e, quando está quase pegando no sono, o som de passos acaba por despertá-lo por completo. Seu sexto sentido lhe diz para se esconder e, em questão de segundos, esconde-se atrás de uma das paredes da cabana no mesmo momento em que a porta da cabana se abre e entram quatro pessoas que, devido à escuridão, não consegue identificar.
De repente, um brilho roxo vindo do olhar de uma dessas pessoas faz com que a cabana misteriosamente se ilumine e, Thales não se surpreende ao ver Mabel, Soraya e Servia, porém, sua surpresa é ver o quarto integrante do grupo, Fabian. No momento em que vê o homem, sua intuição lhe diz que está para descobrir algo grande e que deve permanecer escondido.
– Como andam as coisas com a filha de Lorde Harrison? – pergunta Soraya.
– Enganar aquela ingênua é fácil demais. – comenta Fabian – Meia dúzia de palavras bonitas e de “eu te amo” e algumas juras de amor e a princesinha de Lorde Harrison está a meus pés.
– Ótimo. – fala Mabel – Porque o idiota do pai dela continua desconfiado de que praticamos magia das trevas, e, se ele conseguir provar, o que eu acho muito difícil, vamos levar a princesinha dele, para que ele aprenda de uma vez por todas que conosco não se brinca!
Thales sente o ódio tomar conta de si ao ouvir as palavras de Mabel, e a vontade que tem é de se revelar no mesmo instante e dizer que elas e o maldito traidor jamais conseguirão fazer mal algum a sua irmã! Mas, sabe que no momento é inapropriado se revelar e que o mais sábio é continuar escondido para que possa escutar a conversa e descobrir mais sobre os planos do quarteto maldito.
– E você acha mesmo que aquele Lorde vai conseguir provar alguma coisa? – zomba Servia – Façam-me o favor, o homem já é um velho! Os dois filhos são uns panacas! Um gosta de brincar de alquimista e o outro se acha o melhor espadachim do mundo? E o que dizer da filha do velhote? Uma mulher totalmente inútil, que não serve para absolutamente nada e que é super protegida pelos babacas dor irmãos. Por que aquilo é tão importante para o Lorde nojento?
– Porque a Tabita é a imagem da esposa do homem, que morreu ao dar à luz a menina. – responde Fabian com asco em sua voz.
– De qualquer forma, não pretendo deixar que o velhote viva por muito tempo. – continua Mabel – Soube que o homem mandou Thales nos investigar. Não que o projeto de alquimista seja capaz de descobrir algo a nosso respeito, naquela família só existem tapados. Mas, de toda forma, é melhor nos prevenirmos e nos livrarmos do velho de uma vez por todas.
Fabian começa a olhar em volta da cabana, sente que algo ali está errado, que não estão sozinhos. Fecha seus olhos por uns cinco minutos, e, um estranho brilho roxo envolve em seu corpo, quando torna a abrir os olhos, um sorriso extremamente cruel toma conta de sua face.
– Este é mais idiota do que pensei. – comenta Fabian.
– Do que está falando? – questiona Soraya.
– De que nós não estamos sozinhos, meu bem. – continua o homem com seu sorriso cruel – Não é mesmo, Thales?
Sem alternativa, Thales é obrigado a sair de seu esconderijo e revelar sua presença, para o deleite de Fabian que o encara com o mais cruel dos sorrisos. O alquimista pega sua espada e se prepara para um combate iminente.
– Mas olhem só quem está aqui. – a voz de Mabel se faz ouvir – Se não é o alquimistazinho de araque.
– Preparado para morrer, idiota? – Servia pergunta de forma sádica.
Thales olha para sua espada, onde um pequeno círculo de transmutação está desenhado. Já que não tem alternativa, lutará contra os quatro ao mesmo tempo, e impedirá que essas malditas, junto com Fabian consigam o que querem.
– Se acham que vão me vencer estão redondamente enganadas! – anuncia o alquimista.
Fabian sorri em desdém, achando as palavras de seu “cunhado” as mais patéticas que já ouviu em toda a sua vida.
– Meu caro Thales. – o tom de voz de Fabian muda totalmente, tornando-se sombrio – Suas palavras são as mais tolas que já ouvi na vida. Foi um prazer conhecê-lo, cunhadinho, pois você vai para o inferno muito em breve. Mas não se preocupe, em breve mandaremos seu pai para lá, e os dois poderão assistir juntos todo o tormento que causaremos ao meu amorzinho!
Com seu olhar, Fabian faz um sinal para Mabel, Soraya e Servia, e, os quatro ao mesmo tempo cortam seus dedos, deixando que várias gotas de sangue caiam no chão enquanto murmuram palavras em um idioma totalmente desconhecido para Thales. E, para surpresa e espanto do alquimista, criaturas mortas começam a brotar do chão, fazendo com que Thales fique sem reação.
Decidindo partir para a ofensiva, Thales usa sua espada e dá um poderoso golpe em um dos mortos, cortando-o ao meio, mas, para sua surpresa, a criatura se refaz no mesmo instante, e corta seu abdômen com as garras mortas é fétidas. O alquimista sente a dor no local de seu ferimento, mas, continua a lutar contra as criaturas que não estão vivas que se regeneram com a mesma velocidade que Thales as corta, e parecem se tornar mais fortes, todas as vezes que se regeneram.
Totalmente em desvantagem, Thales começa a receber mais e mais golpes das criaturas e, infelizmente, não vê alternativa a não ser fugir do local e tentar salvar sua vida. Aproxima-se da parede da cabana e encosta a lâmina de sua espada nela, um brilho azul sai do círculo desenhado em sua arma, e, no mesmo instante, Thales transmuta a parede em pó, e corre em seguida, sendo seguido pelo exército de mortos.
Fraco, não consegue ir muito longe e é cercado por três dúzias das criaturas inimigas, que começam a ataca-lo ao mesmo tempo. Thales tenta reagir, mas para cada golpe que consegue acertas nas criaturas, recebe cinco de volta.
Sem forças, o alquimista caí inconsciente no chão, certo de que chegou o seu fim, e de que não conseguirá salvar sua família do destino cruel que os aguarda. Com um sorriso triunfante em seus lábios, Servia se aproxima do corpo inconsciente de Thales, tenta sentir sua pulsação em vão, deduzindo que o homem já está morto. Com toda a sua força, chuta o corpo inconsciente do alquimista, que caí longe, seu sangue se misturando as grossas gotas de chuva que não param de cair.
– Podem comer o corpo dele. – Servia ordena a seus mortos, sumindo em seguida.
As criaturas sem vida continuam a se aproximar do corpo de Thales e, quando estão prestes a dar um fim em sua vida, surge entre o alquimista e as criaturas um homem, já de certa idade, com cabelos e barba branca.
Ele pega a espada de Thales e a junta a sua, que também possui um círculo de transmutação desenhado nela, em uma velocidade incrível, pega um vidro com um estranho líquido verde e o joga no céu, ao mesmo tempo em que levanta as duas espadas na direção do vidro. Quando as duas lâminas cortam o vidro, o líquido verde se transmuta em chamas, mas não chamas comuns, e sim chamas verdes que não se consomem nem com a água da tempestade que não para de cair.
Com as espadas, o velho direciona as chamas verdes na direção do exército de mortos, que se consomem ante o poder das chamas do alquimista. E, quando não resta mais nenhum morto, o velho faz com que as chamas desapareçam.
O velho homem se aproxima de Thales e, sente a respiração do alquimista bastante fraca, assim como as batidas de seu coração.
– Ainda está vivo. – diz o velho alquimista – Mas vai demorar muito até que se recupere totalmente.
***
Tavius, Samira e Valery terminam de escutar boquiabertos a narrativa de Thales, mal acreditando no que acabam de ouvir.
– Então foi por isso que desta vez o exército de mortos não lhe causou nenhum mal. – fala Valery, quebrando o silêncio que se fez entre os quatro.
– Exatamente. – concorda Thales – Fui pego de surpresa da primeira vez e quase perdi a vida, não iria cair no mesmo truque uma segunda vez.
Tavius não consegue encontrar palavras para dizer, pois, aquelas malditas bruxas e o traidor do Fabian estavam planejando sequestrar Tabita muito antes do que ele havia imaginado. Em seu íntimo, só aumenta o desejo de fazer com que o quarteto maldito pague por todo o mal que eles vem fazendo a sua família e, principalmente a Tabita.
– Ótimo! – Samira consegue se animar – Thales, pelo que entendi, existe uma forma de vencermos esse maldito exército de mortos!
– A única forma de vencê-los, é utilizando o fogo verde que somente os alquimistas são capazes de transmutar. – afirma Thales, com um sorriso confiante em sua face.
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