Todos estavam ansiosos para começar a ler. Dirigiram-se a Sala Precisa. Hermione estava com sete livros, alguns grossos e outros fininhos, nas mãos.

Remus estava com Teddy no colo, olhando-o fascinado. Tonks observava a cena, sorrindo. Dorcas olhava a garota e Teddy com desprezo.

Sirius estava com a mão na cintura de Lene, enquanto andava ao lado de Remo, praticamente babando em cima de Teddy.

Lily, James e Harry andavam lado a lado, com Harry no meio sem saber o que falar.

Chegando ao quarto (Sala precisa), todos sentaram-se em roda e Mione perguntou:

–Quem vai ler?

–EU! — Disse Sirius. Todos o olharam estranhando e ele disse:

–Ué, eu sou uma pessoa culta. Hahahaha.

Capítulo 1 — O menino que sobreviveu

O Sr. e a Sra. Dursley, da Rua dos Alfeneiros, nº 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado.

–Dursley... — Disse Lily pensativa. Não era o sobrenome do namorado de Petúnia? Pensou a ruiva.

–Eram as últimas pessoas no mundo que esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.

–Como assim com esse tipo de bobagem? — Questionou Dorcas.

–E o que isto tem haver com você, Harry? — Perguntou James.

–Vocês vão ver... — Disse Harry pesaroso.

O Sr. Dursley era diretor de uma firma chamada Grunnings, fazia perfurações. Era um homem alto e corpulento quase sem pescoço, embora tivesse enormes bigodes.

–Parece ser lindo — Ironizou Marlene.

A Sra. Dursley era loura e tinha um pescoço quase duas vezes mais comprido que o normal, o que era muito útil porque ela passava grande parte do tempo espichando-o por cima da cerca do jardim para espiar os vizinhos.

–Cof. Cof. Fofoqueira. Cof. Cof. — Disse Rony.

Os Dursley tinham um filhinho chamado Dudley, o Duda e em sua opinião não havia garoto melhor em nenhum lugar do mundo.
Os Dursley tinham tudo que queriam, mas tinham também um segredo, e seu maior receio era que alguém o descobrisse.

–Ihh, que segredo? — Disse Tonks curiosa.

Achavam que não iriam aguentar se alguém descobrisse a existência dos Potter.

–O QUÊ? Como assim?- Disse James alto. — Como essas pessoas me conhecem?

Todos também estranharam, e então Sirius voltou a ler.

A Sra. Potter era irmã da Sra. Dursley, mas não se viam há muitos anos. Na realidade, a Sra. Dursley fingia que não tinha irmã.

–Túnia... -Sussurrou Lily.

Porque esta e o marido imprestável eram o que havia de menos parecido possível com os Dursley. Eles estremeciam só de pensar no que os vizinhos iriam dizer se os Potter aparecessem na rua. Os Dursley sabiam que os Potter tinham um filhinho também, mas nunca o tinham visto. O garoto era mais uma razão para manter os Potter à distância, eles não queriam que Duda se misturasse com uma criança daquelas.

–HEY! OLHA O QUÊ VOCE FALA DO MEU FILHO SEU FILHO DA P... — Disse James raivoso.

–Pontas. — Começou Remus — Você tem a plena consciência de que eles não vão te escutar, certo?

James fechou a cara para Remus.

Quando o Sr. e a Sra. Dursley acordaram na terça-feira monótona e cinzenta em que a nossa história começa, não havia nada no céu nublado lá fora sugerindo as coisas estranhas e misteriosas que não tardariam a acontecer por todo o país. O Sr. Dursley cantarolava ao escolher a gravata mais sem graça do mundo para ir trabalhar e a Sra. Dursley fofocava alegremente enquanto lutava para encaixar um Duda aos berros na cadeirinha alta.

–O garoto devia ser gordo, hein?-Disse Ginny

Você nem imagina. Pensou Harry.

–Fofocava com quem? Com a frigideira?- Riu-se Sirius

–SIRIUS! É minha irmã!

– Desculpe, Lily.

–Nenhum deles reparou em uma coruja parda que passou, batendo as asas, pela janela.

–Agora que começa a ficar interessante — Disse Rony e todos concordaram.

Às oito e meia, o Sr. Dursley apanhou a pasta, deu um beijinho no rosto da Sra. Dursley e tentou dar um beijo de despedida em Duda, mas não conseguiu, porque na hora o garoto estava tendo um acesso de raiva e atirava o cereal nas paredes.

–Que horror! -Disse Tonks.

— Pestinha. — disse rindo contrafeito o Sr. Dursley ao sair de casa.

–RIU?! — Continuou Tonks, e Sirius e James riram ao ver o espanto da menina.

Ele entrou no carro e deu marcha à ré para sair do estacionamento do número quatro.
Foi na esquina da rua que ele notou o primeiro indício de que algo estranho ocorria: um gato lia um mapa. Por um instante o Sr. Dursley não percebeu o que vira – em seguida virou rapidamente a cabeça para dar uma segunda olhada. Havia um gato de listras amarelas, sentado na esquina da Rua dos Alfeneiros, mas não havia nenhum mapa à vista. Em que estaria pensando naquela hora? Devia ter sido um efeito da luz. Ele piscou e arregalou os olhos para o gato.
O gato o encarou. Enquanto virava a esquina e subia a rua, espiou o gato pelo espelho retrovisor. Ele agora estava lendo a placa que dizia Rua dos Alfeneiros – não, não estava olhando a placa: gatos não podiam ler mapas nem placas. O Dr. Dursley sacudiu a cabeça e tirou o gato do pensamento.

–É um animago! — Disse Sirius.

Durante o caminho para a cidade ele não pensou em mais nada exceto no grande pedido de brocas que tinha esperanças de receber naquele dia, mas ao sair da cidade, as brocas foram varridas de sua cabeça por outra coisa.

–Brocas? -Questionou James.

–Ah, brocas são uma espécie de... -Começou Mione, mas ele disse:

– Ok, Obrigado castanha, não precisa explicar — Percebendo que havia uma Lily 2ª ali. E sorriu para ela.

Ao parar no costumeiro engarrafamento matinal, não pôde deixar de notar que havia uma quantidade de gente estranhamente vestida andando pelas ruas. Gente com capas largas.

–BRUXOS! — Disse Rony.

O Sr. Dursley não tolerava gente que andava com roupas ridículas – os trapos que se viam nos jovens!

Harry indignou-se com o pensamento do tio. O que ele dava para Harry vestir? Pode ter certeza que não se passavam de trapos.

Imaginou que aquilo fosse uma nova moda idiota. Tamborilou os dedos no volante e seu olhar recaiu em um grupinho de excêntricos parados bem perto dele. Cochichavam excitados. O Sr. Dursley se irritou ao ver que alguns deles nem eram jovens, ora, aquele homem devia ser mais velho do que ele, e usava uma capa verde-esmeralda! Que petulância! Mas então ocorreu ao Sr. Dursley que se tratava de alguma promoção boba – essas pessoas estavam obviamente arrecadando alguma coisa... É, devia ser isto! O tráfego avançou e alguns minutos depois o Sr. Dursley chegou ao estacionamento da Grunnings, o pensamento de volta às brocas.

–Que homem original! -Brincou Dorcas. Mas ninguém riu.

O Sr. Dursley sempre sentava de costas para a parede em seu escritório no nono andar. Se não o fizesse, talvez tivesse achado mais difícil se concentrar em brocas aquela manhã. Ele não viu as corujas que voavam velozes em plena luz do dia, embora as pessoas na rua as vissem, elas apontavam e se espantavam enquanto um bando de corujas passava no alto. A maioria jamais vira uma mesmo à noite. O Sr. Dursley, porém, teve uma manhã normal sem corujas. Gritou com cinco pessoas diferentes. Deu vários telefonemas importantes e gritou mais um pouco.

Ninguém ali estava gostando do homem.

Estava de excelente humor até a hora do almoço,

–Porra! -Disse Sirius sendo repreendido por Lily, pelo palavrão.

Quando pensou em esticar as pernas e atravessar a rua para comprar um pãozinho doce na padaria defronte.
Esquecera completamente as pessoas de capas até passar por um grupo delas próximo à padaria. Olhou-as com raiva ao passar. Não sabia o porquê, mas elas o deixavam nervoso. Essas cochichavam também, mas ele não viu nenhuma latinha de coleta. Foi ao passar por elas na volta, levando uma grande rosquinha açucarada que ouviu algumas palavras do que diziam.
—... Os Potter, é verdade, foi o que ouvi...
—... É, o filho deles, Harry...

–O que tem a gente? Porque estão falando de você, Harry? — Questionou James.

Harry apenas pediu para Sirius prosseguir.

O Sr. Dursley parou de repente. O medo invadiu-o. Virou a cabeça para olhar as pessoas que cochichavam como se quisesse dizer alguma coisa, mas pensou melhor.

–Jura? Ele sabe pensar? — Comentou Tonks. Todos riram.

Atravessou a rua depressa, correu para o escritório, disse rispidamente à secretária que não o incomodasse, agarrou o telefone e quase terminara de discar o número de casa quando mudou de ideia. Pôs o fone no gancho e alisou os bigodes pensando... Não, estava agindo como um idiota. Potter não era um nome tão fora do comum assim. Tinha certeza de que havia muita gente chamada Potter com um filho chamado Harry.

–Porra. Meu nome é ÚNICO — Disse James extremamente irritado.

Pensando bem, nem sequer tinha certeza de que o sobrinho tivesse o nome de Harry. Jamais viu o menino. Talvez fosse Henry. Ou Henrique.
Não tinha sentido preocupar a Sra. Dursley, ela sempre ficava tão perturbada à simples menção da irmã. Não a culpava – se ele tivesse uma irmã como aquela... Mas mesmo assim aquelas pessoas de capas...
Achou bem mais difícil se concentrar nas brocas aquela tarde, e quando deixou o edifício às cinco horas, continuava tão preocupado que deu um encontrão em alguém parado ali à porta.
— Desculpe — murmurou, quando o velhinho cambaleou e quase caiu.
Levou alguns segundos até o Sr. Dursley perceber que o homem estava usando uma capa roxa. Não parecia nada aborrecido por ter sido quase jogado ao chão. Ao contrário, seu rosto se abriu em um largo sorriso e ele disse numa voz esganiçada que fez os passantes olharem:
— Não precisa pedir desculpas, caro senhor, porque nada poderia me aborrecer hoje! Alegre-se! Porque Você-Sabe-Quem finalmente foi-se embora! Até trouxas como o senhor deviam estar comemorando um dia tão feliz!

–O QUÊ? Voldemort foi derrotado?! -Gritaram todos do passado. E começaram a comemorar.

–HAHAHHAHA O carinha se fudeu! HAHAHAHAHA! Achou que era o melhor!- Riu Lene.

Os dos futuro só olhavam preocupados.

E o velho abraçou o Sr. Dursley pela cintura e se afastou. O Sr. Dursley ficou pregado no chão. Fora abraçado por um completo estranho. E também achava que fora chamado de trouxa, o que quer que isso quisesse dizer. Estava abalado. Correu para o carro e partiu para casa, esperando que estivesse imaginando coisas, o que nunca esperara que fizesse, porque não aprovava a imaginação.

–COMO ALGUÉM NÃO APROVA A IMAGINAÇÃO? -Perguntaram os Marotos Juntos.

–Que lástima! — Disse Rony. Hermione riu. Tinha usado essa palavra uma vez, e agora Rony a usava para impressioná-la.

Quando entrou no estacionamento do número quatro, a primeira coisa que viu – e isso não melhorou o seu estado de espírito – foi o gato listrado que notara aquela manhã. Agora ele estava sentado no muro do jardim. Tinha certeza de que era o mesmo, as marcas em volta dos olhos eram as mesmas.

–Uou! Já até sei quem é!- Comentou Mione.

–QUEM? — Questionou curioso, Sirius.

–Você vai ver.

Sirius continuou a leitura.

— Chispa! — disse o Sr. Dursley em voz alta.
O gato não se mexeu. Apenas lançou-lhe um olhar severo.

–MCGONAGALL!!! -Gritou Remo, acordando o pequeno Teddy, fazendo-o chorar alto. O lobisomem se desesperou e ficou balançando a mão na frente do bebê, para ele parar, o que o fez chorar ainda mais, para desespero do menino.

James e Sirius tentaram ajudar, fazendo palhaçadas, que assustaram a pobre criança.

Tonks olhava aquilo tudo incrédula.

–PAREM!

Ela pegou o filho, e começou a niná-lo cantando uma melodia baixinha, até que o pequeno, se acalmou e olhou a mãe com atenção e curiosidade.

Remus sorriu, encantado, com a metamorfomaga.

Dorcas sentiu o sangue ferver. Como ela queria matar aquele bebê e a mãe.

–Continuando — Disse Sirius.

Será que isto era um comportamento normal para um gato?! Pensou o Sr. Dursley. Continuava decidido a então não comentar nada com a esposa. A Sra. Dursley tivera um dia normal e agradável. Contou-lhe durante o jantar os problemas da senhora do lado com a filha e ainda que Duda aprendera uma palavra nova (Nunca).

–Que linda palavra. — Resmungou ironicamente Lily.

–Nunca. Uma ótima palavra. -Riu Marlene.

A Sra. Dursley entrou na sala trazendo duas xícaras de chá. Depois de botar Duda para dormir. Não adiantava. Teria que lhe dizer alguma coisa. Pigarreou nervoso.
— Hum, Petúnia, querida, você não tem tido notícias de sua irmã ultimamente?
Conforme esperava, a Sra. Dursley pareceu chocada e aborrecida. Afinal, normalmente fingiam que ela não tinha irmã.

Lily sentiu-se triste com isso, e se encolheu. James a abraçou e Harry pegou a mão dela.

— Não. — respondeu ela, seca. — Por quê?
— Uma notícia engraçada. — murmurou o Sr. Dursley — Corujas... Estrelas cadentes e vi uma porção de gente de aparência estranha na cidade hoje...
— E daí? — cortou a Sra. Dursley.
— Bem, pensei, talvez, tivesse alguma ligação com... Sabe... O pessoal dela.

–BRUXOS. B-r-u-x-o-s, ele é analfabeto ou o quê -Disse Ginny contrariada.

A Sra. Dursley bebericou o chá com os lábios contraídos. O Sr. Dursley ficou em dúvida se teria coragem de lhe contar que ouvira o nome “Potter”. Decidiu que não.

–Com certeza não iria para a Grifinória- Disse Harry.

Em vez disso, falou com a voz mais displicente que pode:
— O filho deles teria, mais ou menos, a idade do Duda agora, não?
— Suponho que sim — respondeu a Sra. Dursley ainda seca.
— Como é mesmo o nome dele? Henrique, não é?
— Harry. Um nome feio e vulgar se quer saber minha opinião.

–Vai. Se. Fuder. — Disse Ginny- Desculpe, senhorita Evans, mas o nome de Harry, é lindo.

–Ah, tudo bem. Também acho Ginny, Harry, realmente é um nome lindo- Disse Lily sorrindo.

Harry Deu um abraço e um beijo em Ginny.

— Ah, é — disse o Sr. Dursley, sentindo um aperto horrível no coração. — É, concordo com você.
Não disse mais nenhuma palavra sobre o assunto a caminho do quarto onde foram se deitar. Enquanto a Sra. Dursley estava no banheiro, o Sr. Dursley foi devagarzinho até a janela e espiou o jardim da casa. O gato continuava lá. Observava o começo da Rua dos Alfeneiros como se esperasse alguma coisa.
Estaria imaginando coisas. Será que tudo isto teria ligação com os Potter? Se tivesse... Se aparentasse que eram aparentados com um casal de... Bem ele achava que não aguentaria.

Todos reviraram os olhos com o drama do homem gordo.

Os Dursley se deitaram. A Sra. Dursley, adormeceu logo, mas o Sr. Dursley continuou acordado pensando no que acontecera. Seu último consolo antes de adormecer foi pensar que mesmo que os Potter estivessem envolvidos, não havia razão para se aproximarem dele e da Sra. Dursley. Os Potter sabiam muito bem o que pensavam deles e de gente de sua laia... Não via como ele e Petúnia poderiam se envolver com nada que estivesse acontecendo. O Sr. Dursley bocejou e se virou. Isso não poderia afetá-los...
Como estava enganado.

Um homem apareceu na esquina que o gato estivera vigiando.
Apareceu tão súbita e silenciosamente que se poderia pensar que tivesse saído do chão. O rabo do gato mexeu ligeiramente e seus olhos se estreitaram.

–Acho que a Minnie esta meio bravinha — Disse Sirius

Ninguém jamais vislumbrara nada parecido com este homem na Rua dos Alfeneiros. Era alto, magro e muito velho a julgar pelo prateado dos seus cabelos e de sua barba, suficientemente longos para prender no cinto. Usava vestes longas, uma capa púrpura que arrastava pelo chão e botas com saltos altos e fivelas. Seus olhos azuis eram claros, luminosos e cintilantes por trás dos óculos em meia-lua e o nariz, muito comprido e torto, como se o tivesse quebrado pelo menos duas vezes. O nome dele era Alvo Dumbledore.

–O que Dumbledore esta fazendo ai? – Questionou Ginny.

Alvo Dumbledore não parecia ter consciência de que acabara numa rua onde tudo, desde o seu nome às suas botas, era malvisto.
Estava ocupado apalpando a capa, procurando alguma coisa. Mas parecia ter consciência de que estava sendo vigiado, porque ergueu a cabeça de repente para o gato, que continuava a fitá-lo da outra ponta da rua. Por algum motivo, a visão do gato pareceu diverti-lo. Deu uma risadinha e murmurou:
— Eu devia ter imaginado.

–Ele nunca se surpreende com nada!-Exclamou Lily.

Encontrou o que procurava no bolso interior da capa, parecia um isqueiro de prata. Abriu-o, ergueu-o no ar e ascendeu. O lampião de rua mais próximo apagou-se com um estalido seco. Ele fez de novo – o lampião seguinte piscou e apagou, doze vezes ele acionou o “desiluminador”

Rony sorriu com a menção do objeto.

Até que as únicas luzes acesas na rua eram dois pontinhos minúsculos ao longe, os olhos do gato que os vigiava. Se alguém espiasse pela janela agora, até a Sra. Dursley, de olhos de contas, não conseguira ver nada que estava acontecendo na calçada. Dumbledore tornou a guardar o “desiluminador” na capa e saiu caminhando pela rua em direção ao número quatro, onde se sentou no muro ao lado do gato. Não para olhar para o bicho, mas, passado algum tempo, dirigiu-se a ele.

–Quem vê, pensa que é louco. — Disse Dorcas. E algumas pessoas concordaram, rindo.

— Imaginava encontrar a senhora aqui, Professora Minerva McGonagall.
E virou-se para sorrir para o gato, mas este desaparecera. Ao invés dele, viu-se sorrindo para uma mulher de aspecto severo que usava óculos de lentes quadradas exatamente do formato das marcas que o gato tinha em volta dos olhos. Ela, também, usava uma capa esmeralda. Trazia os cabelos negros presos num coque apertado. E parecia decididamente irritada.

–Pobre Dumbledore.. — Sussurrou James.

— Como soube que era eu? — perguntou.
— Minha cara professora, nunca vi um gato se sentar tão duro.

Marlene trocou um olhar pervertido com James e os dois caíram na risada.

— O senhor estaria duro se tivesse passado o dia todo sentado em um muro de pedra — respondeu a Professora Minerva.
— O dia todo? Quando podia estar comemorando? Devo ter passado por mais de dez festas e banquetes a caminho daqui.
A professora fungou aborrecida.
— Ah sim, vi que todos estão comemorando — disse impaciente. — Era de esperar que fossem um pouco mais cautelosos, mas não, até os trouxas notaram que alguma coisa estava acontecendo. Deu no telejornal.

–Voldemort foi derrotado! Com certeza, eu, Pontas, Remo e Pedro, saímos por ai, fazendo sapos virarem leões! -Disse Sirius

–Alias, cadê o Pedrinho? — Disse James — Deve estar tão sozinho sem a gente lá.

Remo trocou um olhar triste com os amigos. Pedro estava sozinho lá, ele não era mais amigo de ninguém, e então, sem a proteção de James, Sirius e Remo, os Sonserinos deviam estar se aproveitando dele.

— Ela indicou com a cabeça a sala às escuras dos Dursley. — Eu ouvi... Bandos de corujas... Estrelas cadentes... Ora, eles não são completamente idiotas. Não podiam deixar de notar alguma coisa. Estrelas cadentes em Kent, aposto que foi coisa de Dédalo Diggle. Ele nunca teve muito juízo.

–Ou eu, Minnie. — Disse Sirius.

—Você não pode culpá-los — ponderou Dumbledore educadamente. — Temos tido muito pouco o que comemorar nos últimos onze anos.
— Sei disso — retrucou a professora mal-humorada. — Mas não é razão para perdermos a cabeça. As pessoas estão sendo completamente descuidadas, saem às ruas em plena luz do dia, sem nem ao menos vestir roupa de trouxa, e espalham boatos.

–Boatos? -Questionou Lily.

De esguelha, lançou um olhar atento a Dumbledore, como se esperasse que ele dissesse alguma coisa, mas ele continuou calado, por isso ela recomeçou:
— Ia ser uma graça se, no próprio dia em que Você-Sabe-Quem parece ter finalmente ido embora, os trouxas descobrissem a nossa existência. Suponho que ele realmente tenha ido embora, não é, Dumbledore?

–Minerva pessimista como sempre. — Disse Tonks

— Parece que não há dúvida. Temos muito que agradecer. Aceita um sorvete de limão?
— Um o quê?
— Um sorvete de limão. É uma espécie de doce dos trouxas de que sempre gostei muito.
— Não, obrigada — disse a Professora Minerva com frieza, como se não achasse que o momento pedia sorvetes de limão. — Mesmo que Você-Sabe-Quem tenha ido embora.

Todos reviraram os olhos com a falta de crença de Minerva.

— Minha cara professora, com certeza uma pessoa sensata como a senhora pode chamá-lo pelo nome. Toda essa bobagem de Você-Sabe-Quem, há onze anos venho tentando convencer as pessoas a chamá-lo pelo nome que recebeu: Voldemort — a professora franziu a testa, mas Dumbledore, que estava separando dois sorvetes de limão, pareceu não reparar. — Tudo fica tão confuso quando todos não param de dizer “Você-Sabe-Quem”. Nunca vi nenhuma razão para ter medo de dizer o nome de Voldemort.

–Ganhou meu respeito — Disse James e Sirius concordou.

— Sei que não vê — disse a professora parecendo meio exasperada, meio admirada. — Mas você é diferente... Todo o mundo sabe é o único de quem Você-Sabe... Ah está bem, de quem Voldemort tem medo.
— Isto é um elogio — disse Dumbledore calmamente. — Voldemort tinha poderes que nunca tive.

–Poderes de magia negra. É claro que ele não teria, mas mesmo assim, é muito mais forte que Voldy. — Disse Lene.

–Voldy? -Questionou Tonks.

– Voldemort é muito comprido.

Todos riram.

— Só porque você é muito... Bem... Nobre para usá-los.
— É uma sorte estar escuro. Nunca mais corei assim desde que Madame Pomfrey me disse que gostava dos meus abafadores de orelhas novos.

–Acho que estamos presenciando um momento intimo pessoal — Disse Mione brincando.

A Professora Minerva lançou um olhar severo a Dumbledore e disse:
— As corujas não são nada comparadas aos boatos que correm. Por que ele foi embora? O que foi que finalmente o deteve?

Todos começaram a redobrar a atenção. Queriam saber, como, ele foi derrotado. E por quem.

Aparentemente a Professora Minerva chegara ao ponto que estava ansiosa para discutir, a verdadeira razão pela qual estivera esperando o dia todo em cima de um muro frio e duro, porque nem como gato nem como mulher ela fixara antes um olhar tão penetrante em Dumbledore como agora. Era óbvio que seja o que fosse que “todos” estivessem dizendo, eles não iriam acreditar até que Dumbledore confirmasse ser verdade. Dumbledore, porém, estava escolhendo mais um sorvete de limão e não respondeu.

–O Dumbledore tá me lembrando a Luna com seus pudins. -Disse Harry rindo

Rony e Mione riram, mas Ginny, que era melhor amiga de Luna, disse:

–Harry, a Luna não é doidinha, é só meio desligada;

–Se você diz. — Disse Harry roçando seus lábios com o de Ginny, fazendo-a corar, e Rony fechar a cara.

— O que estão dizendo — continuou ela — que na noite passada Voldemort apareceu em Godric's Hollow. Foi procurar os Potter’s. O boato é que Lílian e James Potter estão... Estão mortos.

–O-oque? -Disse Lily com a voz fraca.

–Mo-mortos? — Disse Lene, indo abraçar a amiga.

Lily chorava copiosamente no ombro de Lene enquanto James olhava para frente, para o nada.

–Não vamos deixar isso acontecer — Disse Remo

–É verdade! -Disse Sirius. — Estamos aqui para mudar o que aconteceu! E NENHUM de nós aqui vai morrer! Isso vale para Tonks e Remus também.

Todos olharam para Sirius e Remo. James foi abraçar Six, enquanto Lily levantava e abraçava Remus.

–O-obrigada, Remo.

Harry olhava para baixo desolado. Era bastante ruim ler sobre a morte de seus pais. Ainda mais quando, a culpa, foi parcialmente sua.

Lily chegou perto de Harry, e ele se jogou nos braços da mãe, ela o abraçou com força, enquanto James chegava por trás e os abraçava também.

Dumbledore fez que sim com a cabeça. A Professora Minerva perdeu o fôlego.

— Lílian e James... Não posso acreditar... Não quero acreditar... Ah, Alvo.

–Sempre soube que ela me amava. — Disse James tentando sorrir.

Dumbledore estendeu a mão e deu-lhe um tapinha no ombro.
— Eu sei... Eu sei... — disse deprimido.
A voz da Professora Minerva tremeu ao prosseguir:
— E não é só isso, estão dizendo que ele tentou matar o filho dos Potter, Harry. Mas... Não conseguiu. Não conseguiu matar o garotinho. Ninguém sabe o porquê nem como, mas estão dizendo que na hora que não pôde matar Harry Potter, por alguma razão, o poder de Voldemort desapareceu e é por isso que ele foi embora.

Todos olharam surpresos para Harry que, abaixou a cabeça, corando.

–Harry, você tinha um ano e derrotou Voldemort?- Disse James orgulhoso.

–É... E foi um fardo que carreguei a vida toda...

Lily abraçou ainda mais o ''seu pequeno''.

Dumbledore concordou com a cabeça, sério.
— É verdade? — gaguejou a professora. — Depois de tudo o que ele fez... Todas as pessoas que matou... Não conseguiu matar um garotinho? É simplesmente espantoso... De tudo que poderia detê-lo... Mas, por Deus, como foi que Harry sobreviveu?
— Só podemos imaginar — disse Dumbledore. — Talvez nunca cheguemos, a saber.

Na verdade, eles iriam saber até o final destes sete livros....

A Professora Minerva pegou um lenço de renda e secou com delicadeza os olhos por baixo das lentes dos óculos. Dumbledore deu uma grande fungada ao mesmo tempo em que tirava o relógio de ouro do bolso e o examinava. Era um relógio muito estranho.
Tinha doze ponteiros, mas nenhuns números, em vez deles, pequenos planetas giravam à sua volta. Mas, devia fazer sentido para Dumbledore, porque ele o repôs no bolso e disse:
— Hagrid está atrasado. A propósito, foi ele que lhe disse que eu estaria aqui, suponho.
— Foi. E suponho que você não vá me dizer por que está aqui e não em outro lugar.
— Vim trazer Harry para o tio e a tia. Eles são a única família que lhe resta.

–O QUÊ? VOCE NÃO VAI DAR MEU FILHO PARA ESSES MONSTROS! — Berrou James.

Harry sorriu ao ser chamado de filho.

Remus balançou a cabeça. E Sirius disse:

–Onde estava Eu, O Aluado e o Rabicho? Marlene, Dorcas? Podíamos cuidar dele!

Harry abaixou a cabeça.

— Você não quer dizer... Não pode estar se referindo às pessoas que moram aqui — exclamou a Professora Minerva, pulando de pé e apontando para o número quatro — Dumbledore, você não pode. Estive observando a família o dia todo. Você não poderia encontrar duas pessoas menos parecidas conosco. E têm um filho, vi-o dando chutes na mãe até a rua, berrando porque queria balas. Harry Potter não pode vir morar aqui!

–Dá-lhe Minerva! -Disse Lily.

— É o melhor lugar para ele — disse Dumbledore com firmeza. — Os tios poderão lhe explicar tudo quando ele for mais velho, escrevi-lhes uma carta.
— Uma carta? — repetiu a professora com a voz fraca, sentando-se novamente no muro. — Francamente Dumbledore, acha que pode explicar tudo isso em uma carta? Essas pessoas jamais vão entendê-lo! Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como o dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!

Harry abaixou a cabeça. Isso era justamente o que ele não queria. Nunca quis fama, ou ser conhecido como o grande Harry Potter, às vezes queria ser apenas um menino normal, em que os pais levavam para embarcar no trem, e mandavam doces, para ele em Hogwarts.

— Exatamente — disse Dumbledore, olhando muito sério por cima dos oclinhos meia-lua. — Isto seria o bastante para virar a cabeça de qualquer menino. Famoso antes mesmo de saber andar. Famoso por alguma coisa que ele nem vai se lembrar! Veja, ele não estará muito melhor se crescer longe de tudo isso, ter a capacidade de compreender?
A professora abriu a boca, mudando de ideia, engoliu em seco e então disse:
— É, você está certo é claro. Mas como é que o garoto vai chegar aqui, Dumbledore? — Ela olhou para a capa dele de repente como se lhe ocorresse que talvez escondesse Harry ali.
— Hagrid vai trazê-lo.
— Você acha que é sensato confiar a Hagrid uma tarefa importante como essa?
— Eu confiaria a Hagrid minha vida — respondeu Dumbledore.

Todos sorriram. Não era surpresa para ninguém que o gigante era muito querido.

— Não estou dizendo que ele não tenha o coração no lugar, — concedeu a professora de má vontade — mas você não pode fingir que ele é cuidadoso. Que tem uma tendência a... Que foi isso?
Um ronco discreto quebrara o silêncio da rua. Foi aumentando cada vez mais enquanto eles olhavam para cima e para baixo da rua à procura de um sinal de farol de carro, o ronco se transformou num trovão quando os dois olharam para o céu e uma enorme motocicleta caiu do ar e parou na rua diante deles.

–Essa é a motocicleta que eu sempre quis ter! — Disse Sirius, a identificando.

Se a motocicleta era enorme, não era nada comparada ao homem que a montava de lado. Ele era quase duas vezes mais alto do que um homem normal e pelo menos cinco vezes mais largo. Parecia simplesmente grande demais para existir e tão selvagem – emaranhados de barba e cabelos negros longos e grossos escondiam a maior parte do seu rosto, as mãos tinham o tamanho de uma lata de lixo e os pés calçados com botas de couro pareciam filhotes de golfinhos. Em seus braços imensos e musculosos ele segurava um embrulho de cobertores.
— Hagrid — exclamou Dumbledore, parecendo aliviado. — Finalmente. E onde foi que arranjou a moto?

— Pedi emprestado, Professor Dumbledore — respondeu o gigante, desmontando cuidadosamente da moto ao falar — O jovem Sirius me emprestou. Eu o trouxe, professor.

Sirius sentiu os olhos brilharem.

–Uhul, yeah! Eu tenho, eu tenho...

–Sirius, menos. — Disse Lene.

— Não teve nenhum problema?
— Não, senhor. A casa ficou quase destruída, mas consegui tirá-lo inteiro antes que os trouxas invadissem o lugar. Ele dormiu quando estivemos sobrevoando Bristol.

Lily sentiu seu coração apertar... Ela não criara seu filho...

Dumbledore e a Professora Minerva curvaram-se para o embrulho de cobertores. Dentro, apenas visível, havia um menino, que dormia a sono solto. Sob uma mecha de cabelos muito negros caída sobre a testa eles viram um corte curioso, tinha a forma de um raio.
— Foi aí que...? — sussurrou a professora.
— Foi — confirmou Dumbledore. — Ficará com a cicatriz para sempre.

Todos olharam para a testa de Harry ao mesmo tempo. O menino ficou da cor dos cabelos de Ginny.

— Será que você não poderia dar um jeito, Dumbledore?
— Mesmo que pudesse, eu não o faria. As cicatrizes podem vir a ser úteis. Tenho uma acima do joelho esquerdo que é um mapa perfeito do metrô de Londres. Bem, me dê ele aqui, Hagrid, é melhor acabarmos logo com isso.
Dumbledore recebeu Harry nos braços e virou-se para a casa dos Dursley.
— Será que eu podia... Podia me despedir dele, professor? — perguntou Hagrid.
Ele curvou a enorme cabeça descabelada para Harry e lhe deu o que deve ter sido um beijo muito áspero e peludo. Depois, sem aviso, Hagrid soltou um uivo como o de um cachorro ferido.

Todos sorriram, gentilmente para Hagrid. Ainda mais Harry, que não sabia dessa afeição dele por ele.

— Psiu! — sibilou a Professora Minerva. — Você vai acordar os trouxas!
— Desculpe — soluçou Hagrid, puxando um enorme lenço sujo e escondendo a cara nele. — Mas nã... Nã... Não consigo suportar, Lílian e James mortos, e o coitadinho do Harry ter de viver com os trouxas...

Lilian, sem conseguir segurar, soltou um soluço. James a abraçou, com os olhos demonstrando a sua tristeza, e trouxe Harry para mais um abraço.

— É, é muito triste, mas controle-se Hagrid, ou vão nos descobrir — sussurrou a professora, dando uma palmadinha desajeita no braço de Hagrid enquanto Dumbledore saltava a mureta de pedra e se dirigia à porta da frente.
Depositou Harry devagarzinho no batente, tirou uma carta da capa, meteu-a entre os cobertores do menino e em seguida, voltou para a companhia dos dois. Durante um minuto inteiro os três ficaram parados olhando para o embrulhinho, os ombros de Hagrid sacudiram, os olhos da Professora Minerva piscaram loucamente e a luz cintilante que sempre brilhava nos olhos de Dumbledore parecia ter-se extinguido.
— Bem — disse Dumbledore finalmente — acabou-se. Não temos mais nada a fazer aqui já podemos nos reunir aos outros para comemorar.
— É — disse Hagrid com a voz muito abafada. — Vou devolver a moto de Sirius. Boa noite, Professora Minerva, Professor Dumbledore...
Enxugando os olhos na manga da jaqueta, Hagrid montou na moto e acionou o motor com um pontapé. Com um rugido, ela levantou voo e desapareceu na noite.
— Nos veremos em breve, espero Professora Minerva — falou Dumbledore, com um aceno da cabeça.
— Boa sorte, Harry — murmurou ele. Girou nos calcanhares e, com um movimento da capa, desapareceu.

–Boa sorte... Até parece...- Disse James resignado.
Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da Rua dos Alfeneiros, silenciosas e quietas sob o negror do céu, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado, mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do primo Duda. Ele não podia saber que neste mesmo instante, havia pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas.
— A Harry Potter, o menino que sobreviveu.

– Boa gente. Vamos descansar, por hoje? — Disse Mione.

–Sim, vamos. -Todos disseram.

Tonks pegou Teddy e botou em sua cama com Remo. Piscou para Lene, e ela entendeu, e foi dormir com Sirius que a puxou pela cintura para a cama.

Remo chegou perto da cama, para olhar seu filho.

–Remo?

–Sim?-Disse sem olhar para ela.

–Olha, quero que saiba que eu não culpo você, pelo que aconteceu.

–É, mas eu me culpo. Eu poderia ter lhe matado.

–Remo, a culpa não é sua!

Lupin deu as costas para Tonks e ficou com o rosto triste,ele não coneguia encara-la sem se lembrar do rosto machucado e cheio de hematomas, que ele mesmo,fez nela, ela chegou por trás dele e disse:

–Eu te perdoo Remus.

E abraçou-o por trás.