Lá estava ele, irreconhecível...Comecei a soluçar e me aproximei com as pernas bambas. Tão machucado...não parecia ser o meu Nicolas, o meu irmão. Não, eu não aceito isso ! Braço, perna e dedo engessados, seu rosto arranhado e roxo. Tudo o que eu conseguia ouvir era o barulho dos aparelhos e o pulsar dos meus batimentos. Senti minha visão ficar preta e tentei me segurar.

–Nicolas -movi os lábios mas não ouvi o som da minha voz. Estava em choque.

Abri os olhos e me vi deitada em uma cama com um garoto olhando para mim...Ele não me parecia estranho...

–Você está bem ? -sua voz era forte mas calma

–S-sim... eu acho -sussurrei a última parte- como vim parar aqui ?

–Você desmaiou, não lembra ?

–Não -olhei para o local tentando me lembrar de algo

–Você estava vendo o Nicolas e gritou o nome dele. Eu corri até lá e quando vi, você estava no chão.

Começo a lembrar de toda cena a cada palavra dele.

–Obrigada -sussurrei e toquei minha cabeça

–Está doendo ?

Afirmei com a cabeça

–Mas não é nada de mais, preciso ficar com meu irmão, onde ele está ?

–Calma. Está apagada a mais tempo do que imagina, Stella. Seus pais estão no quarto do Nicolas.

–Meus pais ?

–Eles pegaram o primeiro voo para cá e chegaram há um tempo. Você precisa descansar

–Descansar ? Como descansar ? Eu quero o meu irmão ! Irei descansar quando ele estiver em casa e bem !

–Eu sei que nã...

–Não, não sabe ! -o interrompi- por Deus me deixe um pouco sozinha.

O vi suspirar e sair do quarto.

Olhei para todos os lados e senti uma puta dor de cabeça.

–Que saco !-murmurei inquieta- Calma, Stella, você precisa se acalmar.

Fechei os olhos e memórias minhas e de meu irmão passaram rapidamente. Não conseguia mais chorar, não havia mais lágrimas, apenas fiquei em silêncio e isso me corroeu ainda mais por dentro. Ouvi o barulho da porta abrindo e abri os olhos rapidamente.

–Filha...

Era o meu pai. Ele parecia forte, mas seu olhar o entregava, estava cansado e com certeza lutava para tentar parecer bem. Pela primeira vez ele parecia estar preocupado com todos nós.

Ele se aproximou de mim e segurou minha mão

–Como se sente ?

–Só um pouco de dor de cabeça...

–Quer algum remédio ?

–Pai eu já tomei remédios demais...Se tomar mais algum acho que terei uma overdose.

Ele realmente não sabia o que fazer. Só ficou ali, brincando com meus dedos.

–E a minha mãe ?

–Ela não quer sair do lado do seu irmão

–Ela está medicada não é ?

–Muito... Daqui a pouco a levarei para casa e você também.

–Não quero ir para casa

–Você precisa, Stella, sabe disso

Bufei e desejei não estar ali, não mais.

Em cerca de 15 minutos estávamos no carro indo para casa. Um silêncio ensurdecedor nos cercava, mas sejamos francos, ouvíamos mais do silêncio do que se estivéssemos falando.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.