Uma Jornada Ao Resgate

59 A batalha final: Tavius contra Mabel - Parte III


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Vanessa BR na área postando mais um capítulo! Espero que gostem e que tenham uma boa leitura!

Tabita, horrorizada e ainda sentindo todas as dores que seu irmão sentia, ali preso àquela árvore, não conseguia conter suas lágrimas. E ele estava ali daquele jeito por sua causa.

Por que era tão fraca? Por que não tivera condições de resistir àquele bando maldito que a torturava sem parar?

Por que essa sua ligação com seu irmão tinha que aparecer na pior hora possível? Por que isso tinha que se tornar o ponto fraco de Tavius logo agora? Por quê...?

A jovem não sabia mais o que pensar. Mabel estava com Tavius em suas mãos, prestes a tirar sua vida em um único golpe. E um único golpe liquidaria os dois de uma só vez.

Sabia que a situação era desesperadora, mas tinha que ajudar seu irmão de alguma forma e não parecer um peso morto.

Iria tentar suportar a dor daqui pra frente. Sabia que eram seus gritos de dor que o desestabilizavam, e que Mabel se aproveitava disso.

Não daria mais esse gostinho para Mabel. Pelo menos por alguns momentos tentaria não gritar de dor, mesmo que doesse demais.

Tavius até agora fizera tanto por ela... Agora era hora de fazer pelo menos alguma coisa por seu irmão.

*

– A brincadeira acabou, Tavius! Mabel anunciava com ar triunfante enquanto apontava para o espadachim a sua própria espada. Chegou o seu fim!

Tavius não respondeu ao que Mabel lhe dissera. Não iria dar esse gostinho a ela. Aquela bruxa maldita iria pagar... Assim que ele conseguisse se soltar de lá e salvar sua própria vida primeiro.

Mas como? Estava completamente desarmado! A sua única arma era aquela espada que agora estava contra ele.

Droga..., pensou. Eu sabia que teria problemas, mas não imaginava isso...! Essa maldita foi muito inteligente em explorar minha fraqueza!

Precisava se safar daquela situação logo! Mas... Será que conseguiria escapar?

Olhar para aquela projeção na qual mostrava sua irmã, que desta vez mostrava a ele, por um tímido sorriso, que tinha confiança. Era como se ela quisesse tentar ajudá-lo de alguma forma.

Em seguida, dirigiu seu olhar para Thales, Valery e Samira. Apesar da desvantagem que possuía, Tavius viu, no trio, olhares confiantes de que aquela sua situação iria se reverter.

Antes que desviasse seu olhar para encarar Mabel, que continuava apontando sua espada contra ele, viu que seu irmão arremessou uma espada. Mas, como pegaria?

A resposta apareceu em uma fração de segundo, em brasa e queimando uma das raízes que o aprisionavam, libertando assim seu braço esquerdo. Assim que pegou a espada, esta imediatamente se esfriou, denunciando o autor daquela proeza.

Mabel já ia cravando a espada em seu coração, porém Tavius impediu a tempo que sua vida fosse ceifada. Com o braço livre e empunhando a espada que recebera, conseguira se defender, jogando para longe a espada que estava nas mãos de Mabel com um potente golpe de contra-ataque.

Ainda mais motivado e com mais coragem, o espadachim se libertou das raízes que o aprisionavam, sob o olhar estupefato e ao mesmo tempo furioso da bruxa. Esta viu seu adversário se posicionar bem à sua frente com sua confiança renovada, embora com sua fisionomia ainda meio temerosa.

Tavius olhou para trás, onde viu Thales sorrindo com cumplicidade. Seu olhar dizia para que ele continuasse a lutar. Era parecido com o olhar que Tabita lhe dirigia naquela projeção. Parecia dizer algo como Não tenha medo de arriscar.

Isso tudo renovava seu ar confiante. Mesmo em dificuldade, sentia que estava perto de transpor o último obstáculo que o separava de Tabita.

Sorriu, mesmo vendo Mabel mais uma vez materializar em suas mãos duas espadas sobrenaturais para enfrentá-lo. A partir de agora, aquela luta seria de igual para igual.

– E então, Tavius? Mabel tentou recuperar seu ar superior. Vai mesmo se arriscar?

– Vou. Vou me arriscar. Porque eu sei que vou vencer, bruxa asquerosa!

Tavius lançou-se ao ataque, enquanto dizia em pensamento: Tabita, por favor, me perdoe...! E aguente firme, eu vou te salvar!

*

Thales deu um sorriso confiante, ao ver Tavius mais uma vez no combate, empunhando agora a sua espada. E sentia que seu irmão estava muito mais motivado e, apesar de seus temores, estava disposto a arriscar tudo para terminar aquele combate contra Mabel e libertar Tabita.

Lançar aquela espada flamejante graças à sua alquimia contra uma das raízes que aprisionavam Tavius fora algo meio instintivo. Mas era preciso ser rápido, antes que Mabel o matasse.

E tudo, felizmente, dera certo até então. Agora era com ele.

E o alquimista sabia que seu irmão espadachim poderia dar conta do combate agora.

Tavius era o mais forte do quarteto, sem sombra de dúvida.

*

Mabel logo partiu ao ataque com as duas espadas em punho. Tavius também correu de encontro a ela com apenas uma espada, mas ela teria que ser suficiente para aguentar o combate que se reiniciava. O espadachim deu um salto, a fim de fazer um ataque vertical, no entanto a bruxa se defendeu com as duas espadas cruzadas à sua frente.

O jovem não se deixava abater, nem mesmo com o contra-ataque de Mabel. Vendo que se aproximara de sua espada que estava no chão, pegou-a e se defendeu da mesma forma, cruzando as duas como proteção.

Agora Tavius estava em igualdade de condições com Mabel, pois na mão direita segurava a espada de Thales e, na esquerda, estava a sua. Ambos se encararam longamente, com o rosto da bruxa demonstrando fúria e tentando pensar em uma estratégia. Já, por seu turno, o espadachim expressava determinação.

– Parece que começamos nosso combate do zero, não é, minha cara Mabel?

Ela sorriu nervosamente:

– Não recomeçamos do zero coisa nenhuma. Eu ainda tenho vantagem.

– Só porque estou ferido? Ou por causa da minha ligação com a Tabita, que seria meu ponto fraco?

– Quer mesmo saber?

Ao terminar a pergunta, Mabel transformou uma das espadas em corrente, que já foi jogada contra o espadachim, procurando prendê-lo pelo pescoço, como já fizera antes. Porém, Tavius, com as duas espadas, não permitiu que a corrente o prendesse. Antes, com as duas espadas, evitou que a corrente, com vida própria, se aproximasse dele.

Porém, em um dado momento, a corrente o prendeu pelo pulso esquerdo. Mas fora com tanta força, que provocara uma grande dor em Tavius, que segurou para não gritar. Enquanto seu pulso sangrava devido ao novo ferimento, ele olhou para a projeção, na qual via sua irmã fazendo careta de dor, mas tentando suportar aquilo, como ele procurava fazer.

Mesmo que fosse pouco, para Tavius era uma grande diferença, pois Tabita, mesmo fragilizada, se mostrara forte. E faria de tudo para que isso não fosse em vão.

A grande dor em seu pulso esquerdo o obrigou a deixar sua espada cair, mas ele ainda contava com a outra espada em sua mão direita, a de Thales.

Se Mabel achava que ele iria perder essa... Estava redondamente enganada!

Sentiu que ela puxava com força aquela corrente. A bruxa tinha uma força física bem grande, capaz de, graças ao auxílio de uma aura negra, arrastar um homem do porte físico de Tavius.

E era isso que ela estava fazendo, arrastando Tavius para perto de si, a fim de perfurar seu peito com a espada que segurava entre os dentes. Porém, o espadachim começou a fazer o mesmo.

Começava ali um perigoso jogo de cabo-de-guerra. Um puxava o outro para si. Tavius não se importava com o ferimento no pulso doendo cruelmente, e sabia que Tabita, de onde estava, procurava suportar aquilo, parecendo que suportava pelos dois.

Isso era o bastante para que o espadachim continuasse a se esforçar o máximo possível que podia para liquidar com aquela luta.

Só que não era fácil. Mabel havia conjurado uma magia, na qual uma aura negra a envolvia, dando-lhe tanta força física quanto a dele.

Se isso amedrontava Tavius? Nem um pouco, mesmo sentindo que era arrastado para perto de Mabel. Não estava sentindo medo, mesmo que estivesse aparentemente enfraquecido.

Deixou-se ser puxado pela bruxa, até que ela pegou sua espada, para desferir o golpe fatal em Tavius. Tavius também empunhou sua espada, pronto para dar o golpe final em Mabel. Nesse momento, estavam a dois passos um do outro.

Um puxão que um deles desse resultaria na morte do outro.

Sangue pingava do pulso de Tavius, seriamente ferido e praticamente em carne viva, devido ao fato de a corrente estar extremamente apertada. Por um milagre os ossos não haviam se esmigalhado com tanta força. Todavia, Mabel não estava ilesa. Seu pulso direito estava no mesmo estado deplorável que o do espadachim e sangrava igualmente, fazendo com que tivesse trabalho para suportar a forte dor.

– Isso já está se prolongando demais...! Tavius disse.

– Bem, se você acha isso, eu posso te ajudar mandando você ao inferno, junto com a sua irmãzinha querida!

– Será que você consegue, Mabel? Estamos na mesma situação!

– Por pouco tempo!

Ambos sorriam confiantes com a iminência do fim da luta, da qual apenas um sobreviveria. Conscientes disso, os dois deram um forte puxão na corrente, mas apenas um deles conseguiu dar o golpe final.

Tavius conseguira puxar a corrente com muito mais força do que Mabel, fazendo com que ela fosse diretamente até ele. Em uma fração de segundo, o espadachim conseguira atravessar a sua espada no peito da bruxa.

Mabel caiu de joelhos diante do espadachim, ainda com a espada atravessada e vomitando sangue.

– M-Maldito...! balbuciou com a voz já estrangulada pelo sangue que chegava à sua garganta para sufocá-la.

Tavius arrancou a espada do peito da bruxa, que caiu de bruços, e disse:

– Morra, Mabel...! Vá fazer companhia aos seus companheiros nas profundezas do inferno, que é o lugar de todos vocês!

Tavius, com o pé, virou Mabel de barriga para cima. Posicionou-se por cima dela, que tinha os olhos esbugalhados do mais puro terror, sabendo que agora seria seu fim iminente. Era tarde demais para se arrepender de ter subestimado seu adversário.

O espadachim, em mais um golpe cheio de fúria, perfurou violentamente o peito da bruxa, que deu mais uma golfada de sangue e morreu. Tavius, em seguida, enfiou a mão ali no local atingido e dali arrancou o coração de Mabel, que, naquele instante, parava de bater de vez.

Olhou para a projeção à sua frente e ergueu aquele coração como se fosse o mais valioso troféu que acabava de adquirir. Lágrimas de dor e esgotamento, mas também de alívio, deslizaram pela face de Tavius, que disse:

– Acabou, Tabita...! O nosso pesadelo... Finalmente acabou!

Notas finais
CONTINUA...