Notas iniciais
Olá, povo! Aqui é a Vanessa BR mais uma vez postando aqui! Boa leitura!

O quarteto saiu do centro do círculo de alquimia, indo ao ataque de forma destemida e já tinham uma tarefa definida: atrair o maior número possível de mortos-vivos até aquela armadilha. Para isso, começaram o combate direto, a fim de conseguir seu objetivo.

A estratégia era aparentemente simples, pois Tavius, Thales, Samira e Valery deveriam atacar os monstros que chegavam ali e jogá-los no círculo de transmutação que, à medida que o tempo passava, era tomado pelas chamas verdes que se fechavam a cada minuto. No entanto, não era tão simples assim, pois os mortos-vivos eram fortes e todos ali já haviam experimentado enfrentá-los antes.

Tavius foi o primeiro a atacar pra valer, correu com espada em punho e a toda velocidade, ao mesmo tempo em que os outros três saíam do centro, passando pelos monstros recém-chegados para cercá-los. Mesmo em desvantagem numérica, a ideia era acuá-los até caírem no círculo elaborado por Thales e Samira.

Com golpes poderosos e agilidade recuperada graças à magia de cura de Valery, o espadachim partiu para cima de um grupo de monstros. Com movimentos bastante amplos, ele conseguiu lançar seus adversários no círculo “em lotes”, ou seja, dois a dois, ou três a três. Sua força física parecia ter aumentado ainda mais, aumento esse impulsionado tanto pela magia que recebera quanto pela grande vontade de sair dali e resgatar Tabita, sua amada irmã.

Ao pensar até onde chegaram nessa jornada, os desafios pelos quais passara junto com Valery e Samira, sentia-se mais forte ainda e ao pensar naquelas bruxas, aliadas a um cafajeste, sua fúria só o deixava ainda mais poderoso. Tanto que chegava ao ponto de conseguir retalhar os mortos-vivos, sem dar tempo de eles se regenerarem antes de caírem naquele círculo formado por pura alquimia.

Estava ansioso para conseguir encontrar o esconderijo onde Tabita estava confinada, pois queria acertar as contas com uma certa bruxa e se redimir de seu descuido, que causou tudo isso. Ao pensar que isso poderia estar perto de ocorrer, um sorriso de vingança se desenhou levemente em seus lábios enquanto lançava mais e mais mortos-vivos putrefatos para dentro do círculo com chamas verdes.

*

“Tô com medo... Tô com muito medo, me tirem daqui...!”

“Calma, Tabita, estamos chegando aí”

“Tavius...! Tá muito escuro, tô com medo! Não consigo ver ninguém!”

“Enquanto eu estiver vivo, vou te proteger com todas as minhas forças, Tabita. É uma promessa!”

Abriu os olhos após mais um momento de torpor. Não podia dizer que era por sono, porque na verdade o sono era algo que ela não possuía há muito tempo, desde que o tormento de seu cativeiro começara. Em vez de dormir e descansar, ela apenas desmaiava, apagava e voltava de momentos de puro torpor mesmo.

Sonhos? Quase não os tinha, apenas revivia lembranças de tempos em que ela tinha paz e vivia como uma pessoa normal, livre. Aliás, àquela altura, já não se via como tal há muito tempo. Suja, maltrapilha, ferida, desgrenhada... Sentia-se mais como um animal maltratado do que uma pessoa propriamente dita.

E essa última lembrança, mais especificamente, já tinha alguns anos. Foi num dia de tempestade, no meio da madrugada. Tabita – então com cinco anos – estava tomada de medo por conta da escuridão, dos relâmpagos intensos e dos fortes trovões. Na hora que tudo se acalmou, ainda estava com medo da densa escuridão de seu quarto, o que a fazia continuar a chorar.

Só conseguira parar quando seu irmão a havia encontrado e a abraçara para acalmá-la de seu medo. E nisso, Tavius proferira aquela promessa.

Engraçado que, ao se lembrar disso agora, seu coração acabara se acalmando por uns momentos. E aquela chama pequenina de esperança ganhara mais força novamente, mesmo em seu atual estado.

Pressentia que Tavius e os demais poderiam ter conseguido, sim, sobreviver. Ainda mais que seu irmão prometera protegê-la e sabia que ele levaria isso às últimas consequências... E, se bobear, ele era capaz até de enfrentar a foice da morte com a sua espada! Não só ele, como Thales!

Com isso, um sorriso esperançoso surgiu em seu rosto. Ainda acreditava que seria, sim, resgatada dali.

E esperava ansiosamente por esse momento, pelo fim de seu tormento.

*

Samira conseguia lançar suas flechas sem dó nem piedade e em abundância contra os mortos-vivos que a seguiam, após sair das proximidades do círculo de transmutação. Com flechas afiadas, a arqueira não lançava apenas uma contra eles, mas várias de uma vez só. Tudo para ganhar tempo e lançar rapidamente aqueles monstros podres para arderem naquelas chamas verdes.

Mas, além dessas flechas afiadas, Samira lançava também algumas flechas explosivas, a fim de facilitar seu “arremesso” ao círculo de transmutação. Repetia mais ou menos a mesma estratégia que fizera antes de sua derrota, mas agora com mais cautela.

Mirou uma flecha com ponta de diamante para a cabeça de um dos mortos-vivos, cuja pele se apresentava deteriorada. Precisava economizar nas flechas, diante do grande número de monstros que estavam à sua frente. Viu que vários se enfileiravam atrás do primeiro e esperou pacientemente a chance perfeita.

Foi quando todas aquelas aberrações estavam do jeitinho que ela queria. Junto com a flecha com a ponta de diamante, estava uma explosiva que lhe pouparia trabalho. Retesou o arco o máximo que podia e lançou as duas flechas, que imediatamente atravessaram os crânios de alguns deles, que caíram em cima de outros. Em seguida, a explosão jogou os mortos-vivos para dentro do círculo de transmutação.

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, Thales também atacava com tudo os mortos-vivos que o perseguiam. No entanto, o alquimista procurava não se afastar muito do círculo criado por ele. Usando a força física como Tavius fazia, ele atacava sem piedade cada monstro daqueles, infligindo neles cortes que não se regeneravam a tempo, permitindo que ele conseguisse jogá-los dentro do círculo.

E esse círculo se fechava gradualmente com o passar do tempo. Faltava pouco para que as chamas esverdeadas tomassem conta por completo daquele círculo.

*

– MALDIÇÃO!! COMO ELES CONSEGUIRAM SOBREVIVER...?! – Mabel urrou extremamente irada assim que viu o desenrolar dos fatos no labirinto.

Isso só poderia ser sorte demais...! Mesmo depois de tantas armadilhas mortais, aqueles malditos seres patéticos continuavam seguindo sua luta para resgatar aquela mimadinha inútil!

Isso era inconcebível...!

Como aquele alquimistazinho fajuto conseguira sobreviver de novo? E como os outros três também estavam vivos?

Essa era a mesma pergunta que os outros faziam naquele momento. Fabian socava a parede com força e praguejava sem parar. Não era possível que seu labirinto perfeito, que ceifara tantas vidas, estava se mostrando completamente ineficaz contra aqueles idiotas!

E eles estavam conseguindo derrotar todos aqueles mortos-vivos, um a um, de forma inacreditável!

Por quê? Por que insistiam em prosseguir atrás daquela inútil? O que ela tinha de especial, além de ser a cria favorita do maldito Harrison, contra o qual queriam vingança a qualquer preço?

Aqueles dois irmãos tolos mantinham esperanças igualmente tolas de conseguir salvar uma refém que em pouco tempo morreria. Se fosse da vontade de Mabel, Soraya, Servia e Fabian, poderiam muito bem parar de brincar com a refenzinha que tinham e liquidar de vez com ela!

– Eu não consideraria isso como derrota, se eu fosse vocês. – Soraya disse com um pouco mais de calma. – Por que não assistimos ao que está acontecendo para ver até onde eles aguentam lutar? Além disso, eles podem até derrotar nosso exército de mortos-vivos, mas isso não significa que sairão do nosso labirinto!

Enquanto isso, em seu cativeiro úmido, escuro e fétido, Tabita escutava atentamente o que se desenrolava com seus quatro algozes, que estavam completamente irados com o que viam através de magia. Apesar disso, suas esperanças não eram em vão... Tavius, Thales, Samira e Valery estavam vivos e continuavam a lutar para prosseguir com a jornada ao seu resgate.

Isso era razão suficiente para que a jovem mais uma vez sentisse que suas esperanças ganhavam ainda mais força.

Sim, Tavius e os outros conseguiriam chegar lá e tirá-la daquele horror todo.

*

Valery brandia sua espada, a qual estava aliada com sua magia favorita com vento. Impulsionou-se ao ataque, no qual com movimentos amplos, infligiu cortes rápidos e precisos contra os mortos-vivos e, graças às lufadas de vento geradas por isso, eles eram lançados diretamente ao círculo de transmutação que estava quase terminando de se fechar com a chama verde.

Percebendo que isso consumia muito tempo, a maga decidiu primeiro gerar os cortes e incapacitar os monstros, para depois enviar todos de uma só vez ao círculo, que em pouco tempo se fecharia e talvez não teria como reabrir. Retalhava a todos aqueles monstros sem dó, deixando-os literalmente em pedaços, a fim de ganhar tempo, mas também para se vingar daqueles seres que a derrotaram tão facilmente. Aliava sua magia à sua lâmina para ganhar vantagem, e isso estava dando resultado.

Ao fim, Valery invocou uma poderosa magia, que gerou um forte vendaval que os arrastava com impetuosidade para dentro daquele círculo de transmutação.

A maga respirou aliviada, finalmente ela e os três companheiros haviam conseguido o objetivo a que se propuseram. Todos os mortos-vivos estavam presos ali e o círculo estava prestes a se fechar.

– Ótimo! – ela disse. – E agora, Thales, qual vai ser o próximo passo?

Valery não viu que, na brecha que ainda havia de abertura, uma mão começava a se mover para fora do círculo de transmutação. A enorme mão agarrou seu pé e o puxou com força, surpreendendo a maga e a arrastando rapidamente para dentro de onde estavam todos aqueles mortos-vivos que foram abatidos.

Não deu tempo para mais nada, nem mesmo para Valery pedir socorro. Quando Tavius, Samira e Thales perceberam, ela já estava indo para dentro do círculo.

– Valery!! – Samira correu para tentar alcançá-la.

Não adiantou, a maga acabou sendo levada para dentro do círculo, que por fim acabou se fechando e a chama verde tomou conta de tudo.

Notas finais
CONTINUA...