Uma Estranha No Meu Quarto

32 Mini Capítulo Bonus - Parte 04


Notas iniciais
Outro mini capitulo bonus, que de mini só tem o nome. Estamos chegando ao final da história de Alana e Roosevelt então está meio que impossível de encurtar kkkkk Lembrando que o cap é totalmente opcional e não interfere na história principal, como vocês já sabem ;) Boa leitura!

O sol brilhava de uma forma pitoresca acima das delicadas nuvens que desenhavam o céu de um azul claro. Roosevelt fitava o tempo pela janela e assemelhava o clima ao seu espírito. Finalmente podia dizer que ambos estava maravilhosos.

Nos últimos seis meses Alana havia se tornado a esposa que ele sempre desejara. Nada de amantes ou saídas a noite, ou qualquer coisa que pudesse enchê-lo de preocupação. Os dois finalmente eram um casal, dormiam na mesma cama, partilhavam a vida um com o outro num sentido geral, e ele se esforçaria para que tudo permanecesse exatamente assim. Finalmente não estava mais sozinho.

Ele se perdia em pensamentos frente à janela do quarto, quando sentiu as mãos franzinas de Alana percorrem seu peito. Ela lhe deu um beijo casto no pescoço e repousou seu rosto ali.

— O que tanto olhas pela janela, querido? Está esperando algum negociante importante?

— Não minha querida Condessa Mackeinze. Na verdade, estava planejando passar um tempo com você no dia de hoje. No jardim, talvez. A senhorita tem algum compromisso marcado?

— Nenhum muito importante, Conde Mackeinze. Pretendia ir até o centro comercial convocar o tecelão para trocar as cortinas. — Roosevelt fita as cortinas cor de bordô procurando algum sinal de desgaste ou algo que a incomodasse. — As nossas são muito tristes, queria umas mais alegres, estampadas e claras, se não se importar com o custo.

Roosevelt se voltou para Alana e acariciou lhe suavemente o rosto, removendo uma mecha de seus lindo fios cor de rubi e prendendo-a atrás orelha.

— Claro que não, dinheiro é a menor de nossas preocupações. Compre tudo que quiser meu amor; cortinas, mobília... Decore a casa inteira, se for seu desejo. No entanto, deixe para amanhã.

Sua voz rouca e a delicadeza de seu toque a deixam repleta de expectativa. Contudo é o “meu amor” na frase que fez seu coração parar de bater.

— Você me ama?... — Ela sussurrou.

Alana nunca saberia a resposta. No momento em que Roosevelt abriu a boca uma batida persistente ecoou pelo cômodo. Ele ordenou que sua funcionária adentrasse aliviado, não tinha sabia o que responder à sua esposa. Ainda não confiava totalmente nela e temia que Alana usasse seus sentimentos contra si.

Uma governanta eufórica e ofegante adentrou, carregando um imenso sorriso no rosto. Ela correu os olhos de Roosevelt para Alana e sentiu que interrompera algo.

— Senhor, perdoe a intromissão.... Seu irmão Carlisle está lá em baixo na sala de visitas.

— Carlisle! Diga-o que estou descendo. — A governanta fez menção de se virar, mas Roosevelt gesticulou que parasse com o rosto iluminado. — Não, melhor. Descerei imediatamente.

Roosevelt sorriu e desceu as escadas como uma criança. Fazia quase um ano que Carlisle não vinha da mansão da Escócia visita-lo, estava morrendo de saudades do seu irmão caçula. Alana o seguiu e parou no batente da porta, fitando seu cunhado com uma expressão fechada. Carlisle lançou lhe um sorriso, enquanto abraçava seu irmão.

— Carlisle quanto tempo! — Roosevelt o segurou pelos ombros, estudando seu rosto. — Nem imaginava que iria te ver hoje.

— Resolvi fazer uma surpresa. Espero que eu não esteja interrompendo alguma coisa. — Carlisle irrompeu o espaço até Alana e depositou um beijo em sua mão. — Cunhada, como tens passado?

— Bem. — Respondeu de má vontade. — Vou mandar aprontar o quarto de hospedes. Com licença.

— Seria muita gentileza sua.

Alana se retirou apressada do cômodo, deixando os dois a sós. Eles se acomodaram no sofá com e pegaram os copos de whisky sem gelo, costume da terra de seus pais e fizeram uma rápido brinde.

— Soube que ficou noivo, meus parabéns irmão!

— Sim, vim justamente lhe trazer os convites e convidar-lhe para ser meu padrinho. Infelizmente minha noiva não pode vir comigo, mas logo vocês a conhecerão. Caso-me no início do próximo outono, ao cair das primeiras folhas. Estou meio ansioso, minhas mão chegam a suar.

— Up to high doh (“Se acalme” em escocês), irmão. Não há necessidade disso. — Sorriu Roosevelt. — Estou muito feliz por você. Nossos pais também estariam... É uma pena que ambos se foram.

Carlisle assentiu. Não queria falar sobre a morte de seus pais, sentia um certo incomodo toda vez que a morte deles lhe era mencionada, então tratou de mudar de assunto.

— E como anda seu casamento? — Fez uma careta. — Ela parou...Você sabe, de sair com o amante?

Roosevelt revirou os olhos e seu sorriso se iluminou ainda mais. Ele se aproximou do irmão para lhe confidenciar as boas novas.

— Parou! Se eu lhe contar você nem acredita. — Roosevelt correu os olhos pelo cômodo verificando se alguém os ouvia, então baixou a voz. — O cara sumiu faz cerca de um ano, virou fumaça como o carvão queimado em locomotiva. Sequer deu satisfações. Ela ainda ficou esperando pelo seu regresso por seis meses, mas depois nós finalmente nos acertamos. Pelo que parece ele vai se casar com outra..

— Nossa, ela deve ter ficado arrasada.

— Ficou, num primeiro momento. Mas agora ela o esqueceu. Finalmente estamos casados de verdade Carlisle. Estamos até planejando ter um filho no próximo ano! Alana virou outra pessoa, estou muito feliz..

Carlisle levantou as sobrancelhas, genuinamente surpreso.

— Um filho!!! Caramba, nem sei o que dizer... Whit’s for ye will no go’ by ye (“O que tiver que ser será” em escocês). — Ele tomou um gole do whisky, animado. — Sabe o que a gente poderia fazer amanhã em comemoração à essa nova fase em nossas vidas? Ir caçar como nos velhos tempos.

— Como quando a gente ia com papai?! — Carlisle assentiu. Roosevelt sorriu aprovando a ideia. — Aye (“ok”, “Sim” etc)! Que ideia maravilhosa, ainda guardo nossas bestas no escritório.. Preciso mesmo praticar minha mira.

— Excelente! Amanhã então.

O dia amanhece nublado, contudo nem a ausência do sol os desanima da caçada pela floresta. Assim que ouvem os primeiros cantos dos passarinhos, Roosevelt e Carlisle partem a pé pelo terreno dos fundos da mansão e seguem andando por um caminho de terra praticamente fechado pelas trepadeiras, cipós e outras vegetações. Cada um deles carrega nas costas uma enorme e pesada besta de madeira mogno, instrumento semelhante a um arco com cerca de sete quilos. Carlisle também carregava escondida na cintura uma arma. E Roosevelt mantinha consigo uma adaga que costumava carregar todos os dias presa a coxa, próximo a sua bota.

Segurando a boca da bolsa com os virotes, Carlisle fitou seu irmão, caminhando tranquilamente um pouco mais a sua frente. O caminho fechado foi se abrindo revelando uma clareira repleta de pequenas flores e alguns cervos.

— Acho que conheço um bom lugar para a gente ter uma visão mais ampla.

— O quê disse, Carlisle? — Roosevelt carregou a besta com o virote de ferro, apontou para um corvo que repousava no galho de uma árvore a alguns metros, e deu-lhe um tiro certeiro. O animal desfaleceu ao chão. O céu ficou mais escuro e uma trovoada ecoou pela clareira. — Ah! Aye (“ok”, “sim”, etc), vamos logo então, vai chover. Temo que nossa caçada não irá se prolongar muito... E quero levar um cervo para Alana, ela nunca me viu caçar.

— Exibido... — Carlisle riu e apontou. — Fica a noroeste daqui.

Os dois seguem andando por alguns minutos, até avistarem o lugar ao qual Carlisle se referia. Uma construção de três andares abandonada. O local tinha apenas metade de sua característica original, a outra metade era um confusão de vigas de sustentação expostas e uma montanha de entulho. O teto já não existia, o que poderia dar uma visão muito ampla do terreno lá de cima. Roosevelt se esgueirou pela montanha de entulho e Carlisle o seguiu lentamente, se assegurando de manter certa distância.

Roosevelt chegou ao terceiro andar com dificuldade e caminhou até a beira do edifício. Segurando a besta com a mão direita ele se apoiou em uma das vigas de sustentação de uma parede quebrada e observou a linda vista a sua frente. Estava realmente feliz pela primeira vez em seis anos. Tinha a companhia de seu irmão e uma esposa amável lhe esperando em casa. Trabalhava arduamente para manter a linhagem do clã, no entanto possuía riquezas e uma vida estável. Funcionários que o serviam. Melhor que isso somente se seus pais estivem vivos, no entanto ele não poderia reclamar. Estava tão absorto em pensamentos que nem percebeu o que estava por vir.

Carlisle ergueu sua besta e em um movimento preciso atirou contra as costas do irmão. O virote de ferro cortou o ar com velocidade e atingiu em cheio o peito de Roosevelt com tamanha força, que ele se desequilibrou e voou em queda livre do terceiro andar ao monte de ferro e entulho. Ouviu seu braço esquerdo estalar ao amortecer a guerra e soltou um gemido alto de dor. Ele tocou a ponta do grosso virote que transpassava seu peito e fitou suas mãos repletas com seu sangue segurando às lágrimas, tamanha dor insuportável que lhe acometia por conta do ferimento. Alguns ferros enferrujados do montante de cascalho tinham lhe perfurado o corpo também, constatou ao tentar se mover, desistindo de levantar.

Carlisle apareceu onde ele antes estava e fitou o irmão caído e agonizando no chão, apoiando a besta no ombro. Roosevelt mal conseguia vê-lo, sua visão começa a dar sinais de que iria desfalecer.

— Bollocks!! (Merda!!) Disparou sem querer.. Puta que pariu.. Estou descendo aí, aguente firme Roose.

Roosevelt viu Carlisle escorregar pelo monte de entulho às pressas, enquanto tentava retirar o virote de seu peito. Ele arfou e puxou pela ponta, mas recuou pela dor insuportável que quase lhe arrancou todo o ar. Se ele removesse iria sangrar até morrer antes que o médico chegasse.

— Carlisle... — Sua voz saiu um sussurro esganiçado. — Vá buscar ajuda.

— Não posso te deixar sozinho, irmão.

Carlisle ainda era um borrão, parecia demorar mais que o necessário para descer. Roosevelt tentou se manter calmo e estancar o ferimento enquanto os primeiros pingos de chuva tocavam sua face, mantendo-o consciente. Porém

Conforme Carlisle foi se aproximando a ideia de que havia sido um terrível acidente foi caindo por terra. A visão do rosto Carlisle lhe assolou a mente de uma forma imensurável. Seu irmão gargalhava e seu olhos, tão parecidos com o seus, estavam mais negros e assustadores que nunca. Roosevelt arregalou os olhos, chocado e tossiu um pouco do sangue que começava e obstruir seus pulmões. Carlisle pisou no ferimento de Roosevelt arrancando um grito de dor que ecoou pelos céus. Não havia um pingo de compaixão naqueles olhos.

— Ah, irmão. Finalmente! Finalmente te tenho onde quero. — Ele torceu o pé, arrancando-lhe outro grito. — Sob meus pés.

Roosevelt esticou os braços tentando pegar sua besta do chão, mas Carlisle a chutou para longe. Ele mirou com sua própria besta e efetuou um novo disparo, praticamente no mesmo lugar, alargando o ferimento. Roosevelt se debateu e gritou, no entanto Carlisle estava irredutível. Roosevelt tossiu mais uma vez, tentando se concentrar em seu algoz.

— Por que? Por que está fazendo isso?...

Sua voz era baixa, no entanto Carlisle o ouviu e o chutou como resposta. Sua expressão se verteu de maldade para um ódio puro e antigo. Pela primeira vez Carlisle estava mostrando a verdadeira face. Sentia o gosto da vitória em seus lábios e ia tomar tudo o que o irmão havia lhe tirado esses anos todos.

— Por que, Roosvelt? Por que? — Outro chute. — Por que você roubou tudo de mim!!

Carlisle arrastou Roosevelt pelos braços e colocou sentado ao pé de uma arvore. Se sentou no chão à sua frente de forma que o irmão moribundo pudesse ver se rosto.

— Eu não estou entendendo... — Sussurrou.

— Será que você ainda tem tempo para a história completa? — Debochou, checando-lhe o pulso. — O filho preferido, o filho bondoso... Enquanto eu não tinha nada, você sempre tinha os melhores professores, a melhor educação, todos os livros que queria, aulas de piano, de esgrima, de linguística, vivia em uma redoma de luxo, trancafiado em seu próprio universo particular. Enquanto eu era largado às traças no jardim, com trapos sujos.

Roosevelt franziu o cenho, irritado. Carlisle havia distorcido toda infância deles.

— É mentira! Eu estava estudando para substituir nosso pai como Conde. Dia e noite! De domingo à domingo. — Rebateu, sentindo a dor lhe atormentar enquanto falava. — Mal tinha tempo para brincar com você, vivia cheio de coisas para fazer por ser a merda do primogênito. A cannie mind, ma heids away (Não consigo me lembrar) qual foi a última vez que estive livre para brincar com você antes que crescêssemos. Por esta razão você brincava sozinho. E, por deus, suas roupas eram sujas por que você brincava na terra! Você teve um infância normal. — Trincou os dentes, contendo um gemido. — Quanta futilidade, me acertar com uma besta por conta disso. Você perdeu completamente o juízo?!?! Eu posso morrer aqui e você será executado por assassinato! Chame logo um médico e pare com essa insanidade. Eejit!! (Idiota!!) — Berrou furioso.

— Dinnae!! (Não!) Cala sua boca!

Carlisle lhe acertou um soco no rosto com força. Roosevelt se calou, sentindo o gosto amargo de sangue se espalhar em sua boca.

— Papai deixou tudo para você! Fui obrigado a me mudar do centro de Londres com mamãe para um casebre escondido em Highland(Escócia). Você se tornou o jovem prodígio Conde Mackenzie; um negociante respeitado, com um casarão, um título, importância... Enquanto eu apenas cuidava de nossa mãe depressiva. — As últimas palavras foram um grito histérico: — E como se não bastasse tudo isso, ainda roubou a mulher da minha vida e agora ela não quer saber de mim!

Confusão atingiu Roosevelt.

— Mas o quê? Sequer conheço sua noiva irmão, a única mulher com quem tenho contato é Alana....

As palavras morreram em seus lábios. Carlisle lhe encarava com um ar superior e um sorriso triunfante no rosto. E Roosevelt finalmente entendera por que estava jazendo ali, a um passo da morte, pelas mãos do seu próprio irmão. Fora tão cego, tão burro. A tristeza lhe acometeu a alma, seguida por um forte sentimento de negação. Perguntou-se como não havia percebido a verdade antes, era tão obvio.

Alana era amiga de infância de Carlisle, os dois tinham a mesma idade, viviam juntos, ele se recordava vagamente. Vivia tão atarefado em seus estudos que mal prestava atenção, mal a conhecia. Mas ela sempre estivera lá, era ele quem ela amava.

Estava tudo claro agora, o ódio que ela sentia de Roosevelt era simplesmente por que havia sido forçada a se casar com o irmão errado. Carlisle era o amante dela esse tempo inteiro. Roosevelt respirou com dificuldades, sentindo o resto do sangue esvair de seu corpo, absorvendo a verdade dolorosa que lhe cortava mais que os pequenos destroços que lhe rasgaram a pele.

— Eu não sabia.. Eu jamais me casaria com ela se soubesse, brigaria com papai se fosse preciso. — Roosevelt encarou Carlisle repleto de mágoa. — Papai me obrigou a me casar por que ele estava morrendo, você sabe disso! Eu não tenho culpa de nada... Por que você não me contou nada?...

— Pretendia contar quando você desse a merda do desquite a ela e nós estivéssemos bem longe. No entanto, os anos foram passando e você se recusava. — Ele apontou para Roosevelt com os olhos repletos de julgamento. — Você me fez ceifar sua vida hoje, Roosevelt, quero que lembre-se disso para onde você for.

Roosevelt pensou em todo esse absurdo segurando o ferimento, tinha poucos minutos agora. Lembrou-se de todos os seis malditos anos em que Alana sumia por conta do amante misterioso, do quanto ela o repudiava e mal queria que ele a tocasse, das vezes em que a seguiu tentando descobrir algo. E riu. Riu bem alto. Tudo isso parecia uma piada de mal gosto.

— Meu deus, eu dormi com ela... — Sussurrou Roosevelt, repleto de nojo.

— É dormiu com a mulher com quem eu me deito desde os treze anos. — Debochou Carlisle, dando de ombros. — Mas agora eu vou recuperar tudo que me é de direito. Espero que tenha aproveitado. Pois..

— Wheesht... (fique quieto), não quero ouvir mais nada.

A cabeça de Roosevelt pesava mais a cada momento. Ele lutava para manter os olhos abertos, mas seus olhos pesavam e sua visão não era mais que um borrão turvo. Estava muito cansado, cansado dessa história insana. Nunca se sentira tão enganado em toda sua vida, tão traído. Não que sua vida tivesse sido longa, de toda forma. Fitou a poça de sangue em volta de si e pensou em todos os anos desperdiçados. Nunca vivera realmente. Precisava de mais tempo, não podia ir embora agora. Uma lágrima solitária escorreu de seu rosto e o céu acompanhou seu lamento, chorando com ele. Se ele tivesse uma segunda chance faria tudo diferente, seria menos ingênuo. Sim, fora tão ingênuo...

Ele fechou os olhos e se encheu de ódio ao pronunciar suas últimas palavras, num sopro fraco como a brisa:

— Eu mato você, Carlisle Mackeinzie, eu juro. E mato Alana depois.

Notas finais
Clima está pesadão... Espero que tenham gostado. Nos vemos no próximo. Beijão a todos que estão acompanhando! ♥