Uma História De Vida
1 Capítulo 1 - A partir daquele dia...
Notas iniciais
Meu nome é Meiko e estou aqui para contar minha história, mas se decepcionará se procura algo que lhe faça sorrir aqui, você não vai chorar, não vai rir, nem nada, talvez sinta pena de mim, mas não posso fazer nada. Não espero que se apaixone ou se emocione com minha história, mas espero que me entenda. Então vou começar.
Em certo ponto da minha vida eu nunca fui capaz de sorrir verdadeiramente, talvez algumas pessoas realmente não nasceram para serem felizes e lá estava eu, sofrendo desde que nasci, um vida triste e digna de pena.
Naquela época meu pai não morava conosco, mas lá estava ele me batendo e fazendo coisas que me faziam ter pena de mim mesma, mas ninguém, ninguém se importava. Minha mãe e minha irmã me tratavam como inexistente e quanto mais tempo eu passava fora de casa mais elas achavam melhor e assim eu fui me acostumando a ser só.
Com toda a pressão dos professores e os olhares tortos dos alunos por eu sempre aparecer com uma cicatriz nova eu nunca tive uma vida escolar boa, minhas notas eram ótimas, mas desconfiados passaram a me mandar fazer a prova sozinha e mesmo assim as notas continuaram as mesmas.
Com o tempo eu senti o mundo me esmagando e todos me julgando sem ao menos saber por tudo o que eu passava, então em algum momento me ofereceram uma droga, de início eu neguei, mas como eu disse “de início”, e aos poucos eu me afundei cada fez mais no cova que a vida cavou para mim.
No fim do primeiro ano eu fui obrigada a ser transferida para outra escola, para eles uma “delinquente” como eu não era digna da melhor escola da região. Então em meu segundo ano em outra escola, os boatos sobre mim já estavam espalhados. Fui colocada na pior classe. Se não me engano tinha me sentado na última carteira da fileira da janela, é isso mesmo. Na minha frente sentava um garoto , chamado key, ele sempre tentava falar comigo, mas ele não se importava em estar em um monólogo e eu não me importava de ouvi-lo, me fazia sentir mais humana.
Naquele ano toda minha vida mudou, pude sentir sentimentos que nunca fui capaz de sentir e pude tomar decisões que nunca tive coragem de tomar.
_ Meiko, tem uma garota te chamando na porta.
_ Eh?
_ Acho que ela está na classe B.
_ Hn, vou lá ver.
Me levantei e fui ver quem era, era Mika, uma garota que tinha estudado comigo no nono ano.
_ O que você quer?
_ Meiko, posso te pedir um favor? Te dou algo em troca. — Ela tirou uma caixa que aparentemente era de balas do bolso de sua grande jaqueta. A caixa era só para disfarçar, mas eu sabia o que tinha dentro. O seu irmão mais velho vendia drogas então sempre que ela precisava de algo dava um jeito.
_ Hunf, ok, o que você quer?
_ E-Eu quero que você pergunte ao Kuroi se ele aceitaria sair comigo.
_ Ok, mas tenho uma pergunta, quem é Kuroi?
_ EEEHHH??? Como você não sabe quem é o menino mais lindo da escola, apesar dele estudar na sua sala.
Eu voltei minha cabeça para trás procurando por alguém que merecesse o título idiota de “menino mais lindo da escola”. Não foi difícil de achar, havia várias garotas a sua volta, não fui capaz de velo, mas era meio óbvio.
_ Ok, estou indo.
Aproximei-me dele e as garotas se afastaram de mim com uma cara de nojo como se eu fedesse ou estivesse carregada de baratas e ratos.
_ Kuroi posso falar com você?
_ HMM nunca imaginei que a “delinquente” da escola fosse chagar em mim. — Ele era realmente bonito, e como seu nome dizia ele tinha olhos e cabelos totalmente pretos. Seu cabelo era pouco acima do ombro e sua franja estava presa com algo.
_ Como se eu fosse mesmo fazer isso. — As garotas ao seu redor olharam para mim como se tivesse cometido algum delito. — E não me chame de delinquente sem ao nem me conhecer, só estou aqui por tenho ok? A Mika da sala B está perguntando se você quer sair com ela.
_ Hmm, okok. — Ele pegou o celular no seu bolso mexeu em algo e retornou a olhar para mim. — Diga para ela que sexta após a aula estarei esperando ela na porta da escola.
_ Eh? Você ao menos sabe quem ela é?
_ Sim, ela é bem fofa, então tudo bem. — “ Então é assim que funciona?” Foi tudo que eu consegui pensar.
Sai sem dizer nada e fui até a porta falar com ela.
_ Ele falou que sexta estará te esperando depois da aula.
_ Sério? Que bom. — Ela quase pulava de alegria. Mika balbuciou algo como “Obrigada”, jogou a caixa na minha mão e foi para sua sala.
Eu olhei para ele novamente e pelo o olhar dele parecia que ele tinha visto tudo.
Após a aula como de costume eu ia para meu trabalho de meio período. Eu tinha que limpar mesas, recolher prato e servir os pedidos para um restaurante qualquer. Quando sai de lá já era 22:00 horas.
Fui para casa, não tinha ninguém lá, então fui ler um livro que a pouco tinha pegado na biblioteca da escola. Estava tudo muito calmo para meu gosto e como eu já podia imaginar algo estava para chegar, e esse “algo” era meu pai, ou apenas o homem que era para ser meu pai. Como sempre ele me bateu até estar cansado, meus olhos escorriam lágrimas sem parar e minha boca tinha gosto forte de sangue, mas ele continuava batendo, eu não tentava impedir, sabia que não ia adiantar e gritar só ia piorar tudo.
Quando ele foi embora eu estava jogada no chão do meu quarto. Até o ato de chorar doía meu corpo, tinha um corte em meu rosto e meu corpo inteiro doía, me levantei para ir ao banheiro, minhas pernas falhavam a todo o momento. No banheiro estava guardada a droga, talvez ela ajudasse um pouco, mas não, não foi o suficiente. Como também era de costume eu peguei a gilete que estava em minha bolsa e me cortei, talvez para alguns isso apenas causaria mais dor, sim, causaria mais dor no corpo, mas meu coração doía muito mais e nem aquilo era capaz de acabar com aquela dor.
Mesmo não querendo eu tinha que ir para escola, tinha um prova importante naquele dia. Eu peguei curativos e coloquei nas partes realmente machucadas. Mas haviam hematomas por todo meu corpo.
Na escola eles já estavam acostumados com o estado que vez ou outra eu aparecia, mas daquela vez eu pude ver nos olhos dos outros a diferença. Todos cochichavam e olhavam com desgosto ou pena. “Eu não preciso da pena de vocês.” Era o que eu pensava, mas de certo modo eu sentia a mesma coisa que eles por mim mesma.
Quando entrei na sala todos olharam para mim, até o Kuroi e suas “seguidoras”. Me sentei no meu lugar e quase ao mesmo tempo Key se virou para mim.
_ Hey Meiko, o que aconteceu?
Eu não respondi a pergunta e ele não insistiu, mas eu pude ver nos olhos dele algo diferente de desgosto e pena, algo parecido com tristeza.
Logo após a aula eu estava de folga então fui para eu parque que eu ficava nesses dias. Eu fiquei lá pensando quando tudo isso iria parar ou finalmente acabar.
_ Olha se não é a delinquente, com quem você arrumou briga dessa vez? — Eu não respondi, acho que isso afetou seu ego, pois facilmente ficou irritado, ele pegou em meu braço onde os cortes estavam escondidos pelos curativos e pela blusa de frio, mas com o movimento que ele fez ele viu o curativo. — Hey não vai me responder.
_ Eu não tenho que te responder nada. — Puxei meu braço que doía muito quando ele estava apertando.
_ Ouvi dizer que você apanha do seu pai, mas você tem cara de delinquente, e esses curativos em seus pulsos? Estava tentando partir pra outra? E parece que, além disso, você usa drogas, que garota suja você é eim. — Eu normalmente não me irrito com nada que os outros dizem, mas a cada palavra que saia de sua boca me fazia ter cada vez mais ódio. E então não respondia mais por minhas ações. No momento em que bati em seu rosto ele se calou.
_ Não fale da vida dos outros sem ao menos saber o que ela passa, e porque de repente você decidiu me importunar? Já não basta viver a vida podre rodeada de garotas podres que você vive não? Antes de julgar a vida de alguém, tenha a sua como um exemplo. — Eu não tinha percebido, mas eu estava chorando, percebi pela cara de espanto que Kuroi fazia. Pela primeira vez chorei por culpa de alguém que não tivesse o mesmo sangue que o meu.
Fale com o autor