Uma Garota Especial
4 O Passado
Notas iniciais
Por uma fração de segundo, o cérebro de Steve congelou. A cena que se desenrolava a sua frente provocou um efeito devastador em seus sentidos, dando-lhe a ilusão de que se materializara a imagem de uma gravura que vira na aula de Mitologia no colégio: Vênus, em todo seu esplendor, emergindo das águas em uma concha gigantesca. Sua razão lhe dizia que aquela mulher estonteante não era Vênus, mas seus instintos pareciam ignorar a razão.
– Dê meia-volta e vá embora, rapaz — uma voz interior o alertou, mas suas pernas se recusavam a obedecer.
Fácil dizer, difícil de realizar, consolou-se. Afinal, não passava de um simples mortal, feito de carne e osso... E naquele momento, ao ver Holly mergulhar, emergir e nadar com desenvoltura, expondo o corpo bem-feito sumariamente coberto por um minúsculo biquíni amarelo, soube mais do que nunca que não passava de um simples mortal. Todos os instintos masculinos afloraram, como se tivessem vida própria, provocando um efeito devastador em seus sentidos.
O melhor que pôde fazer foi esconder-se por trás de um arbusto, tentando se camuflar em meio à vegetação. A visão de Holly movendo-se com graça o fez decidir que naquela noite iria ao bar procurar por uma companhia feminina. Talvez daquela forma pudesse desviar o pensamento da súbita fixação que desenvolvera por Holly Adams.
Enquanto a observava, sentindo-se como um adolescente travesso espiando pelo buraco da fechadura, Steve voltou no tempo, para sete anos atrás, quando estava no último ano da universidade. Holly era magra e desengonçada, muito diferente da mulher que se tornara. Nunca poderia imaginar que tamanha metamorfose fosse ocorrer... Ela sempre fora insegura e tímida, ansiosa demais para fazer qualquer coisa que pudesse dar certo.
A despeito da forma como se aproximavam, como se estivessem prontos para uma batalha campal, ele percebera que ainda mexia com os sentimentos dela. Alguma coisa lhe dizia que Holly Adams ainda se importava, mesmo que fosse um sentimento hostil. Não seja tolo, rapaz, uma voz sábia ecoou em seu interior. Ignorando a advertência, continuou a trilhar a zona perigosa das lembranças. Por um número incontável de razões, não era aceitável que nutrisse fantasias eróticas a respeito da irmã de seu melhor amigo, uma garota oito anos mais jovem que ele... Da mesma forma que havia considerado inaceitável a curiosidade que Holly despertara sete anos atrás, quando se oferecera para ele.
Claro, fora decente o bastante para dizer um claro e sonoro não, sem se importar com a humilhação a que poderia submetê-la. Naquela ocasião, abdicara a ideia de sentir-se atraído por uma garota que ainda era uma criança, e reprimira o desejo com todas as forças que encontrara.
Além do senso moral, o senso de fidelidade a Susan, sua namorada naquela época, contribuiu para que recusasse a oferta insensata de Holly.
E lá estava ela, de volta a Sandy Bend como uma mulher feita, a mais atraente e sensual que jamais viu...
Steve ajeitou os óculos de sol e levou a mão à testa para proteger os olhos da luz intensa da manhã. Daquela forma, podia admirar os movimentos leves e sensuais do corpo perfeito flutuando, com os raios de sol refletindo-se na pele molhada. Com um suspiro profundo, ele estendeu o corpo e fechou os olhos, recriminando-se pela atitude infantil.
Mergulhado em seus pensamentos, teve um sobressalto quando uma voz ofegante soou tão próxima que pôde sentir o hálito quente e doce acariciar-lhe a pele.
Holly estava de pé a sua frente, fitando-o com espanto.
– Olá — cumprimentou com falsa naturalidade, ajeitando os óculos de sol. — Espero que não se importe por eu ter usado seu lago.
– Meu lago?
– Era o que Kira costumava dizer quando éramos crianças, que os Morettins eram donos do lago — ela disse enquanto corria os dedos pelos cabelos longos, sem imaginar o que aquele gesto inocente era capaz de provocar.
Steve prendeu a respiração e tentou focalizar a atenção no que ela dizia.
– Minha adorável irmã também tem certeza de que somos donos do mundo. — Ele fez uma pausa, considerando o assunto. — Na verdade, acho que ela tem os recibos do cartão de crédito para provar isso.
Holly que não conteve uma gargalhada, enquanto secava o corpo com as palmas das mãos, tentando encobrir sua seminudez. Pensamentos indesejáveis a assaltaram, e se pôs a imaginar o tom dourado da pele escondido por trás das roupas que cobriam o corpo másculo, e sentiu o efeito físico imediato de tal pensamento.
– Fique à vontade para usar o lago. Só gostaria que me explicasse uma coisa que não entendi... O que faz aquela areia na caminhonete de Bud?
– Ah, aquilo? — gaguejando, ela hesitou por um segundo. — Não se preocupe, será por uma boa causa.
Steve abaixou os olhos, evitando a tentação de admirar o corpo bem-feito em todos os detalhes.
– E poderia me dizer para que causa tão nobre estou dando minha modesta contribuição?
– Sim, claro! Pensei em forrar a carroceria do trator com areia e decorá-la com motivos marítimos, como uma praia. E a única casa que conheço que poderia me dar acesso à areia é a sua. Você se importa?
– Não, há areia para todos. Além disso, estou acostumado a dividir tudo que tenho nesta casa com seu irmão mais velho, que parece achar que minha cerveja tem sabor especial...
Holly riu com vontade, e o som daquela risada provocou uma estranha sensação de calor que fez Steve derreter por dentro.
– Sinto muito por atrapalhar seu repouso. Achei que você não estivesse em casa. Prometo que não vou atrapalhar novamente.
Impossível, Steve pensou para si. Desenvolvera um radar que, mesmo quando ela estava a quilômetros de distância, poderia perceber a presença dela. Descontente com tal descoberta, reconheceu a sensação como um eco distante dos sentimentos reprimidos de sete anos atrás.
– Você está toda molhada. Quer que lhe empreste uma camiseta?
– Não, obrigada, minha roupa está na caminhonete. Com este calor, estarei seca em poucos minutos.
– Espere aqui, volto num instante.
Ele deu-lhe as costas, saindo antes que ela pudesse impedi-lo.
Quando Holly o viu entrar para o interior da casa, caminhou até o deque e sentou-se em um banco, receando que fosse desmaiar. Seu corpo todo tremia, e sabia que não era de frio.
Reviver velhos fantasmas foi fácil enquanto estava distante... Mas desde que viu Steve, o passado emergiu com uma força maior do que podia suportar.
Sentindo-se fraca demais para lutar contra as sensações que invadiam seu corpo, reclinou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. O brilho daquele dia de sol e a alegria do canto dos pássaros desapareceram de súbito, dando lugar a uma sombra escura que a perseguia fazia muito tempo.
Holly conteve as lágrimas, sem conseguir evitar as lembranças que a atormentavam. Como em um filme, reviu a cena que se desenrolara naquele deque muitos anos atrás, quando ela se ofereceu para Steve, nua e trêmula, sob a luz do luar.
As imagens dançavam em sua cabeça como um caleidoscópio de cores e sons que se reduziam a um único pensamento: precisava esquecer o passado e tirar Steve de sua vida. Porém, a presença daquele homem permanecia sólida e inabalável como se ocupasse parte de sua alma.
Holly apertou os olhos à medida que o vulto de Steve se delineava, aproximando-se com passos rápidos. Trazia com ele uma toalha, e estendeu-a em sua direção.
Ao apanhar a toalha, suas mãos foram detidas no ar.
– O que houve com suas mãos?
Com um gesto defensivo, Holly cobriu-as com a toalha e se pôs a secar os cabelos freneticamente.
– Não é nada — mentiu, ignorando a dor provocada pelas bolhas na pele fina das palmas da mão — Não estou acostumada ao trabalho braçal.
Steve segurou-a pelos punhos com ar preocupado.
– Deixe-me ver como estão.
Holly recuou, assustada. Podia administrar as emoções enquanto ele permanecesse a uma certa distância física, mas não conseguiria manter o autocontrole se ele a tocasse.
– Não se preocupe, eu ficarei bem.
– Temos que cuidar disto. Suas mãos estão em carne viva! Se não fizer um curativo, poderão inflamar.
– Eu sou a doutora aqui, lembra-se? — ela ainda tentou brincar, mas o olhar firme a fez desistir.
Ignorando os protestos, ele a conduziu para o interior da casa e a fez sentar-se à mesa da cozinha. Com um gesto imperativo, impediu-a de sair, enquanto abria a gaveta do armário e retirava um estojo de primeiros socorros.
– Prometo que não vai doer!
Bem-humorado, Steve tomou as mãos delicadas entre as suas e aplicou antiséptico sobre o machucado.
– Ai! Isto arde!
– Você conhece um ditado que diz: "O que arde cura, o que aperta segura"?
– Sim, meu pai costumava mencioná-lo sempre que eu aparecia com algum machucado e ele me obrigava a fazer curativo. E, como você sabe, isso era muito comum em minha infância...
Steve a fitou, e o brilho das íris castanho-escuras a fez derreter. Ele não precisou dizer nada para demonstrar que compreendera a mensagem subliminar das palavras. Sabia que ele também se lembrava da adolescente catastrófica, embora tivesse a gentileza de não mencionar o fato nenhuma vez desde que haviam se encontrado.
– Steve, gostaria de conversar — murmurou ela, estimulada pelo clima de intimidade que os envolvia.
– Sou todo ouvidos — incentivou ele, sem erguer os olhos enquanto aplicava uma pomada no ferimento.
– É sobre aquela noite da formatura de minha classe do colegial...
– Oh, aquilo?
Com um gesto vago, ele meneou a cabeça, como se já tivesse esquecido o assunto. A reação inesperada deixou-a aliviada a princípio, mas bastou um segundo para que Holly compreendesse que não havia significado nada para ele.
Steve não esperou que ela continuasse. Levantou-se e foi até a geladeira.
– Preciso ir ao supermercado. Pensei em lhe oferecer algo para beber, mas só tenho suco de laranja.
– Está ótimo, obrigada. — Mortificada, apanhou o copo e bebeu um pequeno gole. — Mas continuo querendo conversar. É importante para mim.
– Vocês, mulheres, têm uma necessidade incrível de conversar! Nunca lhes ocorre que há pequenos segredos que devem ser preservados? — Sentando-se à frente dela, Steve serviu-se de suco, evitando encará-la. — Ao contrário da crença feminina, há muitas coisas que não podem se resolver mesmo com horas de conversa. Se o diálogo fosse tão eficaz como pensam, garantiria meu emprego no próximo ano e Susan não me abandonaria, como fez há alguns anos.
Holly ouviu o desabafo e teve certeza que não sabia quase nada a respeito daquele homem. Nunca entendera por quê um homem como ele não havia se casado. Então, o mistério começava a ser desvendado... Susan Miller, a garota que ela sempre desejou ser, seu ideal de feminilidade, era a causa do sofrimento de Steve.
Por um breve instante, debateu-se entre continuar a conversa ou sair correndo dali. Porém, sabia que não haveria outra oportunidade como aquela, e decidiu aproveitá-la ao máximo.
– Certo, em parte você tem razão. Mas para mim, voltar para cá tem um significado especial. Não é segredo para você que minha adolescência foi difícil, e preciso enfrentar os fantasmas do passado para que eu possa seguir minha vida.
– Você ficará apenas por mais alguns dias. Por que insistir no assunto?
– Steve, é importante para mim. Por favor...
– Está bem, vá em frente!
Resignado, ele ergueu as mãos e suspirou, dando-se por vencido.
– Naquela noite, quando você me encontrou no deque... Honestamente, eu não havia planejado nada. Queria apenas ficar sozinha.
O olhar cético que recebeu a fez reconsiderar.
– Bem, para ser honesta, o que fiz foi a consequência da combinação de minha primeira cerveja com minha estupidez — confessou num desabafo.
– Entendo... Cerveja e estupidez... — Ele a fitou com um sorriso. — Bem, explicação aceita. Podemos encerrar o assunto?
– Ainda não.
Steve recostou-se na cadeira, preparando-se para outra carga.
– Tentei seduzi-lo, e não há como me desculpar pelo que fiz. Quero apenas explicar.
O que estava por dizer fez com que se sentisse mais nua do que ficou sete anos atrás.
– Você nunca quis alguma coisa mais do que tudo na vida, mesmo sabendo que nunca poderia tê-la?
Ele não disse nada, e Holly imaginou que Steve sempre tivera tudo que havia desejado, enquanto ela consolava-se com sonhos.
– Tudo que eu sempre quis foi que você me notasse.
A revelação fez com que ele sentisse que, subitamente, todo o ar do ambiente houvesse sido drenado. Notou que ela estava pálida e suas mãos tremiam, e refreou o súbito impulso de tocá-la.
– Holly, eu a notava. Embora você não acredite, sempre a achei adorável... especialmente naquela noite.
Sem dizer mais nada, ele se levantou e saiu da cozinha.
– Boa tentativa, mas você não vai escapar assim tão fácil — ela gritou, saindo ao encalço dele.
– Esqueça aquela noite, está bem? — Detendo-se, ele a fitou. — Eu já esqueci há muito tempo.
Surpreso com a facilidade com que mentia, Steve desviou o olhar. Como sugerir que ela esquecesse, se ele próprio jamais apagou da memória as particularidades daquela noite? A graça inocente com que ela soltava os cabelos e despira o vestido, expondo o corpo jovem, alvo e macio... Quero você... O som daquelas palavras em voz rouca e sensual ainda o atormentava. Lutando bravamente contra o desejo de possuí-la, Steve apenas a fitou como se estivesse presenciando um ato de insanidade. Ordenou que se vestisse e lhe deu as costas, afastando-se com passos firmes.
Holly se mantinha em silêncio, relembrando a sensação angustiante de ser a pior das mulheres do mundo. Uma semana após aquela noite, mudou-se para a Califórnia. Perturbada pelo trauma e pela vergonha, nunca mais tivera um encontro romântico até completar vinte e três anos.
– Ouça, não agi corretamente quando me despi, mas você não precisava ter me tratado como se eu tivesse uma doença contagiosa!
– Certo, eu agia como um imbecil, mas o que você esperava? Você tinha apenas dezesseis anos...
– Dezoito! — corrigiu ela.
– Bem, isso não vem ao caso. Droga, Holly, o que você fez foi errado. Sua atitude me deixou confuso por muito tempo. Achei que eu poderia ter insinuado que estava interessado, ou que, de alguma forma...
Ele se interrompeu, e fez um gesto de desespero. Então, deu-lhe as costas e seguiu em direção à caminhonete. Holly tentou não observar o contorno dos músculos contra o tecido da camiseta enquanto ele caminhava, mas seria pedir muito para uma simples mortal...
Tentando compreender a atitude dele naquela ocasião, ela repetia para si que Steve colocava a honra em primeiro lugar. Jamais violaria as regras que sempre havia seguido: era amigo da família, e seria incapaz de trair a confiança dos Adams.
– Ouça, sei que a atração que sentia não era recíproca, mas você poderia... — ainda insistiu, mas foi interrompida.
– Não, eu não poderia! Eu não tinha condições de pensar, estava agindo sob efeito de pura adrenalina. Recusava-me a aceitar que me sentia atraído por uma criança fazendo strip-tease para mim!
– Eu tinha dezoito anos, não era mais uma criança!
Furiosa, Holly caminhou com passos firmes até a cabine, abriu a porta e entrou. Ignorou quando ele sentou ao seu lado, no banco de passageiros, um segundo mais tarde.
– Holly...
A ponto de chorar, ela girou a chave na ignição, disposta a sair.
– Saia e vá embora! — Disse entre dentes, lutando contra as lágrimas.
Ele tomou as mãos trêmulas com gentileza, impedindo-a de dar a partida.
– Vamos fazer as pazes?
Holly suspirou, desarmada com a proposta inesperada.
– Sinto muito por tudo que aconteceu. Você era imatura e inexperiente, eu deveria ter sido mais cuidadoso. — Steve hesitou antes de prosseguir: — E, acredite, eu nunca achei que você fosse feia. Na verdade, você se transformou em uma mulher deslumbrante.
Holly não conteve um sorriso, saboreando cada palavra que ouvia.
– Certo, estou disposta a fazer um acordo. — Ela o fitou, vislumbrando a expectativa nos belos olhos castanhos. — Nunca mais farei strip-tease para você se me prometer que se submeterá a um treino de sensibilidade com tia Althea.
As sobrancelhas espessas se ergueram em um movimento sexy, que realçava o brilho dos olhos sensuais.
– Humm... Se eu não aceitar, significa que fará outro strip-tease?
Holly tentou manter a naturalidade diante da insinuação explícita, mas sabia que não estava sendo autêntica. Um daqueles horríveis silêncios pairou sobre eles, sem que ela soubesse o que fazer.
Steve se aproximou, e algo mais intenso do que o silêncio se interpôs entre eles. De súbito, o ar tornou-se pesado e um calor insuportável fez brotar gotículas de suor em sua testa. A ideia de beijá-lo provocou-lhe um violento espasmo no ventre, enquanto o tempo parecia parar... Até que uma inesperada interrupção os sobressaltou.
– Não é mesmo uma gracinha?
Kiara Morettin enfiou os braços pela janela de passageiro e sorriu, como se estivesse assistindo a um show na televisão. Embaraçada, Holly passou da deliciosa sensação de enlevo para o mais completo desprazer. Em uma fração de segundo, lembrou-se de que eram amigas sinceras, até que um dia um desagradável acontecimento fizera com que rompessem a amizade.
No verão em que ambas tinham catorze anos, alguns rapazes as convidaram para uma festa. Kiara, que tinha o apelido de "loira gelada", era incrivelmente bonita e sempre chamava a atenção de todos os rapazes. Holly havia recusado o convite e, depois de ouvir as acusações da amiga, foi esconder-se no celeiro. Kiara foi sozinha, bebera além da conta, e estava no volante quando sofreu um terrível acidente de carro na estrada.
Holly recebeu a ligação desesperada de um dos rapazes, e chamou Mitch para socorrê-los logo após o acidente. Depois de ter certeza de que o assunto estava abafado, Walter Morettin fizera com que esquecessem o acontecido, e Steve nunca soube a verdade.
Ela nunca disse uma palavra a ninguém. Eram amigas, e Holly sabia como ser leal.
Depois de ficar internada em estado grave no hospital, tudo mudou. Kiara dissera a todos que a culpa era da amiga, que havia insistido para que ela fosse, e rompera a amizade. Bud Adams, que era o chefe de polícia na ocasião, sabia o que havia acontecido, e tentou consolá-la, dizendo-lhe que ela agira corretamente e que um dia tudo seria esclarecido.
Fitando-a, Holly se pôs a pensar que ainda esperava que aquele dia chegasse.
– Steve, estava a sua procura. Todas as pessoas importantes da cidade vão se encontrar no bar hoje à noite. Você tem que ir.
Constrangida por ser ignorada, ela voltou-se para a janela e colocou os óculos de sol.
– Dê-me uma boa razão para ir — ele desafiou, irritado com o comportamento antipático e esnobe da irmã.
– Bem, prometi a Susan que você estaria lá. Ela quer apresentar-lhe seu noivo.
Susan? A simples menção daquele nome fez o coração de Holly perder um compasso. Steve ainda estaria apaixonado? Olhou-o de lado, mas não conseguiu decifrar a expressão neutra do rosto viril.
– O que dirão, se você não aparecer? Não vai querer que pensem que ela ainda o perturba, não é?
Se a opinião de Holly contasse, e estava certa de que não significava nada, teria sugerido que Steve não aparecesse, e que todos pensassem o que quisessem!
Exatamente naquele momento, ele colocou as mãos sobre os joelhos dela, fazendo-a dar um pulo. Então, ele a fitou com cumplicidade e sorriu.
– Holly, sei que prometi ir a algum lugar melhor do que o Truro's para jantar, mas importa-se se passarmos por lá?
Chocada com o convite, ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram. Ao ver o olhar de súplica nos belos olhos, não teve argumentos.
– Claro, podemos passar por lá, se isto o fizer feliz.
O choque de Kiara quase a fez rir. Suspirando fundo, ela deu-lhes as costas e entrou na casa, indignada.
– Obrigado, Holly.
– Não há de quê — A conversa sobre o passado a sensibilizou, e sentiu-se feliz por ajudá-lo. — Bem, tenho que voltar à fazenda. Preciso adiantar o trabalho da decoração do carro.
– Vou apanhá-la às sete horas.
– Combinado.
Steve permaneceu no mesmo lugar até que a caminhonete sumisse na estrada. Quem diria, Holly Terror, jantando com ele no Truro's...
Com um sorriso de satisfação, esfregou as mãos e entrou na casa, ansioso para que o dia passasse logo.
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