Uma Conexão

6 Capítulo 6- O segredo


Marina parecia fora de si, estava com um olhar de ódio. Todos perderam a fala, e Marina como o normal, foi a primeira a reparar:
– O que foi? Ninguém vai falar nada?
– O que você está fazendo aqui? — disse Ashley.
– Olha só! Justamente quem eu mais queria conversar. — retrucou Marina.
– O que você quer? — disse Mikael.
– Além da liderança meu querido Mikael? — Marina se aproximou de Ashley — Eu quero algo que ela me deve.
– Ashley ?! — perguntou Gabriel.
Todos estavam curiosos, e Ashley parecia assustada.
– É o seguinte Ashley — Nesse momento, Marina agarrou Mikael agressivamente — Ou você me dá o que prometeu, ou eu mato Mikael agora mesmo, e não quero demora.
– Solta ele Marina! — disse Anabela.
– Ashley, o que você deve à essa louca? — eu disse.
– Só dê o que ela quer, seja lá o que for! — disse Patrick.
Ashley parecia pertubada, estava com a respiração ofegante:
– Desculpa .. mas ..
– Querida, você não tem escolha. — disse Marina.
– MAS QUE DROGA ASHLEY, ELA VAI MATÁ-LO! — disse Anabela.
– Marina, você sabe que os anos não estão completos. — disse Ashley.
Marina soltou Mikael, que parecia quase sufocado, e disse:
– Eu não me importo, se vira. Ou você não irá se importar se seu segredinho escapar.
– Como assim?! — disse eu.
– Ah, esqueci. Eu sempre fui a vilã da história, quando na verdade a víbora sempre foi a Ashley. Ops.
– Não se atreva. — disse Ashley, com uma expressão de preocupação.
– Me atrevo sim. — Marina disse com um sorriso — E me atrevo a muito mais. Você tem exatamente até amanhã á noite para me dar o que eu quero. E caso eu não tenha em minhas mãos, é o fim de Mikael. Eu voltarei, e acreditem, eu só quero o bem desse clã. E caso querem me encontrar, estarei onde não posso ser achada. Até mais. — e foi embora.
Todos olhavam para Ashley, afim de uma explicação. Mas ela simplesmente virou as costas e saiu. Eu e Anabela fomos atrás dela, Patrick e Gabriel ficaram para ajudar e conversar com Mikael. Seguimos ela até a fronteira da cidade, onde se sentou perto do lago.
– Ashley.. — disse Anabela
– Olha, eu não quero conversar. — retrucou.
Nós nos sentamos ao lado dela, e eu disse:
– Tudo bem, se não quer conversar a respeito, só me diga se tem algo que eu e Anabela possamos fazer para ajudar.
Ashley ficou pensativa por alguns segundos, até que se virou para nós e disse:
– Ok. O que eu vou dizer pra vocês, é algo que eu nunca disse pra ninguém. Só vou contar porque eu realmente vou precisar de ajuda, mas prometam, que vão manter segredo.
Nós duas concordamos, e ouvimos o que Ashley tinha a dizer atentamente.
– Perdi meus pais muito cedo, e convivi com meus irmãos loucos que me maltratavam até os 9 anos de idade. E chegou um momento, que eu não consegui mais aguentar, e fugi. Fiquei nas ruas por um bom tempo, vivendo de esmola e dormindo no chão duro. Até que um dia, um homem chamado Leonard me resgatou, ele foi um anjo. Ao chegar na casa dele, me deparei com ... Marina. — Anabela e eu ficamos assustadas, mas continuamos a ouvir atentamente — Ela vivia em um orfanato, e ele a adotou. No começo foi tudo muito bom, ele foi um pai pra nós por um tempo, mas quando completamos 16 anos eu percebi que nada foi por acaso. Leonard adotou a nós duas porque sabia que éramos descendentes de bruxos, ele era envolvido com magia negra, e queria nos usar para usufluir dela, acreditava que eu e Marina poderíamos protege-lô sempre. Ele nos ensinou alguns ritos dessa magia, mas quando eu acordei para o que estava acontecendo, meus poderes despertaram e eu simplesmente retorci todos os orgãos dele, e ele morreu.
– NOSSA! — disse Anabela, com espanto.
É exatamente por isso que Ashley é tão vingativa, e com tanto ódio por todos. Ela sofreu com seus irmãos, e agora carrega a culpa de ter matado uma pessoa.
– Mas o que Marina tanto quer de você ? — perguntei.
– Quando matei Leonard, Marina ficou desolada. Ele era o mais próximo que ela tinha de uma família, acreditava nas boas intenções dele, e eu acabei com isso. Quando ele começou a nos ensinar magia negra, fez uma pedra chamada Animani, única no mundo todo, ela daria mais poder ao bruxo que usasse magia negra algum dia, e então o mesmo seria indestrutível. Ele sempre gostou mais de mim, e me deu isso como presente. Eu escondi a pedra na minha antiga casa com um feitiço ensinado por ele logo que a recebi, achei que era o melhor a ser feito, mas isso só poderia ser desfeito depois de 5 anos, é impossível encontra-lá antes desse tempo. Quando Mikael acolheu a nós duas, Marina prometeu que não contaria sobre nosso passado, desde que quando completasse os 5 anos eu desse a Animani à ela.
– E porque você não conta a verdade para todos e se livra desse acordo? — disse Anabela.
– Não posso, Mikael não permitiria que eu continuasse no clã, e agora, se eu não der a pedra para ela, ele morrerá.
– Mas os anos não estão completos ainda, certo? — disse eu.
– Não, não estão. Mas provavelmente Marina descobriu que existe um jeito de desfazer o feitiço antes do tempo, mas é necessário ligar a magia de bruxos. E é por isso que preciso da ajuda de vocês.
– Você dará para ela algo que irá faze-lá indestrutível?! — disse Anabela.
– É necessário, a vida de Mikael está em jogo e eu não posso ser a causadora de mais uma morte. — disse Ashley.
– Tudo bem. Nos explique como isso funciona. — disse eu.
– Primeiro precisamos de velas, de todas as cores possíveis. Depois, faremos um triângulo, e juntaremos nossa magia, pois ficaremos mais fortes para encontrar a pedra. Mas, eu preciso que vocês saibam que a ligação pode ter consequências.
– Quais tipos de consequências? — perguntei.
– A nossa maior parte é composta pelo sangue de algum bruxo ou bruxa, nós iremos conectar essa maioria, estaremos muito ligadas, é possível que quando uma sinta algo, as outras também sintam, ou quando uma se machucar as outras também se machuquem, lutaremos uma pela outra como se fosse nós mesmas sem nem perceber, sentiremos o desejo de proteger. Isso não é comprovado por todos, mas pode acontecer.
– Vamos fazer. — disse eu, sem nem pensar. — A vida de Mikael está em jogo, a conexão será o menor dos problemas, se ele morrer não teremos mais ajuda para nos controlar. Está de acordo Anabela?
– Totalmente.
Ashley sorriu, e agradeceu. Por mais que eu estivesse com receio, era preciso. Marina não tinha limites.
Nós três fomos até a antiga casa de Ashley onde Animani estava escondida. Conversamos muito no caminho, e tínhamos mais em comum do que eu imaginava. Assim como eu, elas cresceram solitárias. Eu finalmente tinha amigas para conversar, que me entendiam e vice-versa.

Ao chegarmos lá, entramos na casa, e estava vazia, com muitos insetos, um cheiro horrível, parecia um cenário de guerra.

– Eu escondi a pedra aqui — disse Ashley, apontando para de baixo do tapete velho — Depois que fizermos a ligação, ela irá aparecer.
–Quem morava aqui com você? — perguntou Anabela.
– Apenas meus irmãos psicopatas. — respondeu.
– E onde eles estão agora? — perguntei.
– Não faço a mínima ideia. Quando fugi, nunca mais os vi. Devem ter falecido, ou apenas fugido. Eles nunca se importaram comigo, não tem porque eu me preocupar. — respondeu Ashley.
– Ok. É melhor voltarmos e resolvermos isso logo.
Ao retornarmos, Ashley foi organizar o que seria necessário para o ritual, e Anabela se encarregou de conversar com Mikael a respeito. Eu observei Patrick sentado em um canto, sozinho. Fui até lá.
– Então — me agachei, sentando ao lado dele — O que está fazendo?
– O que faço de melhor. — respondeu.
– E no que você é melhor?
– Sou o melhor em não fazer nada. Sério mesmo, e além de eu ser um idiota.
– Eu não acredito. — olhei para ele — Acho que você pode ser o melhor em muitas coisas.
– Como o que? — ele retribuiu o olhar.
– Como conversar comigo sempre que eu preciso. Ou em me olhar do jeito que você me olha — enquanto eu falava, ele deu um sorriso — E em ser meu amigo. Você realmente é o melhor nisso.
Nesse momento, o sorriso sumiu de seu rosto e seu olhar se voltou para baixo.
– Qual o problema? — perguntei. Na verdade, eu sabia qual era, só não queria admitir.
– Você sabe qual é o problema. Não finja que não aconteceu nada entre nós. — ele se levantou, me deixando lá sozinha.

Eu sabia que ele era afim de mim, sabia que havia rolado algo entre nós no teste, e ignoro isso, o trato como se nada houvesse acontecido. Sim, eu que era a melhor em ser uma idiota.

– Kristen. Está tudo pronto. — disse Ashley, me chamando.

Me levantei e fui até o quarto dela onde realizaríamos o ritual.
– Vocês querem mesmo fazer isso? — perguntou Mikael.
Concordamos, e Mikael deixou nós três sozinhas. Sentamos dentro de um triângulo, com um laço aberto enorme no meio, feito de velas de diferentes cores, que era rodeado por um círculo feito de algum pó da cor preta. Demos as mãos, e Ashley deu as instruções:
– Meninas, antes de começarmos, tenho que dizer algo.
– O que? — perguntou Anabela.
– Quando eu estava procurando pelas palavras do ritual em meu grimório, achei um feitiço enfraquecedor. A pedra verdadeira dará muito poder para Marina, e com esse feitiço iremos criar uma nova Animani, idêntica, porém ao invés de dar poder, ela retira. Ainda assim precisará da ligação, mas acho que pode ser uma vantagem, se concordarem.
– Ainda pergunta ? Com certeza. — Disse eu e Anabela.
– Certo, quando estiver pronto só vamos precisar de um lugar certo para entregar a pedra à ela. — Ashley sorriu — Vamos fechar os olhos, e quando eu começar a magia preciso que vocês duas pensem nesse laço se cruzando.

Fizemos tudo corretamente, Ashley começou o feitiço e eu fiz exatamente como foi pedido, pensei no laço, e cada vez que pensava, um músculo do meu corpo doía, parecia que estava sendo puxado, mas ao mesmo tempo sentia uma energia que nunca senti antes. Quando ela terminou de falar, as velas se apagaram, abri o olho, e para minha surpresa o laço ao meio do triângulo que antes estava aberto, agora estava entrelaçado, e a nova pedra falsa já estava feita.

Nos levantamos sem falar uma palavra, nós três estávamos com o corpo dolorido, saímos do quarto e estavam todos nos esperando, todos exceto Patrick. Perguntei por ele, ninguém sabia onde ele estava. Mas eu sabia. Ele com certeza estaria no jardim perto da árvore, ele gostava de olhar para o céu e pensar na vida. Fui até lá, e meu pensamento estava correto. Fiquei imaginando o que se passava na mente dele. Algo sobre mim? O fato é que eu ficava nervosa perto dele, e não estava mais apavorada com a ideia de sentir desejo por ele, Arthur não havia ido me visitar até o momento, talvez estivesse curtindo a vida sem mim, eu apareci de repente, é claro que ele não iria se importar com uma garota bruxa de 16 anos. E eu também não deveria. Patrick é um garoto lindo, fofo, gentil e carinhoso, engraçado, é o tipo de companhia que você nunca vai recusar. E eu devia desculpas à ele.
– Patrick? — disse eu, e ele olhou para trás rapidamente.
– Oi.
– Me desculpa — me sentei ao lado dele — Sério. Eu estava tentando esquecer o que tinha acontecido porque ..
– Eu sei. — disse ele, me interropendo. — Eu sei que você só gosta de mim como amigo, eu também gosto de você dessa maneira, só fui tolo ao pensar que você poderia tentar algo comigo. Eu sei que é o Arthur e sempre vai ser — ele me olhou — Eu te entendo, e tá tudo bem.
Ele estava enganado, na verdade, não era isso que eu ia dizer. E agora, talvez ele nunca saiba o que eu realmente sinto. Arthur provavelmente tinha me esquecido.
– Não era isso que iria dizer. Na verdade, acho que Arthur nem se lembra mais de mim. — disse eu.
– Hm. Mas vamos mudar de assunto, apenas.. Vamos esquecer. Foi tudo bem com a pedra?
– Sim. Só precisamos de um lugar para fazer à entrega para aquela louca. Sabe.. Hoje eu e as meninas estávamos conversando sobre a nossa infância. Como foi a sua? — perguntei.
– Não tive uma muito boa. Aliás, acho que nenhum de nós teve. Eu conheci só minha mãe, que foi assassinada quando eu tinha 3 anos. Minha vó me criou, mas ela faleceu de velhice, e o resto dos meus anos fiquei sozinho, até Mikael aparecer. Talvez esse seja o destino de todos nós. Eu queria muito ter filhos sabe, é um dos meus sonhos. Mas ele pode acabar tendo a mesma vida que eu tive e não quero isso.
– Você sabe que Mikael cuida de nós. Com certeza vamos ter uma vida feliz, melhor do que a de nossos pais que passaram a vida fugindo dos guardiões. -disse eu.
– E a sua infância ? Como foi?
– Bom, eu não me lembro do meu pai, o que eu sei é que ele era um bruxo muito poderoso, e minha mãe fugiu comigo para me proteger de todo esse mundo sobrenatural, mas mataram ela aos meus 5 anos. Eu fui poupada, e fiquei na casa que ela me deixou pelo resto da minha vida, sozinha. Segundo Mikael, todos na minha antiga cidade sabiam o que eu era, e ta ai o motivo pelo qual se escondiam de mim quando eu saia na rua. Eu nunca tinha conversado com ninguém, Arthur foi o primeiro. É por isso que eu acho ele tão especial. — disse eu. Percebi que eu não deveria estar falando dele para Patrick — Ai meu Deus! Me desculpa mesmo, eu não devia estar falando sobre ele.
– Kristen, nós somos amigos, você pode falar tudo o que quiser comigo — ele sorriu.
– Eu queria ter conhecido meu pai. Eu sinto falta. Queria ser normal como todos os outros adolescentes, ir à escola, a festas, ter amigos — virei o olhar para baixo, e uma lágrima caiu.

Nesse momento, Patrick olhou pra mim e viu a lágrima escorrendo. Ele pegou em meu rosto fazendo eu olhar para ele, afastou meu cabelo ruivo que cobria meu olho, secou a lágrima, e me abraçou. Me senti tão segura. O abraço dele era quente, apertado. Soltei ele e o encarei. O olhar dele foi profundo, eu senti. Meu coração acelerava, estava com borboletas no estômago, fui aproximando meu rosto do dele afim de beijá-lo.

E então ouvi aquela voz me chamando, e pela primeira vez meu pensamento foi " que droga, ele destruiu tudo ". Eu e Patrick nos viramos para trás, e vimos ele. Era Arthur, com um lindo sorriso no rosto.
– Arthur? .. O que você está fazendo aqui? — perguntei.
– Não está feliz em me ver? — respondeu.
Eu sempre estaria feliz com Arthur. Ele sempre seria bom para mim, e eu sempre teria um enorme carinho por ele. Só que agora, eu tinha minhas dúvidas sobre o que sentia, e por quem eu sentia.
– É .. Vou deixar vocês a sós, fiquem a vontade — Patrick disse, se levantando. Vi ele se distanciar de mim, e Arthur se aproximar ao meu lado.
– Você está bem? — Ele me beijou.
Eu ainda sentia a mesma coisa de antes quando beijava ele. Então, estava tudo certo.
– Você sumiu. — eu disse.
– Eu sei.. Me desculpa, é que estava me organizando. Entrarei em uma escola nova, é próximo daqui, irei te ver todos os dias.
Arthur entraria em uma escola nova, teria amigos, e muitas garotas bonitas em cima dele. Eu estava com ciúmes por dentro, mas guardei pra mim mesma.
– Que bom, vou adorar.
– Você pode vir comigo. Esquecer toda essa vida que você tem, e vir comigo. — disse ele.
– Arthur, eu não posso ignorar quem eu sou. Eu também tenho amigos aqui comigo, vou ficar bem.
Ele me olhou e me abraçou, ai eu cai na real:
– Arthur, espera! Eu não sei nada sobre você!
– Como assim?
– Não, eu não sei nada mesmo. Você nunca me contou sobre sua vida e seus pais.
– Ué Kristen, eu já te contei que eles morreram e deixaram a casa pra mim na sua antiga cidade.
Eu sabia a história de Patrick, mas não sabia nem o começo de Arthur. Mas é melhor deixar pra lá, ele pensaria que eu era louca. Aliás, porque eu sempre tento agradar ele?
– Deixa pra lá — beijei ele.
– Agora tenho que ir embora. Eu voltarei. — ele me deu um beijo na testa e se foi.
Voltei para dentro de casa, e todos lá estavam felizes e sorridentes.
– O que aconteceu gente? — perguntei.
– Mikael nos deu convites para o baile que vai ter na cidade vizinha amanhã! F-I-N-A-L-M-E-N-T-E! — disse Anabela.
– Como assim? — perguntei
– Mikael decidiu que vai nos levar pra ter um dia de "adolescentes normais" ! — disse Gabriel.
– E também será uma ótima oportunidade para entregar a pedra para Marina, ela não fará nada de ruim em um lugar público! — disse Ashley.

Isso vai ser maravilhoso com certeza! Era tudo que eu mais queria!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.