Notas iniciais
"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração." - William Shakespeare

Por uma fração de segundo, o cérebro de Steve congelou. A cena que se desenrolava a sua frente provocou um efeito devastador em seus sentidos, dan­do-lhe a ilusão de que se materializara a imagem de uma gravura que vira na aula de Mitologia no colégio: Vênus, em todo seu esplendor, emergindo das águas em uma concha gigantesca. Sua razão lhe dizia que aquela mulher eston­teante não era Vênus, mas seus instintos pareciam ignorar a razão.

– Dê meia-volta e vá embora, rapaz — uma voz interior o alertou, mas suas pernas se recusavam a obedecer.

Fácil dizer, difícil de realizar, consolou-se. Afinal, não pas­sava de um simples mortal, feito de carne e osso... E naquele momento, ao ver Holly mergulhar, emergir e nadar com desenvoltura, expondo o corpo bem-feito sumariamente co­berto por um minúsculo biquíni amarelo, soube mais do que nunca que não passava de um simples mortal. Todos os ins­tintos masculinos afloraram, como se tivessem vida própria, provocando um efeito devastador em seus sentidos.

O melhor que pôde fazer foi esconder-se por trás de um arbusto, tentando se camuflar em meio à vegetação. A visão de Holly movendo-se com graça o fez decidir que naquela noite iria ao bar procurar por uma companhia feminina. Talvez daquela forma pudesse desviar o pensamento da sú­bita fixação que desenvolvera por Holly Adams.

Enquanto a observava, sentindo-se como um adolescente travesso espiando pelo buraco da fechadura, Steve voltou no tempo, para sete anos atrás, quando estava no último ano da universidade. Holly era magra e desengonçada, muito diferente da mulher que se tornara. Nunca poderia imaginar que tamanha metamorfose fosse ocorrer... Ela sempre fora insegura e tímida, ansiosa demais para fazer qualquer coisa que pudesse dar certo.

A despeito da forma como se aproximavam, como se es­tivessem prontos para uma batalha campal, ele percebera que ainda mexia com os sentimentos dela. Alguma coisa lhe dizia que Holly Adams ainda se importava, mesmo que fos­se um sentimento hostil. Não seja tolo, rapaz, uma voz sábia ecoou em seu interior. Ignorando a advertência, continuou a trilhar a zona perigosa das lembranças. Por um número incontável de razões, não era aceitável que nutrisse fanta­sias eróticas a respeito da irmã de seu melhor amigo, uma garota oito anos mais jovem que ele... Da mesma forma que havia considerado inaceitável a curiosidade que Holly des­pertara sete anos atrás, quando se oferecera para ele.

Claro, fora decente o bastante para dizer um claro e so­noro não, sem se importar com a humilhação a que poderia submetê-la. Naquela ocasião, abdicara a ideia de sentir-se atraído por uma garota que ainda era uma criança, e repri­mira o desejo com todas as forças que encontrara.

Além do senso moral, o senso de fidelidade a Susan, sua namorada naquela época, contribuiu para que recusasse a oferta insensata de Holly.

E lá estava ela, de volta a Sandy Bend como uma mulher feita, a mais atraente e sensual que jamais viu...

Steve ajeitou os óculos de sol e levou a mão à testa para proteger os olhos da luz intensa da manhã. Daquela forma, podia admirar os movimentos leves e sensuais do corpo per­feito flutuando, com os raios de sol refletindo-se na pele mo­lhada. Com um suspiro profundo, ele estendeu o corpo e fechou os olhos, recriminando-se pela atitude infantil.

Mergulhado em seus pensamentos, teve um sobressalto quando uma voz ofegante soou tão próxima que pôde sentir o hálito quente e doce acariciar-lhe a pele.

Holly estava de pé a sua frente, fitando-o com espanto.

– Olá — cumprimentou com falsa naturalidade, ajeitan­do os óculos de sol. — Espero que não se importe por eu ter usado seu lago.

– Meu lago?

– Era o que Kira costumava dizer quando éramos crian­ças, que os Morettins eram donos do lago — ela disse en­quanto corria os dedos pelos cabelos longos, sem imaginar o que aquele gesto inocente era capaz de provocar.

Steve prendeu a respiração e tentou focalizar a atenção no que ela dizia.

– Minha adorável irmã também tem certeza de que so­mos donos do mundo. — Ele fez uma pausa, considerando o assunto. — Na verdade, acho que ela tem os recibos do cartão de crédito para provar isso.

Holly que não conteve uma gargalhada, enquanto secava o corpo com as palmas das mãos, tentando encobrir sua se­minudez. Pensamentos indesejáveis a assaltaram, e se pôs a imaginar o tom dourado da pele escondido por trás das roupas que cobriam o corpo másculo, e sentiu o efeito físico imediato de tal pensamento.

– Fique à vontade para usar o lago. Só gostaria que me explicasse uma coisa que não entendi... O que faz aquela areia na caminhonete de Bud?

– Ah, aquilo? — gaguejando, ela hesitou por um segundo. — Não se preocupe, será por uma boa causa.

Steve abaixou os olhos, evitando a tentação de admirar o corpo bem-feito em todos os detalhes.

– E poderia me dizer para que causa tão nobre estou dando minha modesta contribuição?

– Sim, claro! Pensei em forrar a carroceria do trator com areia e decorá-la com motivos marítimos, como uma praia. E a única casa que conheço que poderia me dar acesso à areia é a sua. Você se importa?

– Não, há areia para todos. Além disso, estou acostumado a dividir tudo que tenho nesta casa com seu irmão mais velho, que parece achar que minha cerveja tem sabor especial...

Holly riu com vontade, e o som daquela risada provocou uma estranha sensação de calor que fez Steve derreter por dentro.

– Sinto muito por atrapalhar seu repouso. Achei que você não estivesse em casa. Prometo que não vou atrapalhar no­vamente.

Impossível, Steve pensou para si. Desenvolvera um radar que, mesmo quando ela estava a quilômetros de distância, poderia perceber a presença dela. Descontente com tal des­coberta, reconheceu a sensação como um eco distante dos sentimentos reprimidos de sete anos atrás.

– Você está toda molhada. Quer que lhe empreste uma camiseta?

– Não, obrigada, minha roupa está na caminhonete. Com este calor, estarei seca em poucos minutos.

– Espere aqui, volto num instante.

Ele deu-lhe as costas, saindo antes que ela pudesse im­pedi-lo.

Quando Holly o viu entrar para o interior da casa, cami­nhou até o deque e sentou-se em um banco, receando que fosse desmaiar. Seu corpo todo tremia, e sabia que não era de frio.

Reviver velhos fantasmas foi fácil enquanto estava dis­tante... Mas desde que viu Steve, o passado emergiu com uma força maior do que podia suportar.

Sentindo-se fraca demais para lutar contra as sensações que invadiam seu corpo, reclinou a cabeça no encosto do banco e fechou os olhos. O brilho daquele dia de sol e a alegria do canto dos pássaros desapareceram de súbito, dan­do lugar a uma sombra escura que a perseguia fazia muito tempo.

Holly conteve as lágrimas, sem conseguir evitar as lem­branças que a atormentavam. Como em um filme, reviu a cena que se desenrolara naquele deque muitos anos atrás, quando ela se ofereceu para Steve, nua e trêmula, sob a luz do luar.

As imagens dançavam em sua cabeça como um caleidos­cópio de cores e sons que se reduziam a um único pensa­mento: precisava esquecer o passado e tirar Steve de sua vida. Porém, a presença daquele homem permanecia sólida e inabalável como se ocupasse parte de sua alma.

Holly apertou os olhos à medida que o vulto de Steve se delineava, aproximando-se com passos rápidos. Trazia com ele uma toalha, e estendeu-a em sua direção.

Ao apanhar a toalha, suas mãos foram detidas no ar.

– O que houve com suas mãos?

Com um gesto defensivo, Holly cobriu-as com a toalha e se pôs a secar os cabelos freneticamente.

– Não é nada — mentiu, ignorando a dor provocada pelas bolhas na pele fina das palmas da mão — Não estou acos­tumada ao trabalho braçal.

Steve segurou-a pelos punhos com ar preocupado.

– Deixe-me ver como estão.

Holly recuou, assustada. Podia administrar as emoções enquanto ele permanecesse a uma certa distância física, mas não conseguiria manter o autocontrole se ele a tocasse.

– Não se preocupe, eu ficarei bem.

– Temos que cuidar disto. Suas mãos estão em carne viva! Se não fizer um curativo, poderão inflamar.

– Eu sou a doutora aqui, lembra-se? — ela ainda tentou brincar, mas o olhar firme a fez desistir.

Ignorando os protestos, ele a conduziu para o interior da casa e a fez sentar-se à mesa da cozinha. Com um gesto imperativo, impediu-a de sair, enquanto abria a gaveta do armário e retirava um estojo de primeiros socorros.

– Prometo que não vai doer!

Bem-humorado, Steve tomou as mãos delicadas entre as suas e aplicou antiséptico sobre o machucado.

– Ai! Isto arde!

– Você conhece um ditado que diz: "O que arde cura, o que aperta segura"?

– Sim, meu pai costumava mencioná-lo sempre que eu aparecia com algum machucado e ele me obrigava a fazer curativo. E, como você sabe, isso era muito comum em minha infância...

Steve a fitou, e o brilho das íris castanho-escuras a fez derreter. Ele não precisou dizer nada para demonstrar que compreendera a mensagem subliminar das palavras. Sabia que ele também se lembrava da adolescente catastrófica, embora tivesse a gentileza de não mencionar o fato nenhuma vez desde que haviam se encontrado.

– Steve, gostaria de conversar — murmurou ela, estimu­lada pelo clima de intimidade que os envolvia.

– Sou todo ouvidos — incentivou ele, sem erguer os olhos enquanto aplicava uma pomada no ferimento.

– É sobre aquela noite da formatura de minha classe do colegial...

– Oh, aquilo?

Com um gesto vago, ele meneou a cabeça, como se já ti­vesse esquecido o assunto. A reação inesperada deixou-a ali­viada a princípio, mas bastou um segundo para que Holly compreendesse que não havia significado nada para ele.

Steve não esperou que ela continuasse. Levantou-se e foi até a geladeira.

– Preciso ir ao supermercado. Pensei em lhe oferecer algo para beber, mas só tenho suco de laranja.

– Está ótimo, obrigada. — Mortificada, apanhou o copo e bebeu um pequeno gole. — Mas continuo querendo con­versar. É importante para mim.

– Vocês, mulheres, têm uma necessidade incrível de con­versar! Nunca lhes ocorre que há pequenos segredos que devem ser preservados? — Sentando-se à frente dela, Steve serviu-se de suco, evitando encará-la. — Ao contrário da crença feminina, há muitas coisas que não podem se resolver mesmo com horas de conversa. Se o diálogo fosse tão eficaz como pensam, garantiria meu emprego no próximo ano e Susan não me abandonaria, como fez há alguns anos.

Holly ouviu o desabafo e teve certeza que não sabia quase nada a respeito daquele homem. Nunca entendera por quê um homem como ele não havia se casado. Então, o mistério começava a ser desvendado... Susan Miller, a garota que ela sempre desejou ser, seu ideal de feminilidade, era a causa do sofrimento de Steve.

Por um breve instante, debateu-se entre continuar a con­versa ou sair correndo dali. Porém, sabia que não haveria outra oportunidade como aquela, e decidiu aproveitá-la ao máximo.

– Certo, em parte você tem razão. Mas para mim, voltar para cá tem um significado especial. Não é segredo para você que minha adolescência foi difícil, e preciso enfrentar os fantasmas do passado para que eu possa seguir minha vida.

– Você ficará apenas por mais alguns dias. Por que in­sistir no assunto?

– Steve, é importante para mim. Por favor...

– Está bem, vá em frente!

Resignado, ele ergueu as mãos e suspirou, dando-se por vencido.

– Naquela noite, quando você me encontrou no deque... Honestamente, eu não havia planejado nada. Queria apenas ficar sozinha.

O olhar cético que recebeu a fez reconsiderar.

– Bem, para ser honesta, o que fiz foi a consequência da combinação de minha primeira cerveja com minha estupidez — confessou num desabafo.

– Entendo... Cerveja e estupidez... — Ele a fitou com um sorriso. — Bem, explicação aceita. Podemos encerrar o as­sunto?

– Ainda não.

Steve recostou-se na cadeira, preparando-se para outra carga.

– Tentei seduzi-lo, e não há como me desculpar pelo que fiz. Quero apenas explicar.

O que estava por dizer fez com que se sentisse mais nua do que ficou sete anos atrás.

– Você nunca quis alguma coisa mais do que tudo na vida, mesmo sabendo que nunca poderia tê-la?

Ele não disse nada, e Holly imaginou que Steve sempre tivera tudo que havia desejado, enquanto ela consolava-se com sonhos.

– Tudo que eu sempre quis foi que você me notasse.

A revelação fez com que ele sentisse que, subitamente, todo o ar do ambiente houvesse sido drenado. Notou que ela estava pálida e suas mãos tremiam, e refreou o súbito im­pulso de tocá-la.

– Holly, eu a notava. Embora você não acredite, sempre a achei adorável... especialmente naquela noite.

Sem dizer mais nada, ele se levantou e saiu da cozinha.

– Boa tentativa, mas você não vai escapar assim tão fácil — ela gritou, saindo ao encalço dele.

– Esqueça aquela noite, está bem? — Detendo-se, ele a fitou. — Eu já esqueci há muito tempo.

Surpreso com a facilidade com que mentia, Steve desviou o olhar. Como sugerir que ela esquecesse, se ele próprio ja­mais apagou da memória as particularidades daquela noi­te? A graça inocente com que ela soltava os cabelos e despira o vestido, expondo o corpo jovem, alvo e macio... Quero você... O som daquelas palavras em voz rouca e sensual ainda o atormentava. Lutando bravamente contra o desejo de pos­suí-la, Steve apenas a fitou como se estivesse presenciando um ato de insanidade. Ordenou que se vestisse e lhe deu as costas, afastando-se com passos firmes.

Holly se mantinha em silêncio, relembrando a sensação angustiante de ser a pior das mulheres do mundo. Uma se­mana após aquela noite, mudou-se para a Califórnia. Per­turbada pelo trauma e pela vergonha, nunca mais tivera um encontro romântico até completar vinte e três anos.

– Ouça, não agi corretamente quando me despi, mas você não precisava ter me tratado como se eu tivesse uma doença contagiosa!

– Certo, eu agia como um imbecil, mas o que você espe­rava? Você tinha apenas dezesseis anos...

– Dezoito! — corrigiu ela.

– Bem, isso não vem ao caso. Droga, Holly, o que você fez foi errado. Sua atitude me deixou confuso por muito tem­po. Achei que eu poderia ter insinuado que estava interes­sado, ou que, de alguma forma...

Ele se interrompeu, e fez um gesto de desespero. Então, deu-lhe as costas e seguiu em direção à caminhonete. Holly tentou não observar o contorno dos músculos contra o tecido da camiseta enquanto ele caminhava, mas seria pedir muito para uma simples mortal...

Tentando compreender a atitude dele naquela ocasião, ela repetia para si que Steve colocava a honra em primeiro lu­gar. Jamais violaria as regras que sempre havia seguido: era amigo da família, e seria incapaz de trair a confiança dos Adams.

– Ouça, sei que a atração que sentia não era recíproca, mas você poderia... — ainda insistiu, mas foi interrompida.

– Não, eu não poderia! Eu não tinha condições de pensar, estava agindo sob efeito de pura adrenalina. Recusava-me a aceitar que me sentia atraído por uma criança fazendo strip-tease para mim!

– Eu tinha dezoito anos, não era mais uma criança!

Furiosa, Holly caminhou com passos firmes até a cabine, abriu a porta e entrou. Ignorou quando ele sentou ao seu lado, no banco de passageiros, um segundo mais tarde.

– Holly...

A ponto de chorar, ela girou a chave na ignição, disposta a sair.

– Saia e vá embora! — Disse entre dentes, lutando contra as lágrimas.

Ele tomou as mãos trêmulas com gentileza, impedindo-a de dar a partida.

– Vamos fazer as pazes?

Holly suspirou, desarmada com a proposta inesperada.

– Sinto muito por tudo que aconteceu. Você era imatura e inexperiente, eu deveria ter sido mais cuidadoso. — Steve hesitou antes de prosseguir: — E, acredite, eu nunca achei que você fosse feia. Na verdade, você se transformou em uma mulher deslumbrante.

Holly não conteve um sorriso, saboreando cada palavra que ouvia.

– Certo, estou disposta a fazer um acordo. — Ela o fitou, vislumbrando a expectativa nos belos olhos castanhos. — Nunca mais farei strip-tease para você se me prometer que se submeterá a um treino de sensibilidade com tia Althea.

As sobrancelhas espessas se ergueram em um movimento sexy, que realçava o brilho dos olhos sensuais.

– Humm... Se eu não aceitar, significa que fará outro strip-tease?

Holly tentou manter a naturalidade diante da insinuação explícita, mas sabia que não estava sendo autêntica. Um daqueles horríveis silêncios pairou sobre eles, sem que ela soubesse o que fazer.

Steve se aproximou, e algo mais intenso do que o silêncio se interpôs entre eles. De súbito, o ar tornou-se pesado e um calor insuportável fez brotar gotículas de suor em sua testa. A ideia de beijá-lo provocou-lhe um violento espasmo no ven­tre, enquanto o tempo parecia parar... Até que uma inespe­rada interrupção os sobressaltou.

– Não é mesmo uma gracinha?

Kiara Morettin enfiou os braços pela janela de passageiro e sorriu, como se estivesse assistindo a um show na televi­são. Embaraçada, Holly passou da deliciosa sensação de enlevo para o mais completo desprazer. Em uma fração de segundo, lembrou-se de que eram amigas sinceras, até que um dia um desagradável acontecimento fizera com que rom­pessem a amizade.

No verão em que ambas tinham catorze anos, alguns ra­pazes as convidaram para uma festa. Kiara, que tinha o ape­lido de "loira gelada", era incrivelmente bonita e sempre cha­mava a atenção de todos os rapazes. Holly havia recusado o convite e, depois de ouvir as acusações da amiga, foi es­conder-se no celeiro. Kiara foi sozinha, bebera além da con­ta, e estava no volante quando sofreu um terrível acidente de carro na estrada.

Holly recebeu a ligação desesperada de um dos rapazes, e chamou Mitch para socorrê-los logo após o acidente. De­pois de ter certeza de que o assunto estava abafado, Walter Morettin fizera com que esquecessem o acontecido, e Steve nun­ca soube a verdade.

Ela nunca disse uma palavra a ninguém. Eram amigas, e Holly sabia como ser leal.

Depois de ficar internada em estado grave no hospital, tudo mudou. Kiara dissera a todos que a culpa era da amiga, que havia insistido para que ela fosse, e rompera a amizade. Bud Adams, que era o chefe de polícia na ocasião, sabia o que havia acontecido, e tentou consolá-la, dizendo-lhe que ela agira corretamente e que um dia tudo seria esclarecido.

Fitando-a, Holly se pôs a pensar que ainda esperava que aquele dia chegasse.

– Steve, estava a sua procura. Todas as pessoas impor­tantes da cidade vão se encontrar no bar hoje à noite. Você tem que ir.

Constrangida por ser ignorada, ela voltou-se para a janela e colocou os óculos de sol.

– Dê-me uma boa razão para ir — ele desafiou, irritado com o comportamento antipático e esnobe da irmã.

– Bem, prometi a Susan que você estaria lá. Ela quer apresentar-lhe seu noivo.

Susan? A simples menção daquele nome fez o coração de Holly perder um compasso. Steve ainda estaria apaixonado? Olhou-o de lado, mas não conseguiu decifrar a expressão neutra do rosto viril.

– O que dirão, se você não aparecer? Não vai querer que pensem que ela ainda o perturba, não é?

Se a opinião de Holly contasse, e estava certa de que não significava nada, teria sugerido que Steve não aparecesse, e que todos pensassem o que quisessem!

Exatamente naquele momento, ele colocou as mãos sobre os joelhos dela, fazendo-a dar um pulo. Então, ele a fitou com cumplicidade e sorriu.

– Holly, sei que prometi ir a algum lugar melhor do que o Truro's para jantar, mas importa-se se passarmos por lá?

Chocada com o convite, ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram. Ao ver o olhar de súplica nos belos olhos, não teve argumentos.

– Claro, podemos passar por lá, se isto o fizer feliz.

O choque de Kiara quase a fez rir. Suspirando fundo, ela deu-lhes as costas e entrou na casa, indignada.

– Obrigado, Holly.

– Não há de quê — A conversa sobre o passado a sensi­bilizou, e sentiu-se feliz por ajudá-lo. — Bem, tenho que voltar à fazenda. Preciso adiantar o trabalho da decoração do carro.

– Vou apanhá-la às sete horas.

– Combinado.

Steve permaneceu no mesmo lugar até que a caminhonete sumisse na estrada. Quem diria, Holly Terror, jantan­do com ele no Truro's...

Com um sorriso de satisfação, esfregou as mãos e entrou na casa, ansioso para que o dia passasse logo.

Notas finais
Oi minha gente, perdão pela demora rs, mas essa semana estava estudando para a prova e nem deu tempo para eu me dedicar muito por aqui, espero que goste deste capítulo tanto quanto eu, rsrs. Comente o que acharam.... mil beijos amores