Notas iniciais
Chorei escrevendo... :(

Pov. Edward

Quatro meses. Faz quatro meses que Jacob entrou em coma, e Renesmee mudou completamente nos últimos dois. Ela nem fala mais direito conosco. Só fica no quarto olhando Jacob, e segurando sua mão. E a cada segundo ela afunda mais no vazio. Ela não demonstra. Continua agindo normalmente. Como se nada tivesse acontecido. Mas não conversa mais com a gente. Só de vez em quando. Ela fica lá sozinha o dia todo. Todas as noites eu a pego dormindo segurando a mão de Jacob. Sempre a levo pra seu quarto, mas no meio da noite, ela acorda e vai dormir com ele. Eu sei o que ela está sentindo. Antes ela sempre dormia com o calor de Jacob ao seu lado, e agora não consegue mais dormir numa cama em que ele não esteja. Sinto-me triste por vê-la nesse estado.

Depois da conversa que tive com minha família, todos tentaram falar a verdade a Renesmee. Nenhum conseguiu. E todos disseram a mesma coisa:

Seus olhos estão tão tristes.

Ouvi uma barulheira interrompendo meus pensamentos. Olhei e vi os amigos de Renesmee entrando em casa. Dei um meio sorriso. Quase todos os dias eles vem aqui pra anima-la, mas ela nunca muda. E na maioria das vezes, nem sai do quarto onde está. Rachel disse pra Ness que ela tem que superar, porque mesmo Jacob sendo seu irmão, Rachel já superou. Não completamente, mas precisa seguir em frente. Leah tentou falar com ela, mas desistiu. Seth também. Ele vê Renesmee como uma irmã mais nova, e sempre sente vontade de protegê-la. Embry é o mesmo. Sempre tenta anima-la, mas nunca consegue. Quil já veio falar com ela uma vez, mas ele sabe como é um imprinting então nem insistiu.

– A gente veio ver se a Nessie quer sair com a gente. – Leah disse animada. Suspirei. Não ia adiantar.

– Vamos tira-la daquele quarto. – Seth disse decidido. Bella assentiu. Ela também estava querendo fazer Renesmee sair de lá.

– Vou chama-la. – Bella disse e se dirigiu ao hospital improvisado.

Pov. Nessie

http://letras.mus.br/noah-gundersen/1975313/traducao.html

– Lançou a continuação daquele filme que você gosta. – Falei pro Jake, enquanto via as noticias pelo meu notebook.

– Filha. – Minha mãe disse entrando no quarto. Fechei o notebook, e o coloquei em cima do criado mudo. Respirei fundo, e a encarei.

– O que? – Perguntei sem vontade. Minha mãe sempre tentava achar uma desculpa esfarrapada pra me fazer sair do lado de Jacob.

– Seus amigos estão aqui. – Ela disse nem ligando pro meu modo de falar com ela. Ela já sabia que isso era um efeito da Renesmee sem Jacob.

– Não vou sair. – Falei abaixando a cabeça triste.

– Por que não? – Minha mãe insistiu. Resolvi dar a resposta de sempre, afinal toda vez que falava aquilo, ela só suspirava e ia embora.

– Não posso deixar Jake aqui sozinho. – Falei triste. Pensei que ela ia embora, mas pra minha surpresa ela continuou lá parada.

– Você vai sair sim. – Ela disse decidida.

– Não vou. – Falei girando a cadeira, ficando de costas pra minha mãe.

– Renesmee, você não sai mais desse quarto. – Ela disse desesperada. Dei de ombros. – Não conversa mais com sua família. Nem com seus amigos. – Ela disse. Isso era verdade. E eu podia ouvir que todos os dias eles vinham aqui. Alguns até falaram comigo, mas não dá. – Você fica o dia inteiro aqui, falando com o nada. – Quando ela disse aquilo, me virei abruptamente, e a encarei com raiva. A sala se silenciou. – Não fui isso que quis dizer. – Ela disse assustada com o meu olhar.

– Sei o que você quis dizer. – Falei séria. Minha mãe suspirou, e veio até mim.

– Olha, quando seu pai foi embora, eu também me senti assim. – A olhei com mais raiva ainda. Como é que ela é capaz de comparar a minha situação com a dela?

– Não quero ouvir, mãe. – Falei nervosa. Levantei-me e saí do quarto. Todos me olharam surpresos. Todos estavam lá. Até estranhei estar respirando um ambiente diferente de Jacob. Todos me olhavam com dó. O peso começou a afundar em meus ombros. Senti lagrimas querendo vir à tona.

– Eu só estou tentando te entender, Renesmee! – Minha mãe disse alarmada atrás de mim. Não aguentei. Me virei pra ela com tristeza e raiva. Senti lagrimas rolando em meu rosto.

– Você quer me entender?! OK! Vamos entender! – Falei nervosa. Meu pai se levantou e ficou me olhando tenebroso. – A verdade é que eu to vazia por dentro. Estou morta! – Gritei entre dentes. Todos se assustaram. – Mas sabe por que eu sorria?! Porque sorrir é o melhor disfarce que alguém pode ter. E não! Não está tudo bem! – Falei chorando. – Faz quatro meses mãe! Eu não chorei um só dia, nesses quatro meses! Sabe o por quê?! – Perguntei entre dentes. – Chorar seria aceitar perde-lo! – Gritei chorando.

Comecei a andar de um lado pro outro, nervosa. Eu chorava compulsivamente. Tudo o que tinha pra chorar, eu coloquei pra fora. Não aguentava mais. A tristeza me consumia, e ia me afundando.

– Mas a verdade é que não importa, não é mesmo? – Perguntei sorrindo cinicamente enquanto chorava. Leah me olhou com pena. – A verdade é que Jake nunca vai acordar! – Gritei nervosa. Olhei minha mãe com raiva. – E não me venha dizer que ele é um nada! – Minha mãe se encolheu ao ouvir aquelas palavras. – NADA é o que você sabe sobre o que eu estou sentindo. –Falei nervosa. – Jacob não é um nada. Ele é o MEU mundo! Mas esse mundo se despedaça a cada dia. –Falei chorando. – E não me venha com comparações idiotas como quando o papai lhe deixou! – Falei com raiva. Cuspindo as palavras. Todos me olhavam com pena, tristeza, e até assustados. – Você pôde salvá-lo! Você pôde ir até ele, e o impedir. – Falei chorando com uma tristeza que transbordava. – Eu não posso mãe! Me sinto incapacitada pelo amor da minha vida estar na minha frente, morrendo a cada segundo, e eu não poder fazer nada!

Comecei a chorar mais e mais. A fixa começou a cair por completo. Jake nunca iria acordar.

– Eu me sinto tão perdida. – Falei limpando as lagrimas inutilmente. Todos me olhavam com pena. – Todos os dias eu sinto que meu mundo está despedaçando. Pedaço por pedaço. É torturante. Como se eu estivesse afundando aos poucos. Cheguei a pensar que morreria. – Falei triste.

Meu pai soluçou. Ele podia ver meus pensamentos. E eu me sentia triste por ele saber de tudo. Inclusive meu tio Jasper. Que até me evitava quando podia, pois viver comigo nesse estado não era fácil pra ninguém. Mas às vezes sentia que só eles me entendiam. A esse ponto, meu tio tentava me acalmar com todas as forças possíveis, mas eu queria chorar tudo o que tinha pra chorar.

– Sabe o que é acordar todo dia, ansiosa pra ouvir um barulhinho que indique se o amor da sua vida ainda está vivo? – Perguntei olhando pra minha mãe. Ela engoliu seco. — Todos os dias é assim mãe. E às vezes fico pensando se é melhor que ela pare de apitar. – Falei e todos se assustaram. – Talvez se Jake morrer, eu também morra. – Falei sincera. – Talvez quando ele se for, eu não aguente e vá junto. Aí essa dor toda vai pro inferno! – Gritei com raiva enquanto chorava compulsivamente. – Como se nada nunca tivesse acontecido. E aí vai ser melhor. Vocês não precisarão aguentar minha tristeza.

– Isso não é verdade! –Minha mãe gritou alarmada com a ideia de me ver morta. Minha tia Rose cobriu a boca, enquanto me olhava com pena.

– Se não é verdade, pare de me pedir pra sair do lado do Jake. – Pedi chorando. – Ele prometeu pra mim que nunca sairia do meu lado! – Gritei nervosa enquanto quase arrancava meus cabelos, andando de um lado pro outro. – Isso faz de mim uma pessoa egoísta?! – Perguntei chorando. – Ele prometeu. E eu prometi também. – Falei olhando pra minha mãe que me olhava triste. – Então não me peça pra sair do lado de Jake, porque enquanto o coração dele bater, eu vou ficar do lado dele. Nem que isso dure 100 anos. Eu não ligo!

– Mas filha... – Ela ia tentar falar algo. Meus amigos me olhavam tristes.

– Não. – Falei chorando mais e mais. – Não me peça isso, por favor. Eu só o quero de volta. – Falei com minha voz afetada. – Eu não... Eu não... – Caí de joelhos no chão. Senti braços gelados me abraçarem.

– Calma filha. – Ouvi meu pai falar enquanto acariciava meu cabelo.

– Não pai. Eu não aguento mais. – Falei enquanto molhava sua camisa, e me enterrava no seu peito. – Eu quero o Jake de volta. – Falei chorando. – Eu não aguento mais... Por favor, faça parar. – Pedi com piedade. Eu me senti afundando cada vez mais. – Isso dói. – Falei chorando. – Faça parar. Isso dói tanto! – Gritei chorando em seu peito. Eu soluçava sentindo a tristeza me puxar pra baixo. Como se tudo finalmente estivesse desmoronando. Como se o mundo se abalasse dentro de mim, por completo.

– Calma... Calma... – Meu pai repetia. Comecei a sentir o poder de tio Jasper, e me deixei levar pela inconsciência, querendo que toda essa dor não passasse de um pesadelo.