Uma Família Feliz...
7 A banheira
O problema não era Edward.
Mas, na mente de Bella, ele tinha se tornado o antagonista.
Ele sorria demais.
Ele parecia forte demais.
Ele parecia inteiro demais.
E ela estava em pedaços.
Na cabeça dela, Edward era o homem perfeito vivendo a vida perfeita — enquanto ela afundava. Ele era o pai que a filha preferia. O marido que continuava eficiente, bonito, bem-sucedido. O advogado brilhante da Cullen & Cullen Advogados.
Ela, por outro lado, era a mãe que gritava.
A que jogava água no filho.
A que tinha pensamentos que não podia confessar.
E então veio o sonho.
Ela estava no banheiro. A banheira cheia.
Charlie dentro da água.
Não havia gritos. Não havia luta.
Só o silêncio.
E as mãos dela segurando a filha submersa.
Bella acordou com um grito que parecia ter rasgado sua garganta.
Charlie estava no berço, respirando.
Mas Bella não conseguiu respirar.
A culpa foi instantânea. Avassaladora. Física.
Ela se levantou ainda tremendo. Foi até o banheiro. Olhou para a banheira.
“Eu pensei nisso.”
Na mente dela, pensar era igual a fazer.
E se um dia ela perdesse o controle?
E se um dia o sonho virasse realidade?
Ela encheu a banheira.
Sentou na borda.
Chorava em silêncio.
Pegou a lâmina que ficava no armário. Não era um plano elaborado. Era desespero. Era fuga. Era a crença distorcida de que todos ficariam melhor sem ela.
A porta do quarto abriu.
Edward.
Ele estranhou o silêncio.
Estranhou o som da água.
Chamou.
— Bella?
Nenhuma resposta.
Ele bateu na porta do banheiro.
— Amor?
Algo na voz dele mudou. Um pressentimento. Um frio na espinha.
Ele forçou a maçaneta.
A cena que encontrou não foi de sangue espalhado ou dramaticidade cinematográfica.
Foi pior.
Foi a mulher que ele amava sentada na borda da banheira, tremendo, a lâmina caída no chão, os pulsos marcados superficialmente, chorando como alguém que não queria morrer… mas também não sabia como continuar viva.
Edward caiu de joelhos na frente dela.
— Bella… Bella… olha pra mim…
Ela não conseguia.
— Eu sonhei que eu matei ela… eu sonhei que eu afoguei a nossa filha… eu sou doente… eu sou um perigo…
Ele segurou o rosto dela com as duas mãos.
— Você não é um perigo. Você está doente. É diferente.
Ela começou a repetir:
— Eles ficariam melhor sem mim… você ficaria melhor sem mim…
Edward começou a chorar. Não silenciosamente. Não contido.
Chorou como homem desesperado.
— Nunca mais diga isso. Você é a nossa casa.
Ele a abraçou dentro daquele banheiro frio, com a água ainda correndo.
Naquela noite, ninguém dormiu na casa dos Cullen.
Renee foi chamada.
Esme foi chamada.
Carlisle assumiu a postura de médico, mas os olhos eram de pai.
Anthony foi levado para a casa de Alice.
Charlie dormiu no colo de Edward.
Bella foi levada para o hospital não por ferimentos físicos, mas por risco emocional.
E foi ali que surgiu o nome de Jacob Black.
Psicólogo. Especialista em depressão pós-parto.
Primeira sessão.
Bella estava vazia.
— Eu pensei em machucar minha filha — ela disse, olhando para o chão.
Jacob não arregalou os olhos. Não julgou.
— Pensamento intrusivo não é intenção. É sintoma.
Ela levantou o olhar pela primeira vez.
— Eu odeio meu marido.
— Você odeia ou você sente que ele representa tudo que você perdeu?
Silêncio.
Lágrimas.
— Eu deixei minha carreira. Eu deixei quem eu era. E ele continua sendo tudo.
Jacob assentiu.
— Você não odeia o Edward. Você odeia a Bella que desapareceu.
Enquanto isso, do lado de fora, Edward estava desmoronando.
Ele conversou com Renee no corredor do consultório.
— Eu falhei com ela?
Renee segurou o rosto do genro.
— Você amou ela. Mas amar não impede doença.
Mais tarde, Jacob pediu para conversar com Edward e Renee juntos.
— Bella está em depressão pós-parto severa com pensamentos intrusivos. Isso não é fraqueza, não é caráter, não é falta de amor pelos filhos.
Edward respirava com dificuldade.
— Eu posso consertar isso?
— Não sozinho. Ela vai precisar de terapia intensiva. Talvez medicação. E, principalmente, de uma rede que não minimize o que ela sente.
Jacob olhou firme para Edward.
— Ela está vendo você como vilão porque precisa colocar a culpa em alguém. É uma tentativa do cérebro de organizar o caos.
Edward assentiu, mas a dor nos olhos dele era quase insuportável.
Ele não queria ser o vilão.
Ele só queria salvar a esposa.
Naquela noite, Bella voltou para casa.
Mas algo tinha mudado.
Agora havia um nome para o que ela sentia.
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