Uma História Dentro da História
3 Sobre mim
Notas iniciais
* JÚLIA *
Como descrever a minha amizade com a Marie? Hmm... Perfeita, e como não seria? Ela trás alegria para minha vida e me afasta das coisas ruins... É eu já vivi coisas ruins.
Flash Back On
Estava no fundo da escola com a “galera da pesada”. Qualé? Já vou repetir de ano mesmo. Eu repeti o oitavo e fiz ele de novo, ai to fazendo o nono com 15 e vou fazê-lo de novo com 16, eu acho .-.
– Júlia Spagna, o que você esta fazendo aqui?! – Marie falou aparecendo sei la de onde.
– Isso não é obvio? – Perguntei e peguei um pininho com um dos garotos
– Você vai pra casa agora! – Marie falou
– Que casa?! Me fala, porque até onde eu sei não tenho uma! – Semicerrei os olhos.
Mari suspirou.
– Não vamos ter essa conversa agora, nem aqui e nem com você chapada.
– Tudo bem, Marie. – Levante e fui embora dali.
Flash Back Off
Foi exagero meu, eu sei. Até porque eu só tenho a Mari. Ela é minha única família e eu a dela. Nossos pais morreram em um acidente.
O que eu faço da vida? Estudo e trabalho em uma papelaria, quero juntar um dinheirinho para a faculdade. Beleza, eu ganho pouco, mas como dizia meu pai “de grão em grão, a galinha enche o papo” [n/a: na realidade quem fala isso é minha mãe e.e]
Aaaa... Meu pai. O amava tanto. Era alto, ralos cabelos pretos, pele branca e olhos castanhos. Um grande homem. Era engenheiro químico... Eu o amava tanto.
E a minha mãe? Ruiva, pele morena e olhos mel. Minha heroína. Era policial – e uma mãe muito pegajosa também.
Que faculdade eu quero fazer? Artes cênicas, desde pequenina eu quero ser atriz... E também sou ótima em fazer personagens. A que eu mais gosto de fazer é minha cunhada, Lúcia Pevensie, pode falar que sou louca ~risos~. Sei muito bem que Lúcia é uma personagem de C. S. Lewis – que eu agradeço eternamente por escrever As Crônicas de Nárnia e por colocar – de uma certa forma – Edmundo na minha vida.
– Acorda, pirralha. – Vanessa, minha companheira de quarto falou. De uma maneira estranha Vanessa me lembra Clarisse, de PJO.
– Não sou tão mais nova que você. – Falei e dei de ombros
– É dois anos. – Ela falou e riu debochada
– Vacaranha. – Falei e ela jogou um chinelo, mas deu tempo de desviar. – Fumou?
– Quase isso. – Ela disse e riu.
Vanessa faz eu me sentir bem – não igual a Marie faz – quer dizer, Nessa é a única “amiga” que tenho aqui nessa orfanato
– Vou dormir, hoje o dia foi cansativo. – Ela falou e apagou a luz.
Deitei-me e fiquei olhando para o meu colar da amizade, parecia emanar uma luz própria.
Comecei meio que viajar no colar, parecia estar longe – como se eu pudesse realizar sonhos, como eu me sentia quando estava com meus pais.
Pensar em meus pais me faz ficar triste... De uma maneira a culpa é minha. Naquele dia era para termos ido a pé para a escola, mas eu como a preguiçosa que sou queria ir de carro. Que ódio! Agora eu podia estar na sala, vendo um filme, tomando chocolate quente... Ou ouvindo uma das piadas do meu pai.
De uma maneira indireta eu sei que a culpa é uma. Não a culpa não é sua. Disse minha consciência... Da pra acreditar que minha consciência tem a voz da Marie? Isso é incrível! Sim, eu sou incrível. Não falei que você é incrível. Falou sim. Não foi isso que eu quis dizer. Ok, agora vá dormir, to cansada. Você é uma consciência, como pode ficar cansada? Ficando... Bela explicação. Sim, sou mestra nisso... Agora vai dormir logo.
É serio? Eu to discutindo com minha consciência? Sim, você ta. Cala a boca. Que boca? Não tenho boca. Consciência troll. VAI DORMIR! Ta, sua mandona.
Peguei meu celular e mandei uma mensagem pra Marie “Cadê você?”. Joguei meu celular de lado esperando uma resposta, que não veio.
A escuridão foi me tomando aos poucos. Não que eu quisesse dormir, é que assim, se eu dormir não vou querer acordar e tenho que acordar cedo pra ir pro colégio... Se eu repetir a Marie arranca a minha cabeça sem dó nem piedade. Porquê você ainda ta acordada? OK! Eu vou dormir, agora.
Abri meus olhos e fechei, fiz isso algumas vezes... Fiz uma oração e dormir.
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