Uma luz entrava em meu quarto. Fazia meus olhos arderem de uma forma insuportável. Meus fones, ainda se ouvia alguma música e que por sinal era Cry, até meu aleatório ta brincando com a minha cara ? Mal se pode acordar que já é essas músicas deprimentes, o pior é que não consigo muda-la, é maior que eu, a dor sempre vai estar la, é meu irmão, não um mendigo, e até porque, se fosse um Mendigo seria pior ainda, já pensou como aquele pobre coitado iria viver ao sair daquele hospital ? Esses pensamentos foram me dando náusea. Tomei um banho, brevemente. Meus pais... Tenho que ligar para eles. Pego meu celular que estava sobre a cômoda. Mas o que falar ? Como falar ? Mereço né ? Mas já era tarde. Minha mãe havia atendido.

–Mãe? -por que justo ela ?

–Olá querida.

–O pai ta ai também ?

–Esta sim, mas que voz é essa ? Ta tudo bem?- ela parecia estar preocupada do outro lado do celular.

–Mãe, chama o papai, coloca o celular no viva voz e sentem — respirei fundo ao concluir essa frase

–Esta me deixando preocupada, Stella.

–Mãe, só faz isso.

Em segundos ouço a voz do meu pai e da minha mãe que parece estar mais aflita

–Filha ? Ta tudo bem ? -era meu pai, cassete

–Pai é importante...

–Você não é mais virgem ?- tentou adivinhar ?! Cara que ridículo.

–PAI! Não ! Não é isso ! É mais importante

–Fale logo Stella. Estou aflita- falou minha mãe.

–Foi o Nicolas...

–O que ele fez ?- mais uma vez meu pai que parecia bravo

–Nada, o que aconteceu com ele seria a pergunta...

–Stella...- minha mãe tinha voz tremula

–Ele sofreu um acidente muito grave, e está em coma induzido.

–O QUE ?- minha mãe gritou e era como se alguém tivesse colocado um punhal em meu peito

–NATALIE!- ai meu Deus, algo aconteceu. Não consigo dizer nada- filha ligo para você depois- e ele desligou.

O que foi que eu fiz ? O que aconteceu ? Minha família agora, além de distante está sofrendo por uma mesma causa na qual não sabemos lidar.

Agradeço por hoje ser domingo. Mas o que estou fazendo aqui ? Tenho que ir ao hospital.

Chamo um táxi. Ai você pensa: não vai ligar ou avisar a nenhuma amiga pra te consolar ?

Não, até porque nem tenho amiga pra fazer isso. Dispenso. O eco da voz da minha mãe e do meu pai soam em minha mente. Como me dói. Sei que eles estão longe, mas dói, é filho deles, cara, filho. Sou tirada do meu devaneio com a buzina do táxi em frente à minha casa.

–Hospital Central...- digo ao taxista que nem liga para o que estou passando, mas isso não me importa, aproveito para ouvir minhas músicas deprimentes durante o breve caminho.

Cheguei no hospital e vi aquelas pessoas, de novo. Caraca que gente chata. Nem no hospital posso ficar sozinha com meu irmão ? A vantagem é que eles não podiam entrar no quarto do Nicolas sem a minha permissão, por alguns segundos me senti poderosa por isso. Passo pelo grupo sem falar nada e todos olham para mim como se eu fosse uma ladra agindo como se não tivesse feito nada. Não dou a mínima também. Vou até a recepcionista que me dá um adesivo com meu nome, seguido pelo nome do Nicolas, o nome: "família/visitante" em maiúsculas e uma faixa roxa com uma espécie de códigos de barra na qual não entendia.

–Eles podem entrar?- perguntou a mesma recepcionista que havia me visto noite passada

–Ham ?

–O grupo de adolescentes, estão aqui para ver seu irmão desde cedo, foi difícil explicar a eles que só podiam entrar com autorização de algum familiar.

–Ah, bom, tem cerca de 7 pessoas, elas podem entrar em grupos de 3 ou em dupla ?

–Claro, mas tem algum problema em entrar todos?

–Não, só que, fica menas pessoas no quarto e menos barulho.

–Isso é verdade. Como quiser. Posso manda-los entrar ?

Pensei. Pensei por um bom tempo, eu deveria ser a primeira, mas estava rodeada de medo. Deixei que eles entrassem logo.

–Pode sim, vou esperar fora

–Pode ficar no quarto também senhorita Rodrigues.

–Prefiro esperar fora, obrigada.

Fui para um banco coberto de couro preto que ficava no corredor de frente ao quarto do Nicolas. Assisti tudo, desde o momento em que eles pegavam o adesivo, passavam por mim, me olhavam com certa pena e entravam. Resolveram entrar de 2 em 2 e em 1 trio isso poderia levar um certo tempo. Enquanto eles entravam eu olhava para todos os cantos do local, desde o canto da parede até o teto. Analisei todo o corredor até que a primeira dupla saiu. Por coincidência eram 4 garotas e 3 garotos, entraram 2 em casais e 1 trio. E a garota estava em choque. O garoto alto ao seu lado parecia ter visto a morte, sua boca em forma de "O" me dava calafrios, senti um arrepio em minha espinha. Eles seguiram para perto do grupo e começaram a chorar, o mesmo aconteceu com a segunda dupla, mas com o trio foi diferente, eu ouvi um grito, era de uma das garotas, choro, soluços, esqueceram de fechar a porta ? O único garoto do trio saiu em prantos segurando as duas meninas, cada uma de uma lado abraçadas a ele, chorando, como se fosse o último dia de suas vidas, vi um enfermeiro indo em direção ao grupo com copos d'água e remédios, com certeza tranquilizantes. Não havia notado, mas as lágrimas já estavam descendo pelo meu rosto.

–Meu bro -falou o garoto que acabara de deixar o quarto enquanto abraçava um dos amigos

Me levantei, pensei em ir até lá, dei alguma passos, eles olharam para mim, mas o que merda eu iria fazer se nem olhei para meu irmão ainda ?! Fiquei de costas para eles e chorei enquanto dava curtos passos para o quarto de porta branca.

Meu coração bateu ainda mais rápido quando cheguei a porta daquele quarto, acho que fiquei pálida, me senti gelada, será que eles também sentiram isso ?

"É agora ou nunca" falei para meu consciente.

Entrei e...

Notas finais
Cry - Kelly Clarkson