Uma Floresta, Clarence.
1 Uma floresta, Clarence.
Notas iniciais
Uma floresta, úmida e sombria em volta da garota de cabelos pretos, lábios vermelhos, olhos azuis e pele branca. A luz que a iluminava, mostrava-se ser azulada e circular e onde havia luz, não havia árvores. Ela estava centralizada, olhava para todos os lados na tentativa de reconhecer o lugar, sentada no chão de aspecto estranho, branco e seco, como terra.
A garota apanha um pouco da “terra” e a solta entre as pernas, observando-a. Clarence ouve o vento, em sua mais alta velocidade e em questão de segundos, acompanha com a cabeça, e enxerga apenas... uma luz tão clara quanto a que a rodeava. Seu coração dispara, sua cabeça volta à frente e ela começa a procurar por todos os lados, o que acabara de passar. Ousa olhar novamente para trás, mas dessa vez, um rosto familiar lhe aparece, em forma de tal palidez. Vira-se rapidamente para seus joelhos, agarrando-os, fechando os olhos com temor e sussurrando:
- Eu vou ficar bem. Vou sim, eu vou... Eu vou!
Ao terminar a frase, vários daqueles, digamos espíritos, saíram de trás das árvores e começaram a fazer um círculo em volta de Clarence e encará-la. Estavam andando lentamente no círculo à sua volta, mas mudavam seu ritmo a cada minuto. Um minuto andando, no próximo andando apressadamente, correndo... Até que enfim, se moviam com tamanha velocidade impossível de se acompanhar com olhos humanos, formando um ‘redemoinho’ e tirando o ar da garota. Ela estava sobre o ar, com as mãos ao pescoço, os olhos reviravam-se e subia cada vez mais.
***
- Clarence, Clarence! CLARENCE! – Gritou a mulher, cravando as unhas nos braços de Clarence. – Você estava tendo um pesadelo, quase se sufocou com o travesseiro.
— Hã... ? Como assim, o que foi aquilo? O que era aquilo? – Disse Clarence soando frio e agarrando a tal mulher.
Surge então à porta, um homem, de cabelos negros e compridos, dizendo:
- Uma floresta Clarence, uma floresta. – Pôs um sorriso irônico em seu rosto e apontou para a janela com o nariz.
A garota olha a paisagem e reconhece o lugar de seu pesadelo, e ao voltar seu olhar à porta, lá estava o espírito familiar, de tal, também.
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