Uma História Nada Perfeita.
6 Capítulo 6-7
Notas iniciais
Ok, continuamos conversando e depois fui embora..
Quando cheguei em casa, o Fêfe tinha baguçado tudo... Algumas velhas pesquisas e relatórios da minha tia estavam rasgados, a cozinha bagunçada, o lixo derrubado, vasos quebrados.. Enfim, um caos.
E como disse, odeio bagunça. Arrumei tudo bem rápido, e tratei de arrumar um lugar pro Fê ficar ... Tinha um quarto sobrando aqui em casa, do lado do meu.. Isso mesmo, tinha. Agora ele é o quarto do Fêfe, tem um jornal lá, uma cama, ração, brinquedos ... Quando eu for pro colégio, deixo ele lá dentro ..
Bom, voltando ao que aconteceu no colégio.
Eu não acredito que não reconheci o Pablo assim que o vi... Fiquei esperando dias, semanas, meses, anos, para vê-lo denovo, e não o reconheci ! Decepcionante isto. Nossa amizade não durou muito tempo, mas mesmo assim lembro de cada brincadeira nossa. Também me lembro de seu olhar e sorriso marcantes, que foram as únicas coisas que reconheci.. Na hora que ele disse "Pablo Fernando de Castro" meu coração disparou, bem provável que eu tenha ficado um pouco corada, sempre que meu coração dispara eu fico meio corada.
Chega, vou parar de ficar tão emocionada e feliz assim. Na minha vida, tudo que acontece de feliz vem acompanhado de tragédia ... E também, pra que ficar tão feliz assim ? Ele deve ter mudado, não deve ter mais aquela inocência de criança, deve ter acontecido várias coisas na vida dele. Talvez ele nem tenha esperado como eu o esperei, talvez nem tivesse pensado na hipótese de eu ainda morar com minha tia. Talvez ele não quisesse me reencontrar ..
Mas ele mostrou um pouco que é meio diferente dos outros garotos, recusando um pedido da Lívia .. Ou talvez ele tenha se feito de difícil para ela querer ainda mais ele ...
Dúvidas.. Quantas dúvidas em meus pensamentos. Mas não estou com tantas dúvidas só por causa da volta de Pablo. Sempre fui dessas garotas desconfiadíssimas . O por que de tanta desconfiança ? Sinceramente eu não sei. Talvez seja insegurança, negativismo, ou medo de acontecer algo, e como sempre eu ficar decepcionada mais uma vez.
Chega de ficar pensando em Pablo. Estou muito cansada. Melhor ir dormir..
~~~~~~~ Capítulo 7 ~~~~~~~
No outro dia acordei atrasada, tinha somente cinco minutos para me arrumar, e olhe lá!
Me arrumei correndo, coloquei a camiseta do uniforme e peguei uma calça jeans. Passei os dedos para desembaraçar meu cabelo, comi uma maçã verde muito rápido e depois escovei os dentes. Peguei minha mochila e minha chave e sai na rua.
Um pouco à frente de mim, estava Pablo.
—EI, PABLO!
Ele se virou, e sorriu. Corri até ele.
—Atrasada também?
—Sim... É... Que... Horas... Horas são? —Perguntei ofegante.
—7:05.
—QUE?
—7:05.
—Ah não, perdemos a primeira aula!
—Puts. To com fome, vamos ali na padaria da rua debaixo?
—Pode ser!
Fomos até a tal padaria, e quando chegamos lá Pablo comprou mentos e coca cola.
—O que você vai fazer Pablo Fernando?
—Olha só.
Ele chacoalhou a coca, colocou o mentos muito rápido e jogou a garrafa para cima. A coca cola subiu como se fosse um foguete, porém deixou nós dois com a roupa molhada.
—Menino! Olha isso! Minha camiseta tá toda molhada.
—Eu sei. Que sorte a camiseta da escola ser branca!
—Sorte? Tá transparente!
Ele deu um sorriso malicioso e observou minha roupa.
—Essa era o intuito.
—VOCÊ FEZ ISSO SÓ PARA ME MOLHAR?
—Sim sim.
—PARA MOLHAR A CAMISETA BRANCA DA ESCOLA.
—Siiim.
—PARA FICAR ME OLHANDO DESSE JEITO?
—Bom, não quero só ficar olhando né...
—O QUE?
—Calma! —Ele riu. —Vamos sair?
—Claro, vamos, eu com essa camiseta transparente e cheia de coca cola.
—Coloca minha blusa.
—Melhor irmos lá em casa.
—Hum... Isso foi um convite?
—NÃO É ISSO QUE VOCÊ TÁ PENSANDO!
Talvez fosse...
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