Notas iniciais
Vanessa BR postando aqui! Boa leitura!

“A grande verdade, amor, é que sempre estive do lado de Mabel, Soraya e Servia.”

Aquela frase soava como uma grande facada em seu peito, capaz de dilacerar completamente seu sofrido coração. Não bastassem as humilhações que sofria física e psicologicamente, agora pisavam mais e mais em seus sentimentos. E não sabia que isso poderia doer mais ainda do que já estava doendo.

Fabian havia dado o golpe de misericórdia. Nunca imaginara que esse golpe seria justo dele, por quem nutriu tantas ilusões.

Agora se sentia ainda mais sozinha e cada vez mais desamparada. Começava a se perguntar se realmente seria salva. Lembrou-se da luta que testemunhara e o quanto lhe doeu ver Tavius, Samira e Valery serem humilhados.

Será que eles conseguiriam resgatá-la? Temia que eles morressem tentando... E não queria que isso acontecesse. Seu coração ficava mais e mais apertado ante o poderio de seus torturadores.

Temia o pior.

***

Após várias horas andando, deteve-se no meio de seu caminho. Seus olhos perspicazes procuravam por algo a vários metros à sua frente, embora não pudesse ver nada além de uma planície tomada pelo mato alto. No entanto, algo lhe dizia que ali havia muito mais que mato.

Seus ouvidos apurados ouviram e reconheceram os gritos agudos e desesperados de Tabita. Ela provavelmente estava ali.

Não. Certamente ela estava ali. Mas onde, exatamente?

Andou a passos lentos e cautelosos, colocando suas mãos à frente do corpo, como se esperasse encontrar alguma parede. Após avançar um pouco, sentiu algo invisível. Parecia alguma proteção ou redoma, não sabia distinguir ao certo.

Abaixou-se e pegou uma pedra. Em seguida, recuou alguns metros. Cerrou o punho com a tal pedra e fechou os olhos. Uma fraca luz saiu por entre os dedos e, ao abrir a mão, a pedra havia entrado em combustão, emanando desta uma intensa chama esverdeada. Escondeu-se atrás de uma árvore e arremessou a pedra flamejante contra o “vazio”.

Assim que a pedra em chamas atingiu a proteção invisível, ele conseguiu ver uma espécie de cabana por alguns segundos antes desta tornar a desaparecer.

“Bingo!”, pensou. “Então esse bando de ratos está mantendo a Tabita presa por aqui...”

Deu um sorriso bastante discreto. Estava tentado a se infiltrar ali e acabar com aquilo tudo. A tentação se tornou ainda maior ao ouvir mais uma vez o grito desesperado da jovem prisioneira ecoar.

Com passos decididos, saiu de trás da árvore que usava como esconderijo rumo à cabana oculta pela proteção que lhe garantia a invisibilidade. Porém, estacou ao lembrar-se da cena que encontrara antes: o trio formado por Tavius, Valery e Samira jogados ao chão após mais uma derrota humilhante.

– Não... Não posso fazer isso. – murmurou para si mesmo. – Se três não suportaram vencê-los, o que dizer de mim? Se eu agir sozinho, nada vai adiantar.

Deu meia-volta e saiu dali da mesma forma que chegou ao local. De forma discreta e imperceptível.

“Tabita...”, pensou, enquanto dava as costas e seguia outro caminho. “Vamos demorar, mas vamos conseguir te tirar das mãos desses bastardos!”

***

O trio novamente retomou seu caminho em busca do cativeiro de Tabita, após algum descanso e de se refazerem um pouco do último fracasso. Os semblantes ainda estavam um pouco abatidos, mas não tanto como antes. Os olhares dos três, apesar disso, refletiam pura obstinação.

Tavius ia à frente, seguido por Samira e Valery. Estava cada vez mais determinado a descobrir o esconderijo daquele bando maldito. Não iria deixar barata aquela última humilhação e agora acrescentava mais um alvo para despejar toda a sua fúria.

Fabian.

Aquele desgraçado conseguira enganar a todos com sua fachada de “bom-moço”. Até mesmo a ele.

Traidor...! Traidor sujo e asqueroso...!

Maldito Fabian!

Aliás, cada um agora tinha um alvo em particular. Percebiam que, para livrar Tabita das garras daquele quarteto maligno, precisariam fulminá-los um a um. A sede de justiça aumentava no trio.

Aquele quarteto asqueroso tinha que ser eliminado. E, com essa convicção, iriam procurar se tornar mais fortes.

***

– Eles não desistem mesmo... – Soraya ironizou ao ver a imagem projetada do trio formado por Tavius, Samira e Valery voltando à jornada. – Essas retomadas deles estão ficando cada vez mais maçantes. Eles ganham, eles perdem, eles prosseguem. Já cansei disso.

– Esses três estão me dando tédio. – Servia resmungou. – A gente acaba ganhando deles com a maior facilidade.

– Posso propor um joguinho? – Mabel perguntou com um sorriso cruel estampado em seu rosto.

– Qual seria esse joguinho? – Fabian perguntou.

– Que tal o “labirinto da morte”? – a líder do quarteto sugeriu.

– Excelente! – Soraya elogiou. – Vamos ver até onde aqueles três patetas aguentam.

O quarteto, de mãos dadas, formou um círculo, originando assim um círculo luminoso no tom vermelho-sangue, com uma estrela de quatro pontas em seu centro e vários ideogramas e hieróglifos espalhados pelo desenho sobrenatural. Começaram a recitar as palavras mágicas em um idioma ininteligível, mas em tom cheio de confiança.

Desse círculo, surgiu uma coluna da mesma cor, que se expandiu até esconder os quatro por trás de suas paredes luminosas vermelhas. Em seguida, gargalhadas macabras ecoaram por todo aquele local.

***

– O que é isso...? – Samira estava surpresa com o que via à sua frente.

Mais uma vez, a caminhada do trio formado por Tavius, Samira e Valery era interrompida. Desta vez, imensas paredes de pedra literalmente brotavam do chão. Em fração de segundos, os três amigos estavam completamente cercados pelas altas e robustas paredes aparentemente intransponíveis.

Já estava na cara que boa coisa não era.

Barulhos de passos se aproximavam deles. Uma sequência desses passos era mais rápida e se aproximava mais rápido. Tavius já desembainhava a espada, ao mesmo tempo em que Valery deixava os olhos brilhando de azul e empunhava também sua espada. Samira não perdeu tempo e já colocou uma flecha em seu arco.

Fosse lá quem fosse, iria receber um belo ataque de um dos três.

O espadachim logo atacou o provável inimigo, que bloqueou seu ataque com outra espada. Porém, qual não foi sua surpresa ao reconhecer quem bloqueara seu golpe...

– Você...?