Uma Conexão

4 Capítulo 4- A revolta


Acordei no dia seguinte toda dolorida, não estava acostumada com um colchão tão mole. Levantei e fui a procura de alguém. Sai do quarto e logo ouvi aquela voz desagradável da Marina:
– Olha só ! Bom dia flor do dia! Porque não vem tomar café da manhã com a gente?
– Vem Kristen! -disse Patrick, animado.
Eu fui em direção à mesa e me sentei ao lado de Anabela. Logo Ashley se aproximou e sussurrou:
– Então — disse sorrindo — Imagino que deva estar difícil pra você conviver com esses otários.
Ela me pareceu uma pessoa muito sensível, magoada com algo, e usava sua raiva para esconder isso.
– Talvez.. Na verdade, me dei bem com todos, menos com uma pessoa.
– Se é pra falar de mim, porque não fala na cara novata? Medo ? Eu sei que sou melhor que você, e quando eu for a líder desse clã, a primeira coisa que farei é tirar você dele.
– Me recuso, Mari você é insuportável! — disse Anabela, irritada. — Gabriel, pode me ajudar com algo ?
– Claro. Qualquer lugar é melhor do que perto da Marina.- respondeu Gabriel.
– Não vão fazer falta. — disse Marina, cochichando.
– Não liga Kristen. Vamos ao jardim. — disse Ashley, me puxando.
– Espera! -eu estava sentindo falta de alguém.. — Cadê o Patrick?
– Já trocou de namorado? Como pode alguém deixar um garoto tão lindo como o Arthur para trás? — disse Marina, debochando.
– Estou aqui. — Patrick apareceu pela porta do fundo, com uma blusa de moletom azul, combinando com seus olhos. Me lembrou o Arthur. — Aconteceu algo Kristen?
– Não. Só estava preocupada, não te vi hoje. Obrigado pela preocupação de ontem.
– Estarei aqui para o que precisar.
Nesse momento, Ashley me puxou para o jardim.
– Qual é sua com Patrick ? — disse, dando algumas risadas.
– Como assim?
– Não vai me dizer que não está rolando nada né? Olha, eu conheço ele, sei quando está afim de alguém. Percebeu o olhar dele pra você? Formam um belo casal.
– Jamais. Eu amo o Arthur, ele foi meu primeiro e espero que seja o último.
– Bem poético.
Nos sentamos na grama quente.
– Quando te conheci, pensei que não seríamos amigas.
– Ah desculpa. Não estava em um dia bom. Aliás, tem como ficar? Eu odeio tanto todos aqui,iria embora, mas não posso.
– Porque não pode? E porque você os odeia tanto?
– Bom, se eu retornasse, iria sofrer como na minha infância. Vejo Mikael como um salvador pra mim, mas todos aqui só me fazem lembrar meus irmãos, que foram péssimos. Mas acho que você será uma companhia legal, talvez a única. Mas, não faça dos meus problemas o seu.
Ashley era uma garota legal, algo na infância dela a fazia sofrer, ai está a explicação pra tanto ódio.
– Kristen.. ?
Aquela voz. A voz suave que eu amava. Me virei, e Arthur estava atrás de mim com um lindo sorriso. Não pensei duas vezes e fui em sua direção.
– Eu estava com saudade. Como você está ? -disse ele, enquanto me abraçava.
– Estaria melhor se você estivesse aqui.
– Ashley, eu preciso falar com a Krist..
Patrick apareceu e perdeu a fala ao me ver com Arthur. Não era possível. Ele não estava afim de mim não é ?
– Oi, to aqui. O que foi?
– Nada não. Só .. é .. queria .. dizer que irei fazer o teste com a Ashley hoje. — disse Patrick, parecia um pouco chateado.
Bom, eu nunca dei falsas esperanças pra o Patrick. Desde o começo todos sabiam que eu amava Arthur. Nunca deixarei ele.
– Mas porque?
– Talvez seja porque eu goste dela.
– De mim ? Ok Patrick, sei o seu joguinho. — disse Ashley, dando um sorriso. Ela se levantou, e foi conversar com ele, deixando eu e Arthur sozinhos.
Pelo menos agora eu sabia que ele não estava afim de mim, e sim da Ashley. Faz mais sentido, ele conhece ela à mais tempo do que me conhece. Ele era muito bonito, mas uma parte de mim estava aliviada. Estava com o primeiro menino que eu gostei na minha vida, estava perfeito.
– Eu queria poder ficar o resto do dia aqui com você. Mas tenho alguns afazeres. -disse Arthur.
– Porque não deixa seus afazeres de lado e vai na praia comigo? Não estou com vontade de fazer o tal teste hoje mesmo.- Me arrisquei. Eu precisava conhecer ele um pouco melhor, e definir a relação. — Não sei se Mikael deixaria eu ficar um dia longe, mas por você eu sairia escondido.
– Se é assim.. Conheço uma praia que é bem perto, até o final do dia estaremos em casa.
Sem pensar, fui ao quarto de Anabela.
– Ei ..
– Hey Kristen !
– Olha, não tenho muito tempo até Mikael voltar, vou a praia escondida, por favor diga que fui pegar algumas roupas na minha antiga casa!
– Como? Você é louca?
– Por favor? — meus olhos imploravam.
– Ah..Tudo bem. Mas não quero ficar como a culpada, volte logo.
– Obrigada!
Encontrei Arthur lá fora, e fomos andando.
– Então.. Ta tudo indo tão rápido não é?
Será que ele havia se cansado de mim? Ou, não teve tempo nem pra isso..
– Concordo. É que, quando eu te vi.. Não tem explicação para o que eu senti. Me desculpa se você se sente pressionado.
– Não não, eu senti a mesma coisa. Só acho que devíamos nos conhecer melhor. Eu gosto mesmo de você, não quero te perder tão fácil como te ganhei.
– Claro.

Passamos uma ótima tarde na praia, brincamos como crianças, nos beijamos apaixonadamente, pude conhecer melhor quem ele é, foi tudo perfeito, melhor do que imaginei que seria. Agora, era hora de sair do meu sonho, e voltar para o inferno.
Ao chegar, dei um grande beijo de despedida no Arthur:
– Amanhã eu voltarei.
– Faça isso — eu disse, dando um beijo apaixonado nele.
Eu entrei pelos fundos, a fim de que ninguém me percebesse. Mas, para minha surpresa, estavam todos sentados na sala.
– Pode me dizer onde está as roupas que foi buscar na sua "casa" ? — disse Mikael, um pouco enfurecido.
– Acho que a casa dela tem outro nome, talvez Arthur. Eu vi ela saindo pelas portas dos fundos com ele. Que triste, uma bruxa que colocou fogo em alguém deveria ser um pouco mais inteligente. — disse Marina.
– Sabe como fiquei preocupada Kristen? -disse Ashley.
Patrick estava me fuzilando com os olhos. Não podia mais mentir.
– Ta bem! Se é a verdade que vocês querem, vou contar. Eu fui a praia com Arthur, eu simplesmente não consigo ficar presa em um lugar que não conheço ninguém, e eu sabia que Mikael não me daria permissão, então eu fugi.
– Kristen, você é uma bruxa que não controle de seus poderes, sabe como poderia ter colocado a vida de alguém em perigo certo? Não é correto esse garoto ficar por perto, desculpe. — disse Mikael.
– É correto sim, eu sei que perto dele tenho controle de tudo, eu sinto uma conexão muito forte ,como ouvi a voz dele no dia em que quase te matei , na hora me toquei do que estava fazendo. Só.. me deixe vê-lo, e prometo que não farei novamente.
– Certo. Mas prometa, que dará seu melhor à esse clã.
– O que? Porque ela tem direito de fazer o que quiser? Nenhum de nós tem acesso as pessoas que estão lá fora, porque somente ela pode? É diferente de nós? — disse Marina.
– Marina.. -Mikael não terminou a fala.
– NÃO! Saia de perto de mim! Você está destruindo minha vida, e eu acabarei com a sua seu velho! Eu serei a líder desse clã! -E nesse momento, Marina começou a falar algumas palavras em latim. — "Hodie enim sanguis meus sensus vertetur in sanguinem hominis maxime odi"
– Marina! O QUE VOCÊ TA FAZENDO? ISSO É MAGIA NEGRA! — exclamou Patrick.
Nesse momento, Mikael caiu no chão e começou a se retorcer, o seu olho ficou branco e seu nariz começou a sangrar.
– MARINA ! PARA ! — todos tentavam apartar a situação.
– MARINA VOCÊ VAI MATAR ELE! VOCÊ NÃO ESTÁ NO CONTROLE DE SEUS PODERES! — exclamou Gabriel.
Eu não sabia o que fazer. Até que Ashley começou a repetir algum tipo de magia.
– "Omnes qui magica nigra abiit" -de repente, Marina desmaiou, e Mikael se livrou do tormento. — Marina vai acordar ao amanhecer. É bom darem um jeito nela, não quero matá-la.
Ashley foi para o quarto aborrecida.
Marina não estava assustando somente a mim, mas a todos nós.