Uma Declaração Covarde - Oneshot
1 Uma Declaração Covarde
Notas iniciais
– Eu sei, eu sei, nunca vou conseguir falar o que sinto, pois bem escreverei tudo e depois jogarei o papel fora, pelo menos assim minha ansiosidade diminua um pouco – murmurei baixinho na biblioteca vazia, ninguém ia até a biblioteca três, pois era pequena e cheia de poeira, perfeita para pessoas como eu.
Querido Uchiha Itachi-san,
Já que isso nunca, jamais, em hipótese alguma chegará a suas mãos poderei ser totalmente sincera.
Na primeira vez que eu te vi achei muita graça, tu nem me viu porque eu estava no telhado do colégio, mas você estava carregando vários livros e de repente caiu no chão ficando de bunda para cima, ri admito, gargalhei muito. Pensei em te ajudar, mas Mami-san chegou antes de mim, ela é muito mais bonita, conversativa e agradável, mesmo de longe vi seu olhar perplexo, você se apaixonou a primeira vista, correto? Hoje vocês têm uma relação tão intima, são o casal perfeito da escola, ela é meu completo oposto, logo mesmo que a cada instante minha admiração crescesse, mesmo que se tornasse um amor puro e meigo eu não tinha chance nenhuma, era lógica se Itachi-san se atraia por ela não havia maneira de se deixar atrair por mim, sou do tipo que observa silenciosamente tomando nota e desenhando as expressões de pessoas em momentos importantes, para elas.
Tentei, tentei muito acabar com meu amor, ignorei-te, evitei-te de todas as forças possíveis, pensava que talvez se sua imagem e seus atos não inundassem minha mente poderia esquecer tudo, mas não, o meu plano foi falho, completamente falho.
A cada dia que não te via parecia que perdia um acontecimento muito importante, quando via que tinhas acertado uma cesta incrível, enfrentado outro aluno ficava tão ansiosa que, por vezes, não dormi. Meu segundo plano foi tentar focar em outras pessoas, dediquei-me a meus pais, mas em algumas semanas ambos se mudaram por causa do emprego, depois parti para meus amigos, só que nós temos divergências enormes quanto ao significado de tarefas divertidas, os virtuais nem preciso dizer que nosso único contato era por meio de chats em sites, por ultimo foram os encontros, saí com três garotos da escola, todos, devo dizer com sinceridade, eram divertidos demais, brincavam com coisas que me machucavam, não por mal, eu via que eles não notavam, mas a dor não diminuía por causa disso, experimentei também sair com outros caras, amigos de amigas e etc. Conheci pessoas legais assim, até mantive algumas amizades, porém a cada um via-me comparando-os a você e na mente de alguém apaixonado não existe um único ser na terra que possa comparar-se ao seu amado.
Estou completamente presa, encurralada por um sentimento não declarado, não que sejamos de mundos totalmente diferentes, ambos somos populares de nosso próprio jeito, tu com boas notas e desempenho admirável em artes marciais e eu com meu talento para desenho e por ser a estrela do time de natação feminino, mas ainda sim você é a lua, o pedaço confortável de escuridão no meio de seres iluminados enquanto eu sou apenas uma estrela feita para enfeitar algo melhor e mais importante que, infelizmente não é nem mesmo a você que eu sirvo e sim a Mellody, a líder de seu fã-clube, não que eu participe, pessoalmente não acho que faz alguma diferença.
O que devo fazer? Confessar-me? Não, tenho um amor covarde e também foram tantas as recentes mudanças, meu amor por ti funciona como uma ancora confortável, tê-lo despedaçado repentinamente poderia fazer com que eu ruísse, talvez então esquecer e continuar como venho fazendo desde o primeiro ano do colegial? Mas como se sinto um ciúme insuportável, carência descontrolada, como todo ser humano tenho desejos e expectativas que você não pode cumprir pelo primeiro motivo de que as desconhece. Isso soa tão louco, por vezes questionei-me sobre isso, não seria eu uma copia das seguidoras psicóticas de seu irmão mais novo? Não, não estou disposta a fazer loucuras nem usar de truques e artimanhas para conquistar-te, nem mesmo mando uma mera carta! Como, como então comparar-me as corajosas garotas que são sinceras consigo e com o mundo mesmo tendo consciência das respostas que irão receber? Sim, elas estão muito acima de mim.
Algum dia, algum dia ainda que seja no futuro e tu possua filhos, declararei meu amor, nem que seja apenas para morrer tranquila, sim já perdi tantos e cada um tirou-me a oportunidade de falar algo, de fazer algo, não quero sentir a impotência novamente diante de impossibilidade de mudar o passado. Só que enquanto observo-te em silêncio o medo da rejeição torna-se tão imenso, profundo, intenso, algum dia conquistarei não seu coração, mas ao menos um grande sorriso sincero teu, desejo ver ao menos uma vez rugas em suas bochechas, a pela sendo exprimida na região dos olhos, céus você ficaria tão belo,
Com intenso e inofensivo amor.
Kurousagi Aiko.
Dobrei o papel com um sorriso envergonhado e coloquei uma fita verde turquesa que antes estava em meu pulso, se ao menos tivesse coragem para dizer aquelas palavras em voz alta, quem sabe coloca-las em seu armário de sapatos? Ou talvez grudada em seu guarda-chuva.
Enquanto negava com a cabeça coloquei o papel debaixo do meu estojo e fui ao banheiro, sonhar sonhos impossíveis não ajudava ninguém.
[…]
Surpreendi-me ao encontrar o objeto de meus sonhos parado em frente à mesa que eu ocupava após voltar à biblioteca, de primeira pareceu levemente suspeito, mas assim que vi a folha de papel em suas mãos meu coração parou e eu arregalei os olhos.
Ele leu, ele leu, ele leu pensei em pânico sem conseguir organizar meus pensamentos, minhas pernas bambearam e assim que tentei me mexer acabei apoiando em uma cadeira torta que rapidamente foi ao chão chamando a atenção para mim.
Itachi virou a cabeça e deu um pequeno sorriso sincero caminhando em minha direção, quando o garoto parou a minha frente abaixei a cabeça já em lágrimas preparada para uma onda de xingamentos e ofensas, quem era eu para apaixonar-me por um digníssimo Uchiha?
– São belíssimas palavras Aiko-chan – elogiou afinando a voz no ultimo trecho, levantei minha cabeça atônica com a boca entreaberta – Esse é meu número de telefone e sim eu lembro-me de você no meu primeiro dia, estava gargalhando tão alto que era impossível não notar – disse colocando uma folha de papel pequena bem dobrada em cima da minha mão e logo depois sair andando com sua calma inabalável.
– E a Mai-san? – questionei virando-me.
– Ela é lésbica, eu vim aqui porque ela queria o seu número, felizmente as coisas não saíram como o planejado, não é? – respondeu sem olhar para trás.
Abri o papel emocionada, dentro estava um número de telefone, um nome e duas carinhas sorridentes com polegares levantados junto com as palavras Itachi-kun.
– Estou completamente chocada – murmurei balançando negativamente a cabeça.
Fale com o autor