Uma Garota Perdida
1 Capítulo 1
Elas estavam na auto estrada tinha pelo menos umas três horas; três horas sem parar, três horas corridas.Camila já demonstrava um certo cansaço. Dirigir por três horas não era agradável. Ela e mais oito garotas estavam indo a Minas Gerais gravar um vídeo. Camila e mais quatro garotas formavam uma banda: as “G Dolls”. Uma banda de rock feminino que estava na estrada da fama tinha pouco tempo. Ficariam em MG durante umas tr~es a quatro semanas, seria tempo suficiente para conhecer o estado e gravar o vídeo da sua nova música. Porém agora elas estavam entediadas e cansadas.Camila, a motorista, estava de óculos escuro, pois o sol de fim de tarde já incomodava, seu cabelo vermelho e curto balançava com o vento que batia em seu rosto. Ao lado dela estava Cristiane com seu cabelo loiro preso em uma trança; a cabeça de Cristiane estava encostada no ombro de Fernanda, uma negra cujo cabelo afro estava um pouco amarrado, ela estava encostada na porta e já dormia com o sol que batia em seu rosto. Atrás, Cristina, Andréia, Juliana, Fassandra e Sida estavam quase dormindo com exceção de Maria que olhava o pôr-do-sol pela janela e em nada pensava.Elas estavam viajando em uma vã e todos os equipamentos e instrumentos musicais estavam dentro de uma “carretinha”, um suporte atrás da vã para carregar tudo o que não cabia dentro do carro. Era umas noves horas da noite quando chegaram ao hotel onde ficariam hospedadas.
- Meninas! – chamou Camila – Acordem, chegamos ao hotel. Vamos, acordem! – chamou ela.
Uma por uma começava acordar. O hotel, onde ficariam hospedadas não era nenhum cinco estrelas, mas era bem arrumado. A fachada era em tom claro com portas e janelas em cor mais escura. Havia uma garagem onde Camila estacionou a vã; elas pegaram suas malas e foram fazer o cadastro para ficar o hotel.
- Boa noite! – começou a recepcionista – Me chamo Darlene. No que posso ajuda-las?
Darlene tinha um sorriso de orelha a orelha, usava um vestido florido feito de tecido e seu cabelo estava desajeitadamente preso. Camila não estava com muito humor, pois ela fora dirigindo desde de Brasília até Minas sem parar. Porém para não ser desagradável, forçou seus lábios a darem um breve sorriso voltando a cara carrancuda novamente.
- Boa noite! – disse ela – Eu fiz umas reservas nesse hotel.
- Sim, claro! – respondeu Darlene – Estaria no nome de quem?
- Esta no nome de Camila.
- Sim, encontrei! Nossos quartos possuem três camas cada e em cada quarto há um banheiro. – disse ela enquanto entregava três chaves
– É proibido trazer algum acompanhante homem, nosso café da manhã é servido às nove horas da manhã, após esse horário recolhemos a mesa e não há camareira, ou seja, vocês mesmas terão que arrumar as camas. Obrigada por me escutarem e sejam bem vindas ao hotel”Durma Bem”! – terminou Darlene.
As nove mulheres quase dormiram ali com tanta informação sendo passada. Darlene falou tudo isso sem jamais deixar o sorriso; Camila pensava em quantas vezes Darlene havia dito o mesmo texto, mas ela estava com a cabeça muito cansada para imaginar Darlene dizendo isso dez vezes por dia. Camila, Cristiane e Fernanda pegaram as chaves e foram para os quartos. Não havia elevador,então teriam que subir as escadarias.
Elas chegaram no primeiro corredor, Cristiane foi abrir a porta. O quarto estava escuro, começou a vasculhar a parede ao lado da porta em busca de um interruptor de luz, achou-o ascendendo as luzes em seguida. O quarto não era tão grande; mas também não era tão pequeno. Havia duas janelas grandes e em cada janela havia pequenas cortinas brancas feitas de renda. Havia três camas, uma do lado esquerdo do quarto e outra do lado direito e uma no meio das duas janelas, ou seja, as camas estavam dispostas entre o intervalo de uma cama e outra. Ao lado de cada cama havia um criado mudo e um abajur. O banheiro ficava do lado direito do quarto e na parede onde ficava a porta de entrada para o quarto, havia uma gaveteira com seis gavetas e um espelho a cima do móvel. Todos os outros quartos eram da mesma forma. Cristiane e mais duas garotas ficaram neste quarto, enquanto as outras se alojavam nos outros quartos.
Agora que estavam se preparando para dormir, percebiam o cansaço chegando e tomando conta de seus corpos, pois logo estavam dormindo e se preparando par os longo dias que viriam. Elas acordaram por volta das onze da manhã. O cansaço foi tanto que elas capotaram na cama, perdendo o café da manhã que seria servido às nove horas. Tomaram um banho para acordar, trocaram de roupa e desceram até a sala de recepção que ficava na entrada do hotel. As duas portas estavam abertas deixando a luz do dia esquentar e iluminar o lugar, uma leve brisa entrava e saia do ambiente que tinha paredes em tom salmãoe os cinco sofás, que ali tinham, possuíam estampas floridas. Em ambiente muito agradável.
Elas atravessaram a sala de recepção indo encontrar a Darlene que estava atrás do balcão.
- Posso ajuda-las? – perguntou ela. Darlene vestia um vestido todo florido e seu cabelo estava solto, um cabelo muito enrolado.Darlene olhava da cabeça aos pés uma por uma, as garotas, porque estavam um pouco mais “relaxadas” : camisetas de bandas modificadas, calças e shorts desbotados e rasgados e todas de tênis, all star, surrados.
- Daremos uma saída. – respondeu Camila.
- Vocês voltarão para almoço? — perguntou Darlene.- Não, obrigada! – respondeu
– A senhorita conhece alguma linha de trem abandonada por aqui? – a linha de trem seria para gravar o vídeo.
- Sim, conheço! – respondeu a recepcionista sempre com um sorriso – Fica perto da oficina do Seu Raul!
- E onde fica essa oficina? Darlene saiu de trás do balcão e foi até as portas do balcão para explicar onde ficava e por qual caminho elas poderiam seguir. Camila, após a explicação de Darlene, foi até a vã e tirou a “carretinha” e quinze minutos depois elas estavam na estrada. O hotel onde estavam hospedadas ficava no centro da cidade, para irem até o lugar que fora informado teriam que atravessar um pouco do centro até chegarem em uma cidade de interior. Demorava pelo menos uma hora até chegarem, fora as paradas para pedir informação. Finalmente elas tinham chegado.
A oficina por sinal era bem arrumada: uma fachada de dupla cor, preto e laranja; havia pelo menos uns cinco carros do lado de fora e uns dez homens trabalhando, homens de uniforme, com o macacão da empresa, com idade de 20 e qualquer coisa; uma enorme placa estava disposta na frente da oficina com o nome do estabelecimento. Ao verem uma vã toda preta se aproximando os funcionários pararam o que estava fazendo para ver quem era ou o que era que estava chegando. A porta lateral da vã foi aberta e uma por uma elas desceram, todas de óculos preto, pois o sol ali era forte e incomodava muito.
Todos da oficina olhavam-nas dos pés a cabeça, não sabiam elas se eles achavam-nas bonitas ou “esquisitas”, mas elas não estavam ali para paquerar aqueles rapazes imundos da oficina, só queriam falar com o dono.E não demorou muito para que um senhor de cabelo branco meio calvo, com o mesmo uniforme e limpando as mãos em uma flanela, saísse para falar com elas.- Seu Raul? – perguntou Maria.
- Sim sou eu. – respondeu ele.
- Eu sou Maria, e gostaríamos de conversar com o senhor, teria um tempo para podermos conversar? – perguntou ela.
- Tenho sim, vamos ao escritório. Ele foi na frente, logo depois Camila e Maria o seguiram enquanto as outras ficariam esperando elas.
O escritório ficava em uma sala acima da oficina. Um escritório no tom vermelho com duas janelas; uma mesa no centro com uma cadeira atrás e mais duas cadeiras a frente; havia umas estantes de vidro com alguns troféus espalhados e um móvel de ferro com três gavetas. Ele se sentou e pediu a elas que também se acomodassem.
- Então , o posso fazer por vocês? – perguntou Seu Raul. Quem falou foi Camila. Ela falou da banda e porquê estavam elas ali, o objetivo da viajem, tudo que elas precisavam para o vídeo e a proposta disso tudo.
- Interessante, sim tem uma linha de trem. – respondeu ele.
- O senhor poderia nos levar lá? – perguntou Maria.- Eu não posso, mas tem um funcionário meu que pode ajudar vocês.
- Bem, se ele puder levar a gente lá, seria ótimo – disse Maria.- Vou buscar ele. – disse Seu Raul logo saindo. Uns dez minutos depois Seu Raul volta com um rapaz caucasiano(branco), com o macacão desabotoado até a cintura e a camiseta branca a mostra. Um rapaz, dois dedos mais baixo que Maria, loiro.
- Esse é o Edílson. – falou Seu Raul.
- Olá, Edílson.- começou Camila – Eu me chamo Camila e essa é minha amiga Maria. Maria abriu um sorriso de orelha a orelha, seus olhos brilhavam; ela havia se encantado por Edílson e ele parecia encantado com Maria. Uma simples troca de olhares.
- Então Edílson – começou Camila – eu e minha amiga temos uma banda e viemos a Minas para gravar um vídeo e precisamos de um lugar bacana e pensamos em uma linha de trem abandonada ou um barraco.
- Sim por aqui tem os dois, só que no momento está fechado o acesso por causa do sumiço de uma garotinha! – disse Edílson.
- Como assim? – perguntaram as duas em uníssono.- Tem uns três meses que uma menina de 7 anos foi sequestrada, e o que parece é que ele trouxe a menina e ninguém sabe o que fizeram com o corpo dela.
- Bem, mas agora está tudo bem? – perguntou Camila.
- É pode se dizer que sim. – respondeu Edílson.
Camila e Maria se entreolharam.
- Então, pode levar a gente até lá? – perguntou Maria.
- Se vocês querem, eu levo. – respondeu Edílson. Ele começou a descer até a oficina enquanto elas o seguiam. Desceram até onde as outras estavam para chamá-las e seguiram caminho para ir a linha de trem. A linha e a suposta cabana ficava do lado esquerda à oficina uns 500 metros à frente e meio escondida no meio da mata. A linha era totalmente deserta: vagões abandonados e o mato cobria os trilhos quase todos. Um cenário perfeito para o vídeo.
Enquanto elas andavam pelos trilhos e conversavam sobre algumas ideias para o vídeo, Maria estava dispersa e pouco falava, estava pensando no vídeo, naquele lugar que parecia meio assustador e na menina desaparecida. Ela estava tão dispersa que não reparou que agora andava sozinha, até uma voz lhe chamar a atenção, mas não era uma voz qualquer, era o riso de uma criança, uma menina para ser mais exata; ela começou a seguir aquela voz, porém a voz parecia fugir dela e eram constantes os vultos que por ali passavam
- Espere! – gritava ela
– Quem é você?
Porém a menina só ficava rindo e não respondia ao seu chamado. Até que entre um vagão e outro Maria parou em uma ponta e na outra ponta havia uma menina loira, branquinha de uns 7 anos mais ou menos. Ela agora só estava parada e nada falava. Maria começou a se aproximar lentamente:
- Olá, menininha. – dizia ela
– O que você faz aqui? – ela não respondeu
– Qual o seu nome? – continuava a não responder
– Posso te levar em casa?
A menina abriu a boca para responder, porém a voz era masculina
.- Maria?! – era Edílson atrás dela.
Maria virou o rosto para trás e viu Edílson parado, mas ao olhar à sua frente de novo já não vê mais a menina. Maria começava a achar que ali talvez não fosse um bom lugar.
- Eu e suas amigas te ouvimos gritar – começou ele
– aconteceu alguma coisa?- Você viu uma menininha loira? – perguntou ela desconfiada
– De 7 anos mais ou menos? Eu estava chegando até ela quando você apareceu e ela sumiu.– ela não parecia bem, estava meio sem fôlego.
Continua...
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