Uma Jornada Ao Resgate
1 O Plano Perfeito
– Está tudo certo, Mabel? Lorde Harrison finalmente faleceu? – pergunta uma mulher de aparência pouco comum. Coberta por uma capa preta, as únicas partes de seu corpo que ficam a mostra são seu rosto, que tem uma forma comprida, olhos verdes e alguns cachos ruivos aparecem por baixo da touca.
- Sim, Soraya. – responde a outra, que também usa uma capa preta que lhe esconde as vestes. Seus olhos são negros repletos de uma maldade insana, e seus cabelos são negros, na altura dos ombros e lisos. – Estive na aldeia esta manhã e eles confirmaram: Lorde Harrison faleceu de uma doença misteriosa que os médicos não souberam diagnosticar. Pelo que soube, desconfiam de bruxaria.
A risada macabra de uma terceira pessoa é escutada naquela pequena casa, perdida no meio da floresta e, uma terceira mulher, usando um manto negro igual ao das outras surge. Sua aparência é muito parecida com a de Soraya, olhos verdes e cachos ruivos.
- Uma pena que eles jamais poderão descobrir a verdade. – ela diz, com satisfação – Lorde Harrison tentou provar para toda a corte que éramos bruxas, e, infelizmente, faleceu de uma doença misteriosa sem conseguir provar tal fato.
- Calma, irmãzinha. – diz Soraya – Lorde Harrison faleceu, mas, creio que nossa vingança ainda não está cumprida. Tenho certeza de que nós ainda temos um longo trabalho pela frente.
Mabel, a líder das três mulheres, olha intensamente para as chamas de uma pequena lareira que dá claridade para aquela pequena cabana no meio do nada. Seus olhos negros parecem relembrar o passado, embora Lorde Harrison esteja morto, suas contas com ele ainda não acabaram. Ele ainda lhe deve – e muito – e, mesmo morto, irá pagar.
- Lorde Harrison ainda nos deve. – Mabel finalmente diz – E não descansarei enquanto ele não pagar. Servia, de nós três, a sua magia é a mais poderosa. E, se o plano que eu estou começando a pensar der certo, vamos precisar muito dela.
- Plano? – Servia e Soraya perguntam ao mesmo tempo. As irmãs olham fixamente para a companheira.
- Sim. – responde Mabel – Um plano. Nossa vingança contra Lorde Harrison ainda não terminou. E, mesmo morto, ainda faremos com que ele chore lágrimas de sangue no inferno.
- E como pretende fazer isso? – Soraya pergunta, sem conter sua curiosidade.
Mabel sorri, triunfante, acabara de pensar em algo que certamente, dará certo. E, se tudo correr como ela espera que correrá, mesmo no inferno Lorde Harrison irá chorar lágrimas de sangue.
- Pelo seu sorriso Mabel, devo pensar que já pensaste em algo para nos vingarmos do homem que nos tirou tudo, e que praticamente entregou nossas cabeças para a execução. – diz Servia.
- Realmente, pensei em algo. – responde a Mabel sorrindo vitoriosamente.
- Eu gostaria de saber em que exatamente você pensou. – diz Soraya.
- Lorde Harrison nos tirou tudo. – continua Mabel – Graças a ele, toda a corte desconfia que praticamos magia das trevas e tivemos que fugir, para este lugar miserável. É justo que tiremos tudo dele também.
- Mas Lorde Harrison era um homem de muitas posses. – retruca Servia – Mesmo que usemos a magia das trevas para tentar tirar-lhe tudo, jamais conseguiremos.
- E quem disse que nós iremos tirar a fortuna dele? – pergunta Mabel.
- Mas você não disse que iremos lhe tirar tudo? – diz Soraya, sem entender o raciocínio de sua companheira.
- Disse. – mais uma vez Mabel exibe um sorriso triunfante – Porém, toda a corte sabe que o tesouro mais precioso de Lorde Harrison não era a fortuna.
A compreensão finalmente chega aos olhos das duas irmãs e elas olham incrédulas para a líder, Mabel.
***
Ao lado de fora daquela casa escondida no meio da floresta, uma moça coloca a mão em sua própria boca para sufocar um grito de pavor, diante de tudo o que acabara de ouvir. Então Lorde Harrison estava mesmo certo? Aquelas três eram mesmo bruxas! Eram servas do demônio, e agora estavam arquitetando um plano para se vingar do homem que fora a ruína das três.
Ele estava morto, mas, mesmo assim queriam se vingar! E já tinham até um plano!
Seus olhos castanhos estavam repletos de medo, suas pernas tremiam por baixo de seu vestido. Estava apavorada. Não sabia o que fazer, não sabia a quem procurar! Tavius? Deveria contar a ele o que acabara de ouvir?
Não! Primeiro tinha que contar a Valery tudo que acabara de ouvir, para só depois, se Valery concordar com suas suspeitas, procurarem por Tavius.
Tomada à decisão, ela sai, dando passos lentos e cautelosos, a fim de não ser percebida pelas três bruxas.
***
“- Prometa-me, Tavius, que você protegerá a sua irmã, não importa o que aconteça, você jamais deixará de protegê-la.
– Eu prometo, meu pai. Eu sempre protegerei a Tabita, não importa o que aconteça.
– Tavius, sua irmã é meu maior tesouro. Ela sempre foi frágil, delicada, precisa ser protegida. Não vou poder morrer em paz se você não me prometer que cuidará dela, que jamais deixará que nenhuma pessoa faça mal a sua irmã.
– Meu pai, pode descansar em paz. Nunca, enquanto vida eu tiver, alguém fará mal a minha irmã. Eu sempre a protegerei, nem que para isso eu tenha que dar minha vida. Eu juro, meu pai, que sempre protegerei a Tabita.”
Tavius acorda assustado, após sonhar com a morte de seu pai. As últimas palavras dele foram com relação à Tabita, e agora, ele tinha o dever de proteger sua irmã, custe o que custar.
Mas, porque será que estava tendo um sonho deste? Fazia apenas dois dias que seu pai havia falecido, e, ainda estavam de luto. Após o jurar que protegeria a irmã, o pai sorriu, satisfeito, e morreu.
No fundo, acha que sabe a razão. Aquelas três mulheres, inimigas de sua família, e que seu pai tinha certeza de que mexiam com magia das trevas.
Levanta-se da cama e sai de seu quarto, andando pelos corredores de sua casa, herança de seu falecido pai. No mesmo corredor, encontra a pessoa dona de suas preocupações atuais. Indo a seu encontro, Tabita, trajando um vestido branco com o busto bem justo, e um colete rosa por cima bordado com fios de prata, as mangas são justas na altura dos cotovelos e daí para baixo se alargam, em um clássico estilo medieval, e a saia do vestido é bem longo. Seus cabelos lisos e negros caem em cascata por suas costas até a altura de sua cintura, e seus olhos castanhos são repletos de preocupação.
– Qual o problema, Tabita? – Tavius pergunta, sem entender o motivo de preocupação de sua irmã.
Tabita olha para seu irmão, alto, um metro e oitenta de altura e olhos iguais aos dela. Aos vinte e sete anos, tendo que assumir a responsabilidade de tudo que seu pai havia deixado. E agora...
– Acabo de ser informada que aquelas três mulheres estão vindo para cá. – Tabita responde com sua voz meiga e doce.
Então o sonho havia sido um aviso. Aquelas três mulheres realmente estavam a caminho.
Tavius abraça sua irmã, em um gesto bastante protetor, conforme prometera a seu pai, não deixaria nada de ruim acontecer a ela.
– Não se preocupe, minha querida irmã. Eu não deixarei que nada de ruim aconteça.
CONTINUA...
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