Notas iniciais
Vamos a mais um capítulo. Perdoem os erros que as vezes passam despercebidos e boa leitura.

Regina

Acordei sem saber onde eu estava, não conseguia assimilar informação alguma, até que eu a vi. Ela estava ali, sentada em uma poltrona como alguém que vela o sono de uma criança, alguns fios loiros se desprendiam do seu rabo de cavalo e caiam sobre seu rosto, mas ainda sim parecia naturalmente linda.

Mas o que eu fazia ali? A medida em que a minha mente foi realmente despertando, as coisas em minha cabeça foram ficando mais claras.

Uma queda de cavalo...

Uma tempestade...

Um carro...

Emma me pedindo para ficar com ela.

— Bom dia, você está se sentindo melhor? — Perguntou uma mulher de pele clara, tão branca como a neve, assim como a de Emma, e com cabelos curtos e negros com a noite. — Imagino que esteja confusa. — Falou a mulher em um tom solidário.

Fiz que sim com a cabeça. Para onde Emma havia me levado?

— Emma e David, o sheriff da cidade e meu esposo, encontraram você na estrada junto com o seu cavalo, e... Ahh, e antes que pergunte, ele foi levado para o haras da cidade. Eles te trouxeram para cá, a propósito eu sou a mãe da Emma, Branca. — Ela tinha uma voz acolhedora, seria capaz de acalmar um touro enraivecido sem dúvida alguma.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa em resposta, ouvi uma Emma sonolenta me chamar

— Regina, você... você acordou. Está se sentindo bem? — Disse se levantando e se postando em pé ao lado na cama.

— Estou, eu acho.

— Emma, eu estava explicando para Regina o que aconteceu, como foi você quem a encontrou, talvez consiga explicar melhor. —Vou preparar algo para comermos. — Disse a mulher se retirando e nos deixando a sós.

— Você lembra de alguma coisa, Regina? — Emma perguntou se sentando ao meu lado na cama.

— Lembro de cair do cavalo e dele ficar muito machucado, começou a chover muito forte e depois lembro de ter visto um carro chegando. — Ok, posso ter omitido algo, mas eu não tinha certeza se o que ouvi foi real.

— Isso, encontramos você na estrada com o cavalo, você estava entrando em um quadro de hipotermia. Você estava muito longe de casa e por isso te trouxemos para cá. Te enrolamos para que a sua temperatura voltasse a subir.

— Você dormiu ali? — Falei indicando a cadeira com a cabeça. Certo, haviam perguntas mais importantes, mas nenhuma me veio à cabeça no momento.

— Mais ou menos. — Falou ruborizando um pouco. — A minha mãe ficou com medo de que depois da hipotermia você ficasse com febre, então fiquei tirando a sua temperatura de hora em hora. Então basicamente não dormi. — Ela havia passado a noite em claro por minha causa.

— Eu sinto muito, Emma, não queria ter incomodado. — Eu ainda não tinha percebido, mas a minha voz estava mais rouca que de costume.

— Isso não é nada para quem tem um rapazinho que mama de hora em hora. — Com um sorriso amigável ela indicou um carinho de bebê onde dormia um garotinho de pele tão clara quanto ela, mas dono de uma cabeleira castanha. Sem sombra de dúvidas esse era o Henry.

— Ele é encantador.

— Mas não se engane, nesses 63cm de altura, cabe muita fúria e fome. — Falou sorrindo. — É... Regina, você tem algum contato que possamos ligar para avisar que você está bem e onde está?

— Tem sim, tem o número do meu pai. Henrique é o nome dele.

Estava pronta para começar a dita o número para Emma, quando a sua mãe apareceu trazendo uma bandeja de café da manhã.

— Deixe para ligar depois que Regina estiver alimentada, Emma. — Falou pondo a bandeja sobre a cama.

— Sra. Swan, não quero incomodar mais do que incomodei essa noite.

— Não é incomodo nenhum, Regina, o que quero é vê-la bem, e por favor, me chame de Branca. Agora você e Emma comam, pois a noite foi longa para as duas.

Tomando uma xícara quente de café perguntei receosa a Emma: — Você tem notícias do meu cavalo?

— Ele está no haras, e sem dúvidas está sendo muito bem tratado. — Falou limpando os farelos de torrada da boca. — Ele deve ser muito importante para você, já você fez questão de que ele fosse retirado da estrada, ou então continuaria como ele na chuva.

— E ele é. Eu o tenho desde criança.

— Você estava longe de casa. Estava perdida?

— Não, eu conheço muito bem as estradas da cidade. Quando eu era criança meu pai me levada para cavalgar por ali, por ser umas das zonas de menor movimento.

— Então você já esteve outras vezes por aqui?

— Sim, já passei muitos finais de semana aqui quando mais jovem.

— É engraçado nunca termos nos encontrado.

— A vida tem dessas. — Falei bebericando o café.

No carrinho ao lado um preguiçoso Henry despertava.

— Bom dia dorminhoco. Será que você está com fome? —Perguntou tirando o menino do carrinho e colocando no colo e amamentando-o.

Sei que amamentar uma criança é um ato natural, mas se dissesse que me passou despercebido o seio de Emma a amostra eu estaria mentindo.

— Ele não se parece muito com você. — Falei tentando mudar o foco dos meus pensamentos. — Ele deve se parecer mais com seu esposo.

— Esposo? — Emma gargalhou. — Não sou casada Regina, muito pelo contrário, Henry é fruto de produção independente, de inseminação artificial.

— Desculpa Emma, eu imaginei que... Imaginei que... Eu não sabia. —Se ali houvesse ali algum buraco, tenho absoluta certeza de que teria me enfiado dentro. Acredite, lutei com toda força que tinha para não enfiar debaixo das cobertas, mas a informação de que ela não era casada continuou pairando em minha mente.

—Tudo bem, Regina, acho que não lhe contei sobre o método que usei para ter Henry.

Tirando o garotinho do peito e se recompondo Emma perguntou: — Você está realmente se sentindo melhor? Caso não, posso te levar ao hospital.

Fiquei um minuto em silêncio avaliando mentalmente o meu estado, senti algumas partes do corpo doloridas devido ao impacto com que caí, mas no geral estava bem, nem meu braço deslocado doía tanto.

— Você pôs meu braço lugar. Eu lembro que eu tentei colocar, mas como sou direita não consegui fazer muita coisa com a mão esquerda.

— Ainda dói?

— Pouco. Acho que você pode ligar para o meu pai agora.

Com o bebê no colo, Emma se afastou um pouco enquanto fazia a ligação, ela parecia tão maternal, mas sou capaz de apostar que se alguém encostasse um dedo em se filho sem a sua autorização, ela com certeza o arrancaria.

Emma parecia ser uma mulher forte e consciente se suas capacidades, e a prova disso era seu filho, gerado de uma produção independe. Ter filhos nos dias de hoje não era algo fácil, eu sabia disso porque eu também tentei, mas eu tinha... Eu tinha a Marcela, e era um plano nosso aumentar a família, mas Emma tinha entrado nessa sozinha.

—Sua e mãe e seu pai estarão aqui em minutos.

— Minha mãe? — Questionei.

— Foi ela quem atendeu, algum problema?

— Não, nenhum. — Menti.

Saí debaixo das cobertas e me sentei com as pernas para fora da cama. Eu estava com outras roupas, não lembrava de terem sido trocadas. Só de pensar em quem deveria tê-las trocado ruborizei, será que havia sido Emma?

— Se sente realmente bem, Regina? — Perguntou com um tom de preocupação.

— Sim, me sinto. — Falei fitando aqueles olhos verdes, onde mais tarde eu descobriria que poderia facilmente me perder neles.

Nossa troca de olhares foi interrompida por uma tentativa de fala do filho dela, sabe aquela balbuciação que só a mãe da criança parece entender, pois é.

— Você ainda está com fome campeão? — Falou com garoto enquanto ele abria um sorriso bangelo. — Regina, eu estaria pedindo demais, se pedisse para que você o olhasse por alguns instantes enquanto eu pego uma mamadeira lá em baixo?

— Claro que não, isso não é nada perto do que você fez por mim, e... Obrigado, por ter me encontrado e ter me trago para cá. Pode deixa-lo aqui.

— Não foi nada, só fique bem e mantenha-se em lugares quentes e confortáveis da próxima vez.

Ela colocou o garoto sentado no meio da cama e desceu, achei que ele não fosse ficar, mas ficou. Ele me olhava como se tivesse tentando entender quem eu era, aqueles olhinhos castanhos cobertos por cabelos que lhe caiam por sobre os olhos captavam todo e qualquer movimento.

— Você quer brincar? — E como resposta a minha pergunta ele engatinhou sobre a cama até mim.

— Hey Henry, esse se estomagozinho não tem fundo não?! — Falei afagando sua barriguinha, ele se encolheu inteiro, tinha cócegas.

Quando Emma voltou ao quarto eu segurava Henry em pé sobre meu colo, brincando com o seu novo passatempo do momento, o meu cabelo. Ele brincava com a minha franja colocando-a sobre seus olhos assim como ficava a dele, e gargalhava gostosamente quando eu sacudia a cabeça tirando os cabelos do meu rosto.

— Achei que ele não fosse ficar aqui com você. — Disse rindo e pegando o garoto para dar a mamadeira.

—Porque?

— Além dos meus pais e do meu irmão mais novo, o Henry não costuma ficar facilmente com outras pessoas, tanto é que foi um trabalho e tanto encontrar uma babá para ele quando eu voltei a trabalhar.

— Ele é um garoto adorável. — E eu não havia tido isso por educação, o menino realmente me encantara.

Emma desceu para levar a mamadeira para cozinha e me deixou mais uma vez com Henry. Dessa vez o garoto riu até soluçar. Quando Emma volto foi para avisar que meu pais tinham chegado.

— Regina minha filha, como você está? — Disse meu pai indo ao meu encontro e me abraçando assim que desci as escadas. —Você está bem?

— Estou, mas você está me machucando. — Falei me desvencilhando do abraço.

— Está muito machuca? — Perguntou me analisando como fazia com os seus pacientes.

— Só um pouco dolorida.

— Vamos leva-la ao hospital Henrique, talvez tenha quebrado algo. — Minha mãe falou.

— Eu não preciso mãe, eu estou bem.

— Então vamos para casa, minha filha. — Será que ela estava realmente preocupada ou era só mais umas de suas atuações? Me perguntava.

— Muitíssimo obrigado Sr. e Sra. Swan por me acolherem e cuidarem de mim, e obrigado mais uma vez Emma. — Agradeci olhando mais uma vez aqueles olhos verdes.

— Me agradeça ficando em lugares quente. — Disse sorrindo para mim.

— Ahh, e quanto as roupas, eu entrego a Emma quando ela voltar para Boston

— Não precisa se preocupar. — Disse Branca beijando minha face em despedida.

Meu pai agradeceu a todos mais uma vez e passamos por o portal da porta. A última visão que tive antes da porta se fechar atrás nós foi a de Henry chorando no coloco de Emma, levantando os bracinhos em minha direção.

Chegando em casa fui recebida por um abraço de Zelena que fez com que todos os meus músculos machucados chorassem.

— A Regina está machucada Zelena, assim você irá machucá-la ainda mais. — Agradeci mentalmente ao meu pai. — Vamos leva-la para o quarto dela comigo Hades, vamos dar uma olha para ver se está tudo no lugar.

Hades parecia estar pronto para me pegar nos braços. — Não! Nem pense nisso. — Falei pausadamente. — Só me tragam um analgésico e um anti-inflamatório, pois hoje é segunda e preciso voltar para Boston.

— Mas Regina, você não é médica, não deve se auto-medicar. Me deixe dar uma olhada em você. — Disse Hades

— Muito obrigado por me lembra desse detalhe Hades, mas os Swans cuidaram muito bem de mim, aliás, quem caiu do cavalo fui eu, e eu sei como estou me sentindo. Tive no máximo um braço deslocado.

— Então me deixe dar uma olhada. — Disse prestativo. Como eu odiava esse papel de bom moço.

— Ele já foi colocado no lugar, obrigado.

Boston — Segunda à tarde.

— Sra. Mills, você tem visita.

Notas finais
Quem será essa visita hein? Obrigado por lerem, bjus e até o próximo capítulo.