Sou prisioneira

Do próprio sonhar.

Gritando na masmorra

Só a delirar.

Subornei o guarda

Que se mantia fiel a mim,

Pedi uma corda

Ele concordou, enfim.

Pendi a morte ao teto

E mergulhei.

Senti o pescoço ardendo

E afrouxei.

Um guarda surgiu,

E os meus olhos eu fechei.

Ele veio até mim

E o seu crânio, eu chutei.

Ele desmaiou,

E eu sorri.

Peguei a chave, da mão dele,

E fugi.

Me esgueirei

Pela maldita escada.

Nela, eu tropecei,

E o guarda olhou, pro nada.

Me levantei

E pro outro lado, eu segui.

Toquei o portão gelado:

“É, eu consegui”.

Ouvi uma risada,

Senti aquele olhar.

Virei, aterrorizada:

“Traidor, vai me matar!”

Meu sangue subiu

E eu me aproximei.

Queria esbofeteá-lo,

Mas apenas sussurrei:

“Realmente, o porquê,

Eu não sei.

Eu não queria sua morte,

Então, me mate, meu Rei”.

Senti a faca, me traindo,

E inspirei.

Vi uma lágrima descendo

Pela face do Rei:

“Eu não sou o vilão,

E sei que, disso, você sabe.

Mas era a única opção,

Minha Rainha, para que o reino não se acabasse”.

Segurei sua mão

E o beijei.

Fiquei de frente para o vão.

Ele contou até três.

Com um impulso, nós pulamos,

De encontro ao mar.

E revi a minha vida,

Apenas em um piscar de olhar.

Uma guerra declarada,

Fracassada desde o início.

É lutar até morrer,

Ou casar com o inimigo.

Tentei fugir do meu destino

Mas fui presa, “Traição!”.

Desposar de um assassino,

Para o reino, a única opção.

E agora, um suicídio.

Um segundo para a morte.

É o fim do precipício.

“É, meu Rei, tivemos sorte”.

Dei meu último suspiro.

E no mar, eu mergulhei.

Então vi o seu sorriso,

Quando, do coma, eu acordei.

Notas finais
O final tem como presente ao leitor o fato de ser inconclusivo.

Espero que tenha gostado,
Nina.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!