Uma Fabula Entre Chaminés

1 Capítulo 1 : Uma Rosa Para Uma Fera


Seu chapéu marrom posicionado em seus cabelos castanhos dá um ar de intriga às pessoas da esquina de sua casa, Logan B Wolf anda lentamente pela pedra da calçada de Londres. Uma nuvem de fumaça cobre os céus se confunde com a fumaça do cigarro dele, as chaminés funcionam a toda potencia ate esta hora, o dia já se escurece e uma chuva fria e continua cria uma trilha sonora para a cidade. Com seu casaco marrom e botas encharcadas, Logan pega sua chave e se prepara para abrir a porta de sua casa, seus olhos atentos e calculistas percorrem a rua de sua casa a procura de algum problema que pudesse vir, ela já se acostumará com bêbados brigando com prostitutas em sua rua ou ladrões em busca de fortunas, Logan ate já se familiarizava com a face de estupradores locais. Abrindo sua porta rapidamente, o homem de olhos negros joga seu cigarro no chão próximo a porta, onde muitos outros cigarros apagados estavam jogados, cada um contando uma historia dos dias do Senhor B Wolf. A porta se movimenta e um cenário novo se apresenta, as cores da casa pequena são mórbidas, uma mesa marrom cheia de papeis e uma maquina de datilografar destaca o local, um plano de madeira pequeno fica na frente de tudo “Detetive Logan B. Wolf” estava escrito. Um Quadro de flores da vida a uma das paredes e em um criado mudo perto de uma porta destaca-se uma carta, o quarto que Logan acabará de entrar ao sair da rua era o seu escritório, para atender seus clientes e ouvir horas e horas de mulheres querendo saber sobre a fidelidade de seus maridos. A muito tempo Logan não encontrava um caso que o desse prazer , o sentido de sua profissão já estava se perdendo junto com sua juventude , ele tira seu casaco e seu chapéu e coloca em seus devidos lugares , o detetive olha para seu guarda-chuva e se arrepende não ter levado ele para seu passeio na rua . Andando para uma porta o detetive se depara com seu cachimbo, ele ignora e abre a porta para uma sala pequena que se confunde com uma cozinha bastante simples, ele continua, agora em direção a outra porta, ele abre e La esta sua cama , apertada num cômodo minúsculo. Logan tira suas botas e meias de seus pés, o alivio e felicidade são libertadores, esta é uma daquelas pequenas felicidades do dia, ele pensa, agora, ele se dirige uma nova porta, o seu banheiro, entrando nele o detetive se depara com sua face no espelho. Cabelos castanhos levemente ondulados, olhos negros e profundos, eles contavam sua própria historia apenas ao vê-los, e ao que parece, a historia não é das mais felizes, sua barba esta começando a crescer novamente e ele percebe uma sujeira em sua camisa. Logan pega um pouco de água em sua mão e joga em seu rosto , ele espalha bem e sente um leve alivio . Um tempo depois, ele já esta preste a comer sua refeição, carne de porco, sua preferida, o detetive mastiga a carne e permite o gosto se espalhar por sua boca dando uma sensação tão perfeita que parece ter sido escrita pelas mãos de deus, toda via, o silencio e solidão do local emite características vindas das profundezas da escuridão. Logan se contenta com esta vida simplória, sozinha, sua vida já esta monótona, esperando seu encontro com o demônio abaixo de seu tumulo, a esperança e os sonhos eram coisas da juventude do homem, coisas que a vida teve o prazer de esmagar e pisar com força. Com 26 anos, Logan já passou por amores e maldiçoes porem sua vida não lhe traz mais surpresas, ele apenas filosofa e reflete como a podridão do mundo é refletida no dia-a-dia. Seus casos são apenas uma distração, ele é dedicado aos detalhes meticulosos e precisos, nenhuma cena esta totalmente estudada aos olhos do detetive. Logan lava seu prato e se prepara para os braços de Morfeu em sua cama dura porem nostálgica, mais um dia regular na vida de Logan, o ultimo deles, a pausa em sua vida estava preste a acabar, e tudo começa no amanhecer entre as chaminés das ruas de Londres.

—--------------------------------------------------------

Um frio gélido entrou pelo quarto de David, acordando-o antes do seu horário normal. Seu quarto era organizado de ponta a ponta, seus quadros estavam retos, seus livros organizados em ordem alfabética e seus casos estavam devidamente esquematizados para facilitar qualquer trabalho. Para qualquer outra pessoa, acordar mais cedo poderia ser algo bom, mas para alguém tão meticuloso quando o David foi um incomodo. O que ele faria com duas horas de “tempo livre”? Decidiu, pois, adiantar suas tarefas diárias, após fechar a janela que o fez se lembrar da chegada do inverno, David colocou água para esquentar. Enquanto aguardava ele aproveitou para escovar os pelos do seu felpudo gato angorá, Snow Ball. Desde quando o ganhara, aos 17 anos, Snowy tem sido sua única companhia. David rapidamente arrumou sua cama para que nenhuma dobra ficasse evidente no lençol e usou a água que aqueceu na maior panela que tinha para banhar-se. Após se vestir, pegou seu novo bloco de anotações e saiu em direção à cafeteria onde sempre tomou café de manhã. O caminho ate sua cafeteria era calculado, qualquer atraso poderia interferir no planejamento que já tinha sido desregulado. Por sorte a cafeteria estava aberta ,bem a tempo do jornalista chegar e sem precisar pegar fila para pedir seu café. David nunca soube lidar bem com “tempo de sobra” na sua rotina cartesiana. Sorte a dele que eram raros dias assim. No entardecer, ele já tinha tomado nota de três furtos simples, dois casos de hipotermia fatais e um gato que ficara preso numa árvore. Nada muito interessante, mas, desde o escândalo de exatos 10 anos atrás, que o levou a escrever para o único jornal local, nada de importante acontecia naquela cidade. Quando já estava retornando pra casa, ouviu alguém falar que algo de estranho tinha acontecido com a família O’hara. David sorriu curioso e decidiu desviar seu caminho para ver se finalmente teria uma história que chocaria novamente o povo londrino.

--------------------------------------------------------

Mais uma típica manha na casa dos O'hara, Amy serve o café para seu marido e se senta para tomar uma xícara de chá, após um tempinho de conversa eles logo se despedem. Adam vai para a universidade e Amy começa suas tarefas em casa. Limpar as estantes, lavar pratos e arrumar a casa , poderia parecer um dia cheio para muitos, porem Amy era ágil e muito mais inteligente que a maioria das mulheres em Londres. A jovem se casou com um dos mais renomados professores da faculdade londrina, ela aprendeu muito com os diversos livros e discussões com seu marido, tornando-a muito mais sabia que as outras cidadãs. Apos terminar a maior parte de suas tarefas ela da uma pausa para ler um dos diversos livros de historias que seu marido possuía. Ela sentou-se em uma poltrona e foi preparar seu chá especial, a jovem achava que ler um livro acompanhando um chá a dava um ar mais sábio. Ao terminar sua xícara, ela vai em direção ao banheiro para banhar-se , o horário de chegada de seu marido já se aproximava e ela gostava de recebê-lo da melhor forma possível. Amy segue para a cozinha e prepara o jantar, as técnicas culinárias da mulher de família estavam sendo aprimoradas com o tempo, de um simples macarrão com bife a garota prepara molhos e artifícios para trazer um prazer gastronômico a seu marido. O jantar esta servido e Amy começa a notar a demora para a chegada de seu marido, ele sempre foi bastante pontual, porem ela assume que foi um mero atraso. Logo um bater na porta da casa toma a atenção da garota, ela vai em direção da porta de madeira escura e toca na maçaneta fria pelo clima fora da casa. Com um simples movimento ela abre porta e se depara com Lumiere, amigo fiel de seu marido, o homem em sua frente tinha cabelos escuros, um grande e fino nariz e uma face de choque. Ele segura um livro negro firmemente, como se um mero livro pudesse mudar todo o rumo de uma vida.

— Lumiere ? Não esperava lhe encontrar aqui hoje – exclama Amy com um sorriso no rosto.

— Amy,algo aconteceu com Adam ...

---------------------------------------------------------

David se aproxima ao local informado a ele, a chuva torrencial de outono em Londres esta presente no ambiente, e a fumaça escura das chaminés se junta as nuvens cobrindo o sol, a calçada de pedra emite um som relaxante o cair das gotas. Muitos moradores da cidade se reúnem em um local, perto de um beco escuro, policiais barram a passagem da massa popular e tentam fazer o máximo de pessoas possíveis evitarem o incidente. O escândalo estava em um beco , perto de uma carroça.David acha seu caminho pela multidão e se depara na frente de um policial.

— Todos calmos, não a nada para se ver aqui, dêem meia volta por favor- exclama a autoridade tentando afastar algumas pessoas com movimentos de seus braços.

David dribla veloz e sutilmente ele se posiciona na parede do beco e pode ver a atrocidade que tomava conta dos policiais. Adam O'hara, professor famoso de uma universidade londrina, com sua face desfigurada por laminas e inchaços. Um corte feito no canto de sua boca percorre por linhas onduladas ate a orelha, outro, divide o olho ao meio, sua mandíbula esta deslocada e alguns dentes foram arrancados. Seu couro cabeludo foi retirado de sua cabeça, agora, o sangue escorre por seu rosto e cai em sua boca, uma de suas orelhas foi arrancada e suas unhas foram retiradas por uma lamina. Seu outro olho, foi retirado de seu posicionamento original e agora esta para fora, quase que saltando de sua cabeça. Sua linguá foi cortada ao meio, suas roupas foram arrancadas de seu corpo e seu pênis foi desfigurado. Uma lamina cortou seu órgão genital no sentido da cabeça a base diversas vezes, dividindo seu pênis em diversos pedaços pendurados pela virilha. Seu joelho foi deslocado, assim como um de seus ombros e um corte em sua barriga revela suas entranhas saindo pela barriga, algumas, caindo para o chão, outras, se acumulando na barriga da vitima. No centro de suas entranhas, uma flor repleta de espinhos se posicionava deitada e coberta pelo sangue, um símbolo do assassino para as autoridades, pensava David. Todavia raciocinar não era possível ao ver tal cena, a ânsia de vomito começou a se manifestar no corpo do jornalista, o repudio em seus olhos e o pânico em sua cabeça dominavam sua mente por completo.

— Nos achamos ele. Sim , Nos podemos ajudar!- uma voz incomum aparece perto de uma das autoridades e toma atenção de David diante de tantos outros diálogos acontecendo no ambiente.

O homem falando tinha grandes e azuis olhos, sua pele era pálida e seu corpo magro, beirado a anorexia. Seus dentes amarelos eram quebrados em algumas pontas, sua vestimenta estava suja e molhada, ele lembrava mendigos que dormiam nos becos da antiga rua de David. Os policiais rapidamente isolam o homem pálido para uma conversa mais particular enquanto David anota cada detalhe que ele podia encontrar.

---------------------------------------------------------

Amy estava parada vendo o pânico nos olhos de Lumiere, em todos os anos que ela o conhece nunca tinha o visto assim, o francês na sua frente com a pele pálida como uma vela quase chorando e sem saber o que fazer.

— Lumiere você está me assustando! -Diz Amy com um tom de desespero em sua voz — ME DIGA O QUE ACONTECEU! -Indaga a moça já alterada.

—Tome – Diz Lumiere entregando o livro

A garota abre o livro e sua feição logo muda ao ver o conteúdo apresentado.

Amy sente seu corpo mais leve e por um momento perde controle sobre suas pernas, Lumiere segura e fica ainda mais preocupado.

— Onde ele esta?- pergunta a moça desesperada

— num dos becos perto do centro — responde Lumiere.

Amy sai correndo pro local do ocorrido, ela sente a chuva batendo nos seus ombros mas não se importa tanto, o único foco dela no momento eh chegar e ver que tudo não passou de um mal entendido e que Adam estava bem em algum outro lugar. ela passa por varias casas de tijolos rústicas e logo chega na área dos comércios vendo a fumaça negra saindo das chaminés, logo ela avista um bordel e do lado uma multidão se aglomera para ver o que tinha acontecido, quando ela vai chegando ela escuta alguns senhores de idade bem vestidos com seus cigarros saindo do local e dizendo.

— Meu Deus! não vejo algo tão terrível assim desde aquele escândalo que ocorreu 10 anos atrás.

O coração de Amy começa a se apertar ainda mais no peito. Ao chegar mais perto ela vê um rapaz de vinte e poucos anos com cabelos cacheados parecendo estar se recompondo do que viu, mas ainda sim atento a tudo que acontece, quando ele olha de volta para moça parece reconhece — lá e faz uma cara de tristeza e pena que aflige ainda mais a pobre moça. a chuva caindo e Amy na entrada do beco, ela passa pelas pessoas que restam e finalmente vê a horrenda cena que se desenvolveu. Amy não consegue fazer nada a não ser gritar, seu olhos se enchem de lágrimas, ela cai de joelhos sem saber o que fazer e o mundo vai ficando mas devagar ao seu redor sua visão vai falhando e no fim ela apaga.

---------------------------------------------------------

Os olhos de Amy se abrem lentamente, ela se vê num quarto escuro e bem apertado, a cama era dura e as paredes estavam levemente arranhadas e com certas partes do papel de parede soltas. Duas portas de madeira são os focos do local para os olhos de Amy, sua cabeça dói e seu coração bate como um martelo em seu peito. A boca da jovem esta ressecada e seus olhos doem em suas bordas, a cabeça dela dói, como se uma faca tivesse atravessado o crânio da bela moça suas memórias parecem não encaixar. Logo, como um efeito domino, uma centelha de memória começa a surgir, ela estava olhando para seu marido totalmente deformado. “Uma fera virará”, passa pela mente dela, cada letra escrita naquele livro voltava para a mente dela, o terror e o pânico voltam a atormentar a mente já instável da moça que começa a perceber lagrimas caindo de seus olhos. Amy se levanta da cama, lentamente, e senta-se, agora, as lagrimas percorrem a face da jovem, pingando no colchão e no joelho dela, ela não sabe o que fazer, não sabe onde esta, ela só tem medo neste momento. Sutilmente uma porta se abre, uma figura alta de casaco marrom escuro e chapéu se revela com o entrar da luz no cômodo. Os olhos de Amy doem com o entrar da luz e ela mal consegue ver a figura em sua frente, a garota da um grito de pavor e o homem ao escuro anda em sua direção.

—Não se preocupe você esta segura aqui– Exclama o homem que aparecera do escuro

—Onde estou, o que fizeram com meu marido?- Pergunta Amy aterrorizada.

—Esta na minha casa, a policia me encarregou de desvendar o caso, me chamo Logan B. Wolf, sou detetive- Explica o homem

Amy olha para o detetive sem entender muito bem, um dia sua vida estava normal, agora, parece que seu cotidiano foi atingido por um tiro que rasgou sua vida e despedaçou sua sanidade.

— Um caso, é isso que meu marido se tornou, apenas um caso?!- Exclama a jovem sem conseguir digerir o amargo presente que o destino a concedeu.

—Amy, sua reação é normal e aceitável, todavia, você precisa engolir a verdade logo, a fria e podre verdade, seu marido foi uma vitima de um assassino em serie. A brutalidade descarregada em Adam foi apenas o começo de uma obra de arte na mente de uma pessoa traumatizada. Sua ajuda é mais do que necessária para desvendá-lo deste crime — Explica o Sr.Wolf.

Os olhos de Amy se enchem de lagrimas, sua feição muda de rejeição para uma faísca de aceitação. A garota fecha seus olhos e canaliza suas emoções. A esperança de ter seu marido de volta começou a ir embora, porem, a ponta de um iceberg repleto de raiva e ódio começa surgir. Amy abre seus olhos lentamente e olha para o detetive.

—Farei o necessário para achar o desgraçado que fez aquilo com meu marido- exclama Amy enquanto sente suas lagrimas secarem.

—ótimo, venha, precisamos falar alguns fatos e verdades no meu escritório- finaliza o detetive enquanto sai do quarto deixando a porta aberta e sugerindo Amy para segui-lo.