Uma Estranha No Meu Quarto
7 Capítulo 7- Dá um tempo
Notas iniciais
Enfim, achei esse capítulo fraco, mas eu escrevi quando tinha 13 anos e vou postar fielmente... em memória a mim mesma(???)
Abri meus olhos e fitei a lâmpada no teto branco. Foi preciso piscar várias vezes para que a imagem deixasse de ser um borrão iluminado. Não demorou muito para que um rosto aparecesse perto do meu, me olhando intensamente. Sorri, feliz pelo rosto ter tapado a luz forte. Eu olhei seus olhos verdes e por um momento senti medo. Mas depois que vi e senti seus cabelos ruivos encostando no meu rosto relaxei.
— He-heather?
Ela chegou mais perto.
— Sim. Christian…
Ela se perdeu nas palavras e chegou mais perto, perto o suficiente para que a beijasse. Eu toquei seu rosto. Ela fechou os olhos. E outros seis pares de olhos apareceram perto de mim, um pouco mais distantes. Ela se afastou um pouco, ruborizando.
— Você acordou! — Kevin sorriu.
— Puxa vida, pensei que você tinha morrido. — Nick passou o braço na testa limpando um suor imaginário. — Sério, eu quase comprei o caixão.
— Deixa disso! — Michael jogou um lindo buquê de rosas na minha barriga. — Eu até comprei as flores para botar no caixão que o Nick ia comprar. Que droga, desperdicei dinheiro.— Ele balançou a cabeça. — Se vai morrer, morra logo. Se vai viver, viva logo. Não fique aí tão indeciso!!!
— Michael! — Kevin o cutucou. — Não é nada disso Chris, você não ia morrer. Não chegou nem perto disso.
Não, Kevin, eu ia morrer… Tenho certeza.
Então eu me lembrei de tudo...
— É verdade. — Heather ainda estava vermelha. — Isso tudo foi só uma desculpa para não ir para escola.
...Exceto uma coisa: Por que eu não morri?
— Você perdeu muita coisa na escola. Hoje o professor Marconny pe…
— Onde vocês me acharam? Tipo, o que aconteceu? — Eu cortei a Dylan.
— Bem… — Kevin coçou a cabeça.— Você disse que tinha de ir atrás de uma garota…
— Então nós te seguimos para ver se era gata. — Nick sorriu.
— E vocês viram alguém? — A imagem da menina de olhos verdes brotou em minha mente.
— Não. — Kevin me olhou de um jeito estranho. — Quando chegamos no beco você estava desmaiado. Pensamos que foi um ladrão.
Eu me senti aliviado por eles não terem visto aquela coisa em formato de criança. E um tanto curioso para saber para onde ela foi, o que aconteceu, por que não me matou. Talvez no instante em que ia fazê-lo os meus amigos apareceram e ela não goste de testemunhas.
Ou talvez fosse um sonho, embora essa hipótese esteja quase descartada.
Uma coisa é quase certa: Ela está me vigiando e, na hora propícia virá atrás de mim.
— Afinal, você achou a merda da garota? — Michael me fez voltar ao quarto.
— Não.
Menti. Não queria que eles fizessem parte de mais uma história assustadora, como o pacto na floresta.
… Não deveria ter invocado as Trevas aquela noite…
As palavras ecoaram, no mesmo instante em que a porta do quarto se abriu e passos vieram na direção dos meus amigos e eu. Levantei num pulo e abracei Heather com toda a força que pude. Pelo menos ela eu salvaria. Os outros que se salvem, não sou nenhum super-herói. Então minha mãe abriu um largo sorriso.
— Christian — Ela gritou. Depois fitou as costas de Heather. Eu a soltei. — Hum… atrapalho?
Eu sorri aliviado e corri até onde estava parada. Ela me recebeu com um caloroso abraço e senti uma paz enorme brotar lá do fundo do meu coração. Nada como um bom abraço de mãe e estava morrendo de saudades. Eu fitei seus cabelos ruivos, seus olhos verdes, seu terno rosa, senti seu perfume importado de Paris, vi seu esmalte vermelho acariciar meu rosto e quase não acreditei. Ela estava ali do mesmo jeito que a deixei; linda, jovem, de uma graciosidade impecável e viva. Da última vez em que vi ela chorava de emoção por eu estar me mudando para começar uma vida independente, agora sorria sem tentar disfarçar a expressão de alívio. Isso fora há mais ou menos um mês e meio, mas era como se uma eternidade tivesse se passado. Eu nunca tinha percebido o quanto realmente gostava dela, até hoje.
— Que bom que você acordou. Está se sentindo bem? — Ela falou com sua voz perfeitamente controlada e fez cafuné em minha cabeça.
— Estou bem. Mãe, eu quero ir embora desse hospital. — Aproveitei para fazer um pouco de manha.
— Claro meu filho, agora mesmo. — Ela foi em direção a porta, mas parou e se virou. — Querido, leve sua namorada lá em casa qualquer dia desses. É uma menina muito dedicada, não te deixou só um segundo sequer nesses nove dias em que está aqui, a não ser para ir estudar.
Senti Heather corar atrás de mim. Os meninos abafaram o riso.
— Ela não é minha namorada mãe, é uma grande amiga. — Eu me virei para olhá-la e sorri. Ela desviou o olhar para a janela próxima à cama. — Você disse nove dias mãe?
— Sim, nove dias.
Então outra pessoa abriu a porta do quarto, me assustando novamente. Era o médico, percebi pelas as roupas.
— Já chega, tem gente demais aqui. — O médico sorriu simpaticamente. — Vocês estão fazendo muito barulho.
Todos saíram e eu continuei deitado na cama fitando o teto branco, em uma espécie de transe. Não sei quanto tempo fiquei assim, só sei que aos poucos ele foi ficando escuro e carregado, apesar de ainda ser dia e a luz estar acesa. Não só o teto, como todo lugar. As flores que Michael me trouxe e que mais cedo foram cuidadosamente postas em um vaso pela enfermeira no centro de uma mesinha perto da cama, foram de súbito ao chão. O som do vaso se partindo me alertou e eu consegui me sentar, não muito de imediato, mas no tempo certo para vê-la ao pé da cama, de braços cruzados e olhando fixo com aqueles olhos verdes: A garota que quase me matou e não fez isso só deus sabe por que.
Ela sorriu alegremente, como uma criança deveria sorrir.
Só eu sei o que tem por trás desse sorriso.
— Acordou!
Eu apoiei meu corpo com os cotovelos.
— Pensei que não acordaria mais...— Ela colocou o dedo indicador na boca, pensativa e meia fofa. — Que bom que você está bem.
— Cínica!!!
Ela fez uma expressão de ofendida e bateu com o pé.
— Não sou não. Eu estou mesmo feliz que você esteja bem.
— Você que fez isso! — Soltei de volta, a raiva subindo em minha garganta.
— Não fui eu. É você mesmo que não agüenta minha presença. Eu nem sequer toquei em você! — Ela bateu com pé de novo. — Você não acha que se eu tivesse feito alguma coisa já estaria morto ou, no mínimo, muito machucado?
Eu me calei, ela sorriu em resposta e se aproximou até seu rosto ficar a centímetros do meu.
— Por enquanto... Fique vivo por enquanto. Tenho planos para você.
Ela tocou em meu rosto e voltei a me sentir tonto, como da primeira vez. Ela sorriu de prazer a me ver assim. Chegou mais perto e tocou seus lábios de leve nos meus. Estremeci de medo, admito. E ela se aprofundou ainda mais. Eu me afastei o máximo que pude, horrorizado e com nojo.
Uma criança!!!!!!!!!!! De no máximo uns 5 anos, pude ver bem dessa vez.
Ou não. Já nem sei.
— Eu gosto... — Ela suspirou. — Gosto quando você tem medo de mim. E a propósito, tenho seis anos. Mas a idade passa diferente quando se está morta, isso não significa nada. E não sei por que ... — Ela se aproximou mais. Eu me encolhi. — Eu gosto de ficar perto de você...
— SAI DAQUI!!! SOME DE PERTO DE MIM! EU NÃO QUERO VER SUA CARA NUNCA MAIS! MONSTROOOO! ME DEIXA EM PAZ E AJA COMO ALGUÉM DA SUA IDADE AGIRIA PELO AMOR DE DEUS!!
Gritei o mais alto que pude ignorando o fato de também gostar de estar perto dela, o desejo repulsivo de abraçá-la. Sentindo-me mais sujo que um criminoso, agora sou pedófilo!
— OK! Não precisa por o nome de Deus nisso. — Ela deu um pulinho pra trás, fingindo ter se assustado. — Devo ir, por hora. — Ela desapareceu e só sua voz ficou. — Ah, eu não me chamo “monstro”, meu nome é Kristen.
Kristen. No tempo exato em que ela foi embora — Ou desapareceu, para os mais íntimos. — Heather adentrou com uma bandeja nas mãos e um sorriso no rosto que evaporou imediatamente ao me ver. Ela se sentou na beira da cama e pôs a mão em minha testa. Seu toque me acalmou.
— Que foi? Está com febre! Eu te trouxe um lanche, pois pensei que você estava faminto depois de tantos dias sem comer mas... acho que seria melhor ter trago uma enfermeira.
Ela fez que ia se levantar. Eu segurei seu pulso com força. Ela olhou apreensiva.
— Fica aqui comigo.
Foi tudo que consegui dizer.
— Ta bom. — Ela respondeu.
Eu esfreguei meus lábios com força, tentando tirar o formigamento que brotava neles, me sentindo mais louco a cada segundo. Embora ela não tenha me beijado de língua queria tirar isso de mim, qualquer coisa servia. Tomei em um gole todo o suco que Heather me trouxera e a puxei para mim, sem aviso prévio. Ela se mostrou surpresa e eu a afastei.
Eu abri o chuveiro e deixei a água quente percorrer o meu corpo durante umas três horas. É inacreditável como a pele fica feia após um recomeço de escola estressante, uma criança/adulta/sei-lá-que-diabos-é-ela doida com poderes de sumir e aparecer em outro lugar e nove dias no hospital.
Havia muito o que pensar, muito o que fazer, mas eu resolvi deixar tudo de lado por um tempo e aproveitar. Decidi que não voltaria sequer a pensar naquela garota e sua risada desdenhosa. E seu beijo de mulher que admito, não foi lá tão ruim. Afinal de contas, apesar de tudo, eu estou vivo. Isso merece uma comemoração. O resto não interessa mais. O motivo dela não ter me matado — E ter me beijado na boca!!!!!! — não interessa mais, ela não interessa mais. E se não estivesse tão cansado e a água tão gostosa iria para uma boate dançar a noite toda, como se nada tivesse acontecido, de preferência com Heather me beijando ao ritmo do som. Certamente nada aconteceu.
Espera. O beijo de Heather e meu no hospital foi uma coisa boa. Muito boa. Não preciso nem dizer o quanto foi bom. E o quanto ela ficou vermelha quando minha mãe entrou no quarto e viu.
E o quanto ela, minha mãe, riu depois que Heather saiu aos tropeços porta a fora.
Isso foi tão bom quanto rever a banheira depois de tantos dias.
A banheira.
Quando me dei por satisfeito no chuveiro ainda entrei na banheira quente e fiquei lá por sabe-se lá quanto tempo. Depois me enrolei na toalha e sai para o quarto, louco para colocar uma roupa e cair na cama.
E paralisei ao fitar a cama.
Por quedeitada nela estava simplesmente a garota mais linda que eu já vi.
Notas finais
Apartir do 12 será meu desafio continuar a escrever, tenho medo de não conseguir mais escrever, não conseguir mais manter o nível da história. Afinal são 4 anos sem rabiscar nada...
Reviews são importantes para eu ter uma idéia de como vou continuar, por que eu não lembro mais o final, kkkk (pois é, sou estranha '-') Amo muito os coments de vocês!!! S2
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