Uma Estrela Para Cada Um

6 Head Over Heels - Tears For Fears


Notas iniciais
Esse capitulo ta um pouco maior que os outros, mas espero que esteja bom de qualquer forma. Eu realmente demorei muuuuuito pra escolher a musica certa pra esse capitulo. todas as musicas que eu escolhia, de alguma forma, nao pareciam muito corretas. Enfim, espero que gostem.

Meio dia, ressoou o relógio cuco.

Meio dia, badalou na minha cabeça.

Meio dia, me avisou o garoto no hospital.

De alguma forma estranha, eu estava livre da Gabi. Queria sair o mais rápido possível dali. Corri na rua. Corri muito mesmo. Até chegar na praça da cidade. A cidade não era tão grande, então a praça era praticamente no centro, com a cidade se formando com um circulo a sua volta.

O peso de cima dos meus ombros parecia incrivelmente menor quando cheguei na praça. Eu não me sentia cansada por correr tanto. Nem havia perdido o folego. Claro. Eu estava morta. Certo. Seguindo em rente com a morte. Que ironia. Por algum motivo eu ainda sentia dores no corpo. Aurea. Espirito? O que quer que seja.

A praça estava cheia de pessoas, de todos os estilos, idades e raças. E quando digo idade, não quero dizer idade como anos vivos. Quero dizer épocas. Tinha gente com roupas do século 15 pra baixo. Por um momento achei que eu estava em um senário de filme, ou naquelas convenções estranhas de nerds.

Observando as pessoas ao redor, vi que elas eram estranhas. E não pelo fato de estarem todos aglomerados na praça. E pelas roupas engraçadas. Mas algo estava estranho. Algumas pessoas na praça simplesmente atravessavam diretamente essas pessoas, sem nem ver e sentir sua presença. Como se não existissem.

E outra coisa era estranha. Olhos violetas. Todos tinham olhos violetas.

Enquanto observava os outros, uma garota se aproximou de mim. Ou melhor dizendo, acho que era uma garota. Ela estava usando um vestido bem clássico, com um chalé de crochê cobrindo seus ombros. E ela sorria pra mim como a minha avó quando perguntava se eu queria comida. Estranho.

— Oi menininha – disse a garota, claramente mais nova que eu – primeiro dia?

— Huuh... você consegue me ver? – eu sei, bem evoluído pra um ser humano. Parabéns Melody.

— Heh, claro que eu consigo te ver, sou uma Guardiã também — sorriu, achando graça da minha confusão e extrema timidez – qual o seu nome? O meu é Sophie.

— Me-melody – murmurei. As vezes eu gostaria que o meu espirito saísse do meu corpo e me socasse. Pera. esquece isso.

— Que gracinha! Bem, já que é o seu primeiro dia, acho que é bom você prestar atenção no que o senhor vai falar. – disse a senhora/vó/garota, se virando para o centro da praça, que possuía um coreto.

— Quem é... – não precisei terminar de perguntar. Todos na praça se silenciaram das conversas e se viraram para o coreto também, onde uma figura de um jovem subia.

— Bom dia Guardiões! É com honra que eu os recebo aqui hoje. Como de costume, vou introduzir as regras para os novatos daqui. – disse, sério, com o rosto impassível e indecifrável. Aquela mesma expressão que eu já conhecia. O garoto do hospital.

— O garoto do hospital... – pensei alto. Alguns Gardiões olharam pra mim, mas voltaram a atenção para o coreto.

Por mais que eu tentasse, não conseguia manter o foco no que acontecia a minha volta. Tudo parecia meio desfocado e o som abafado, e a voz daquele menino soava estranha e sem sentido.

Olhei em volta, todos os guardiões com áureas calmas e relaxadas, observando o menino falar. Nenhum deles me via. As eu me sentia observada.

De repente tudo voltou ao foco. Um pouco mais a direita do meu campo de visão havia um cara. Pálido, cabelos pretos, roupas pretas. Estava encostado em uma arvore, usufruindo da sua sombra para manter o anonimato. tinha um sorriso malicioso estampado no rosto. E olhava diretamente pra mim, com seus olhos vermelhos da cor do sangue.

Quando viu que eu o olhava, seu riso se alargou e ele tomou um passo para fora da sombra. E quanto mais se distanciava da sombra, mais translucido ele parecia. As pessoas a sua volta não pareciam percebe-lo, apesar da sua aparência ser um tanto chamativa.

Antes que eu pudesse pensar em segui-lo ele já tinha sumido e as pessoas voltaram a conversar a minha volta. Não que eu conseguisse ouvir qualquer coisa que eles dissessem, tudo soava abafado e distante, como se eu não estivesse ali. Escutei levemente um som me chamando. Chamando meu nome. Tive que forçar o movimento do meu corpo na direção do som, ainda não prestando atenção. Melody, alguém chamou. O som da sua voz longe e sua imagem embaçada. Conforme eu tentava me focar no rosto da pessoa mais a sues contornos deixavam de ser borrões e sua voz se tornava mais real. Ate o momento em que senti duas mãos fortes me sacudirem pelos ombros.

— MELODY! – gritou o garoto do hospital, agora também conhecido como garoto do coreto. Eu não havia notado antes que ele usava óculos. E que parecia muito fofo. E que ele estava muito perto. Muito. Perto. Assim que consegui voltar meu foco completo para ele tentei me esforçar ao máximo para não corar. Claro, falhei. Espíritos podem corar afinal?

— Você esta bem menina? – perguntou a menina Shopie. Ela parecia preocupada. Olhei para ela devagar, tentando assimilar as coisas ao me redor e tentando entender o que estava acontecendo. Certo. Praça. Gente morta. Violeta. Cara estranho. Vermelho. Foco. Okay, não ajudou.

— Eu estou bem – de longe, essa frase fora a coisa mais normal do meu dia, mesmo que não fosse a verdade. – quem é você? – perguntei pro menino, que ainda me segurava.

Ele parecia estar me avaliando, segurando nos meus braços como se tivesse medo que eu entrasse em colapso. Decidiu que seria mais normal me soltar, e com esse movimento, aproveitou parra arrumar as mangas da blusa branca de forma distraída.

— Eu sou Erik, Chefe dos Guardiões. Seu chefe. Pode me chamar de senhor. – disse ele, elevando o tom de voz e tentando parecer autoritário ao mesmo tempo que escondia o seu orgulho.

— Escuta aqui ô... senhor de sei-lá-o-que, eu não sei o que tá acontecendo, mas como que eu faço pra voltar pra casa? Por que tipo, eu cansei de brincar de anjinho da guarda.

— Bem, não estamos “brincando” e definitivamente não somos Anjos, eles estão em uma classe completamente diferente – disse o senhorzinho, ignorando completamente a minha ofensa e pedido. Ele falava de anjos com uma certa admiração questionável. – você não prestou atenção em nada do que eu estava dizendo no coreto?

— Ããhh... com prestar atenção você quer dizer... escutar de verdade? Ou só fingir? – tropecei em minhas palavras enquanto tentava me justificar a aquele homem. Ele parecia bravo, mas então sua expressão passou de estar bravo para estar preocupado de novo.

— Você... por acaso... viu algo estranho? – disse ele, falando baixo e em um tom mais serio do que antes, se é que isso era possível. – alguém... de certa forma... diferente?

Senti um calafrio ao pensar no menino. De alguma forma, parte de mim queria falar sobre ele, mas algo, algo maior, não me deixou falar. Era melhor eu entender tudo a minha volta antes de entregar pessoas suspeitas a outras pessoas suspeitas.

— Ahh.. não eu só não estava prestando atenção – tentei o distrair e mudei de assunto antes que ele pudesse me avaliar de novo – por acaso essa é a hora que você me leva de volta pro meu corpo, né?

Ele se encolheu e parou por uns instantes. Apenas ficou me encarando. O sino então badalou. Uma hora. Olhei em volta e as pessoas iam sumindo a minha volta, e só restou eu e o senhorzinho. Então ele subitamente pegou na minha mão e tudo ficou claro.

Logo depois, quando a luz voltou, estávamos na frente de um cemitério.

Notas finais
Agradeço pela leitura, até a próxima.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.